“Vale a pena”, sempre sem crase (e não “vale à pena”)

O certo é que algo “vale a pena” ou “vale à pena” – com crase ou sem: Vale a pena tem crase

Não, vale a pena não leva crase. Pode anotar: “vale a pena” é sempre sem crase; não há qualquer acento na expressão “vale a pena”.

O motivo, muito simples, é que o “a”, nesse caso, é simplesmente o artigo feminino (“a pena”, “as penas”). Não há preposição nesse caso (e a crase – “à” – é o somatório de um “a” artigo com um “a” preposição).

Basta fazer a analogia com o masculino: questionar-se se algo “vale a pena” é o mesmo que questionar se algo “vale o esforço”. Como se diz que algo vale (ou valeu, ou valerá) “o esforço” (e não “ao esforço”), deve-se dizer que algo vale ou não a pena.

Serve, igualmente, a ideologia com outras línguas: em espanhol, dizemos que “algo vale la pena”  (e não “a la pena“), e em francês, que algo “vaut la peine” – e ainda, em inglês, que algo “is worth the pain”. Em todos os casos, há apenas o artigo feminino: “vale la pena“, “ça vaut la peine”, “it’s worth the pain”, sem preposição – exatamente como em português, razão pela qual se deve escrever, sempre sem crase: “Vale a pena”; “Vai valer a pena”; “Não vale a pena”; “Valeu a pena”; “Não valerá a pena” (e não “à pena”).

Tudo vale a pena se a alma não é pequena
Fernando Pessoa

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