No Correio Braziliense de hoje: “Representantes de religiões de matrizes africanas denunciaram mais um ataque de intolerância contra símbolos sagrados. Um grupo de três pessoas tentou arrancar o cajado da estátua de Oxalá na Praça dos Orixás. O ato de vandalismo acontece dias antes de uma das mais importantes comemorações dos praticantes.“
Na reportagem, o jornalista conversa com uma autoridade religiosa local, usando duas grafias diferentes para o cargo do entrevistado – ambas grafias errôneas (ogan e ógan).
Ogã, substantivo masculino, era definido já meio século atrás, por Aurélio, como “título honorífico de protetores de candomblés, de templos umbandistas, etc.“. Segundo Houaiss, os ogãs são aqueles que “protege a casa de culto” e presta serviços relevantes à comunidade religiosa, na umbanda, no candomblé e em outras religiões de matriz africana.
A palavra ogã (que vem das línguas jeje e ioruba, onde significa “chefe”) deve ser escrita, naturalmente, com “-ã”, e não “ogan” – porque a terminação “-an” não ocorre em português. A esse respeito, vide a resposta anterior sobre as grafias de Butantã, Bataclã, cancã, Irã, clã, etc.
Houaiss traz ainda várias locuções que incluem a palavra ogã:
ogã beré: o último ogã a ganhar esse título, entre os seus pares
ogã colofé: na umbanda, título e cargo imediatamente abaixo do chefe da casa; tem a função de dirigir cerimônias, sacrificar animais, etc.
ogã de atabaque (ou ogã de calofé, ou ogã de tambor, ou ogã ilu): chefe dos tocadores de atabaque
ogã de altar: peji-gã (auxiliar do chefe do terreiro de candomblé ou rito afim, responsável pela conservação, limpeza e ornamentação do peji (altar) e do barracão, assim como pela organização das festas públicas)
ogã de faca: axogum (ogã que sacrifica ritualmente os animais votivos)
ogã de terreiro: no candomblé, título e cargo de auxiliar do chefe do terreiro na realização das festas públicas