Cuidado! O “dicionário do aurélio” da Internet não é o “Dicionário Aurélio”

O verdadeiro Dicionário Aurélio não tem versão gratuita na Internet. O tal “Dicionário do Aurélio (dicionariodoaurelio.com) é um site vergonhosamente ruim, sem qualquer relação com o verdadeiro Dicionário Aurélio, que tenta se passar pelo verdadeiro Aurélio – mas, em termos de qualidade, é pior do que os piores microdicionários. Quem procura um dicionário de português grátis na Internet pode acessar o Dicionário Aulete (aqui) ou o Dicionário Priberam (aqui) – estes, sim, realmente bons.

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Originalmente publicado em 1975 por Aurélio Buarque de Hollanda, o Dicionário Aurélio – atualmente em sua quinta edição – é até hoje o dicionário de português mais vendido na História, o dicionário de referência no Brasil (onde “estar no Aurélio” é sinônimo de “estar [uma palavra] correta”, “existir”) e é, até hoje, um dos maiores dicionários de português jamais feitos, com 143 387 palavras definidas.

Por tudo isso, é triste que muita gente venha caindo no golpe do criminoso “dicionário do aurélio“: um site “.com“, internacional (e que, por isso, os advogados do verdadeiro Dicionário Aurélio no Brasil e em Portugal têm tido dificuldade em tirar do ar), que se aproveita da fama do mais famoso dicionário da língua portuguesa para lucrar ao enganar o público, fazendo-se passar pelo verdadeiro Dicionário Aurélio, mas apresentando verbetes e definições de péssima qualidade, roubados da primeira edição (à época, bastante incompleta) de outro dicionário virtual, o Priberam.

Assim, não se deixem enganar: diferentemente do Priberam, do Michaelis e do Aulete (que têm, sim, versões grátis, abertas, na Internet), o Dicionário Aurélio não têm versão para consulta grátis na Internet. Se estiver atrás de um bom dicionário de português gratuito na Internet, suas opções são o Priberam (clique aqui), o Michaelis (aqui) e o Aulete (aqui). Apenas para português de Portugal, há também o dicionário da Porto Editora.

O Dicionário Aurélio de verdade, atualizado, tem aplicativo virtual para celulares e para Windows, com todo o conteúdo do dicionário, mas que só pode ser acessado se for comprado; fora isso, o Aurélio “em papel” está à venda nas livrarias.

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Eis as capas das edições em papel da versão completa (o “Aurelião”) do verdadeiro Dicionário Aurélio:

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27 comentários sobre “Cuidado! O “dicionário do aurélio” da Internet não é o “Dicionário Aurélio”

  1. Pingback: Qual o maior dicionário de português? | DicionarioeGramatica.com

    • E o pior é que há blogues sobre a língua portuguesa – e muitos! – que trazem links para ele como sendo o verdadeiro “Dicionário Aurélio”. O “Linguagista” e o “Ciberdúvidas”, por exemplo, ambos o traziam, até esta nossa publicação. Mais que ajudando criminosos, estavam a ajudar a difamar o pobre Aurélio – quem usa esse dicionário ruim achando usar o verdadeiro acabará decepcionado com a qualidade do que julga ser a obra verdadeira…

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  2. E o Houaiss tem versom na Internet?
    Igualmente, se o Dicionário da Porto Editora é um bom dicionário pro português de Portugal (ainda que nom só de Portugal, tendo em conta que aqui se disse que é um dos melhores, por nom dizer o melhor, dicionário pro português africano), o Estraviz é um bom dicionário pros termos da Galiza (e na minha opiniom, o melhor dicionário galego).
    Hai uns poucos que chamam à minha língua “português da Galiza”, mas prefiro chamar-lhe “galego”. Todos na Galiza lhe chamamos “galego” e esta é uma denominação legítima, xa que a Galiza é o lugar onde naceu a língua hoje falada por mais de 250 milhões de falantes.
    E tampouco hai nengum problema que uma língua tenha 2 denominações. Velaí temo-lo exemplo do castelão/espanhol. Chama-se castelão porque é o lugar onde naceu essa língua (Castela), e espanhol porque foi Espanha o país que a expandiu polo mundo. É o mesmo neste caso: galego porque foi Galiza o lugar onde naceu a língua, e português porque foi Portugal o país que a expandiu polo mundo.
    Com isto podemos concluir que é legítimo dizer “português da Galiza”, mais que tamém o é dizer “galego do Brasil”, “castelão da Argentina” ou “espanhol da Espanha”. O certo é que moitas vezes se utiliza o termo castelão pra referirse exclusivamente à variante falada na Espanha dessa língua, como tamém se usa galego pra referirse especificamente à variante falada na Galiza. Por exemplo, os filmes e as séries em espanhol adoitam estar em duas dobragens: uma de “espanhol latino”, e a outra de “castelão”.

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    • Meu amigo galego

      Por que vocês na Galiza não igualam a ortografia do dialeto que falam à ortografia da língua portuguesa? São tão poucas as diferenças que não custaria muito a reforma.

      Com a mudança os irmãos galegos seriam reacolhidos ao amplo seio da matriz linguística portuguesa e ganharíamos todos em unidade.

      Não lhes parece boa a ideia?

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      • Ademais, nom entendo porque teríamos de renunciar às vantagens da nossa ortografia. Por exemplo, a diferenciaçom das terminações -ão/-am/-om ou antre a terceira pessoa do plural do pretérito perfeito e máis-que-perfeito (ganhárom/ganharam). Ou tamém antre “te” (CD) e “che” (CI).
        Logo á que termos em conta que o princípio inicial do reintegracionismo era o da coerência coa istória medieval da nossa língua, sempre levando em conta a pronúncia galega atual. Isto, obviamente, levaria a ũa aproximaçom à grafia de Portugal, Brasil e demais países da CPLP.
        Outra diferença é o “ũa”. Ista pronúncia segue vigente na Galiza e, segundo tenho entendido, em boa parte do Brasil. Ista grafia foi moi utilizada nas cantigas medievais, polo tanto o lógico seria recorrermos a ũa representaçom com moitos séculos d´istória. A AEG propõe grafarmos “umha”. Porém isse é um invento dos reintegracionistas, sem nengũa apariçom em calquer período da nossa língua. Além de ter o dobre de letras ca “ũa”. Isse “ũ” seria o equivalente a “umh” (na grafia da RAG, “unh”), polo que a simplificaçom é bastante importante. E, se nom me trabucare, nom existem máis verbas nas que o “u” leve til. Sendo assim, nom á confusom possível. O “uma” seguiria tendo o inconveniente de ter máis letras ca ũa, ademais de ser ũa grafia pouco ajeitada prá Galiza.
        Outro fator importante é que o castelão é o inimigo do galego da Galiza. Por exemplo, inda que a forma normativa seja “avó”, moita gente di “abuelo”. Todo o mundo sabe o que significa “avó” (graças a que é a forma normativa), peró o que máis se usa é “abuelo”. Polo que, canto máis possamos diferençar-nos do castelão dentro da coerência (ou seja, sem cair nos ipergaleguismos); melhor. Em Portugal e no Brasil usades “cantastes” ou “andai”. igual ca no castelão. Peró a maioria dos galego-falantes usamos “cantache” e “andade”. Se as formas normativas passassem a ser as mesmas ca no castelão, seria como se o galego se pegasse um tiro no pé. Implicaria a desapariçom dũa das marcas máis visíveis do galego. Ademais de que o “andade” existe dende a Idade Média ou antes. O “cantache” já nom sei.
        Á máis diferenças, mais todas têm o seu porquê. Deixo-che ista ligaçom, u poderás atopar a explicaçom a várias dilas: https://umnovoreintegracionismo.wordpress.com/normativa/

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        • Caro anónimo galego,

          Eu sei muito pouco, muito menos do que gostaria mesmo, da situação atual do galego, das controvérsias entre reintegracionistas e isolacionistas, de modo que não saberia discorrer, com profundidade, a respeito, mas me arrisco, talvez não o devesse fazer, mas me arrisco ainda assim, a dizer que os galegos têm um desafio muito complexo que resolver, ademais dos já conhecidos: preservar a identidade da sua língua, sem a engessar, porque o engessamento a mataria.

          É por isso que a sua postura de defender a coerência com a história medieval da língua, mas sempre levando em conta a pronúncia galega atual me parece muito sensata: se se privilegiasse a história medieval em detrimento da pronúncia atual, o resultado seria criar palavras que jamais se usariam; se se privilegiasse sempre o uso corrente em toda a Galiza, a influência do castelhano que já se fez sentir até aqui sobre o galego acabaria por se consolidar, em vez de refluir.

          Vocês, galegos, andam no fio da navalha: se penderem demais para um lado, engessam e matam a língua querendo preservá-la; se penderem demais para o outro, deixam-na ser cada vez mais acastelhanada.

          A mim, parece que os reintegracionistas radicais se deixam cegar a tal ponto pelo medo do castelhano que não percebem que escrever à portuguesa implicaria cometer, do mesmo modo, o suicídio linguístico que se pretendia inicialmente evitar.

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        • O do fio da navalha é ũa situaçom bem conhecida dende á tempo. O Carvalho Calero resumira-o moi bem coa frase “O galego, ou é galego-português ou é galego-castelhano”.

          Ũa das frases do isolacionismo é “Primeiro normalizar, depois normativizar”. Suponho que seria contestando a algũa crítica da parte reintegracionista, porque senom nom sei a que veio a frase. Em princípio, parece que teriam razom. Peró, na minha opiniom, teria de ser ò revés. Primeiro, averia que normalizar a língua com rigor. Enquanto nom se figer isso, o caminho cara à normalizaçom é máis difícil. Nom é impossível, peró é máis difícil. Estamos a falar de que o adversário é o castelão, ũa língua moi estável na atualidade. Pra termos as melhor armas, necessitaríamos consenso e unanimidade antre os acadêmicos da Galiza. E isso está longe d´acontecer. Tendo em conta que o castelão nom tem conflito de grafias e que mal se critica a sua normativa, nom é doado pro galego poder combatê-lo. A estabilidade do castelão é bastante sedutora, isso é um fato. Tu apanhas o “Lazarillo de Tormes” ou o “Quijote” e poucas diferenças á co castelão atual. Isso nom é nem bom nem mau, mais dá-lhe ũa aparência de ser ũa língua máis “séria” có galego. E ũa língua máis séria significa que é máis boa, se é máis boa significa que é máis importante, e se é máis importante é a que tem de ser usada. Desafortunadamente, o galego nom acaba de conseguir issa image de língua séria. Usar a mesma grafia có castelão nom ajuda, isso tenho-o craro. Os catalães, por exemplo, nom fôrom tam parvos d´usar a mesma grafia do castelão. Iles utilizam o “ny” em vez do “ñ” porque era a tradiçom na Idade Média. Logo passou a usar-se o “ñ” (coa dominaçom de Castela da Coroa d´Aragom, a partir do 1714). No entanto, cando se normalizou o catalám a princípios do século XX (processo no que esteve moi implicado o Pompeu Fabra) decidiu que o lógico seria recorreu ò único período no que a Catalunya foi livre, polo menos, no que se refere à ortografia. O léxico já foi outra istória. As palavras que definitivamente estavam perdidas disse tempo (ou seja, arcaísmos) e que dificilmente seriam admitidas polos catalães, nom fôrom incluídas. Apenas se incluírom as necessárias. Resultado? Bastante bom, o catalám é um veículo de comunicaçom normal na Catalunya; empregado por políticos, empresários, universitários… Basicamente, se quigeres estudar ou viver na Catalunya; necessitas saber catalám. Pra morar na Galiza, nom precisas o galego. Até os galego-falantes che falariam no castelão, se for necessário. Isse é um detalhe que tem a sua importância, já que reforça a ideia de: “O galego nom serve pra nada” ou “Fora da Galiza, pra que queres o galego?”. Primeiro, os reintegracionistas temos craro que issas afirmações nom poderiam estar máis erradas. Peró, inda que só se falasse na Galiza, dende cando as línguas tem de servir? Podemos dizer o que nos pete, mais o povo tem d´atopar ũa razom que os motive a usar o galego em vez do castelão. Cando digo o povo, refiro-me máis às novas gerações; na que os galego-falantes som minoria. Peró pais galego-falantes falando no castelão òs seus filhos… Averia que atopar razões pra convencer a tôdolos galegos, e agora nom as á.
          Em suma, após case 40 anos, demostrou-se que a estratégia isolacionista nom era a melhor. Ora bem, seria o reintegracionismo melhor? Cal é a melhor estratégia? A Catalunya pode marcar o caminho, peró como construímos a língua? E inda máis importante: Como conseguimos que seja aceita polos galegos?
          Desgraçadamente, nisto do galego influi moito a político. Se és de direitas, adoitas tirar cara ò castelão ou a versom isolacionista. Se és d´esquerdas, cara a ũa maior convergência co português ou cara ò reintegracionismo. Em teoria, a política e a língua nom deveriam estar misturadas. Em teoria…

          Com efeito, temos um desafio muito complexo. Atopar a soluçom nom é doado, peró o tempo está na nossa contra. Se nom agirmos rápido, dar marcha atrás vai ser bem difícil.

          Deixo-che a ligaçom a iste artigo: http://praza.gal/opinion/2048/as-dez-cousas-que-nom-lhe-deves-dizer-a-um-galego-falante/

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  3. Pingback: A expressão “no aguardo” está correta? Existe “aguardo”? (Claro que sim.) | DicionarioeGramatica.com

  4. Como todos sabem, o Babylon voltou a ser um dicionário grátis (sim, no passado, no seu lançamento, ele já foi grátis, e até a versão 9.0 era pago). Você baixa gratuitamente o engine e os glossários de uma enorme lista grátis, onde se inclui português-inglês, inglês-português, portuguê-português, etc.
    Um cidadão aí converteu o dicionário Houaiss para o formato Babylon e disponibilizou na internet. Se buscar no Google, acha.

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  5. A propósito, Anónimo galego, qual é a real diferença entre “espanhol” e “castelhano”. No Brasil são considerados meio que sinônimos. Por exemplo, se diz aqui que os argentinos falam o espanhol, mas também se diz que os argentinos falam o castelhano.
    E afinal, a Galiza pertence a que país, Espanha, Portugal, ou é uma terra de ninguém?

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    • A Galiza pertence a Espanha (https://pt.wikipedia.org/wiki/Galiza).
      Respeito a diferença entre espanhol” e “castelão”, depende do contexto. Podem ser usados como sinónimos ou nom, mais pola frase bem se entende. Por exemplo, na oraçom que apontas na que os argentinos falam espanhol ou castelão; aí seriam sinónimos. Mais nos filmes ou nas séries, moitas vezes aparecem nas dobragens como “espanhol latino” e “castelão”. Aí nom seriam sinónimos, pois com castelão refere-se à variante falada na Espanha e com espanhol latino à variante falada na Hispanoamérica.
      Polo tanto, depende da situaçom. Mais, em geral, bem se entende a que se refere.

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  6. O seu texto acima, você escreveu “Polo tanto, depende da situaçom”. Isto é galego (português da Galiza)? Em português americano (Brasil) escreve-se “Por tanto, depende da situação”.

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