“Bora” é redução de “Vamos embora”

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Bora lá? A expressão recente, coloquialmente usada para chamar, convidar ou incitar alguém a partir do local onde se está rumo a outro lugar evoluiu em poucos anos da frase “Vamos embora” para a dissilábica “Bora“.

E, atenção: por ser uma palavra paroxítona terminada em “a” (como “bola” ou “tora”), “bora” não leva acento (“bóra“, com acento, está errado).

O coloquialismo para “vamos embora” passou pelas formas “simbora” e “vambora“, antes de chegar à hoje onipresente “bora“, recentemente acolhida pelo Dicionário Priberam.

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7 comentários sobre ““Bora” é redução de “Vamos embora”

  1. Pingback: Aportuguesamentos recentes… | DicionarioeGramatica.com

  2. Por falar em coloquialimos, a língua tem essa característica de evoluir, que é onde muitas expressões populares acabam ficando esquecidas. Hoje quase não ouço mais se dizer expressões que eram muitíssimo comuns há 30 anos:

    É pau puro = É de boa qualidade, de valor, que tem firmeza.
    Matar a pau = Agir ou fazer algo com muita eficiência.
    Cobra = Pessoa competente, perita em seu ofício.
    Botar areia = Atrapalhar, prejudicar algo ou alguém; criar dificuldade.
    Fogo na roupa = difícil, trabalhoso, complicado, problemático; ser de convívio difícil; ser muito bom, muito competente no que faz.
    Fria = situação difícil; embaraço; dificuldade.
    Duro = Sem dinheiro.
    Gilete = Bissexual. Também se dizia: sujeito que “corta” dos dois lados.
    Grilo = Problema; dificuldade; perigo (ex: tô com um grilo na cuca).
    Homens = Policiais (ex.: não demorou muito os homens chegaram).
    Puta velha = Sujeito vivido, hábil, que possui muita experiência em um dado assunto. (ex: não se preocupe, fulano é puta velha e sabe como se virar).

    Nélson Mello, em seu “Conversando é que a gente se entende”, conseguiu reunir mais de 10 mil dessas expressões coloquiais.

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    • E ainda, por falar em coloquialismos, e até mesmo em neologismos, interessante é o artigo do prof. Cláudio Moreno, do site SuaLíngua, publicado em http://sualingua.com.br/2017/03/27/desprincesamento/, que transcrevo abaixo:

      “Numa coisa todo o mundo concorda: a riqueza de uma língua é medida, em grande parte, pelo número de vocábulos que ela oferece a seus falantes — assim como, em escala menor, a riqueza de cada um de nós se mede pelo número de vocábulos que conhecemos. No entanto, toda hora aparece, na minha caixa de correio, alguém que vem lamentar o nascimento de uma palavra nova. Nesta semana de Natal, um leitor que assina com o pseudônimo de Indignado vem manifestar — por que a surpresa? — a sua indignação com a palavra desprincesamento. “De onde saiu essa doidice? Os jornais publicam assim sem o menor pudor! Até dá para entender o que a palavra quer dizer, mas pode ser assim? É só inventar e pronto? Não se poderia criar um instrumento legal que regulamentasse essas novidades?”.

      Meu caro Indignado, está na hora de revisarmos alguns princípios básicos que regem nosso léxico. Em primeiro lugar, não há, neste planeta, lei com poder suficiente para regulamentar o funcionamento de uma língua. O máximo que se consegue fazer é regulamentar a sua ortografia, que é uma pura convenção entre os usuários. Tentar legislar sobre o resto — a sintaxe, a criação de palavras, o sentido que elas têm, etc. — seria tão inútil como pregar aos peixes. No caso do léxico, então, a tarefa é impossível, pois é nele que melhor se enxerga o caráter infinito do idioma.

      Ao contrário das sementes, as palavras jamais perdem o seu poder germinativo. No dicionário, em ordem alfabética, as centenas de milhares de vocábulos que ali repousam mantêm, intacta, a capacidade de gerar descendentes. Pardal, por exemplo, ali figurou, durante cinco séculos, como um simples passarinho; no momento em que resolveram assim designar os controladores de velocidade, a semente saiu de sua dormência e produziu pardalizar (as estradas), despardalizar, pardalização, despardalização… Ao contar aquela história em que Pedro Malasartes enche de moedas o fiofó de seu cavalo para enganar o fazendeiro rico e prepotente, um famoso poeta de cordel estampou na capa do folheto “O cavalo que descomia dinheiro”, evitando assim o c*gava do título popular. Aliás, por falar no tema, no tempo do presidente Figueiredo, uma lei sancionada teve de ser dessancionada para correção, sendo algumas horas depois ressancionada — dois novos galhos na árvore da palavra sanção foram criados no espaço de horas!

      Aqui se inclui também o desprincesamento, palavra feinha que surgiu em contraposição a princesamento, outra novidade. Uma mãe em Curitiba achou importante e necessário abrir uma escola para ensinar às meninas aquelas artes e atitudes que, segundo ela, caracterizam uma verdadeira princesa; a iniciativa teve tanto sucesso que já se abriram várias filiais. Outras mães, ao contrário, vendo nisso uma submissão precoce das meninas a estereótipos de gênero, trouxeram do Chile a ideia de uma escola de desprincesamento, para incutir desde cedo nas garotas a consciência do novo papel da mulher na sociedade.

      Como se pode ver, o processo é incontrolável; os vocábulos resultantes entram na implacável filtragem pelo uso e, aos poucos, vai-se vendo quais são as criações que já ingressaram na corrente sanguínea e quais vão ficar adormecidas, talvez para sempre. Gostar delas ou não, empregá-las ou não, criticá-las ou não — tudo depende da simples decisão de cada usuário. Para consolo do amigo Indignado, ofereço outra criação do mesmo quilate, o desencapetamento: já vi anúncio na internet oferecendo um “método fácil e eficaz para desencapetar um homemsexual“. Feliz Ano Novo!”

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