“Presidenta” em português é mais antigo que “a presidente”

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A palavra “presidenta” é feminino correto para “presidente“, aceito por todas as gramáticas, presente em dicionários portugueses há séculos e constante em todos os dicionários brasileiros e portugueses atuais. Hoje, “a presidente” é também considerado correto, mas a verdade é que “a presidenta” é forma muito mais antiga e tradicional na língua portuguesa do que “a presidente”.



A palavra presidenta está hoje em todos as gramáticas e dicionários portugueses e brasileiros. Gramáticos contemporâneos, como o professor Pasquale (vejam aqui) concordam: “pode-se dizer a presidente ou a presidenta“.

As gramáticas portuguesas e brasileiras tradicionais – como a Nova Gramática do Português Contemporâneo, do brasileiro Celso Cunha e do português Lindley Cintra, ou a Moderna Gramática Portuguesa, de Evanildo Bechara – também concordam: “Quanto aos substantivos terminados em -e, uns há que ficam invariáveis (amante, cliente, doente, inocente), outros formam o feminino com a terminação em “a”: alfaiata, infanta, giganta, governanta, parenta, presidenta, mestra, monja. Observação: “governante”, “parente” e “presidente” também podem ser usados invariáveis no feminino.”

Presidenta” está no Dicionário Aurélio desde a sua primeira edição, em 1975 (ver aqui); está no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da Academia Brasileira de Letras desde a sua primeira edição, em 1932; no Dicionário da Academia Brasileira de Letras; e estava já no primeiro Vocabulário Ortográfico sancionado pela Academia de Lisboa, de Portugal, em 1912 (o vocabulário integral pode ser acessado aqui).

Hoje, presidenta está em todos os dicionários, brasileiros e portugueses – como o Aurélio, o Houaiss e o Michaelis (ver aqui), com o significado de “Mulher que é a chefe de governo de um país de regime presidencialista.

Presidenta já aparecia também em textos de nossos melhores escritores dois séculos atrás: Machado de Assis, por exemplo, usa “presidenta” em Memórias Póstumas de Brás Cubas, sua obra-prima, publicada em 1881 e disponível gratuitamente aqui.

Anos antes, em 1878, o português O Universo Ilustrado narrava o enterro fictício de uma “presidenta”; em 1851, a Revista Popular de Lisboa  também se referia à “presidenta” de uma reunião.

Ainda em Portugal, podemos encontrar presidenta no primeiro vocabulário oficial da língua portuguesa, elaborado em 1912 por Gonçalves Viana (disponível aqui) .

“Presidenta” está também no vocabulário do português Rebelo Gonçalves (1966), e, desde um século antes, no Dicionário de Português-Alemão de Michaëlis (1876), no de Cândido de Figueiredo (1899), no Dicionário Universal / Texto Editores (1995), na primeira edição do Dicionário Lello (1952) e na primeira edição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora (também de 1952).

Na verdade, ainda antes disso – no ano de 1812 (antes ainda, portanto, da independência do Brasil de Portugal), a palavra “presidenta” já aparece dicionarizada: está no Dicionário de Português-Francês de Domingos Borges de Barros, que viria a ser diplomata e senador. Versão digitalizada do dicionário, de 1812, pode ser acessada aqui.

Por falar em outras línguas: não apenas no francês, mas também nas línguas irmãs do português, o galego e o espanholpresidenta é considerado o feminino mais gramaticalmente correto de “presidente“.

A palavra “presidenta” nada tem a ver, portanto, com Dilma Rousseff ou com o PT, e quem se recusa a usar a palavra por achar que é uma invenção recente de petistas está apenas atestando ignorância em relação à língua portuguesa.

Isso porque a forma “a presidenta” é, na verdade, mais antiga e mais tradicional na língua portuguesa que “a presidente”.

Como se pode ver em todos os dicionários e vocabulários oficiais anteriores a 1940 (por exemplo: aquiaquiaquiaqui, aquiaqui), até a metade do século passado a palavra “presidente” era considerada substantivo exclusivamente masculino, e “presidenta” era o único feminino aceito para “presidente”.

Em outras palavras: apenas a partir de 1940 a forma “a presidente” passou a ser aceita por gramáticos e dicionaristas portugueses e brasileiros. Ou seja: a palavra “presidenta“, dicionarizada desde 1812, é mais antiga e tradicional em português que a forma neutra “a presidente“, apenas dicionarizada a partir de 1940.

A passagem, no século passado, de presidente” como forma exclusivamente masculina para forma neutra baseou-se no mesmo processo de “neutralização de gênero” pelo qual passaram, e vêm até hoje passando, vários outros substantivos portugueses – como “a parente”, que antes antes só se dizia “parenta” -, sobretudo profissões – como “a oficial” (que antes só se dizia “oficiala”), “a cônsul” (que antes só se dizia “consulesa”) ou “a poeta” (que antes só se dizia “poetisa”).

A Revista Veja, por exemplo, deixou de usar a palavra “presidenta” apenas quando Dilma Rousseff chegou ao poder e disse que gostaria de ser chamada assim. Até então, porém, a mesma Veja usava “presidenta”- vide exemplos de edições da década de 1970 (ao se referir à então presidenta deposta da Argentina), de 1980, de 1990 e mesmo 2000.

Do mesmo modo, anos antes de o PT chegar ao poder, os demais órgãos de imprensa usavam “presidenta” – como a Folha de S.Paulo – por exemplo, em 1996 (“Secretária de Turismo de Alagoas e presidenta da Fundação“), 1997 (“Segundo a presidenta da CPI, deputada Ideli Salvatti“), 2003: (“A presidenta da CDU e líder da bancada parlamentar, Angela Merkel, já deixou claro que seu partido não se dispõe a salvar a situação para o governo de Berlim.“), etc.; O Estadão (em 2004:”Empresária de Shakira era presidenta da  companhia“; em 2008: “disse a presidenta da Plataforma, Maribel Palácios“, etc.), o Correio Braziliense, etc.

Em resumo: hoje, é indiferente o uso de “a presidenta” ou “a presidente” – ambas as formas são gramaticalmente corretas e equivalentes.

Mas, ao contrário do que diz o senso comum e do que supõem muitos em sua ignorância, “a presidenta” não é informal, não é uma invenção recente nem é “coisa de feministas” ou “de esquerdistas” (pelo contrário, é a forma mais antiga e tradicional em língua portuguesa).

Um bom exemplo de sensatez, por exemplo, vem do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do PSDB – um dos principais opositores de Dilma Rousseff, que, no entanto, nunca deixou de falar “presidenta“, por saber que essa forma é antiga, tradicional e perfeitamente correta em português.

E, para fechar, um videozinho de programa educativo da TV Cultura de 1996, mostrando que ninguém estranhava o uso de “presidenta” no Brasil… até Dilma Rousseff chegar ao poder e pedir para ser chamada assim:

188 comentários sobre ““Presidenta” em português é mais antigo que “a presidente”

  1. Vou confessar que sou desses que até hoje acreditava piamente que “presidenta” era invenção feminista e/ou petista deste século. Continuo achando a palavra desagradável aos olhos e ouvidos, e vou continuar usando só “a presidente”, já que a gramática permite. Mas agradeço pelo “ensinamento” – não pago mais o mico de pré-julgar ou corrigir quem use a palavra. Afinal, se Machadão a usava…

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  2. Só encontro em “Quincas Borba”: “À mesa fê‑lo sentar ao pé de si, tendo do outro lado a presidenta da comissão” (Capítulo CXV). Engraçado, li os romances todos de Machado há cerca de dois anos e não reparei. Não devo ter achado estranho.

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  3. Meu professor de português acabou de mandar o link para nós com esse post depois de uma discussão que tivemos sobre essa variação. Até então, tinha aprendido a forma “a presidente” e sempre vi meus professores corrigindo quem utilizasse a forma “presidenta”.
    Vivendo e aprendendo…

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  4. Isso mudou minha vida. Minhas contas desapareceram, meu salário triplicou, saio na rua agora e vejo que temos segurança, boas estradas, escolas de primeiro mundo, médicos e enfermeiros esperando ansiosamente nos hospitais pela chegada de um paciente. Obrigado por essa grande contribuição com a humanidade!

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  5. Pela gramática, tanto faz, mas linguisticamente falando, a forma feminina “correta” será aquela que o uso determinar. Diversos serão os períodos de tempo em que essa forma *presidenta* se fixará. É a sincronia da língua ocupando lugar na diacronia do idioma.

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  6. Fui bastante criticada quando atuava no Rádio, em Aracaju, e até proibida de usar o termo, lá nos idos de 1987 a 1990. Mas sempre fui teimosa e nunca deixei de usar porque lembrava bem a gramática que estudei, que o feminino de Presidente era Presidenta. Então não abri mão disso e até hoje mantenho

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  7. Se já o termo “presidenta” já era válido por que então precisou de uma LEI (!!!) para ser validado??? Ahh e a maioria dos links aí que comprovam essa tese estaparfúdia não funcionam ou simplesmente remetem a sites ainda com menos credibilidade que este ou do que a ex-presidentE Dilma… 😀 😀 … Feliz Impeachment a todos!!! Não vai ter mais “presidAnta” … vai ter PresidentE, homem, mulher ou gay!!

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    • Caro Tharley: Não sou petista e nunca votei no PT. Ainda assim, recomendo deixar de lado a preguiça e procurar se informar corretamente, e vai ver que nem Dilma nem Lula nem o PT nunca fizeram nenhuma lei nem decreto que tivessem qualquer coisa a ver com o uso da palavra “presidenta”. Recomendo informar-se melhor, para parar de passar vergonha na Internet e na vida.

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      • Vergonha maior não saber dos verbetes de dicionários de antes de 1940 ou ignorar que Lula e Dilma deram continuidade ao sepultamento da educação pública brasileira? Sim investiram algo em educação de nível superior, isto é, não demonstraram interesse em alfabetização e ensino de primeiro grau. Só em politizar Universidades.

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        • Enquanto tramam para privatizar a Petrobrás, acabar com o SUS, “flexibilizar” as leis trabalhistas, interromper a melhora dos indicadores sociais, tem gente que perde tempo e energia para ficar no mimimi que “presidenta” é invenção do PT. Esse país merece estar onde está, já lavei as mãos.

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        • Hummm, a diretriz é do MEC, ninho de comunistas de carteirinhas. E o MEC, seja ensino fundamental, médio ou superior está sempre 25 anos atrasado. E MEC é federal…

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        • Gustavo, você está mal informado, ou é apenas mais um comentarista preguiçoso/burro de rede social? O governo federal não é o responsável (INFELIZMENTE) pela educação básica, isto é, pelo ensino fundamental e médio – estes são financiados pelos municípios e estados, respectivamente. Asno.

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    • Bom dia!!Estou cm vc e não abro.Pq foi preciso uma Lei para ser validado?????E adolescenta,estudanta tbm poderei usar?Seria correto?Li Machado de Assis e não me recordo …Vou verificar mesmo!!!Presidenta!!!Ai…pega mal pra caramba!!! Gracias pelas informações e há que se pesquisar agora!!!Bjsss…Adorei!!!

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    • A lei é posterior à dicionarização da expressão “a presidente” e veio pra padronizar o uso, tornando obrigatório o uso de apenas uma das duas formas. A lei veio pra que não se usasse a forma nova, “a presidente”, não pra “validar” a forma anterior.

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  8. Não se fala presidenta do mesmo modo que não se fala estudanta ou cadeiranta. Quando esse blog fala que era correto em dicionarios antigos entra em outra falácia, não tem sentido justificar o uso de uma palavra incorreta em 2016 com base em dicionários de 1970 ou anteriores.

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  9. Pingback: Dos mesmos autores de “uma piloto” e “uma soldado”… a primeiro-ministro. | DicionarioeGramatica.com

  10. Nada disso. Presidenta é um neologismo introduzido na língua portuguesa pelo escritor português Antônio Feliciano de Castilho, na versão portuguesa que fez da peça de Molière, “Les femmes savantes” (As Sabichonas), ao traduzir do francês “présidente” (presidenta). Em francês, existe flexão feminina para os nomes derivados da terceira declinação do latim com terminação em “-ens, -entis”, mas, em português, assim como no original latino, são comuns-de-comuns-de-dois, ou seja, possuem a mesma forma para o os dois gêneros. Apesar de a forma usada por Castilho estar registrada em dicionários conceituados, trata – se de um “decalque”, ou talvez mero erro de tradução, que nunca teve uso corrente na língua portuguesa, nem aqui, nem em Portugal. Então, é equivocado dizer que “presidenta” é a forma mais antiga. Não é!

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  11. Pharmacia… Farmácia… Co-responsavel… corresponsável… as coisas mudam! Devemos nos atualizar ou não? Presidente… sem delongas… ” comum de dois gêneros?”

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  12. “Rebeldes sem causa” subvertem os argumentos e até gostam de inventar neologismos ou de ressuscitar vocábulos em desuso, somente para sustentarem suas falácias. Esta afirmação que faço estriba-se numa história que hoje conta com mais de 200 anos: o calendário revolucionário francês. Já nos idos de 1792, os revolucionários francêses, para quebrarem com qualquer vínculo com o Antigo Regime, outorgaram um caledário que mudava até mesmo a multisecular forma de se falar os meses do ano! Esses “revolucionários” decidiram que os meses do ano passariam a ter nomes como: “Vindemiário, Brumário, Frimário, Nivoso, Pluvioso, Ventoso, Germinal, Floreal, Prairial, Messidor, Termidor e Frutidor”. Ora, essa “sanha” de considerar-se a “bolacha-mais-recheada-do-pacote” é parte integrante da mentalidade de alguns “revolucionários de ocasião”, por isso, não é de se estranhar que, no Brasil, eles empreguem o arcaico vocábulo presidentA. O retrospecto das bizarrices idiomáticas proferidas por outros mandatários da Nação já registrou, inclusive, um presidente que alegava falar o “português castiço”! Esse é o Brasil, de ontem e de hoje: Ame-o ou deixe-o!

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  13. A lei que Dilmãe sancionou foi esta http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12605.htm, que por sua vez é praticamente cópia desta http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1950-1959/lei-2749-2-abril-1956-355226-publicacaooriginal-1-pl.html

    Infelizmente, caros esquerdistas, o termo presidenta nunca foi da norma culta do português. A nossa ministra(este flexiona no gênero) Carmem Lúcia tem toda razão. O termo presidente trata-se do infinitivo presente do verbo presidir. “Presidente” significa “aquele que está presidindo”. Isso é, indica uma ação em andamento. Portanto, não varia mesmo quando assume o papel de substantivo ou de adjetivo. Em uma democracia espera-se que o presidente largue o osso em algum momento logo a transitoriedade pede o termo presidente. Com “governanta”, por exemplo, é diferente já que a mesma não governa nada. O termo se refere apenas ao nome de uma profissão.

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    • Caro Newton, se “O termo presidenta nunca foi da norma culta”… Então qual é a norma utilizada pela gramática de Celso Cunha e Evanildo Bechara?
      Mas e Machado de Assis também se equivocou em utilizar o termo? E o que dizer do dicionário de Houaiss, Michaelis, Aurélio etc? Todos estes autores estão errados e você está correto?
      Meu, não importa se “presidente” é derivado ou não de um verbo… A palavra “presidenta” foi dicionarizada a mais de um século e ponto final.
      Se vc utilizasse o argumento de que presidenta está em desuso, eu aceitaria, porque o termo presidenta é uma forma arcaica, soa mau aos ouvidos, mas dizer que nunca pertenceu a norma culta, ou que é errado me poupe…

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      • Caros,

        Eu não só defendo que se ponha fim à discriminação de gênero na língua portuguesa, como também no sistema prisional: que o ex-presidento e a futura ex-presidenta possam fazer companhia um ao outro na mesma cela por muitos e muitos anos!

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      • Apenasmente faz parte do vocabulário. Alguém usa? PresidentA foi usada pelo sapo barbudo e acabaram descobrindo que o termo existia.. Vai ver o sapo barbudo é pessoa ilustrada, resolveu buscar referências de Machado de Assis…
        A pior desgraça para um povo é a idolatria…

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  14. Quando convém para um grupo, é válido buscar palavras utilizadas nos séculos passados, como se a língua não fosse algo vivo, em constante mutação. Na outra ponta é válido (uii) ” nóis vai pescar os peixe”. A erudição e linguagem popular são estupradas ao gosto de quem está no poder. Esquecem que a palavra presidentA foi retirada do baú por um tal de Luis Inácio Lula da Silva, que na sua “sapiência” usou o termo, sem saber se ela era ou não correta. Só falta dizerem que o Lula é leitor assíduo de Machado de Assis, e já dá os primeiros passos para a leitura completa dos Lusíadas.

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    • Nossa, cara! Eu sou professor de literatura e línguas e posso te afirmar com segurança que sim, o Lula lê Machado e que você escreveu aí um contrassenso enorme, ler Os Lusíadas é fácil. Quanto ao Lula ter tirado a palavra “do baú” (chavão insuportável), é uma assertiva que só revela o tamanho de teu desconhecimento de história contemporânea e falta de leitura do próprio artigo que comenta. Foram os argentinos, hermanos, que trouxeram a palavra à baila, pois eles tiveram grandes presidentas antes da nossa, como Evita e Cristina.

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      • O encadeamento das orações “Eu sou professor de literatura e línguas” e “e posso te afirmar com segurança que, sim, o Lula lê Machado” parece sugerir que a sua autoridade como professor de literatura e línguas lhe permite afirmar, com segurança, que o Lula lê Machado. Deve ser muito boa essa faculdade em que você estudou, a ponto de lhe permitir afirmar, com segurança, que quem quer que seja leu ou deixou de ler este ou aquele autor.

        Evita e Cristina grandes presidentes? Você deve ser muito bom professor mesmo, mas, quando muito, de literatura e línguas.

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        • Diz aí,ô mestre (devo estar debatendo com um mestre, já que meu título não lhe basta), qual é a regra que impede de usar o conectivo entre sintagmas e entre orações na mesma frase? Eu conheço Bechara, Celso Cunha, Napoleão e até a Gramática Houaiss e não tenho conhecimento dessa proibição…

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        • Caro professor doutor,

          Onde leu no meu comentário que alguma regra impede o uso do conectivo nesse caso? O meu ponto foi o de que Vossa Magnificência (fi-lo reitor, agora) parece arvorar-se na suposta autoridade que lhe confere a sua formação para dizer que pode assegurar que Lula leu Machado. Se Lula citasse, e com propriedade, Machado recorrentemente, palavra por palavra ou por paráfrase, ou se recorresse a conhecidas imagens literárias machadianas, também com propriedade e recorrentemente, daí, sim, alguém que conhecesse bem Machado poderia dizer “Não há hipótese de Lula nã ter lido Machado, tantas são as vezes que o cita adequadamente”. Não há, todavia, nada, em lugar algum, que permita a quem quer que seja afirmar que Lula leu ou deixou de ler uma única linha de Machado, não importa quanto Vossa Santidade (acabo de o fazer Papa) conheça cada palavra de cada linha de cada parágrafo de cada página de cada obra de Machado.

          O admirador das grandas presidentas Evita e Cristina entendeu-o ou quer que lho explique por desenho?

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  17. Meu Deus, quanto trabalho para defender uma energúmena ou será a energúmeno? vou consultar o português antigo para não errar, e também vou pesquisar as palavras: Maquinista, Dentista, Artista entre outra, vai que seria Maquinisto, Dentisto ou então Artisto e eu pagando mico.

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  19. Certo… Mas porque complicar e preferir a forma antiga , fora de uso que separa masculino de feminino, ao invés da forma moderna, neutra, igual para os dois sexos ? É mais uma das velhas táticas retrógradas de poder populista. Colocar o rico contra o pobre, esquerda x direita… Dividir p dominar.

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    • Ah, sim! A cidade está dividida? A sociedade está dividida? O país está dividido? Essa divisão (social da riqueza) é um mito inventado pela esquerda? Ela não existe. No mundo real, Rocinha e Copacabana são, exatamente, a mesma coisa. Divisão … é coisa da essqueda esquerdopata que vive jogando rico contra pobre. Dividir para governar? Não foi a tática do Império Britânico … mas sim de Karl Marx. Céus, coxinha é um bicho burro mesmo!

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  20. Ainda assim.. Pode até existir a palavra em 2016, mas o SIGNIFICADO dela segue sendo diferente. Se pudesse ser usado para CHEFE DE ESTADO, estaria escrito, da mesma forma que no PRESIDENTE tem. Então, segue estando ERRADO, porque presidentA não é a chefe de estado e sim o PRESIDENTE ou A presidente.

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  21. Assim como a palavra “infanta”. Sugiro ressuscitar também palavras como ludopédio e cinesíforo. E que todos andemos com dicionários no bolso da sobrecasaca ou dentro da cartola.

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  22. Putz, triste isso, querer dar valor a alguém usando um subterfúgio desses. Votei nela, mas presidente não é masculino, da mesma forma que estudante não é masculino. Ainda, dentista, por acaso, é feminino?

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  23. A matéria não passa de mais uma bravata sem sustentação.
    Em um mundo patriarcal desde sempre é improvável, e até incrível, que os dicionaristas tivessem a preocupação de elencar a palavra “presidenta” como feminino de presidente.
    No Brasil, a capacidade eleitoral ativa da mulher só tornou-se plena em 1934 (em Portugal, na década de 1970!). Ora, se quem não vota não pode ser eleito, qual seria o sentido de prestigiar-se essa abordagem. Lamento.

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    • Ora pois, a atividade de uma presidenta não se restringe ao cargo de mandatária da república, estende-se também ao clube do livro (Ex: a presidenta da sociedade da poetisas vivas) e inúmeras outras.

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  24. Tenha a Santa paciência!!! Vamos retroceder até na língua portuguesa? Se temos a gramática modificada ao longo do tempo, a velha não pode ser usada. Vamos voltar falar Pharmacia, acto, facto como era usado nos séculos passados. A dilma usou esse termo por se achar diferente de todo mundo. Só militantes para concordar com essa palhaçada!!!

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  25. Senhoras e senhores,
    O texto está certo ao esclarecer que o termo “presidenta” não é invenção da Senhora Dilma Rousseff nem de seu partido político e que o emprego de qualquer das duas palavras – “presidente” ou “presidenta” – é formalmente correto, tanto no Brasil como nos demais países de língua portuguesa.
    Não procede, contudo, a afirmação de que o termo “presidenta” é mais antigo que “presidente”.
    A palavra “presidente” era a única variante existente – tanto para designar homens quanto mulheres – até a primeira metade do século XIX, quando se passou a admitir também “presidenta” para o sexo feminino, aparentemente por influência de adaptações do francês. A formação da palavra “presidente” segue a mesma lógica de outros substantivos derivados de verbos e que indicam a continuidade de ação ou sentimento do agente (estudante, despachante, escrevente, crente, paciente, doente, amante, ouvinte, pedinte e etc.) e que, portanto, não se alteram conforme o gênero.
    A língua, contudo, infeliz ou felizmente, não evolui só de maneira lógica. Há palavras que são introduzidas em língua corrente e “dicionarizadas” por influência de estrangeirismos, modismos ou neologismos de escritores influentes, o que não impede que se lhe formulem críticas, especialmente se esses neologismos deixam de ter importância com o tempo, hipótese em que a falta de lógica ou de coerência em sua formação acaba se tornando mais aparente, acelerando o desuso. É o que ocorreu com “presidenta”, que não vinha sendo a variante mais empregada no Brasil, se comparada com a alternativa original “presidente”. A diferença entre “presidenta” e “governanta”, por exemplo, reside em que esta última palavra foi tão amplamente aceita que não se cogita, hoje, chamar “governante” à mulher que exerce a profissão de “governar” casas de família.
    Se falta razão a quem critica aqueles que preferem usar “presidenta” alegando tratar-se de construção inexistente em português, tampouco caberiam críticas, em minha opinião, à preferência da Presidente do STF, Ministra Carmen Lúcia, pelo termo “presidente”, pelos motivos que alegou, noticiados pela imprensa. Afinal de contas, parece razoável concordar com a afirmação da Ministra, no sentido de que boas e bons estudantes e amantes da língua portuguesa, a bem da coerência na formação histórica das palavras em nosso idioma, tendem a considerar esdrúxulos a palavra “presidenta” e o esforço para que passasse a ser usada, de um dia para o outro, como a alternativa dominante em nosso país.

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    • Você está errado. Releia o texto e vai ver que presidente era listado explicitamente como substantivo masculino. Logo, pela norma culta, não se podia dizer “a presidente”. Apenas no século passado os dicionários passaram a registrar presidente como de dois gêneros, permitindo portanto “a presidente”; muito depois de acolherem “a presidenta”. Está bem explicadinho no texto, é só ler com atenção.

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      • Não estou, não. O que eu escrevi foi o seguinte: “a palavra ‘presidente’ era a única variante existente – tanto para designar homens quanto mulheres – até a primeira metade do século XIX, quando se passou a admitir também ‘presidenta’ para o sexo feminino”.
        Sequer afirmei que a palavra “presidente” era comum de dois gêneros. Era comum designar profissões, por exemplo, mesmo exercidas por mulheres, usando o artigo masculino (ex: ela é o professor; ela é o embaixador e etc.). Se isso era verdade para esses casos, tanto mais para as palavras terminadas em “-nte”, que, pela lógica de sua formação, não permitiria flexão de gênero (portanto, dizia-se, “ela é o presidente da sessão”).

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        • Obrigado, Leo, mas, em outras palavras, você está confirmando o que está dito no artigo: que a forma “a presidente”, com artigo no feminino, é, sim, uma “invenção” mais recente do que a forma “presidenta”. Exatamente o que diz a publicação. Abraço.

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        • Felicito-os pelo artigo. É de ótima qualidade e agradeço por terem compartilhado a excelente pesquisa.
          Meu comentário foi apenas no sentido de que haveria razões que tornariam compreensível uma preferência pelo uso de “a presidente” (mas sem querer condenar as motivações, a meu ver, não meramente “neutras”, que levaram à opção oficial por “Presidenta da República” – também formalmente correta).
          Interessante notar que o uso da língua não se orienta apenas pelo que os dicionários autorizam ou não autorizam. Sei, contudo, que o artigo não pretendeu entrar nesse assunto; minha ponderação é que o fez.
          Obrigado e parabéns novamente pelo excelente trabalho!

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        • Obrigado pelos parabéns; e, ainda sobre esse tema, como poderá ver no texto de ontem, defendemos que “a presidente” é a forma mais usual e completamente de acordo com a evolução da língua – como “a cônsul”, “a poeta”, etc. O que quisemos combater é o senso comum burro que se espalha pela Internet, segundo o qual presidenta seria uma invencionice ou um neologismo – quando é forma tradicionalíssima em português. Obrigado novamente!

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  26. Já que as duas formas estão corretas: a presidenta ou a presidente, será que as formas: o golpisto e o golpista também estão corretas ou devemos chamá-los de golpistas?

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  27. Certo… Mas porque complicar e preferir a forma antiga , fora de uso que separa masculino de feminino, ao invés da forma moderna, neutra, igual para os dois sexos ?

    É mais uma evidencia das velhas táticas de manipulação populista. Dividir para dominar… Colocar o rico contra o pobre, esquerda x direita., preto contra branco. Enquanto o povo fica dividido fica brigando por esquerda ou direita, eles metem a mão no bolso dos “dois”

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  28. Se pegar dicionários antigos, haverá muitas coisas que hoje não são aceitas na nossa língua….. a não ser que voltemos a escrever farmácia com PH, etc.

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    • Todos os dicionários atuais (2016) trazem presidenta como sinônimo de “a presidente”. Aurélio, Houaiss, Michaelis, Priberam, o do PROFESSOR PASQUALE, você escolhe. Podia deixar de lado a preguiça e abrir um dicionário que ia pelo menos parar de pagar vergonha 🙂

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  29. Pingback: A poeta ou a poetisa? “Poeta” pode ser masculino ou feminino | DicionarioeGramatica.com

  30. Quanta consideração inspirada em brigas partidárias! Abra o dicionário, a gramática e escolha a (s) forma(s) que mais lhe agradar! É o que faz qualquer um! Mas é bom respeitar a escolha que outros fizerem.Gramática é gramática, ideologia e paixões partidárias são coisas diferentes.

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