Em português, táblete, não “tablet”

tablets-montage

Depois de chipe, bipe, câmpus, aicebergue, bugue, minibugue e tantos outros, mais um aportuguesamento acaba de ser dicionarizado graças ao trabalho do DicionarioeGramatica.com: táblete, o aportuguesamento de tablet. Um táblete é um “computador portátil de pouca espessura e tela tátil“, como bem define o Priberam.

Portanto, em português, nada de pedir um tablet novo, ou de dizer que está comparando preços e modelos de tablets: escreva, sim, “um táblete novo”; “preços e modelos de tábletes” – em muito bom português.

4 comentários sobre “Em português, táblete, não “tablet”

  1. É curioso que um termo tão recente da informática quanto “tablet” já foi aportuguesado e dicionarizado enquanto outro de uso muito mais antigo no Brasil, “mouse”, ainda não foi.

    Mause é, na prática, o que brasileiros usam, apesar de a maioria ainda insistir em ortografar “mouse”. Isso é evidente quando pluralizam o termo: “mouses” (mauses, na verdade), ao invés do anglicismo correto, “mice”.

    Talvez esteja faltando um empurrãozinho?

    Curtido por 1 pessoa

    • Prezado Luis Miguel, você tem toda razão, em tudo que disse: é, sim, curioso que mouse não tenha sido aportuguesado antes; “mause” é, sim, a palavra brasileira, o que deveria ser refletido na escrita; e falta, provavelmente, um empurrãozinho: foi a equipe do DicionarioeGramatica.com quem recolheu extensa documentação do uso de táblete, saite, aicebergue e tantas outras, em publicações prestigiadas, e mandou relatórios sobre cada caso para os principais dicionários, resultando na aceitação por parte dos dicionários. Por que não ocorreu o mesmo com mouse? Arrisco dizer que porque, apesar de vermos mouses diariamente, não é palavra que usemos de fato: escrevemos em laptops (que, portanto, nos são muito mais familiares, mas tampouco foram aportuguesados, pois raramente escrevemos sobre laptops), sem mauses, e sequer lembramos da última vez que havíamos escrito sobre mause/mouse, ou lido a palavra – em geral restrita a contextos técnicos/comerciais, e em declínio hoje em dia – todo o contrário de saite e táblete, que estão em eterna ascensão e são usados diariamente por todas as revistas, jornais, editoras, etc.

      Curtir

      • Não estaríamos então em uma situação de ovo e galinha? Quer dizer, às vezes parece que tanto escritores quanto dicionaristas ficam esperando a atitude um do outro pra aportuguesar certa palavra. Se escritores esperarem o aportuguesamento surgir no dicionário e dicionaristas esperarem escritores usarem palavras aportuguesadas, ficamos na situação em que os mauses se encontram. A quem cabe o protagonismo do aportuguesamento?

        Em casos como o meu, que tenho textos revisados por superiores que não são tão simpáticos ao vanguardismo ortográfico, ter dicionários como referência pra um aportuguesamento facilita muito minha escrita e argumentação. Ao mesmo tempo, sou obrigado a tomar a iniciativa de aportuguesar alguns termos técnicos insubstituíveis e inevitáveis (nomes de novas moléculas, por exemplo), logo não costumo ter muito suporte de dicionários, a não ser utilizando casos análogos. Acredito que o papel de trazer termos técnicos à nossa língua é inevitavelmente de especialistas, mas também creio que dicionaristas poderiam passar a atuar de maneira mais ativa em situações mais populares.

        A propósito, meus parabéns pelo trabalho de vocês! Em discussões com chefes ou colegas durante revisão de textos, invariavelmente vão à Internet buscar se algum aportuguesamento que propus tem procedência ou fundamento. Tanto as dicionarizações recentes quanto as postagens daqui têm me ajudado bastante. A discussão sobre o vírus da zica, em especial, me foi bastante útil.

        Curtido por 1 pessoa

        • Que coisa boa de se ouvir, Luís Miguel! Agradecemos muito. A única coisa que podemos pedir em troca é que divulgue a página – em redes sociais, entre amigos, no trabalho, etc. O ideal seria, sem dúvida, que uma comissão lexicográfica oficial, com técnicos que realmente dominem todas as regras ortográficas da língua (o que infelizmente parece não ser o caso das equipes de muitos dicionários), tomasse a frente de registrar as novas palavras e apresentá-las ao público. É um projeto em que estamos trabalhando, de modo a apresentá-lo às vias oficiais. Até lá, continue a visitar-nos aqui, onde, achamos, vimos fazendo esse trabalho semioficialmente nos últimos meses.

          Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s