Tríplex? Até as Academias recomendam triplex

Embora só se ouça falar recentemente de um certo triplex, alguns jornais insistem em só escrever tríplex. Por quê? Porque confiaram cegamente (como sói ocorrer) no Houaiss e no Aurélio, que, como já mostramos tantas outras vezes, erram, e muito.

Já mostramos aqui que o Dicionário Aulete, de Caldas Aulete, registra como formas idênticas triplex e tríplex (pelo que faria mais sentido dar preferência à forma que de fato se ouve, oxítona). Dicionários de renome como o Dicionário de Usos do Português do Brasil (cujas palavras foram selecionadas das palavras que de fato mais ocorrem na língua, com um sistema profissional de busca), o Dicionário de Celso Luft e até o Dicionário feito pelo ex-presidente Jânio Quadros somente registram triplex, sem acento. E agora fomos checar os Dicionários oficiais da Academia Brasileira de Letras (a ABL) e da Academia das Ciências de Lisboa (a homóloga portuguesa da ABL) e o fato é que ambas as academias registram como forma preferencial triplex, oxítona, e não tríplex:

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Acima, o Dicionário da Academia de Lisboa. A seguir, o mais recente Dicionário da Academia Brasileira de Letras (2009):

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Mas – se todas as pessoas pronunciam triplex como oxítona (como atesta o próprio Aurélio), e a maioria dos dicionários prefere a forma triplex ou mesmo só aceita essa forma, e as duas Academias da Língua Portuguesa dão preferência à forma oxítona, triplex… por que é que há jornais que até hoje escrevem tríplex? Em resposta: simplesmente porque os jornais tendem a confiar cegamente seja no Houaiss, seja no Aurélio – mesmo em casos absurdos como esse. E, como o Houaiss (que já mostramos que, por melhor que seja, tem uma abundância de erros) registra triplex como forma não preferível de tríplex, alguns jornais sem senso crítico acabam pagando esse mico que é escrever, em pleno 2016, tríplex.

10 comentários sobre “Tríplex? Até as Academias recomendam triplex

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  2. Parabéns ao autor do texto. Excelente. De fato, rio da “Folha de São Paulo” cada vez que leio-os insistindo em tríplex. Até nisso são retrógrados. Mas bem feito: tem sido tão zoados que a consultora de português deles, Thais Nicoletti, teve de sair em defesa (e é fraquinha, coitada, é das que não reconhece uma palavra dançando na frente dela se a palavra não tá no VOLP e/ou no Houaiss – sem entender o básico, que é que as palavras primeiro surgem escritas aos montes, e só depois entram neles). E nesse caso do triplex, mesmo estando nos dicionários, ela é a típica coxinha que quer dizer que tríplex é melhor porque em LATIM (sic! hahahaha!) era paroxítono. Alguém conta pra ela que os romanos não tinham apartamentos triplex, e que a palavra no caso nos veio do inglês, por favor……

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    • Caro André,

      Você quis dizer “cada vez que OS LEIO”, e não “cada vez que LEIO-OS”. Talvez lhe aproveite a leitura do artigo sobre hipercorreção na colocação pronominal. Para você ver que esse é um pecadilho que até mortadelas como você cometem, quando querem “falar bonito”.

      O mais engraçado nisto é que você deve ser daqueles fãs ardorosos do Marcos Bagno, e, no entanto, parece não saber que não só a próclise é a regra no português brasileiro, como o é também no português europeu nesse caso em particular.

      Adoro ver mortadelas escorregarem nas suas próprias cascas de banana.

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      • O troglodita anônimo acima não está na página errada? Se acha bonito falar tríplex (rs) ou se acha o Pasquale e a Thais Nicoleti geniais (toda a comunidade acadêmica ri-se de ambos – são os típicos caga-regras incapazes de raciocínios elaborados, que de fato só sabem citar o VOLP e dicionários – desatualizados…), que fique lá na Falha deles, engolindo explicações ERRADAS que tentam justificar tosquices como tríplex e paraolímpico. Ninguém te obriga a sair do seu mundinho medíocre, ninguém te obriga a vir aqui se a evolução da língua te incomoda tanto…

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      • Cara Mari,

        O principal problema das aulas de interpretação de texto em que mortadelas mal formadas como você ensinam os alunos a ler as entrelinhas é que não os ensinam a ler antes as próprias linhas: onde a quadrúpede me viu escrever que acho bonito dizer tríplex ou que acho o Pasquale e a Thaís Nicoleti genais? Onde?

        Chamei tão somente a atenção para que o seu colega mortadela critica os consultores da Folha por serem retrógrados, mas mete ênclise onde deveria haver próclise, seja no português brasileiro contemporâneo, seja no português clássico. E mais não escrevi.

        Se “leu” o que “leu” (o verbo segue entre aspas porque, na verdade, a anta não leu coisa alguma) porque disse que o engraçado era que o André devia ser daqueles fãs ardorosos do Marcos Bagno, imaginando que eu repudie, in totum, este autor, saiba que não disputo uma só vírgula do que ele escreve na parte propriamente científica, linguística, do trabalho dele: é a militância ignorante e furibunda dele que repudio, aquela que o fez chamar golpe à cassação do mandato da presidente, sua companheira de estábulo, neste “artigo”.

        Eu não costumo elevar o tom, mas o seu comentário desrespeitoso e imbecil me deu licença para o fazer.

        Em suma, peça ao seu tratador que troque o seu feno, para ver se lhe chega mais oxigênio ao cérebro pequenino.

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      • Cara Mari,

        Reconheço que, relendo o meu comentário, me envergonhei de o ter escrito tão furioso, apesar de você me ter chamado troglodita saído de um mundinho medíocre em que é bonito dizer tríplex e em que o Pasquale e a Thaís Nicoleti são geniais.

        Por isso, e só por isso, peço-lhe desculpas, sinceramente.

        Espero, todavia, que não ponha no mesmo saco todos os conservadores – sim, eu sou politicamente conservador, com muito orgulho. O conservador não se opõe a quaisquer mudanças, mas a mudanças de gabinete, planejadas por vanguardistas que julgam saber o que é melhor para a Humanidade, o que a redimirá de todo o sofrimento. Não se opõe às mudanças que ocorrem, inevitavelmente, devido às anônimas e múltiplas interações sociais que vão reconfigurando a cara do mundo todo o tempo, ainda que mais lentamente do que gostariam os reformadores sociais.

        Enfim, por muito chateada que, com razão, esteja agora, você não pode nem sequer imaginar quanto eu admiro o trabalho de pesquisa – de pesquisa, frise-se – do Marcos Bagno, ao mesmo tempo em que repudio, visceralmente, cada palavra, cada vírgula do que o mesmo Marcos Bagno escreve quando comete artigos como esse sobre o “golpe”.

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