Eta, notícia boa: Globo corrigiu nome da novela

Nem tudo está perdido: embora achássemos que já fosse quase causa perdida quando fizemos o apelo para que a Rede Globo corrigisse o nome da novela que estreou nesta semana (ver postagem original aqui), nada como uma boa notícia inesperada – a novela enfim apareceu com título e logotipo sutilmente corrigidos (ver comparação, abaixo)!  Na publicação anterior, recordamos por que “eta” não podia levar aquele acento. Gostamos de ver, Rede Globo!

15-01-2016-40-logo-novela-eta-mundo-bom

5 comentários sobre “Eta, notícia boa: Globo corrigiu nome da novela

  1. Ótima notícia.

    É claro que a grafia êta está errada, não vou discutir isso, mas pergunto-me o que motivou a pessoa que escreveu o título da novela a acrescentar esse acento. Será que o fez para diferenciar da letra grega eta, que tem e aberto? Essa era a lógica, por sinal, por trás do acento diferencial usado antigamente: minha mãe, por exemplo, que nasceu em 1938, escrevia o pronome pessoal êle com acento para diferenciar da letra ele, grafava o almôço, substantivo, mas eu almoço, verbo, etc. Vejo, entretanto, que as regras ortográficas de 1943 não previam esse uso:

    14ª – Emprega-se o acento circunflexo como diferencial ou distintivo no e e no o fechado da palavra pôde (perf. ind.), distinta de pode (pres. ind.).
    Observação. – Emprega-se também o acento circunflexo para distinguir de certos homógrafos inacentuados as palavras que têm e ou o fechados: pêlo (s. m.) e pelo (per e lo); pêra (s. f.) e pera (prep. ant.); pôlo, pôlos (s. m.) e polo, polos (por e lo ou los); pôr (v.) e por (prep.); porquê (quando é subst. ou quando vem no fim da frase) e porque (conj.); quê (s. m., interj., ou pron. no fim da frase) e que (adv., conj., pron. ou part. explicativa).

    15ª – Recebem acento agudo os seguintes vocábulos, que estão em homografia com outros: ás (s. m.), cf. às (contr. da prep. a com o art. ou pron. as); pára (v.), cf. para (prep.); péla, pélas (s. f. e v.), cf. peta, pelas (agi. da prep. per com o art. ou pron. ta, tas); pélo (v.), cf. pelo (agl. da prep. per com o art. ou pron. lo); péra (el. do s. f. comp. pérafita), cf. pera (prep. ant.); pólo, pólos (s. m.), cf. polo, polos (agl. da prep. por com o art. ou pron. lo, los); etc.
    Observação. – Não se acentua graficamente a terminação amos do pretérito perfeito do indicativo dos verbos da 1ª conjugação.

    Ela deve ter aprendido segundo as regras de 1911:

    Quando um qualquer vocábulo que tenha por sílaba predominante a penúltima, e cuja vogal nessa sílaba seja e ou o abertos, fôr homógrafo com outro em que êsse e ou o seja fechado, marcar-se hão êstes com o acento circunflexo. Assim se diferençarão rêgo, substantivo, e rego, verbo; pêgo, ave, e pego, abismo, ou forma do verbo pegar; rôgo, substantivo, e rogo, verbo; sôbre, preposição, e sobre, verbo; mêdo, susto, e medo, nome étnico; dêmos, presente do subjuntivo, e demos, pretérito (do verbo dar).

    Devia ser muito mais difícil escrever nessa época, porque era necessário que o escrevente tivesse um vocabulário excepcional para saber se há homógrafos ou não. Talvez por isso tal regra tenha sido abolida.

    E o acento diferencial no Acordo Ortográfico de 1990:

    6 Assinalam-se com acento circunflexo:
    a) Obrigatoriamente, pôde (3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo), que se distingue da correspondente forma do presente do indicativo (pode);

    b) Facultativamente, dêmos (1ª pessoa do plural do presente do conjuntivo), para se distinguir da correspondente forma do pretérito perfeito do indicativo (demos); fôrma (substantivo), distinta de forma (substantivo; 3ª pessoa do singular do presente do indicativo ou 2ª pessoa do singular do imperativo do verbo formar)..

    E desfez-se a diferenciação, por exemplo, entre pára verbo e para preposição, lamentada por muitos.

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  2. O curioso é que o título do famoso programa humorístico “Os Trapalhões” nunca foi corrigido para “Os Atrapalhões”; uma vez que a palavra “trapalhão” não existe, segundo observou o famigerado coronel da Gramática Napoleão Mendes de Almeida. Ou foi propositada essa grafia por se tratar de um programa de humor, justificando, nesse caso, a mutilação da palavra?

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  3. Nem uma coisa nem outra, Carlos: foi, isso sim, uma das trapalhadas do Napoleão. Foi não pelo seu conservadorismo caricato, mas por erros como esse que ele caiu no ostracismo mesmo em vida, e já é hoje desconhecido e ignorado em cursos de letras e nas redações – por suas várias “bolas fora” (como querer “obrigar” a grafia “esfia” em vez de esfiha ou esfirra, ou condenar o uso de “constatar” por supostamente vir do francês – como se praticamente todas as palavras da língua portuguesa não tivessem vindo de outras línguas…). Ao contrário do que afirmava com tanta veemência Napoleão, a palavra trapalhão – e trapalhada – nada têm a ver com o verbo atrapalhar (nem poderiam ser uma deturpação de “atrapalhão”, palavra não existe nem nunca existiu). “Trapalhão” e “trapalhada” (“multidão de trapos; por ext., fig. e fam.: confusão, cousa enredada”) já aparecem no Grande Dicionário de Moraes, sexta edição, de 1858. Uma bela trapalhada do Napô, como se vê – tanto mais ridícula quanto mais arrogantemente argumentava ele que todo o mundo estava errado, só ele que não.

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