Por que os brasileiros não entendem os portugueses?

É pergunta recorrente: por que os brasileiros simplesmente não entendem o português hoje falado em Portugal (o que faz que falas de portugueses sejam legendadas na televisão brasileira), enquanto os portugueses entendem tão bem os brasileiros que consomem novelas, filmes e até humorísticos brasileiros?

A resposta poderia estar, é claro, na análise dos exemplos acima como causa (ao menos parcial), mais que consequência: os brasileiros não entendem os portugueses porque quase não se ouve música portuguesa no Brasil, não veem filmes portugueses no Brasil, não se exibe nenhum programa português na televisão brasileira – à diferença do que ocorre em Portugal, país que é diariamente bombardeado por produções do quinto maior país do mundo.

Mas outro elemento que não pode ser desconsiderado é linguístico: o sistema fonético do português europeu atual.

O próprio Instituto Camões, em sua página, afirma que “a mais notória diferença em relação ao Português do Brasil diz respeito às vogais não acentuadas, que são muito mais audíveis no Português brasileiro do que no europeu, sendo, nesta variedade, muito reduzidas, o que leva, por vezes, à sua supressão. Esta característica do Português europeu tem como consequência que os estrangeiros compreendem melhor a pronúncia de um brasileiro do que de um português, sentindo, neste último caso, que a língua parece ter só consoantes”.

Quem analisou com bom humor esse fa(c)to foi o português José Carlos Fernandes, n’O Observador:

“Os portugueses costumam estranhar que compreendam sem dificuldade o português falado no Brasil e o espanhol, mas que brasileiros e espanhóis não sejam capazes de perceber o português de Portugal. Esta falta de reciprocidade é muitas vezes atribuída ao “jeito natural para as línguas” dos portugueses (um atributo imaginário que faz parte da nossa auto-imagem) e a uma suposta incapacidade congénita de brasileiros e espanhóis para compreenderem e se expressarem noutras línguas.

Mas se fizermos um pequeno esforço de abstracção e distanciamento e nos ouvirmos de forma analítica, emerge uma explicação mais plausível: a pronúncia do português europeu falado tende a ser impenetrável. Em contraste com o português do Brasil e o espanhol, a maior parte das sílabas do português de Portugal são fechadas e os “ss”, em vez de sibilarem, soam como “ch” e “j” (o que os brasileiros pronunciam como “áz óbráz”, nós pronunciamos como “ajóbraj”).

Como pode um brasileiro perceber que o som “froch” emitido por um português corresponde à palavra “feroz”?

Quando um grupo de portugueses se desloca ao estrangeiro, alguém que os ouça falar entre si e não tenha familiaridade com o português, é tentado a atribuir-lhes origem, não latina, mas eslava.

Fazemos pouco caso das vogais e até suprimimos sistematicamente sílabas, sobretudo quando as palavras são longas. Assim, diz-se “surjão” por “cirurgião”, “dzenvlemento” por “desenvolvimento”, “eletsista” por “electricista”, “chtrordnário” por “extraordinário”, “lejlação” por “legislação”, “majtratura” por “magistratura”, “parlijmo” por “paralelismo”, “perlema” por “problema”, “persamento” por “processamento”, ou “sialista” por “socialista”. Mais uns anos por esta senda e “paralelismo” e “problema” ficarão reduzidos a “prljmo” e “prlma”.

É o que opinava já em 2008, também, o português António Viriato:

No Brasil todas as vogais são pronunciadas como abertas. Em Portugal verifica-se, antes, tendência para o fechamento das vogais presentes nas sílabas átonas – tendência que, inequivocamente, contribui para a percepção cada vez mais difícil do português falado, sobretudo do português europeu.

Veja-se, a tal propósito, a dificuldade que sentimos em perceber certos diálogos nos nossos próprios filmes, facto resultante da nossa forma embrulhada, muito rápida, mas trapalhona de falar, comendo, destruindo, sílabas e vogais ou tornando-as quase inaudíveis, imperceptíveis, justamente porque não tem havido cuidado em treinar a dicção dos actores para que esta respeite a constituição completa das palavras, de modo a que todos os ouvintes falantes da língua as entendam com perfeita distinção.

Se isto é sentido por nós, que convivemos há longos anos com o fenómeno, que estamos bem familiarizados com a pronúncia portuguesa, imagine-se o que sofrerá um falante estrangeiro da Língua ao tomar contacto com o nosso modo de falar.

Este sintoma, aliado ao ensino deficientíssimo da Língua, nos níveis Primário e Secundário de Escolaridade, pode, a prazo, causar-nos imenso mal, deixando-nos, cada vez mais, a falar sozinhos uns com os outros, aqui, neste pequeno rectângulo da costa ocidental da Europa, «a ocidental praia lusitana», «onde a terra se acaba e o mar começa», nas expressões lapidares do nosso Poeta maior,  no livro que nos perpetuou, como Nação, na História do Mundo.

 

 

35 comentários sobre “Por que os brasileiros não entendem os portugueses?

  1. VAMOS LÁ A SER FRANCOS OS MAIS TRAPALHÕES PELA SUA LÍNGUA E LINGUAGEM SÃO TODOS OS OUTROS OCIDENTAIS NÃO SÃO SÓ ALGUNS DOS PORTUGUESES MAS SÃO TAMBÉM MUITO PIOR OS INGLESES A FALAR OS DE “eua” E brasil DE ESPANHA ALEMANHA E FRANÇA ITALY SÓ PARA DIZER ALGUNS POIS TODOS O SÃO NA EUROPA TODA E MAIS AINDA NA AMÉRICA TODA E O ESPANHOL E O INGLÊS SÃO AS MAIS FEIAS E MAIS TRAPALHONAS LÍNGUAS E LINGUAGENS IGUAIZINHAS DE NÍVEL ,OU SEJA , SEM NÍVEL

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      • Ele não é português, poderá ser luso descendente, porque eu, como português, também não entendi o comentário. Claro que se usa pontuação e bem mais do que no Brasil, seguramente.

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        • Ao caro Anônimo Galego,

          Veja aí prova do que lhe disse em comentário alhures: o Fernando Sousa não sabe nem pode saber se o Emanuel Ferraz é português ou descendente de portugueses, não há, no que ele escreveu, indício algum da sua nacionalidade, mas, simplesmente por ter cometido muitos erros, inclusive de pontuação, o Fernando Sousa afirmou logo, e peremptoriamente, que não é português, como se não houvesse portugueses que dessem tantos e tão graves erros.

          Alguns portugueses têm uma visão idealizada do domínio da norma culta pelos seus compatriotas, especialmente quando conversam com falantes de outras variantes do português, muito embora tenham lido, nos seus próprios jornais, que os seus próprios professores deram não poucos erros nas provas de avaliação do Ministério da Educação português a que se submeteram há não muito tempo. E erros que, como o próprio Ministério esclareceu, não tinham que ver com o Acordo Ortográfico que tanto se maldiz por lá.

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  2. Que o português brasileiro é mais bem articulado, claro e lento que o da ex-metrópole isso é um fato, facilitando assim a compreensão até pra estrangeiros. Curiosamente, encontrei portugueses que falavam muito, muito claramente, principalmente os bem formados. Mas no Brasil há regiões com pronúncia difícil também, o que me faz depreender que a origem, fatores históricos (colonização) e o nível educacional, entre outros fatores, interferem decisivamente na clareza da fala.

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  3. Sou portuguesa e tive a oportunidade de assistir a filmes antigos no Brasil em que participavam actores portugueses falando com o sotaque português. Não havia legendas. Não sei o que se passou desde aí que os brasileiros ficaram duros de ouvido. Na minha opinião fazem de propósito para nos forçar a falar com o sotaque deles e para sentirem o prazer de obrigar a ex-metrópole a submeter-se à ex-colónia. Não há dúvida de que lado de Atlântico ficaram os genes colonialistas.

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    • Não fale asneiras. É fenómeno bem conhecido de todo linguista português o facto de que falamos de modo cada vez mais fechado, quase todas as vogais desaparecidas, restantes quase apenas as consoantes e uma vogal por palavra. Nem os nossos antepassados nos entenderiam. Basta comparar emissões da TV francesa e aí as dos italianos, espanhóis, brasileiros, e em seguida as nossas, e vai ver que de longe somos os que menos abrimos a boca para falar e os que menos fracções de segundo gastamos com cada fonema. É um facto linguístico, toda língua tende à economia, os brasileiros cortam palavras etc., os franceses silenciaram todos os sons finais (mas o que lhe resta pronunciam bem articuladamente), etc. e os portugueses o que fizemos foi evitar abrir a boca, de modo que nem espanhóis nem brasileiros nem em breve ninguém nos percebe. Nada tem que ver com colonialismo.

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      • Asneiras?? Desculpe mas os brasileiros têm uma atitude arrogante e xenófoba face à colonização portuguesa e à nossa cultura. Há muito pouca divulgação da nossa cultura e muitos brasileiros torcem o nariz ao nosso sotaque que não será mais nem menos difícil que outras variantes do português falado no Brasil, em Portugal (temos muitas variantes e diferentes vocábulos nas diferentes regiões) ou noutros países de expressão portuguesa. Já ouvi brasileiros, como o Jô Soares, dizer que o português do Brasil e de Portugal são línguas diferentes…que evoluíram em sentidos diferentes. Então o português de Lisboa em que se diz chávena e o português do Porto, em que ainda existe xícara para chávenas que não sejam de chá, são línguas diferentes? No Porto diz-se boeiro e em Lisboa sarjeta para as saídas de esgoto. No Porto o «v» vira «b«, avó fica «abó». Estou-me a cingir a estas duas cidades, se formos falar das diferentes regiões compreendendo as regiões autónomas dos Açores e da Madeira, temos muitas línguas…lol Vamos passar o pôr legendas nas emissões do Canal Porto, aqui em Lisboa.

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    • Que besteira! Achar que não entendemos de propósito? É a primeira vez que vejo vitimismo colonial vindo da colônia!

      O próprio Insituto Camões afirma que o português brasileiro é geralmente pronunciado de maneira mais clara, mais lenta, e mais próxima à escrita; o que inclusive auxilia a compreensão pelos estrangeiros. Veja o exemplo dado pelo texto acima para a palavra “feroz”. No Brasil, pronunciamos esta palavra de maneira mais próxima ao espanhol do que ao português europeu.

      Simplesmente não temos acesso a filmes, canções ou novelas portuguesas e por isso a pronúncia europeia é incomum para nós. Como nos acostumamos a um sotaque que não ouvimos? Não tem absolutamente nada a ver com desprezo ou malícia. Provavelmente tínhamos mais acesso ao sotaque português no passado, e por isso as legendas não eram necessárias nos filmes antigos. Acredito que na África, as pessoas têm muito mais acesso à mídia europeia, e por isso não têm esta dificuldade.

      Sobre a suposta arrogância ou desprezo do brasileiro por Portugal, acho que você está extremamente equivocada. Até onde eu sei, os brasileiros têm um carinho enorme pelo país. Por exemplo: ainda que não entendamos por completo os fados cantados por Mariza ou Madredeus, as suas apresentações aqui estão sempre cheias de pessoas que simplesmente admiram a cultura portuguesa.

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      • A grande maioria dos brasileiros odeia Portugal e tudo o que advém de Portugal, aliás, a grande maioria dos brasileiros odeia o Brasil. Nunca vi povo a falar mal do seu próprio país como o brasileiro e esta característica, seguramente, não esta no genoma português.
        Eu conheci o Brasil e não gostei, de todo, desde as típicas e ridículas anedotas dos portugueses que caracterizavam os emigrantes portugueses que se radicaram no Brasil há quase um século, reitero quase um século.
        Outra coisa que me atiravam à cara, descaradamente, desrespeitando a minha condição de turista, era de que toda a desgraça do Brasil, desde sempre e até sempre, se devia ao facto de não terem sido colonizados pela Holanda, Inglaterra, França, ou outro qualquer país, menos Portugal.
        Sempre a mesma história do roubo do ouro e do mártir Tirandentes (tive que ir à internet saber quem era esta personagem).
        Os brasileiros, descaradamente, apagaram Portugal da sua história, tipo barriga de aluguer, então como deveriam entender-nos?! Impossível de todo.
        Esta diferença linguística, existe nos EUA e RU, e que eu saiba, entendem-se perfeitamente. A história dos dois povos não foi nada pacífica, antes pelo contrário, só que os EUA fizeram o seu caminho (apesar de eu achar um povo muito inculto), não responsabilizando a Inglaterra.
        Mesmos os povos africanos, lusófonos, que poderiam que têm argumentação para criticar mais o seu colonizador, devido às independências recentes, não o fazem da forma que o Brasil o faz.
        O Brasil foi a nossa maior criação e maior desilusão.

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        • Caro Miguel,

          A “nossa” maior criação? Você e os seus contemporâneos criaram o Brasil? O Brasil foi criado pelos NOSSOS antepassados, muitos dos quais portugueses e brasileiros temos em comum, mas a maior parte dos quais para cá veio e aqui ficou. O Brasil deve a sua criação a um Portugal que não existe mais, há séculos. Ao Portugal e aos portugueses de hoje não devemos nada, mas, diferentemente do que disse, não lhes queremos mal algum: a maioria de nós nem se lembra da sua existência, alguns de nós gostamos (primeira pessoa do plural porque estou entre eles) do seu país e do seu povo e pouquíssimos têm ódio ao seu país. Quano a ter sido desrespeitada a sua condição de turista, há brasileiros que a têm desrespeitada em Portugal também.

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        • Caro Miguel,

          Faltou dizer que lamento, sinceramente, que tivesse tão má experiência no Brasil, assim como você deve lamentar que alguns brasileiros tenham más experiências em Portugal. Tenho a certeza de que isto não se deverá jamais a pessoas como você e eu, que saberemos receber bem a quem quer que venha visitar os nossos países, independentemente da sua procedência.

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    • Condor, o sotaque português é muito fechado comparado ao brasileiro em geral, realmente é difícil entender quando não se está acostumado. Aqui se fala com as sílabas abeeeeeeeertas atééé demaaaaaaais, a mandíbula do brasileiro é frouxa kkkkkk.

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  4. Em Portugal há uma enorme diversidade de sotaques, eu consigo, melhor ou pior, compreende-los a todos. Os sotaques do Brasil são-nos familiares através das telenovelas. Para compreender a pessoa tem que predispor-se a ouvir. O Brasil é quase um sub-continente e perante um Portugal sem colónias assume uma posição arrogante,

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  5. Para burros temos muito bom ouvido para línguas e até conseguimos imitar o sotaque dos brasileiros com facilidade. Temos uma atitude submissa face ao Brasil. Queria ver se fossem os angolanos a dizerem-nos que tínhamos que falar com o sotaque deles….Em que circunstância é que um brasileiro foi forçado a mudar de sotaque para trabalhar numa televisão portuguesa? .

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  6. E os espanhóis também são muito duros de ouvido e de arrogantes não têm nada, coitadinhos…Tenho que confessar a nossa superioridade cultural e intelectual porque temos muito ouvido e ainda nos dispomos a falar devagarinho como se os nossos interlocutores fossem uns atrasados mentais lol

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    • Crê no que quiseres – se realmente preferes, crê então que os espanhóis e os brasileiros não nos percebem de propósito, só para irritar-nos. E ignora o FACTO LINGUÍSTICO de que os portugueses falam de modo mais fechado, cerrado, menos articulado do que os actuais falantes de qualquer outra língua neolatina. Factos são factos. Os brasileiros e espanhóis não se importam com o que falamos, mas há que ser tolo para crer que fazem para ofender, quando deveríamos é ter vergonha do facto de que o brasileiro médio entende mais facilmente um argentino, e o espanhol médio entende mais facilmente um angolano, do que nos entendem a nós, simplesmente porque abrimos cada vez menos a boca ao falar.

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  7. Antes de tudo, sou brasileiro. E não tenho ressentimento nenhum por Portugal, e também não preciso de legenda para entender o Português europeu. No entanto, ao assistir vídeos de Portugal preciso voltar e tentar ouvir mais algumas vezes. Não faço isso por mal, até porque o único que realmente é afetado com isso sou seu.
    O problema principal é que existe um ciclo. Primeiro, o brasileiro possui dificuldade de entender o português, em seguida, diminui a demanda pelo conteúdo de Portugal, logo, o Brasil tem menos contato com a língua, e por isso, aumenta a dificuldade de entendimento e então o ciclo recomeça.
    Antes, o problema de entendimento não era apenas na fala, mas também, na escrita. Com o novo acordo ortográfico, que mudou também a escrita brasileira, as diferenças passaram a ser quase imperceptíveis. Ainda existem? Sim. Todavia, pode até perguntar para o(a) dono(a) desse blog, o acesso ao conteúdo português por brasileiros aumentou significativamente, e vice-versa.
    Portanto, o novo acordo ortográfico prova que não temos preconceito com o conteúdo de Portugal e que apenas é difícil entendê-los por causa da rapidez e economia do sotaque.

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    • O problema dos brasileiros é não estarem habituados a ouvir o português europeu, o que não acontece com os portugueses em relação ao português brasileiro. Ao fim de algum tempo em Portugal os brasileiros deixam de ter dificuldade de entendimento, inclusivamente no vocabulário e gírias diferentes.

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      • É verdade. Sou brasileiro, moro no Brasil, mas assisto à TV portuguesa e, depois de algumas poucas semanas, passei a entender tudo perfeitamente.

        Lembro-me de ter tido muita dificuldade para entender uma única palavra, que se escreve igualmente dos dois lados do Atlântico e que é habitual em ambos: excelente, em que as vogais, à exceção da tônica, eram inaudíveis, e o xc soava a ch ou algo parecido, um chiado que, salvo engano, não se encontra nem no Rio de Janeiro nesse caso.

        Mas hoje, quando ouço um lisboeta dizer algo próximo a coalho, mas com um som de a que não temos, penso logo em coelho, e não em queijo, assim como me são já familiares os eis com som de ais, em madeira, cadeira, poeira etc.

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        • Em tempo: e sei bem que, até mais que no Brasil, apesar de o país ser muito menor, Portugal tem ainda mais variações regionais que nós, com diferenças de sotaque tão ou mais marcadas.

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  8. No Brasil este fenômeno linguístico do falar dos portugueses é muito perceptível. Qualquer brasileiro distingue facilmente um português, pelo falar: é muito forte o sotaque, com a pronúncia fechada, ausência de algumas vogais, ausência do gerúndio e um pouco afastado da grafia. Os exemplos do “froch” por “feroz” e “abó” por “avó” ilustram muito claramente a questão. Contudo são palavras isoladas. O que dizer de uma frase inteira, de um discurso?

    O fato é que este fenômeno, embora de muito estudado pelos linguistas, persiste. A não ser que surja uma fórmula salvadora, tudo leva crer que a solução está distante.

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  9. Não posso concordar com muito do que aqui é escrito. O português do brasil, quanto a mim, está muito longe de ser mais aproximado da grafia, antes pelo contrário, pois dizem brasiu e portugau… Em Portugal a palavra feroz, não é de todo pronunciada como sugerem. Pode efetivamente o português europeu ter uma pronúncia mais fechada, contudo, o português padrão é perceptível. Mas é um facto que, tanto os brasileiros como os espanhóis, fazem demasiada cerimónia para nos entender… Acho que os portugueses nem se deviam chatear com isso.

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  10. E essa discussão toda é por causa da pronúncia. Imagine se a gente toca na questão das sintaxe, morfologia e vocabulário. A gente chegaria a conclusão de que uma língua por ser um sistema nunca evolui a penas em um nível apenas, mas se diferencia em todos os níveis… Daí concluímos que Brasil e Portugal não falam o mesmo idioma e que é a língua escrita que passa a ilusão de unidade linguística. Mas é melhor não tocar nesse assunto tão polêmico….

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  11. Por que os brasileiros nom entendem os portugueses? Porque a maioria nunca os escoitou. Nom estám afeitos ao seu sotaque. No entanto, isso nũus dias ou semãs já está amanhado. Apenas á que velas canles de televisom portuguesas com frequência e, sem decatares-te, aginha ás entendelo seu sotaque à perfeiçom.

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    • Ao igual cós brasileiros, a maioria dos galegos nom entendem bem aos portugueses. Peró é que a maioria dos galegos só escoita a fala dos portugueses 5 minutos em 5 anos. Se escoitarem o sotaque lisboeta tôdolos dias, logo averiam estar afeitos e nom teriam nengum problema de comprensom.

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    • Porque o sotaque português é muito fechado. As vezes parecem que eles não pronunciam certas sílabas, o som fica suprimido. Enquanto o sotaque brasileiro em geral as sílabas são exageradamente abertas (principalmente o sotaque carioca, e até o sotaque nordestino fala “arrastado”).

      Eu consigo entender melhor a língua galega que tem um sotaque mais aberto.

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