A omelete, a musse e a quiche (como a alface)

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O certo é o omelete ou a omelete? Diz-se a musse de chocolate ou o musse de chocolate? Uma quiche ou um quiche? Resposta: na norma culta da língua portuguesa, esses três nomes de alimentos, vindos do francês, são femininos. O certo, portanto, é falar em uma omelete espanhola, uma linda musse de maracujá (ou até uma musse para o cabelo) e uma deliciosa quiche quentinha.

Na língua informal, no Brasil, era relativamente comum ouvir esses três substantivos, relativamente recentes na língua portuguesa, sendo usados no masculino: há quem diga “o musse”, “um quiche”, “um omelete”. Tais usos, porém, têm se tornado cada vez mais restritos, uma vez que são considerados errados por todas as gramáticas, livros de português tradicionais, pelo Dicionário Aurélio e pelos demais dicionários brasileiros, como o Michaelis, o Aulete e o Luft. Também em Portugal, assim como na própria língua francesa, esses três substantivos só são usados no feminino.

Talvez de modo a refletir o fato de que, por erro, diante de vocábulos novos na língua portuguesa como esse, alguns falantes usarem (cada vez menos) o gênero masculino para esses substantivos, o Houaiss lista “omelete” como substantivo feminino ou masculino. É um erro, claro (afinal, mesmo quem fala “um omelete” não fala “omelete francês”, e sim “omelete francesa”). Além do que, erros na atribuição de gênero são comuns no caso de substantivos com a terminação em “e”: basta pensar em alface, que ocorre quase na mesma proporção no masculino que no feminino em português – mas nenhum dicionário legitima esse uso de “o alface“.

Errou (mais uma vez), portanto, o Houaiss, como também erra o Priberam (que, como no caso de broxar/brochar, acabou copiando e passando adiante um erro do Houaiss). Se quisesse de fato fazer um registro abrangente e inclusivo, deveriam – o Houaiss ou o Priberam – deixar, como alerta, a explicação de que “omelete” também ocorre no gênero masculino em português, com a ressalva de que esse uso é estigmatizado e condenado por livros de estilo, gramáticas, livros de português e dicionários do nível do Aurélio.

2 comentários sobre “A omelete, a musse e a quiche (como a alface)

  1. É um erro, claro (afinal, mesmo quem fala “um omelete” não fala “omelete espanhol” ou “omelete francês”, e sim “omelete espanhola” e “omelete francesa”).
    A internet desmente isso, mesmo em sites de receitas:
    2510 ocorrências de omelete espanhol
    2830 ocorrências de omelete espanhola.
    1330 ocorrências de omelete francês
    2060 ocorrências de omelete francesa

    O páreo está duro, principalmente entre omelete espanhol e espanhola.

    Não estou defendendo o omelete, longe de mim, só retificando uma informação.

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  2. É uma tristeza o que o Houaiss fez com a lexicografia brasileira e portuguesa. Ninguém mais se dá o trabalho de incluir palavras novas – só inclui as que já constam do Houaiss, ou do VOLP da ABL – o que dá no mesmo, pois todos os acréscimos do VOLP na última década foram extraídos do Houaiss. E as definições, então: das novidades do Michaelis ao Sacconi, do Aulete ao Priberam, todas as definições são parafraseadas do Houaiss, sem nenhum senso crítico – perpetuando erros de prosódia, erros de masculino ou feminino, erros de palavras inventadas quando já havia vernáculas que o Houaiss desconhecia, e perpetuando mesmo erros grosseiros de grafia, como o “brochar”. Uma lástima.

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