Broxar ou brochar? Brocha ou broxa? O certo é broxante ou brochante?

Com o sentido de “não conseguir ter uma ereção“, “ser ou estar sexualmente impotente“, “ficar desanimado, sem forças“, a grafia correta é broxar, com x. Algo desanimador é algo broxante, também com “x” . É assim (com “x”) que o Dicionário Aurélio e os dicionários da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa – assim como os dicionários de Aulete, Luft, Bechara, Michaelis, Priberam, e do Professor Pasquale  escrevem as palavras “broxa”, “broxar”, “broxado” e “broxante”, em seus sentidos ligados à impotência sexual.

Existem os substantivos broxa e brocha, nomes de dois objetos diferentes: brocha, com ch, é um tipo de prego curto; enquanto broxa, com x, é um pincel pequeno.

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Já desde o século retrasado, sempre se fez diferença, em português, entre broxa e broxar com “x”  e brocha e brochar com “ch”; e foi sempre a forma com “x” a usada com o sentido informal de impotência sexual, disfunção erétil.

Brocha (com ch) é um tipo de prego, enquanto broxa, com x, é tanto o nome do tipo de pincel quanto um jeito informal de se referir a um “indivíduo sem potência sexual”. Aurélio, Caldas Aulete, Celso Luft, Evanildo Bechara, Michaelis, o Professor Pasquale e os dicionários da Academia Brasileira de Letras registram, assim, também o verbo broxar, com os seguintes significados: 1. pincelar, pintar; 2. perder a potência sexual; 3. (por extensão) perder o entusiasmo, desanimar.

O Dicionário Aurélio traz também o adjetivo broxante: 1. que torna alguém broxa (sexualmente impotente); 2. cansativo, importuno.

As formas com “x” são as únicas aceitas pelo Dicionário Aurélio, pelos Dicionários da Academia Brasileira de Letras e por todos os demais principais dicionários brasileiros – com exceção do Dicionario Houaiss, cuja equipe se equivoca e diz que tanto “broxas” (pincéis) como “brochas”  (pregos) devem ser escritos da mesma forma (assim como os verbos) – e, segundo eles, preferivelmente com “ch”.

Essa posição, que é apenas do Houaiss, contraria toda a história da palavra na língua portuguesa. Todos os dicionários brasileiros do século XIX e XX que registraram a palavra o fizeram com “x”; mesmo na colossal Décima Edição do Grande Dicionário de Moraes, considerada o mais completo dicionário da língua portuguesa até hoje, encontram-se os sentidos de “pincel” e “sexualmente impotente” como significados de “broxa”, e não de “brocha“.

O mais recente Dicionário (o de 2009) da Academia Brasileira de Letras confirma o que sempre se ensinou: brocha, com “ch”, é só um prego; “broxa”, com “x”, é um pincel ou alguém impotente; e broxar é “ficar impotente”:

Também o Dicionário da Academia portuguesa faz exatamente a mesma distinção: “broxar”, somente com “x”, é que significa “ficar impotente”, “desanimar”:

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Que broxa, como sinônimo de impotente, se escreve com x (e não com “ch”) é o que ensinam ainda os dicionários de Silveira Bueno (“broxar: perder a ereção; perder o interesse, o estímulo; broxante: que faz perder o estímulo ou interesse“), os de Celso Luft, os de Sacconi, o Michaelis, o Caldas Aulete, o Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa (da Enciclopédia Britannica), o Dicionário de Usos do Português do Brasil (2002), de Francisco Borba, e (foto a seguir) o Dicionário do Professor Pasquale (2009):

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Dicionário de Português Comentado pelo Professor Pasquale – 2009

Em seção em que inclui casos de “erros comuns da língua” e “dicas de português”, o Manual de Redação da Folha de S.Paulo menciona expressamente: “Broxa, com x, significa pincel grande e indivíduo sem potência sexual. Brocha, com ch, significa, entre outras coisas, prego curto de cabeça chata.

O Aulete, aliás, disponibiliza hoje livre acesso ao texto “original” de sua primeira versão, o que atesta que em 1881 em Lisboa (data e local de publicação do primeiro Aulete) já se registrava o uso de broxar, com “x”, com o significado de “Mostrar-se sexualmente impotente.

Também o Dicionário de Usos do Português do Brasil (DUPB), de Francisco Borba – o único dicionário brasileiro a usar um córpus técnico, de ocorrências efetivas de cada palavra na língua escrita, para escolher as palavras que definiria – traz broxarbroxantebroxada, todos apenas com “x”, nos sentidos que remetem a impotência sexual, com exemplos retirados da imprensa brasileira: “Nunca uma interrupção para o tempo técnico foi tão broxante.“; “Foi uma broxada que dei com uma amiga“; etc. Já o verbo brochar sequer aparece entre as 65 mil palavras mais usadas no Brasil registrada pelo DUPB; apenas o substantivo “brocha” aparece, mas em seu sentido próprio, de prego (também abonado por exemplo tirado da imprensa brasileira): “Veio a crise mexicana e o governo brasileiro, mais uma vez, viu-se pendurado na brocha.

Os Dicionários da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras trazem “brochar” como “costurar as páginas de um livro; pregar com brochas (pregos curtos)”. “Broxar”, com “x”, a Academia Brasileira de Letras define, por sua vez, como “mostrar-se sexualmente impotente”- conforme fotos a seguir:

 

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Em resumo: desde seu “nascimento” na língua portuguesa (o que ocorreu, conforme registros, antes de 1875), as palavras “broxa” e “broxar”, no sentido de “(ficar) impotente”, sempre se escreveram com “x” em português. É a única forma aceita por todos os nossos dicionaristas, com a única exceção do Houaiss – que, como já dissemos (e exemplificamos) anteriormente, é um dos melhores dicionários da língua portuguesa, mas tem seus erros – que não são poucos.

19 comentários sobre “Broxar ou brochar? Brocha ou broxa? O certo é broxante ou brochante?

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  5. Mas o Houaiss explica essa posição deles (bem cripticamente, é verdade, num perfeito exemplo do antônimo de eloquência): “A grafia broxa (que se vê em MS, A.G. Cunha e desde então) deve-se a equívoco, porque baseada em grafia de MS, em 1813, quando antes, em 1712, há em RB 1brocha ‘fecho de latão’ e 2brocha ‘pincel’; o étimo lat. pop. brŭscia, apontado para broxa por A.G. Cunha, é o que Said Ali, no texto da Ceia de Trimalião, aponta para bruxa.”

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    • Mas, querido ou querida “em defesa do Houaiss”, em nenhum momento aqui sequer se cogitou discutir se a grafia, etimologicamente, faria sentido ou não – isto é, se a posição do Houaiss tem fundamentação etimológica. A questão, simplesmente, é que não pode o Dicionário Houaiss, ou qualquer dicionário autoral, simplesmente corrigir uma grafia histórica, como fez o Houaiss, sem alertar seus leitores – que, por exemplo, procuram “broxar” no Houaiss e lá encontram que esta é “forma não preferível de brochar”, sem qualquer explicação – uma falha gravíssima do Houaiss, na medida em que o uso que ele dá como preferível é condenado pelos demais dicionários, por manuais de redação, gramáticas, livros de estilo, professores, etc. Perguntamo-nos o que aconteceria, ademais, se o Aurélio, o Aulete, o Priberam – enfim, cada dicionário – começasse a unilateralmente “corrigir” palavras com mais de um século de registro (como essa) que historicamente foram escritas erroneamente? Esse é, é claro, um papel que não cabe a dicionários, especialmente a dicionários escolares (como publicados pelo Instituto Houaiss), e jamais unilateralmente e sem qualquer coordenação com as Academias da Língua, com os demais dicionários, etc. – e, especialmente, sem um alerta enorme em todas as formas afetadas – o que o Dicionário Houaiss não faz; o alerta só vem em um verbete, em linguagem críptica – não fica claro que se está “propondo” algo “inovador” – e o consulente não é alertado para o fato de que o uso recomendado pelo Houaiss contraria o dicionário da Academia Brasileira de Letras, os demais dicionários e manuais, o que poderia causar – como já sabemos de casos em que de fato causou – verdadeiros prejuízos a consulentes que se fiaram na indicação do Dicionário Houaiss inadvertidamente.

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