O certo é fotinho ou fotinha? Segundo a Academia Brasileira de Letras, é fotinho

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O diminutivo de uma foto é “uma fotinho”; o certo é “a fotinho”. As palavras terminadas em “a” e “o”, independentemente de serem masculinas ou femininas, mantêm a vogal final quando fazem o diminutivo em “-inh-“. O diminutivo de cinema, por exemplo, é cineminhA, mesmo sendo masculino; da mesma forma, uma tribo pequena é uma tribinho, mesmo sendo palavra feminina – e uma foto pequena é uma fotinho. A palavra “fotinha” está errada.

Existem duas formas mais comuns de formar diminutivos em português: uma palavra pode ir para o diminutivo por meio da inserção de “-inh-” (menininho, estrelinha, moderninho) ou pela adição dos sufixos “-zinho” e “-zinha” (meninozinho, estrelazinha, modernozinho, devagarzinho). Mas as regras de utilização dos dois tipos de terminação são diferentes, o que causa alguma confusão.

No caso dos diminutivos sem “z” – isto é, o que usam o “-inh-” -, pode-se usar como regra (para as palavras terminadas em “o” ou “a”) simplesmente incluir as letras “-inh-” entre a última letra da palavra original e as anteriores: assim, o diminutivo de cinema é cinem+inh+a = um cineminha; o “a” de cinema é mantido intacto.

Não importa que a palavra “cinema” seja masculina: a terminação da palavra manterá o “a”, que já era o “a” final de cinema.

Da mesma forma, uma tribo pequena é uma “tribinho” – assim como se diz “uma tribo”, diz-se uma “tribinho”.

Igualmente, o diminutivo de “um cinema” é “um cineminha”, o de “uma moto” é “uma motinho”, o de “um motorista” é “um motoristinha”… e o diminutivo de foto é “fotinho”.

Eventuais confusões devem vir da tradição – comum a todas as gramáticas de português à venda – de mencionar o sufixo “-inho” como sinônimo de “-zinho”, quando não, pior, como o mesmo sufixo, ao qual apenas se adicionaria ou omitiria a consoante “z” por pura eufonia.

A confusão que existe quanto ao uso do diminutivo (que faz que por vezes se ouçam formas erradas como “fotinha” ou “motinha”) deve-se ao fato de que regra completamente diferente da acima resposta, referente ao “-inh-“, é a que rege outro tipo de terminação também usada para formar diminutivos: a forma “-zinho” (e seu feminino, “-zinha”). Ao contrário da forma “-inh-“, as formas “-zinho” e “-zinha” não separam a vogal final da palavra original entrando no meio da palavra (como em cinem+inh+a), mas deixam a palavra original intacta, apenas colocando-se as formas “-zinho” (se a palavra for masculina) ou “-zinha” (se a palavra for feminina) grudadas ao fim da palavra: um cinema+zinho.

Assim, compare:

  • Diminutivo de moto: estão corretas “a motinho ou “a motozinha
  • Diminutivo de foto: estão corretas “a fotinho” ou “a fotozinha
  • Diminutivo de tribo: estão corretas “a tribinho” ou “a tribozinha
  • Diminutivo de motorista (homem): pode-se dizer “ele é um motoristinha” ou “ele é um motoristazinho
  • Diminutivo de pijama: pode-se dizer “o pijaminha” ou “o pijamazinho
  • Diminutivo de problema: estão corretas “o probleminha” ou “o problemazinho
  • Diminutivo de problema: estão corretas “o probleminha” ou “o problemazinho
  • Diminutivo de programa: pode-se dizer “o programinha” ou “o programazinho

Essa importante e fundamental diferença entre as terminações “-inho” e “-zinho” não parece, porém, ter ainda atraído a atenção dos autores de gramáticas da língua, que, de forma equivocada, limitam-se a citar “-zinho” como variante de “-inho” – quando não como o mesmo sufixo, acrescido de um “z” puramente eufônico.

Tal omissão por parte da maioria das gramáticas tradicionais, ao não abordar a formação dos diminutivos em “inho”/”inha” no caso das raras palavras femininas terminadas em “o” (como foto, moto e tribo) e masculinas terminadas em “a” (como pijama, cinema, motorista) certamente em muito contribuiu para permitir a disseminação em certas regiões (por exemplo no Rio de Janeiro) de formas irregulares como “fotinha” e “motinha”.

A quem pergunta, porém, a Academia Brasileira de Letras responde taxativamente: o diminutivo de foto é fotinho ou fotozinha – mas não fotinha:

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É essa a mesma opinião de professores de português famosos, como o professor Pasquale (ver aqui) e o professor Cláudio Moreno (ver aqui).

13 comentários sobre “O certo é fotinho ou fotinha? Segundo a Academia Brasileira de Letras, é fotinho

  1. Acho que perdi alguns coisa então.
    A propria expressão foto carece de melhor análise.
    O correto é fotografia, de modo que fotinho, não satisfaz superlativo algum.
    Fotinho ou fotinha? Qualquer um, ambos são adaptações.
    Não há motivos para restringir.

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    • Na verdade, em questões de língua, tendemos a sentir como correto o que nos soa natural – e o fato é que em São Paulo (e no Sul do Brasil), o normal é dizer fotinho (assim como uma moto pequena é uma motinho), enquanto no Rio de Janeiro as formas que se popularizaram foram “fotinha” e “motinha”. Há uma diferença regional de uso – isso é fato. O que se pretendeu aqui, porém, foi mostrar que, do ponto de vista gramatical, são as formas fotinho e motinho que fazem sentido – mantém-se sempre a vogal final, do mesmo modo que um guarda-chuva pequeno é um guarda-chuvinha, não *guarda-chuvinho, uma tribo pequeno é uma tribinho, não *tribinha, etc.

      A opinião não é somente minha – é também o que responde a Academia Brasileira de Letras –
      que, apesar de não contar com um grupo de linguistas e apesar de ser carioquíssima -, responde:

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      É essa a mesma opinião de professores de português famosos, como o professor Pasquale (ver aqui) e o professor Cláudio Moreno (ver aqui).

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  2. O diminutivo é “fotinha”, visto que a palavra, em sua forma original, é fotografia; sendo assim, o que se analisa para a sua redução não serve de parâmetro para criar esse substantivo que parece estar na moda: fotinho… Onde já se viu? Eu, hein…

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    • Seguindo o seu “raciocínio”, teríamos: a motinha, “visto que a palavra, em sua forma original, é” a motocicleta; a tribinha, “visto que a palavra, em sua forma original, é” a tribo; o pijaminho, “visto que a palavra, em sua forma original, é” o pijama; o programinho, “visto que a palavra, em sua forma original, é” “o programa”.

      Enfim, você passou tão longe do ponto que não consegue estar nem sequer errada.

      O que me assusta é a quantidade de pessoas que, tão somente por conhecer mais ou menos bem a norma culta e não cometer tantos erros quanto a média dos brasileiros, julga poder falar de assuntos que não domina com base em achismos aparentemente lógicos.

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      • Na verdade, em questões de língua, tendemos a sentir como correto o que nos soa natural – e o fato é que em São Paulo (e no Sul do Brasil), o normal é dizer fotinho (assim como uma moto pequena é uma motinho), enquanto no Rio de Janeiro as formas que se popularizaram foram “fotinha” e “motinha”. Há uma diferença regional de uso – isso é fato. O que se pretendeu aqui, porém, foi mostrar que, do ponto de vista gramatical, são as formas fotinho e motinho que fazem sentido – mantém-se sempre a vogal final, do mesmo modo que um guarda-chuva pequeno é um guarda-chuvinha, não *guarda-chuvinho, uma tribo pequeno é uma tribinho, não *tribinha, etc.

        A opinião não é somente minha – é também o que responde a Academia Brasileira de Letras –
        que, apesar de não contar com um grupo de linguistas e apesar de ser carioquíssima -, responde:

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        É essa a mesma opinião de professores de português famosos, como o professor Pasquale (ver aqui) e o professor Cláudio Moreno (ver aqui).

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