“Um grafite” ou “uma grafite”? A grafite ou o grafite? Grafite é masculino ou feminino?

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Quando sua lapiseira ficava vazia, sem carga, você precisava pedir a algum colega… uma grafite ou um grafite?

Resposta rápida: O certo é “uma grafite”. O mineral que serve para escrever e desenhar é “a grafite”, feminino. (Portanto, o certo é “Você pode me emprestar uma grafite?”) Já “um grafite” ou “o grafite”, no masculino, é a arte urbana feita em muros por grafiteiros. (“O grafite é o primo rico da pichação, e os grafiteiros são os primos ricos dos pichadores”).

Resposta completa: Sim, eu cresci minha vida toda pedindo “um” grafite emprestado em sala de aula quando minha lapiseira fica vazia. Mas também cresci pedindo para tirar “o” alface de pratos, e nem por isso os dicionários se adaptaram a mim: em português correto, a alface é apenas um substantivo feminino (por isso o Horácio, dinossauro do Maurício de Souza, adorava comer alfacinhas, e também por isso o que se tem popularizado pelo Brasil em anos recentes é alface americana, não -o). E, da mesma forma, em português correto, o mineral (sim, é um mineral) que “recheia” lápis e lapiseiras é a grafite, no feminino.

Aliás, tanto Aurélio quanto Houaiss preferiam que se dissesse, nesses casos, “a grafita”. E por quê? Pura implicância sem motivo? Não exatamente. O fato é que, em geral, os nomes dos minerais, em português do Brasil, terminam com “-ita”: a bauxita, a lazulita, a tremolita – enquanto a terminação “-ite” é em geral destinada a condições médicas, em geral inflamações: a tendinite, como se sabe, é a inflamação dos tendões; a rinite, das vias nasais (“rino” = nariz); a falite, do pênis; mastite, da mama; gastroenterite, mielite, conjuntivite, etc.

A mesma diferenciação não ocorre, porém, no português europeu: em Portugal, os nomes dos minerais são aportuguesados com a terminação “-ite”: lá se diz “a bauxite”, a lazulite, a tremolite – e, naturalmente, “a grafite”.

O fato, porém, é que, no Brasil, a pedra chamada grafite se impôs na forma com “-ite” – tanto que, embora registrem “grafita” como forma preferencial, os dicionários Aurélio e Houaiss também aceitam “a grafite”.

O que não se admite, recorde-se, é usar “o grafite” para se referir ao material encontrado dentro de lápis e lapiseiras.

O uso equivocado do artigo masculino (“o grafite” ou “um grafite”) nesse caso é certamente reforçado pelo fato de também existir, em português, “o grafite”, substantivo masculino: o grafite é a arte urbana, feita em muros por grafiteiros; a “pichação que não é pichação”. Os mesmos dicionários já mencionados dão como forma preferencial, para o nome dessa forma de arte, “grafito” (do italiano, grafitto). Mas, novamente, o fato é que “o grafito” tem tão pouco uso em português quanto “a grafita”.

Em suma, use mesmo “a grafite” e “o grafite”, recordando apenas que “uma grafite” ou “a grafite” é o material dentro de um lápis e colocado dentro de lapiseiras, usado para escrever ou desenhar; e o grafite é a arte urbana feita em paredes.

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