O certo é loira ou loura? É louro ou loiro?

 

loiras

O certo é cabelos louros ou cabelos loiros? Uma criança loura ou loira? Resposta: tanto faz. Louro e loiro são sinônimos, como loura e loira, segundo todos os dicionários brasileiros e portugueses.

Há várias palavras em português que podem ser escritas tanto com “oi” quanto com “ou”, indiferentemente: toucinho ou toicinho; mourão ou moirãocabelos louros ou cabelos loiros, uma mulher loira e um homem loiro ou uma mulher loura e um homem louro.

As formas em “ou” em geral são as mais antigas e tradicionais; é por essa razão que, em textos mais antigos em português (e até hoje em galego) é normal ver escrito, por exemplo, “dous” em vez de “dois”; “cousa” em vez de “coisa”; ou noute, em vez de “noite”.

Em Portugal, o processo de substituição de “ou” por “oi” já vai, aliás, mais avançado que no Brasil – por lá, é normal ouvir (e escrever) coiro, além de “couro”; doirado, além de “dourado”; toiro, além de “touro”;  loiça, além “louça”; e até “eu oiço” e “que eles oiçam“, ao lado das formas “eu ouço” ou “que eles ouçam”.

19 comentários sobre “O certo é loira ou loura? É louro ou loiro?

  1. É curioso, em algumas palavras parece-me mais arcaico o “oi”, noutras o “ou”. “Coiro”, por exemplo, é algo que só oiço (pois) no interior. Pelo menos, tenho essa ideia. O mesmo diria de “toiro”.

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    • No que tange a “coiro”, tem toda razão, Mário – diferentemente dos demais exemplos, a vogal original, no latim era um “i”, de modo que o “ou” é que foi uma mudança. Com touro já não é o caso, mas faz também sentido o que diz – que algumas formas em “oi” tenham competido por algum tempo com formas em “ou”, e em alguns casos estas tenham “triunfado”, ficando aquelas relegadas a contextos dialetais. Mas você realmente diria “oiço” normalmente? É algo realmente inaudito no Brasil.

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  2. Caro,

    Será mesmo inaudito? Juraria já o ter ouvido em dialetos caipiras.

    A propósito, saberia indicar-me referências de estudos de comparação entre alguns dialetos brasileiros e o galego ou os dialetos do norte de Portugal? Tenho a impressão de que muito do que há de mais antigo no português se conserva não só na Galiza e no norte de Portugal, mas também em alguns dialetos caipiras do Brasil, como “entonce” para então, que eu mesmo já escutei muitas vezes no interior de Minas Gerais.

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    • Correto – “inaudito no Brasil” foi presunção minha, dado o tamanho do país. Inaudito para mim, quis dizer. Sobre o galego, sim, por coincidência também tenho constatado, em tempos recentes, quanta coisa do galego é possível identificar no brasileiro, rural ou não – a ditongação de “mas” (adversativo) como “mais”, a simplificação de “em” final (vi que, no galego normativo, ontem e anteontem são onte e antonte, formas consideradas “populares” no Brasil, etc.). Buscarei mais informações a respeito, com prazer.

      Curtido por 2 pessoas

  3. […] Há várias palavras em português que podem ser escritas tanto com “oi” quanto com “ou”, indiferentemente […]
    Várias só? Eu acho que todas (nom se me ocorre algum exemplo) apresentam ou apresentárom variações antre os ditongos -oi- e -ou- nalgum momento da istória e nalgũa parte da galaicofonia.
    As formas com -ou- som as maioritárias na Galiza, ainda que á algũas exceções. Por exemplo, “noite”. Pode que “noute” ainda se utilize nalgũas partes da Galiza, mais o uso de “noite” é moito maior. A situaçom inversa dá-se pra dous/dois ou cousa/coisa.
    Iste artigo soluciona-me algũas dultanças que tinha. Na minha zona, di-se “tixeiras”; castelanismo adaptado de “tijeras”. Na norma da RAG, a forma oficial é “tesoiras”. No entanto, pra usar um galego o mais enxebre possível, nom estava certo de que forma usar. Tesoiras ou tesouras? Ò saber que as formas com -ou- som as mais antigas e tradicionais, já dissipáchela minha dúvida. Vou usar “tesouras” e pronto. Sempre que tenha dúvidas, empregarei as formas com -ou-. Isso si, seguirei a utilizar “noite”; porque aí nom á dúvida nengũa.
    Comentei antes que a forma “tesoiras” é a normativa pola RAG? Pois, mesmo assim, tem-se empregado algũas vegadas “tesouras” nalgũas dobragens e séries. Nem o poder do “oficial” pode evitar por completo issa alternância.

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