Sélfie, em português, tem de ter acento

sélfie (sél.fie) (do inglês selfie)
substantivo feminino
: autorretrato digital; foto (em geral digital) que uma pessoa tira de si mesma (plural: sélfies)
                                                                 (Definição do DicionárioeGramática.com)

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A infame “Infopédia” (que mistura conteúdos do Dicionário de Português da Porto Editora, tradicional e de boa reputação, com invencionices e absurdos sem fontes, que revelam a completa ignorância de regras básicas de ortografia portuguesa de parte da amadora “equipa” que nela enfia novidades diariamente) está tentando emplacar “bastão de selfie” como “palavra do ano” – assim mesmo, em grafia que não é nem inglês nem, certamente, português.

Há vários exemplos na infame Infopédia que mostram que aqueles que vêm gerindo o projeto, posto que entendidos de marketing, não têm nenhuma noção de linguística e gramática. Mas, ainda assim, a inépcia surpreende, quando deparamos com a incompetência diante de um caso tão, tão simples: não bastava, pois, colocar um acento agudo em “sélfie”, para trazer a palavra à nossa língua, sem violar a grafia original, a pronúncia (dando-lhe a mesma terminação átona de “série”, “imundície”, “planície”) nem as regras ortográficas portuguesas?

Alguns aportuguesamentos são mais difíceis que outros: no caso de iceberg, por exemplo, não bastava trocar o berg por bergue, pois “ice-” não poderá nunca, em português, ser pronunciada “aiss” – apesar do que absurdamente propõe a Infopédia (vide aqui). O aportuguesamento correto, é claro, foi aicebergue.

Em outros casos, porém, basta colocar um acento para que um estrangeirismo deixe de violar nossa ortografia – foi simples, por exemplo, a solução quanto a tsunâmi.

No mesmíssimo caso está, é claro, a mundialmente famosa sélfie, “fotografia que a pessoa tira de si mesma”: com um simples acento agudo, colocam-se as sélfies no mesmo grupo de palavras que série e séries, espécie e espécies, superfície(s), planície(s), etc. Simples assim.

Os compostos seriam, assim, bastão de sélfie (plural: bastões de sélfie), forma mais elegante, como querem os adeptos; e pau de sélfie (plural: paus de sélfie), que parece ter caído nas graças do povo.

 

5 comentários sobre “Sélfie, em português, tem de ter acento

  1. Caro Luciano: efetivamente, o “-e” final não se pronuncia – mas também não se pronuncia o “-e” final em “série”, “imundície” (mesmo na pronúncia “castiça” dos poucos dicionários que trazem pronúncia figurada, como o da Academia Brasileira de Letras de Antenor Nascentes, o da Academia das Ciências de Lisboa e o da Porto Editora): nessas palavras terminadas em “-ie” em sílaba não tônica, o “e” final é pronunciado como “i” átono mesmo. É diferente, é claro, do espanhol, que não admite como pronúncia culta a transformação de “e” em “i” (ou a de “o” em “u”) átonos. No aportuguesamento não há, portanto, razão para se tolher o “e” final, que apenas deformaria o étimo, dificultando sua imediata associação à forma estrangeira já popular e, certamente, sua aceitação.

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    • Não sei se eu sou estranho (talvez seja), mas não pronuncio série como sere (sucessão de comunidades vegetais em uma determinada região; cada uma das comunidades vegetais que se sucedem umas às outras em determinada região, desde os estágios iniciais até o clímax
      . Para mim série, superfície, etc. são /’sɛrij/ e /super’fisij/, não /’sɛri/ e /super’fisi/. É como azul, que para mim não é /a’zu/, é /a’zuw/ e acho que para as pessoas ao meu redor também.

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      • Perfeitamente. É apenas que se está pensando apenas em uma pronúncia da palavra isolada, e feita de forma consciente – nesse caso, quase todo falante diferenciará perfeitamente “sere” de “série”, “su” de “sul”, “eminente” de “iminente”. Ao se usar as mesmas palavras naturalmente em meio de uma frase, sem consciência e necessariamente sem ter em mente a preocupação quanto a como se está a pronunciar, as diferenças entre os pares acima simplesmente desaparece (o que é impossível de ser “simulado”: é um fato da área da linguística que as pessoas não pronunciam as palavras do jeito que acham que pronunciam – e são mesmo capazes de jurar que pronunciam – ao pensarem a respeito).

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  2. Pingback: “Avódrasta”, Porto Editora?? Vamos reaprender as regras de acentuação? | DicionarioeGramatica.com

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