Doença zica (não Zika) já está no Dicionário

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É zica ou zika? É zika ou zica? Após o DicionarioeGramatica.com ter explicado por que o nome da doença chamada em inglês “Zika” só poderia ser escrito, em português, zica (com letra minúscula e com “c” – veja explicação abaixo), o sempre ágil Dicionário Priberam da Língua Portuguesa incluiu, hoje, o nome da nova doença:

zi·ca
substantivo feminino
[Medicina]  Doença infecciosa febril, acompanhada de sintomas semelhantes aos da dengue, mas mais suaves, como erupções cutâneas, dores articulares, febre baixa e dores de cabeça, causada por um vírus e transmitida ao homem pelo mosquito do género Aedes.

“zica”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/zica [consultado em 28-12-2015].

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Zika virus“, em inglês = o vírus da zica, em português. Da mesma forma que em português se chama “vírus da dengue” àquele que em inglês é o “Dengue virus” – ou que se diz em português “vírus do ebola”, “vírus da herpes”, “vírus da gripe”, “vírus da hepatite”, e não, como em inglês, “Ebola virus“, “Herpes virus“, etc. –, em português, o nome correto do novo vírus só pode ser o vírus da zica.

Em português, os nomes das doenças se escrevem com minúscula (a malária, a dengue, a gripe, o câncer, o vitiligo). Da mesma forma, deve-se escrever, em português, “a zica“.

Por pura e direta influência do inglês (em que se escreve “the Flu” para a gripe, “Ebola”, “Zika”, com maiúsculas), alguns meios de comunicação brasileiros têm escrito o nome da doença com maiúscula (o que não faz sentido em português).

Outro erro comum é chamar a doença (cujo nome em português é simplesmente zica) de “febre Zika” ou “febre zica” – novamente por influência do inglês, em que, por exemplo, se chama “Dengue fever” à doença que, em português, é simplesmente “a dengue”.

Quanto ao uso do “c” no lugar de “k”, ressalte-se que, ao contrário do que muitos pensam, o novo Acordo Ortográfico não permite que qualquer palavra nova da língua portuguesa possa agora ser escrita com “k”, “w” ou “y”. O que o Acordo Ortográfico fez (e seu texto pode ser lido aqui) foi admitir que essas três letras existem, mas que seu uso, em português, é limitado à escrita de nomes próprios estrangeiros (como “Kant” ou “Kuwait”) e seus derivados (como “kantismo” e “kuwaitiano”), mas, como explica o próprio texto do Acordo, “Apesar da inclusão no alfabeto das letras k, w e y, mantiveram-se, no entanto, as regras já fixadas anteriormente, quanto ao seu uso restritivo, pois existem outros grafemas com o mesmo valor fônico daquelas. Se, de fato, se abolisse o uso restritivo daquelas letras, introduzir-se-ia no sistema ortográfico do português mais um fator de perturbação, ou seja, a possibilidade de representar, indiscriminadamente, por aquelas letras fonemas que já são transcritos por outras“.

Entre os poucos jornais que têm usado corretamente o nome da doença e do vírus, destacam-se o tradicional Jornal do Commercio, do Recife, e O Tempo, de Belo Horizonte; em pronunciamento oficial na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, o vereador e médico Eduardo Moura também usa corretamente as formas portuguesas “a zica” e “o vírus da zica”.

vírus da zica

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