Cuidado! O “dicionário do aurélio” da Internet não é o “Dicionário Aurélio”

O verdadeiro Dicionário Aurélio não tem versão gratuita na Internet. O tal “Dicionário do Aurélio (dicionariodoaurelio.com) é um site vergonhosamente ruim, sem qualquer relação com o verdadeiro Dicionário Aurélio, que tenta se passar pelo verdadeiro Aurélio – mas, em termos de qualidade, é pior do que os piores microdicionários. Quem procura um dicionário de português grátis na Internet pode acessar o Dicionário Aulete (aqui) ou o Dicionário Priberam (aqui) – estes, sim, realmente bons.

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Originalmente publicado em 1975 por Aurélio Buarque de Hollanda, o Dicionário Aurélio – atualmente em sua quinta edição – é até hoje o dicionário de português mais vendido na História, o dicionário de referência no Brasil (onde “estar no Aurélio” é sinônimo de “estar [uma palavra] correta”, “existir”) e é, até hoje, um dos maiores dicionários de português jamais feitos, com 143 387 palavras definidas.

Por tudo isso, é triste que muita gente venha caindo no golpe do criminoso “dicionário do aurélio“: um site “.com“, internacional (e que, por isso, os advogados do verdadeiro Dicionário Aurélio no Brasil e em Portugal têm tido dificuldade em tirar do ar), que se aproveita da fama do mais famoso dicionário da língua portuguesa para lucrar ao enganar o público, fazendo-se passar pelo verdadeiro Dicionário Aurélio, mas apresentando verbetes e definições de péssima qualidade, roubados da primeira edição (à época, bastante incompleta) de outro dicionário virtual, o Priberam.

Assim, não se deixem enganar: diferentemente do Priberam, do Michaelis e do Aulete (que têm, sim, versões grátis, abertas, na Internet), o Dicionário Aurélio não têm versão para consulta grátis na Internet. Se estiver atrás de um bom dicionário de português gratuito na Internet, suas opções são o Priberam (clique aqui), o Michaelis (aqui) e o Aulete (aqui). Apenas para português de Portugal, há também o dicionário da Porto Editora.

O Dicionário Aurélio de verdade, atualizado, tem aplicativo virtual para celulares e para Windows, com todo o conteúdo do dicionário, mas que só pode ser acessado se for comprado; fora isso, o Aurélio “em papel” está à venda nas livrarias.

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Eis as capas das edições em papel da versão completa (o “Aurelião”) do verdadeiro Dicionário Aurélio:

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37 comentários sobre “Cuidado! O “dicionário do aurélio” da Internet não é o “Dicionário Aurélio”

  1. Pingback: Qual o maior dicionário de português? | DicionarioeGramatica.com

    • E o pior é que há blogues sobre a língua portuguesa – e muitos! – que trazem links para ele como sendo o verdadeiro “Dicionário Aurélio”. O “Linguagista” e o “Ciberdúvidas”, por exemplo, ambos o traziam, até esta nossa publicação. Mais que ajudando criminosos, estavam a ajudar a difamar o pobre Aurélio – quem usa esse dicionário ruim achando usar o verdadeiro acabará decepcionado com a qualidade do que julga ser a obra verdadeira…

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  2. E o Houaiss tem versom na Internet?
    Igualmente, se o Dicionário da Porto Editora é um bom dicionário pro português de Portugal (ainda que nom só de Portugal, tendo em conta que aqui se disse que é um dos melhores, por nom dizer o melhor, dicionário pro português africano), o Estraviz é um bom dicionário pros termos da Galiza (e na minha opiniom, o melhor dicionário galego).
    Hai uns poucos que chamam à minha língua “português da Galiza”, mas prefiro chamar-lhe “galego”. Todos na Galiza lhe chamamos “galego” e esta é uma denominação legítima, xa que a Galiza é o lugar onde naceu a língua hoje falada por mais de 250 milhões de falantes.
    E tampouco hai nengum problema que uma língua tenha 2 denominações. Velaí temo-lo exemplo do castelão/espanhol. Chama-se castelão porque é o lugar onde naceu essa língua (Castela), e espanhol porque foi Espanha o país que a expandiu polo mundo. É o mesmo neste caso: galego porque foi Galiza o lugar onde naceu a língua, e português porque foi Portugal o país que a expandiu polo mundo.
    Com isto podemos concluir que é legítimo dizer “português da Galiza”, mais que tamém o é dizer “galego do Brasil”, “castelão da Argentina” ou “espanhol da Espanha”. O certo é que moitas vezes se utiliza o termo castelão pra referirse exclusivamente à variante falada na Espanha dessa língua, como tamém se usa galego pra referirse especificamente à variante falada na Galiza. Por exemplo, os filmes e as séries em espanhol adoitam estar em duas dobragens: uma de “espanhol latino”, e a outra de “castelão”.

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    • Meu amigo galego

      Por que vocês na Galiza não igualam a ortografia do dialeto que falam à ortografia da língua portuguesa? São tão poucas as diferenças que não custaria muito a reforma.

      Com a mudança os irmãos galegos seriam reacolhidos ao amplo seio da matriz linguística portuguesa e ganharíamos todos em unidade.

      Não lhes parece boa a ideia?

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        • No Brasil e em Portugal, o seu uso na escrita, tal como no documento em que a encontrei, é considerado erro. Só se aceita na fala coloquial, mais em algumas regiões que em outras, inclusive na fala apressada de brasileiros cultos, mas, na escrita, é tido como erro.

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      • Ademais, nom entendo porque teríamos de renunciar às vantagens da nossa ortografia. Por exemplo, a diferenciaçom das terminações -ão/-am/-om ou antre a terceira pessoa do plural do pretérito perfeito e máis-que-perfeito (ganhárom/ganharam). Ou tamém antre “te” (CD) e “che” (CI).
        Logo á que termos em conta que o princípio inicial do reintegracionismo era o da coerência coa istória medieval da nossa língua, sempre levando em conta a pronúncia galega atual. Isto, obviamente, levaria a ũa aproximaçom à grafia de Portugal, Brasil e demais países da CPLP.
        Outra diferença é o “ũa”. Ista pronúncia segue vigente na Galiza e, segundo tenho entendido, em boa parte do Brasil. Ista grafia foi moi utilizada nas cantigas medievais, polo tanto o lógico seria recorrermos a ũa representaçom com moitos séculos d´istória. A AEG propõe grafarmos “umha”. Porém isse é um invento dos reintegracionistas, sem nengũa apariçom em calquer período da nossa língua. Além de ter o dobre de letras ca “ũa”. Isse “ũ” seria o equivalente a “umh” (na grafia da RAG, “unh”), polo que a simplificaçom é bastante importante. E, se nom me trabucare, nom existem máis verbas nas que o “u” leve til. Sendo assim, nom á confusom possível. O “uma” seguiria tendo o inconveniente de ter máis letras ca ũa, ademais de ser ũa grafia pouco ajeitada prá Galiza.
        Outro fator importante é que o castelão é o inimigo do galego da Galiza. Por exemplo, inda que a forma normativa seja “avó”, moita gente di “abuelo”. Todo o mundo sabe o que significa “avó” (graças a que é a forma normativa), peró o que máis se usa é “abuelo”. Polo que, canto máis possamos diferençar-nos do castelão dentro da coerência (ou seja, sem cair nos ipergaleguismos); melhor. Em Portugal e no Brasil usades “cantastes” ou “andai”. igual ca no castelão. Peró a maioria dos galego-falantes usamos “cantache” e “andade”. Se as formas normativas passassem a ser as mesmas ca no castelão, seria como se o galego se pegasse um tiro no pé. Implicaria a desapariçom dũa das marcas máis visíveis do galego. Ademais de que o “andade” existe dende a Idade Média ou antes. O “cantache” já nom sei.
        Á máis diferenças, mais todas têm o seu porquê. Deixo-che ista ligaçom, u poderás atopar a explicaçom a várias dilas: https://umnovoreintegracionismo.wordpress.com/normativa/

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        • Caro anónimo galego,

          Eu sei muito pouco, muito menos do que gostaria mesmo, da situação atual do galego, das controvérsias entre reintegracionistas e isolacionistas, de modo que não saberia discorrer, com profundidade, a respeito, mas me arrisco, talvez não o devesse fazer, mas me arrisco ainda assim, a dizer que os galegos têm um desafio muito complexo que resolver, ademais dos já conhecidos: preservar a identidade da sua língua, sem a engessar, porque o engessamento a mataria.

          É por isso que a sua postura de defender a coerência com a história medieval da língua, mas sempre levando em conta a pronúncia galega atual me parece muito sensata: se se privilegiasse a história medieval em detrimento da pronúncia atual, o resultado seria criar palavras que jamais se usariam; se se privilegiasse sempre o uso corrente em toda a Galiza, a influência do castelhano que já se fez sentir até aqui sobre o galego acabaria por se consolidar, em vez de refluir.

          Vocês, galegos, andam no fio da navalha: se penderem demais para um lado, engessam e matam a língua querendo preservá-la; se penderem demais para o outro, deixam-na ser cada vez mais acastelhanada.

          A mim, parece que os reintegracionistas radicais se deixam cegar a tal ponto pelo medo do castelhano que não percebem que escrever à portuguesa implicaria cometer, do mesmo modo, o suicídio linguístico que se pretendia inicialmente evitar.

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        • O do fio da navalha é ũa situaçom bem conhecida dende á tempo. O Carvalho Calero resumira-o moi bem coa frase “O galego, ou é galego-português ou é galego-castelhano”.

          Ũa das frases do isolacionismo é “Primeiro normalizar, depois normativizar”. Suponho que seria contestando a algũa crítica da parte reintegracionista, porque senom nom sei a que veio a frase. Em princípio, parece que teriam razom. Peró, na minha opiniom, teria de ser ò revés. Primeiro, averia que normalizar a língua com rigor. Enquanto nom se figer isso, o caminho cara à normalizaçom é máis difícil. Nom é impossível, peró é máis difícil. Estamos a falar de que o adversário é o castelão, ũa língua moi estável na atualidade. Pra termos as melhor armas, necessitaríamos consenso e unanimidade antre os acadêmicos da Galiza. E isso está longe d´acontecer. Tendo em conta que o castelão nom tem conflito de grafias e que mal se critica a sua normativa, nom é doado pro galego poder combatê-lo. A estabilidade do castelão é bastante sedutora, isso é um fato. Tu apanhas o “Lazarillo de Tormes” ou o “Quijote” e poucas diferenças á co castelão atual. Isso nom é nem bom nem mau, mais dá-lhe ũa aparência de ser ũa língua máis “séria” có galego. E ũa língua máis séria significa que é máis boa, se é máis boa significa que é máis importante, e se é máis importante é a que tem de ser usada. Desafortunadamente, o galego nom acaba de conseguir issa image de língua séria. Usar a mesma grafia có castelão nom ajuda, isso tenho-o craro. Os catalães, por exemplo, nom fôrom tam parvos d´usar a mesma grafia do castelão. Iles utilizam o “ny” em vez do “ñ” porque era a tradiçom na Idade Média. Logo passou a usar-se o “ñ” (coa dominaçom de Castela da Coroa d´Aragom, a partir do 1714). No entanto, cando se normalizou o catalám a princípios do século XX (processo no que esteve moi implicado o Pompeu Fabra) decidiu que o lógico seria recorreu ò único período no que a Catalunya foi livre, polo menos, no que se refere à ortografia. O léxico já foi outra istória. As palavras que definitivamente estavam perdidas disse tempo (ou seja, arcaísmos) e que dificilmente seriam admitidas polos catalães, nom fôrom incluídas. Apenas se incluírom as necessárias. Resultado? Bastante bom, o catalám é um veículo de comunicaçom normal na Catalunya; empregado por políticos, empresários, universitários… Basicamente, se quigeres estudar ou viver na Catalunya; necessitas saber catalám. Pra morar na Galiza, nom precisas o galego. Até os galego-falantes che falariam no castelão, se for necessário. Isse é um detalhe que tem a sua importância, já que reforça a ideia de: “O galego nom serve pra nada” ou “Fora da Galiza, pra que queres o galego?”. Primeiro, os reintegracionistas temos craro que issas afirmações nom poderiam estar máis erradas. Peró, inda que só se falasse na Galiza, dende cando as línguas tem de servir? Podemos dizer o que nos pete, mais o povo tem d´atopar ũa razom que os motive a usar o galego em vez do castelão. Cando digo o povo, refiro-me máis às novas gerações; na que os galego-falantes som minoria. Peró pais galego-falantes falando no castelão òs seus filhos… Averia que atopar razões pra convencer a tôdolos galegos, e agora nom as á.
          Em suma, após case 40 anos, demostrou-se que a estratégia isolacionista nom era a melhor. Ora bem, seria o reintegracionismo melhor? Cal é a melhor estratégia? A Catalunya pode marcar o caminho, peró como construímos a língua? E inda máis importante: Como conseguimos que seja aceita polos galegos?
          Desgraçadamente, nisto do galego influi moito a político. Se és de direitas, adoitas tirar cara ò castelão ou a versom isolacionista. Se és d´esquerdas, cara a ũa maior convergência co português ou cara ò reintegracionismo. Em teoria, a política e a língua nom deveriam estar misturadas. Em teoria…

          Com efeito, temos um desafio muito complexo. Atopar a soluçom nom é doado, peró o tempo está na nossa contra. Se nom agirmos rápido, dar marcha atrás vai ser bem difícil.

          Deixo-che a ligaçom a iste artigo: http://praza.gal/opinion/2048/as-dez-cousas-que-nom-lhe-deves-dizer-a-um-galego-falante/

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        • Caro anónimo galego,

          Gostei tanto do artigo quanto dos comentários que se lhe seguiram. Há, nos comentários, de tudo: um reintegracionista que, sob o pretexto de salvar o galego, o mata, tomando-o por idêntico ao português europeu, como se lhe incomodasse que o galego fosse, como o português brasileiro e o europeu, uma variante do sistema galego-português; outro reintegracionista que pensa escrever em português europeu, mas se trai, escrevendo avanzado, com zê em lugar de cê cedilhado; brasileiros que exortam os galegos a valorizarem a diversidade linguística, alheios a que a pressão oficial do espanhol sobre o galego é que a desvaloriza; e galegos que tentam, com denodo, fazer entender a reintegracionistas empedernidos que escrevem bem em galego não é escrever em português europeu, porque o galego não é o português europeu, mas uma variante do sistema galego-português, assim como o português europeu e o brasileiro (e o angolano, o moçambicano, o timorense etc., que se estão afastando, paulatinamente, da norma europeia).

          Enfim, é mesmo um desafio complexo. Desejo-lhe, a você e a quem pensa do mesmo modo, muita sorte, porque, da minha parte, não os pretendo persuadir a escrever em galego como se estivessem escrevendo em português, europeu ou não, porque o serem variantes da mesma língua não significa que sejam idênticas, daí porque se lhes chama “variantes” (a muita gente parece que entender isso custa muito).

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        • Ũa soluçom comtemplada por algũus setores do reintegracionismo é seguir o modelo norueguês. Na Noruega á duas grafias oficiais: o bokmal (a língua dos livros) e o nynorsk (novo norueguês). O bokmal está máis próximo do dinamarquês (até se poderia que é ũa diste), enquanto o nynorsk reflete a pronúncia do povo e se aproxima à época d´esprendor que teve o norueguês no medievo. Isto na teoria, porque logo á o bokmal radical; que reflete a pronúncia do povo, mais utilizando a grafia do dinamarquês e o nynorsk conservador; que basicamente adapta o bokmal à grafia medieval, ou seja, à grafia do nynorsk. Ou isso tenho entendido. Peró logo antre istes extremos à milhares de posições intermédias, case tantas coma pessoas. O resultado é bastante bom; pois como existe a obriga d´aprender as duas grafias na escola, tôdolos noruegueses comprendem o dinamarquês, som capazes d´expressar-se em calquer das duas grafias oficiais e podem eleger (ou nom, tamém podem variar) a sua grafia após a escola. Podes defender que a escrita teria de basear-se na oralidade, que a grafia teria de ser a da Idade Média ou que o norueguês e o dinamarquês som a mesma língua. Todas istas divergências têm cabida na Noruega co sistema de ter duas grafias oficiais.
          É verdade que, antes da Segunda Guerra Mundial, tinha-se pensado que o bokmal e o nynorsk apenas fossem ũus passos intermédios até a configuraçom da grafia do norueguês; máis ou menos, nũa posiçom antre isses dous extremos. Peró foi rejeitado por tôdolos setores do povo, polo que a situaçom se mantém até a atualidade com bastante comodidade.
          Na Galiza poderia-se fazer o mesmo, podendo variar dende o galego ser ũa variante do castelão até o galego ser ũa variante do português/brasileiro/macaense… Isto poderia levar ò caos, ou nom necessariamente. Se se figer bem, o povo teria a opçom d´escolher livremente como quer que seja a sua grafia; se quer usar a grafia da Rosalia de Castro ou a do Martim Códax. Poderia utilizar um vocabulário máis enxebre ou máis castelanizado ou aportuguesado.
          A Galiza pode seguir o caminho que seguiu até agora, o caminho da Catalunya, o da Noruega… Á moitos caminhos e cada ũu pode levar a logares distinto. Mais eu diria que o da Noruega é o caminho máis completo, pois chegar a praticamente tôdolos sítios. Escolhendo calquer das outras opções, apenas chegar a um lado.
          Inda que pra isto têm d´aver falantes do galego, e cada vez á menos. Os que o falam maioritariamente som os anciãos, peró isse é o “probrema”: som anciãos. Iles som os que falam o galego máis enxebre, mais desafortunamente nom lhes fica moito tempo. E a sua morte significa a perda de falantes, porque os cativos que nacem na sua maioria vam falar o castelão. Isso si que é preocupante. Entenda-se: nom tenho probrema os que os demais falem castelão pois o entendo perfeitamente, nem os critico por isso. Igual que eu nom gostaria de que me criticassem por usar o galego, eu tampouco ando a dizer òs castelão-falantes que têm de falar galego. Ora bem; o que é preocupante é que as novas gerações decidam falar o castelão, que nom atopem motivos pra falar o idioma da sua terra. Polo tanto, averia que procurar motivos que possam convencer às novas gerações. Desgraçadamente, os sentimentos pouco parecem importar; acô á que atoparmos vantagens pra falar o galego, utilidades pra falá-lo. As estadísticas da Galiza revelam que, nistas momentos, nom som capazes de dar ũa resposta satisfatória e convincente a istas questões.
          Ũa grafia adequada poderia reverter iste processo. E digo “poderia” porque á algũus que acreditam que oficializando o reintegracionismo se solucionaria o probrema. E a verdade é que um mero reconhecimento nom serve pra rem. Toda açom deve ir acompanhada dũa estratégia, deve ser devidamente planejada (e tamém planejar cais serám os passos que se farám a seguir) e usar os meios de comunicaçom ò teu favor na medida do possível.
          Isso é coma coa lei Paz-Andrade. Vaia festa que montárom nos setores reintegracionistas coa sua oficializaçom. Peró é que isso nom abonda. Poucas pessoas conhecem a existência dissa lei e a situaçom pouco mudou com respeito à que avia antes da aprovaçom dissa lei. Basicamente, a nova lei foi totalmente ignorada e os políticos pouco figérom pra evitar isso.
          Ũa oficializaçom da(s) normativa(s) reintegracionista(s), se é pra termos um modelo de dupla grafia coma o da Noruega, corre o risco de ser ignorada. Se é em substituiçom da atual normativa da Real Academia Galega (RAG), entom correria o risco de ser rejeitada pola populaçom e de piorar inda máis a situaçom. E se continuarmos coa grafia da RAG, o esceário atual mal dá esperanças da possibilidade dũa eventual melhoria e recuperaçom de falantes.
          Eis o dilema que temos na Galiza.

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        • Confirmado, o traço do “che” existe dende a Idade Média.
          Deixo as cantigas nas que o atopei:

          “A máis fremosa de quantas vejo” (Anónimo)
          “Fui eu poer a mão noutro di- (Afonso X) [até se pode atopar acô um “dixe”]
          “Jograr Sac´, eu entendi” (Fernám Paez de Tamalancos)
          “Lopo jograr, és gargantom” (Martim Soares) [podemos atopar ũa terminaçom -om no tíduo. O curioso é que, segundo a biografia, o trovador é português. Polo tanto, nissa altura, inda nom devera começar o processo de substituiçom do -ão pra tudo]
          “Querri´agora saber de grado” (Roi Queimado)
          “Lourenço, soías tu guarecer (Joám Peres d´Aboim)
          “Jograr, mal desemparado” (Joam Soárez Coelho)
          “Quem ama Deus, Lourenç´, ama verdade (Joam Soárez Coelho)
          “Martin Alvelo” (Joam Soárez Coelho)
          “Rodrig´Eanes queria saber” (Lourenço) [tamém podemos atopar o ũa]
          “Joam Vaásquez, moiro por saber” (Lourenço)
          “Lourenço, pois te quitas de rascar” (Joám Garcia de Guilhade)
          “Marinha, ende folegares” (Pero Viviães?)

          De todos istes, saco a conclusom de que a escrita galega se deveria basear nas cantigas medievais. Seguimos usando moitas estruturas e vocabulário presentes nissas cantigas, diria que em cantidade maior ca em Portugal ou no Brasil.
          Se as cantigas medievais estám consideradas como a mesma língua cás falas do Brasil, Portugal, Moçambique… entom nom á nengũa dúvida de que o galego tamém é, porque é moi semelhante ò da Idade Média.
          De feito, eu estou surprendido de ver que, após 8 séculos, o galego da Galiza pouco variou com respeito a issas cantigas. Penso que as maiores mudanças da Galiza fôrom os neologismos, a necessidade dum nome prás novas invenções (ver exemplos máis abaixo). Peró som introduções, nom mudanças. Porque, do vocabulário que si que se usava na Idade Média, poucas mudanças á. Agora que entendo porque na Galiza mal estudamos como foi a evoluçom do galego. Nom se pode dizer que ouvesse evoluçom do galego com tam poucas mudanças. Isso nom é nem bom nem mau. Averá que diga quem é mau e outros dirám que é bom. Pra mim, é bom; já que significa que preservamos ũa linguagem case milenar (de feito, na oralidade, o galego si que é ũa língua milenária) de maneira case intata. Opiniom pessoal
          Canto máis eliminarmos as influências do castelão e máis enxebre seja o nosso galego, máis próximo ficará da linguagem dissas cantigas. Isto na fala, agora apenas teríamos d´usar as representações escritas da Idade Média em logar das do castelão. Se figermos isso, definitivamente, seria moi semelhante. De feito, seria igual; se excluirmos o vocabulário do deporte, o da informática, o da guerra moderna, o da medicina moderna, o do espaço…

          Ligações:

          http://glossa.gal/glosario/termo/746
          http://glossa.gal/glosario/termo/752
          http://glosario.illa1201.cli.enxenio.net/cantigas
          http://bvg.udc.es/paxina.jsp?id_obra=Cadeam++1&id_edicion=Cadeam++1001&formato=texto&pagina=1&cabecera=%3Ca+href%3D%22ficha_obra.jsp%3Fid%3DCadeam++1%26alias%3D%22+class%3D%22nombreObraPaxina%22%3ECantigas+de+amor%3C%2Fa%3E&maxpagina=13&minpagina=1
          http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=488&pv=sim
          http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1366&pv=sim
          http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1396&pv=sim
          http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1419&pv=sim
          http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1433&pv=sim
          http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1442&pv=sim
          http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1446&pv=sim
          http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1449&pv=sim
          http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1456&pv=sim
          http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1459&pv=sim

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        • Eis o que eu não consegui traduzir para português corrente:

          “Jograr Sac´, eu entendi”
          “Lopo jograr, és gargantom” (
          “Lourenço, soías tu guarecer” = Lourenço, costumavas (soer não é bem português corrente, embora ainda se use)… guarecer? Que é guarecer? Curar, como está no Priberam?
          “Jograr, mal desemparado”
          “Lourenço, pois te quitas de rascar” = Lourenço, pois pares (ou desistas?) de rascar? Que é rascar? Gritar, como está no Priberam?
          “Marinha, ende folegares” (Pero Viviães?) = Marinha, daí (Priberam) tomares fôlego (Priberam)?

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        • Jograr era o que recitava as cantigas medievais. Prá minha surpresa, nom está dicionarizada nem no Estraviz, Priberam, Porto Editora… Imagino que o equivalente será “jogral”. Afortunadamente, si que aparece no dicionário da Real Academia Galega; mais como “xograr”. Bom, e “Sac´” fai referência ò nome doutro jograr (Saco); como indica a nota geral abaixo da cantiga (ver ligaçom 1366)
          Lopo é o nome dum jograr. Gargantom (garganta + -om) significa que tem a garganta grande.
          Guareceres-te da chuvia, por exemplo, significa refugiares-te da chuvia pra nom molhar-te (definiçom recolhida no Estraviz). Porém, niste caso, acho que “guarecer” tem o significado de evitar algum perigo ou algũa possível situaçom incômoda. As duas vém sendo a mesma definiçom, peró a primeira é num sentido máis literal; enquanto a segunda se formaria por semelhança com issa definiçom. As duas som usadas na Galiza. E o de “soer” já o disseche tu. Ũa mágoa que a RAG o considere um castelanismo. Nom nego que iste fator contribuiu a que iste verbo se mantivesse vivo na Galiza, mais nom pode ser considerado como um castelanismo. Teve ũa evoluçom dende o latim perfeitamente normal, polo tanto, é um verbo perfeitamente galego.
          Desamparado, suponho.
          No Priberam, tamém aparece “arranhar”. O significado seria o de “deixar d´esfregar”. É o melhor sinônimo que atopei pra explicar o de “te quitas de rascar”. Pra mim, o significado é óbvio. Explicá-lo já nom é tam doado. Mais os sinônimos seriam “deixar d´esfregar”, “parar de coçar”…
          Acho que, no contexto da cantiga, “ende” teria máis o sentido de “com respeito de”, “a respeito de”, “acerca de”, “verbo de”…
          http://glossa.gal/glosario/termo/1278

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        • Caro anónimo galego,

          Eu tentei traduzir para o português corrente sem consultar o glossário que acompanha as cantigas, que ainda vou ler com mais vagar.

          Mas algumas coisas já me chamaram a atenção: como é antigo na língua o fenômeno que consiste na troca do ele pelo erre, como em jograr; numa das cantigas, “des” está por “desde”, exatamente como se ouve na pronúncia de muitos brasileiros, na zona rural, e mesmo na fala apressada de falantes cultos de algumas regiões, e tão corriqueira que hoje, exatamente hoje, a vi escrita num documento assinado pelo dono de uma pequena empresa que atestava não constarem pendências em nome de Fulano “dês” março.

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        • Desconhecia que “dês” era tam usado. Interessante dado.
          Ademais, polo que vejo, o seu uso deve estar admitido; pois atopei-no nos principais dicionários que adoito consultar: o Priberam, o da Porta Editora, o Estraviz e o da Real Academia Galega.
          Na Galiza, o que máis se usa som “desde” e “dende”; enquanto “des” tem um uso máis restrito (e tampouco é que se utilize moito, disque). Acho que o Estraviz o define moi bem.

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        • No Brasil e em Portugal, o seu uso na escrita, tal como no documento em que a encontrei, é considerado erro. Só se aceita na fala coloquial, mais em algumas regiões que em outras, inclusive na fala apressada de brasileiros cultos, mas, na escrita, é tido como erro.

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  3. Pingback: A expressão “no aguardo” está correta? Existe “aguardo”? (Claro que sim.) | DicionarioeGramatica.com

  4. Como todos sabem, o Babylon voltou a ser um dicionário grátis (sim, no passado, no seu lançamento, ele já foi grátis, e até a versão 9.0 era pago). Você baixa gratuitamente o engine e os glossários de uma enorme lista grátis, onde se inclui português-inglês, inglês-português, portuguê-português, etc.
    Um cidadão aí converteu o dicionário Houaiss para o formato Babylon e disponibilizou na internet. Se buscar no Google, acha.

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  5. A propósito, Anónimo galego, qual é a real diferença entre “espanhol” e “castelhano”. No Brasil são considerados meio que sinônimos. Por exemplo, se diz aqui que os argentinos falam o espanhol, mas também se diz que os argentinos falam o castelhano.
    E afinal, a Galiza pertence a que país, Espanha, Portugal, ou é uma terra de ninguém?

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    • A Galiza pertence a Espanha (https://pt.wikipedia.org/wiki/Galiza).
      Respeito a diferença entre espanhol” e “castelão”, depende do contexto. Podem ser usados como sinónimos ou nom, mais pola frase bem se entende. Por exemplo, na oraçom que apontas na que os argentinos falam espanhol ou castelão; aí seriam sinónimos. Mais nos filmes ou nas séries, moitas vezes aparecem nas dobragens como “espanhol latino” e “castelão”. Aí nom seriam sinónimos, pois com castelão refere-se à variante falada na Espanha e com espanhol latino à variante falada na Hispanoamérica.
      Polo tanto, depende da situaçom. Mais, em geral, bem se entende a que se refere.

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  6. O seu texto acima, você escreveu “Polo tanto, depende da situaçom”. Isto é galego (português da Galiza)? Em português americano (Brasil) escreve-se “Por tanto, depende da situação”.

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