A pronúncia correta de Guiana em português

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Um cidadão da República Cooperativa da Guiana, país que tem fronteira com o Brasil, pergunta como se pronuncia o nome de seu país em português. A resposta: a pronúncia correta, em português, é Gú-iâ-na; o “u” deve obrigatoriamente ser pronunciado. As três primeiras letras de Guiana (assim como as de guianêsguianense), em português, rimam com o nome “Rui”, ou com o verbo “fui”.

Cada um dos bons dicionários se vira de um jeito diferente para indicar essa mesma pronúncia: o Dicionário Aulete, por exemplo, traz, em verbetes como “guianês”, um  [ùi] indicativo da pronúncia – a mesma indicação usada pelo Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras; o Dicionário Michaelis traz a indicação (gúi); o Aurélio traz, ao lado de guianês e guianense, a observação (gùi); e o Houaiss traz, ao lado das palavras guianês e guianense, a indicação \ui-a\.

De diferentes formas, todos indicam o mesmo: que o “u” da palavra Guiana e de seus derivados é pronunciado em português, rimando aquelas três primeiras letras com a palavra “fui”.

É a mesma pronúncia que indicava o português Rebelo Gonçalves no seu Vocabulário da Língua Portuguesa, vocabulário de referência em Portugal até os dias de hoje.

Mais que isso: a pronúncia do “u” no nome da Guiana (ou, para ser mais exato, das Guianas) é tão bem estabelecida em português que o anterior Acordo Ortográfico trazia, num parágrafo específico sobre isso, a observação de que, no “topónimo Guiana e nos seus derivados, como guianense e guianês, a letra “u é “foneticamente distinto do g anterior, formando ditongo com o i seguinte“, embora isso não fosse representado graficamente (ler aqui o texto completo do Acordo Ortográfico de 1945).

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17 comentários sobre “A pronúncia correta de Guiana em português

  1. Pois, mas em Portugal, pelo menos as pessoas que eu conheço, ninguém pronuncia o “u”. Eu próprio só há cerca de três anos é que soube do erro. As minhas desculpas para os gùianenses.

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  2. Não, não. Na hora em que vocês fizeram essa publicação anteontem, abri a Infopédia da Porto Editora para olhar, e lá traziam a pronúncia errada, sem “u”. Mudaram de anteontem para hoje. Ou seja, parabéns a vocês, pela influência na correção da língua.

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    • É curioso, tenho comigo duas edições do dicionário da Porto Editora (de 1994 e 2010). A mais antiga oferece uma indicação correcta sobre a pronúncia da palavra “guianense” [gwi…]. Já a mais recente, estranhamente, nada diz a este respeito. Uma vez que os editores desta obra seguem o critério de fazer a representação fonética das palavras em que a pronúncia possa suscitar dúvidas — Isto mesmo é dito em nota no início do dicionário — tenderei a achar que os autores da edição mais recente mudaram de opinião; ou então alguma coisa se perdeu de umas edições para as outras. É que não há dúvida nenhuma de que a pronúncia desta palavra suscita dúvidas. Sobretudo em Portugal.

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        • Não sejam maus. Com seus icebergues, croissãs, toiletes, stressados, “a bombeiro” e tudo mais, serviu para muito: serviu para a Academia se livrar do Malaca Casteleiro, dela demitido; serviu para a deficiente Academia das Ciências de Lisboa, tão ridicularizada pela porcaria que foi o Dicionário, perder o status de órgão de assessoria oficial ao governo português para temas de língua portuguesa (substituídos que foram pelo ILTEC, no caso do vocabulário oficial português); serviu para nos darmos conta de como Aurélio e Houaiss, que ao contrário de Malaca e da Academia portuguesa nunca usaram dinheiro público para trabalhar e ao custo de uma vida de dedicação entregaram obras incomparavelmente superiores, foram verdadeiros heróis…

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        • Verdade, Mário. Não à toa, ninguém no meio académico leva o ILTEC a sério. A verdade é que o melhor dicionário português hoje (além, é claro, da versão portuguesa do Houaiss) é o Priberam, que, por razões que não compreendo, não costuma ser tido muito em conta pelos próprios portugueses.

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        • Eu acho que o melhor dicionário portugês é o da Porto Editora. O Priberam tem ũus critérios respeito òs neologismos e estrangeirismos bastante discutíveis. Além disso, o dicionário da Porta Editora é mais ajeitado se quigeres sabela etimologia dum determinado termo.

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        • Tanto o Priberam quanto a Porto Editora são limitados, estão ainda “em construção” e lhes faltam dezenas de milhares de vocábulos para chegar perto do Houaiss, Aulete, Michaelis… Se a ideia são dicionários grátis (o que exclui o Houaiss e o Aurélio, os dois melhores), recomendo o Aulete (o dicionário com maior número de vocábulos na Internet; tem, porém, uma pesquisa ruim, pelo que recomendo pesquisar diretamente sempre no Google, “aulete (palavra a ser pesquisada)”; e o novo Michaelis (http://michaelis.uol.com.br/), que nada mais é que uma grande cópia gratuita do Houaiss – inclui e repete seus erros, mas também seus muitos acertos.

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        • Ninguém leva o ILTEC a sério no meio acadêmico? Nem no português? Isto é muito sério, porque ele é financiado pelo governo português, se não estou em erro.

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        • a pergunta: Porque os dicionário têm tantos erros? Iles têm a toda ũa equipa trabalhando na sua elaboraçom, com pessoas com conhecimentos linguísticos e tam calificadas coma o senhor. Após terem feito um trabalho d´investigaçom exaustivo e elaborado o dicionário, segue um processo de revisom. Com todo isso, já nom deveriam ficar moitos erros. Mesmo assim, podem ficar algũus. No entanto, após a sua publicaçom, algũas páginas e críticos já se põem a procurar possíveis erros (como se fai nista página). É dizer, que isses erros teriam de desaparecer na seguinte ediçom do dicionário.
          Entendo que é impossível conseguila perfeiçom, mais; após todos isses processos, poucos erros deveriam ficar.
          Entom, porque á dicionários tam longevos, que têm tantos erros? E porque parece que á algũus dicionários que, em vez de melhorarem com cada ediçom, pioram? E porque á tam poucos termos africãos nos dicionários, bardante no da Porta Editora? E dos macaenses, melhor nem falar… É mais, nem sequer aparecem tôdolos termos brasileiros e portugeses (https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/atualidades/montra/livros/variantes-cariocas-da-lingua-portuguesa/136). Cando se têm novas de que alguém publicou tal termo do que nom tinhas conhecimento, terias de ponher-te a pesquisar nissa zona (ou mandar alguém) e; após comprovalo seu uso, inclui-lo no teu dicionário.

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  3. Pues en mapas antiguos del imperio aparece goyanna portuguesa; y muchos topónimos tupiguaraníes que principian con “guaya” Uds. los escriben hoy con o tales como goiás, goiana. Por lo cual esa u de guiana debería de marcarse de algún modo; pues es la o de la grafia arcaica pronunciada modernamente como u. Segun mi modesta opinión como castellano hablante.

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    • Você está certíssimo, Ratao. A grafia “guiana” não representa corretamente a pronúncia portuguesa (ou em língua nenhuma). Com o regresso das letras “k”, “w” e “y” ao alfabeto português, cujo uso é recomendado especificamente em nomes de lugares estrangeiros, o ideal seria voltar à grafia “Guyana” – que, além de ser a usada localmente no próprio país, se encontra em mapas portugueses anteriores à abolição do “y” do alfabeto português, o que só ocorreu no século XX. E esse parece ter sido o mesmíssimo entendimento do governo brasileiro, que, recentemente, fez exatamente isso: passou a escrever Guyana, com “y”: http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/ficha-pais/6436-republica-cooperativista-da-guyana

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