Bom senso não leva hífen, e é de muito bom senso que assim seja

Bom senso não tem hífen; escreve-se: o bom senso, sempre sem hífen. É assim que está registrado nos dicionários (AurélioHouaissMichaelis, etc.) e vocabulários.

A 5ª edição do Vocabulário da Academia Brasileira de Letras (o VOLP) chegou a ser impressa, em 2009, com “bom-senso”, absurdamente, com hífen; mas, tão logo lhes apontamos o erro, rapidamente sumiram com a falsa “palavra” de seu banco de dados e do corpo do dicionário que publicaram no ano seguinte.

Por não se tratar de uma palavra, mas sim de duas (“bom” e “senso”), a expressão desapareceu por completo do site da Academia – corretamente, diga-se; por se tratar não de uma palavra composta, mas de uma expressão, só se achará “bom senso” em dicionários, e ainda assim não como entrada própria, mas, sim, ao fim do verbete correspondente ao núcleo da expressão (neste caso, a palavra “senso”), junto de outras expressões que usam a palavra.

É o que ocorre ao consultarmos os bons dicionários da língua, como o Houaiss, o Aurélio e o Priberam, em cuja excelente busca o termo “bom senso” remete o consulente, corretamente, para a palavra “senso”, abaixo da qual figura a procurada expressão “bom senso”, acima de “senso comum” (ambas sem hífen).

“Bom senso” não tem e nem poderia levar hífen porque não é uma única palavra, composta; são duas palavras independentes, que não têm motivo para serem ligadas por hífen.

Há, é certo, entre muitos brasileiros e portugueses, uma certa “mania hifenizadora”, uma tendência a colocar hifens em toda e qualquer expressão feita – com frequência equivocadamente: há quem escreva fim-de-semana, décimo-segundo, assembleia-geral, etc. O certo é “fim de semana”, “décimo segundo”, “senso comum”: todos sem hífen.

O hífen tem um propósito específico, porém – o de marcar o surgimento de um novo termo, formado pela junção de duas ou mais outras palavras, mas – é importante – desde que o novo termo tenha de fato um sentido novo, diferente da simples soma dos sentidos originais das palavras que o compõem. É por essa razão que a palavra ano-luz, nome de uma medida de distância, leva hífen, mas “ano passado” não; ou por que tio-avô, peixe-espada, porta-vozsegunda-feira têm hifens, mas “pai adotivo” ou “pai dedicado”, “peixe cru” ou “peixe frito”, “porta secreta” ou “porta traseira” e “segunda esposa” ou “segundas núpcias” não levam hífen.

4 comentários sobre “Bom senso não leva hífen, e é de muito bom senso que assim seja

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