Jogo de bocha em cancha de carpê (carpê, plural carpês: sinônimo de carpete)

[Atualização: poucos dias  após a publicação desta argumentação do DicionarioeGramatica.com pedindo publicamente a dicionarização da variante sul-brasileira “carpê”, o sempre atento Priberam se tornou o primeiro dicionário a registrar a palavra CARPÊ:  Tapete fixado ou colado ao chão. = CARPETE]

Nem só do pimbolim é feita a cultura lúdico-desportiva do Sul do Brasil: a região é provavelmente pioneira no mundo na organização de campeonatos oficiais de bocha em cancha com carpê. Cidades paranaenses e catarinenses (como MatelândiaBalneário CamboriúGeneral Carneiro e  Marechal Candido Randon) têm campeonatos municipais e mesmo regionais de bocha em carpê.

A bocha, como bem explica o Michaelis, é um jogo “popular na Itália e nas zonas aonde afluiu a imigração italiana, jogado entre duas ou mais pessoas com nove bolas, uma pequena e oito maiores, de madeira dura. Joga-se na pista a pequena, que serve de alvo, e os jogadores tentam jogar, cada um, as bolas que lhe cabem o mais perto possível desse alvo”.

Já uma cancha, como explica o Aulete, é, no Brasil, um sinônimo de quadra (de esportes): o campo preparado especialmente para a prática de certos esportes, como futebol, tênis ou basquete.

E, por fim, carpê: essa é a forma que se usa nos estados brasileiros de Santa Catarina e Paraná para “carpete” (o revestimento atapetado que é afixado no chão, cobrindo inteiramente o piso de um cômodo).

(Em tempo, convém notar, como bem fazem Aurélio, Houaiss e o Priberam, que carpete, em Portugal, significa outra coisa: um tapete grande, porém solto – isto é, não afixado nem colado ao chão; diferente, portanto, do significado brasileiro de carpete – ou carpê.)

Não nos parece que carpê tenha sido um aportuguesamento feliz: em francês a palavra é “carpette”, com o “t” obrigatoriamente pronunciado; mas a palavra chegou ao Brasil pelo inglês carpet – também com o “t” pronunciado. Terá sido possível, porém, que, ao chegar ao Sul do Brasil, o vocábulo inglês tenha sido tomado como francês – e que um erro de hipercorreção tenha levado à pronúncia pretensiosamente afrancesada “carpê” (em suposta consonância com carnê, do francês carnet; guichê, do francês guichet, etc.).

Ainda que malformada, o fato é que a palavra carpê existe há décadas – e é a única forma usada em parte significativa do Brasil – conforme registros que fazemos a seguir. Não deixa de causar estranheza, portanto, que até hoje carpê não conste de nenhum dicionário.

[Atualização: poucos dias  após a publicação desta argumentação do DicionarioeGramatica.com pedindo publicamente a dicionarização da variante sul-brasileira “carpê”, o sempre atento Priberam se tornou o primeiro dicionário a registrar a palavra CARPÊ:  Tapete fixado ou colado ao chão. = CARPETE]

Em Um gato e um grito, de 1983, Luiz Carlos Pagnozzi fala dos mil passos que pisaram o carpê cor de creme de um corredor, e posteriormente revela já ter queimado o carpê da sala.

A catarinense Casa do Carpê tem êxito na revenda de carpês para todo o Brasil, já há três décadas.

Livro da Fundação Cultural de Curitiba, de 1996, registra um quiproquó referente a uma infestação de pulgas na Fundação e ao decorrente pedido de troca de carpê.

Em Florianópolis, é comum anunciar serviços de limpeza de veículos, carpê incluído.

Na obra póstuma de Franz Hertel, publicada em 1996, encontramos: “E estapearam-se as duas, o sangue manchando o carpê bege da sala.”

Em Enigma, de 2013, o autor também fala em sangue em um carpê.

Em suas Nervuras do Silêncio, Lindsey Rocha fala não saber se um certo recinto “tem lareira”; se terá “o fogo aceso”; “se tem carpê vermelho”.

Se os brasileirismos bochacancha entraram nos dicionários brasileiros e mesmo portugueses, não há, de fato, justificativa mais que o esquecimento para não ter ainda nenhum dicionário acolhido a variante carpê.

[Atualização: poucos dias  após a publicação desta argumentação do DicionarioeGramatica.com pedindo publicamente a dicionarização da variante sul-brasileira “carpê”, o sempre atento Priberam se tornou o primeiro dicionário a registrar a palavra CARPÊ:  Tapete fixado ou colado ao chão. = CARPETE]

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