O significado de meganha: policial

Em diversas partes de norte a sul do Brasil, meganha é um sinônimo informal (em geral com conotação depreciativa) para um policial. Originalmente, meganha designava especificamente os antigos “soldados de polícia”, membros das guardas provinciais na época do Brasil Império, que ganhavam a metade dos soldos dos militares oficiais, membros do Exército – daí o nome de “meia-ganhas”, que rapidamente evoluiu para “meganha” e, menos rapidamente, passou a designar qualquer policial ou guarda (militar, civil, guarda municipal, agente de trânsito, etc.).

Originalmente, o substantivo meganha aplicava-se aos chamados “soldados de polícia”, membros das antigas “forças públicas”, brigadas paramilitares provinciais, responsáveis pela segurança pública nas então províncias (posteriormente Estados) do País até a institucionalização, já durante o regime militar, da atual Polícia Militar.

Com a mudança das próprias instituições policiais brasileiras e a extinção das antigas “forças públicas” e dos “soldados de polícia”, o termo meganha teve seu sentido expandido até abranger todo e qualquer policial ou guarda (militar, civil, guarda municipal, agente de trânsito, etc.).

Em São Paulo, é difundida a tese de que a palavra viria de “me ganha”, do verbo “ganhar” – como numa frase supostamente dita por um delinquente: “me ganha” (no sentido de “me pega (se conseguir)”. No entanto, a palavra é muito anterior a esse sentido novo de “ganhar”, e muito mais espalhada geograficamente; “meganha”, aplicada aos membros das antigas forças públicas, remonta aos tempos da Guerra do Paraguai (1864 a 1870), em que se permitiu aos membros dessas forças provinciais lutarem junto aos militares.

Esses “soldados de polícia” ganhavam, porém, apenas a metade do soldo que era pago aos membros efetivos do Exército de cargo ou posição hierárquica equivalente; por essa razão, teriam passado a ser chamados “meia ganha”, que resultou na forma “meganha”.

Ademais dos registros históricos que comprovam o uso de “meia ganha” já dois séculos atrás, nota-se, por fim, que o substantivo “meganha”, com a pronúncia hoje observada no Brasil (em que o “e” tem som próprio, de “e”, e não de “i”) não poderia vir da expressão “me ganha”, que obrigatoriamente teria entrado na língua informal dos brasileiras com a pronúncia “miganha”, em consonância com a pronúncia geral do pronome “me” átono.

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