Quem nasce no Sri Lanka é srilankês, não cingalês

srilanka

O Sri Lanka é um pequeno país ao sul da Índia, que ocupa a ilha que os portugueses originalmente batizaram de Ceilão.

Quem nasce no Sri Lanka é srilankês – e não “cingalês”, como dizem, erroneamente, muitos dicionários. Cingalês é o nome da língua e da etnia majoritárias no Sri Lanka; no entanto, nem todos os srilankeses são cingaleses: cerca de 10% dos habitantes do Sri Lanka pertencem à etnia tâmil.

Cingalês, palavra antiga na língua portuguesa, corresponde a Sinhalese em inglês; cingalés, em espanhol; Cinghalais em francês. O cingalês é uma das duas línguas oficiais do Sri Lanka (a outra é o tâmil).

Como define o dicionário Oxford, cingaleses (Singhalese ou Sinhalese) são “um povo originário da norte da Índia, que hoje constitui a maioria da população do Sri Lanka“.

Já o neologismo srilankês corresponde ao inglês  Sri Lankan; ao francês Sri Lankais; e ao espanhol esrilanqués: são srilankeses os “nativos ou habitantes do Sri Lanka” – de qualquer etnia, sejam eles cingaleses, tâmeis, portugueses, brasileiros ou de qualquer outra origem.

 

8 comentários sobre “Quem nasce no Sri Lanka é srilankês, não cingalês

  1. Só que o problema com srilanquês é que se conforma às regras de formação das palavras em português por começar com s seguido de consoante (neste caso r). Sei que é utópico, mas Síri (ou Siri) Lanca (com o gentílico sirilanquês), sem tradição na língua, é verdade, não causariam esse problema.

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  2. Mas o nome do país é Sri Lanca/Lanka, e “srilanquês” é perfeitamente pronunciável em português. É verdade que não há tradição na língua de palavras começadas por “sr-” – mas se trata de nome próprio, e, como tal, é normal a introdução de sequências fonéticas “sem tradição na língua”: já ninguém estranha a sequência “vl-” inicial de Vladimir ou Vladivostoque, mas, quando esses nomes próprios “entraram” na língua, causaram estranheza, por ser a sequência “vl” até então inexistente na língua. Da mesma forma, aceitamos “stalinismo” e “stalinista” na língua. Os nomes próprios estrangeiros têm essa “licença” para introduzir na língua sequências gráficas e fonéticas estranhas ao português – tais como, ainda, “comtiano”, “kantismo”, “kuwaitiano – mas, é claro, ditas sequências devem ficar restritas a esses casos (antropònimos e topônimos estrangeiros e seus derivados diretos).

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  3. Pingback: Sobre srilanquês, stalinismo,comtiano, … | DicionarioeGramatica.com

  4. O mesmo ocorre com a palavra “khmer”, que os dicionários registram como sinônimo de “cambojano”. Khmer é um povo que constitui a maioria da população do Reino do Camboja, no Sudeste Asiático. Porém, nem todos os cambojanos são khmers; no país também existem minorias étnicas, como os chams e os yaos. E também muitos khmers não são cambojanos, pois nasceram em comunidades da diáspora cambojana na América do Norte, Europa e Austrália. Creio que a sinonímia é válida apenas em referência à lingua khmer, que é o idioma oficial do Camboja.

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    • Verdade, Jean! O mesmo ocorre com muitos países: chamamos uzbeques a todos os habitantes do Uzbequistão, quando deveríamos chamá-los uzbequistaneses, pois nem todo uzbeque étnico é uzbequistanês e vice-versa; o mesmo com somalis e somalianos; azeris e azerbaijanos; com os povos tsuana e soto e os botsuaneses e lesotianos; malgaxes e madagascarenses; etc, etc.

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