“Avódrasta”? Não, só pode ser “avodrasta”, sem acento

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Um neologismo bacana, para se referir à mãe da madrasta: “avodrasta”. Mas a palavra não pode ter acento, é claro. É o mesmo caso de “avozinha”, diminutivo de “avó”: é claro que a sílaba “vo” é pronunciada “vó”, e não “vô”, mas isso não é motivo para acentuá-la: não se coloca acento em toda vogal aberta (senão, escreveríamos colóca, abérta); acentu1a-se, sim, para identificar a sílaba tônica, e apenas nas palavras cuja sílaba tônica precisa ser marcada (todas as proparoxítonas e, em geral, as oxítonas).

O erro bem na capa do portal da Porto Editora é um exemplo mais dos numerosos problemas de ortografia da “Infopédia”, portal da Porto Editora, que reúne seus dicionários em formato digital. Outrora considerada dona do melhor dicionário de português de Portugal, a Porto tem, como já escrevemos em outras oportunidades, sofrido “com invencionices e absurdos sem fontes, que revelam a completa ignorância de regras básicas de ortografia portuguesa de parte da amadora” equipe da Infopédia.

Assim como o fato de terem declarado “selfie” uma palavra aportuguesada sem sequer colocarem-lhe o acento que tão facilmente a aportuguesaria (e o mesmo vale para pádel, que para virar português precisou de um simples acento, mas o qual a Porto achou desnecessário – e isso para ficarmos apenas em dois exemplos relacionados a publicações desta semana), alguém pareceu não ter ideia de por que a palavra “avodrasta” jamais poderia ter acento no “ó”. Claro que pode ter sido um simples lapso – todos os cometemos, afinal. O problema maior é que cada vez mais se nos confirma o temor de que a equipe que está a cuidar do conteúdo digital da obra não tenha o conhecimento técnico e linguístico dos heróis que elaboraram as anteriores versões em papel dos dicionários que haviam feito a Porto famosa em toda a lusofonia.

9 comentários sobre ““Avódrasta”? Não, só pode ser “avodrasta”, sem acento

  1. Já corrigiram na Infopédia.

    Eu não conhecia essa palavra. Falei com um amigo que mora no Brasil e ele também não conhecia. É que às vezes me sinto mal por não saber das últimas novidades linguísticas no Brasil, daí pergunto a uns amigos e muitas vezes eles dizem que também nunca ouviram o objeto da minha pergunta.

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    • Não deveria ser AVOLASTO e AVOLASTA? Pois, MADRASTA = MADRE + ASTA, e PADRASTO = PADRE + ASTO. Isto é, se MADRASTA e PADRASTO utilizam um radical em Português Arcaico, por que este termo não?

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  2. Fui ver na Infopédia e está sem acento! Tenho grande confiança nos conteúdos da editora.
    Quanto ao “padel”, desporto que pratico, nunca vi ser grafado com acento em Portugal! Consultem, por favor, o site da Federação Portuguesa de Padel ( http://www.fppadel.pt).

    A critica fácil e desprendida fica-vos mal. Sejam construtivos.

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    • E, prezado Roberto, por coincidência, olhe só, que coincidência: a publicação de ontem da Fundéu (“site” com proposta similar à nossa, para o espanhol) foi especificamente sobre pádel: http://www.fundeu.es/recomendacion/padel-padle-paddle-tilde/ “El término pádel se ha incorporado a la vigesimotercera edición del Diccionario de la lengua española con una grafía ajustada a su pronunciación. La adaptación de este sustantivo, procedente del inglés paddle, lleva tilde en la a por ser una palabra llana acabada en consonante distinta de ene o ese” 🙂

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    • Onde está o comentário do Rodrigo a que o anônimo galego respondeu? Isto de o autor do blogue apagar comentários é irritante, ainda mais quando escritos com polidez.

      Por que lhe interessa tanto negar a possibilidade de escrever Kôsovo, ou melhor, Kôssovo?

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    • Sem os comentários do Rodrigo, o meu comentário não fai ningúm sentido ao estar nesta entrada e que parece que dá a impresão de que a mim que me deu para escrever um comentário verbo do Kosovo numa entrada na que se fala de avodrasta.
      Não entendo porque o meu comentário não foi eliminado tamém. Pido ao autor que ponha tódolos comentários ou que os elimine todos, mais que não deixe o trabalho a médias.

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  3. Que bom que a Infopédia corrigiu o avódrasta depois da nossa publicação (que veio acompanhada da captura da imagem, acima, que não nos deixa mentir). Quanto a padel, caro Roberto, não importa que a Federação use ou não o acento – só existem duas possibilidades: ou se escreve na forma original estrangeira (“paddle”), ou se escreve à portuguesa; se a pronúncia fosse padél ou padêl, aí sim se escrevia sem acento, como “papel” ou “rapel”. Se a sílaba tônica é “pá”, é indiscutível que o acento é obrigatório – como escreve, corretamente o portuguesíssimo dicionário Priberam. Não é criticar por criticar; é criticar porque um dicionário que, como você mesmo diz, inspira tanta confiança em Portugal mantém no ar esse sítio, com conteúdo “extra” (que felizmente não figura do dicionário impresso), todo tão descuidado com a ortografia (há dúzias de exemplos de palavras escritas errado na Infopédia, que podemos reunir em um post específico, se interessar). De maneira alguma fazemos a crítica pela crítica, mas antes para mostrar que não há obras que merecem absoluta confiança – o dicionário em que mais apontamos erros aqui é o Houaiss, e justamente por o considerarmos o melhor dicionário de português existente (mas, justamente por isso, há quem acredite cegamente em qualquer coisa que conste dele, ignorando o fato de que, também lá, há dezenas de erros).

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