Olimpíada ou olimpíadas? O certo é “a olimpíada” ou “as olimpíadas”?

bandeira-olimpica
Tanto faz dizer “a olimpíada do Rio” ou “as olimpíadas do Rio” (ou, ainda, “os jogos olímpicos do Rio”).

O certo é olimpíada do Rio ou olimpíadas do Rio? As olimpíadas de Tóquio ou a olimpíada de Tóquio? Para o desespero daqueles que adoram corrigir os demais, este é um daqueles vários casos da língua em que tanto faz: “olimpíada” e “olimpíadas” são sinônimos. Quem diz o contrário não sabe interpretar um dicionário.

Há os ignorantes que chamam de burros os que se referem, no singular, à “olimpíada” do Rio, ou à última olimpíada, ou à próxima olimpíada, etc. Isso porque, afirmam, achando-se sabichões, o primeiro significado de olimpíada no dicionário é: “Na Grécia antiga, período de quatro anos entre dois jogos olímpicos que servia para a contagem do tempo“. Sim, olimpíada significava, portanto, um período de quatro anos. Mas qualquer sabichão deveria saber que a maioria das palavras têm mais de um significado – e, como indicam os mesmos bons dicionários (ver aqui), “olimpíada”, no singular, é, também, um sinônimo de “jogos olímpicos”.

E “olimpíadas”? Segundo os mesmos dicionários (vejam aqui, por exemplo, o Michaelis), também significa “jogos olímpicos”.

Portanto, tanto faz dizer “a olimpíada do Rio” ou “as olimpíadas do Rio” (ou, ainda, “os jogos olímpicos do Rio”). É exatamente a mesma coisa. Está errado quem diz que a forma no plural está errada – assim como também estão erradas as pobres almas que dizem o contrário: sim, também existem os “gênios da gramática” que dizem que, se a olimpíada do Rio é somente uma, estaria errado dizer “as olimpíadas de 2016”, etc.

Ignorância deles: há, na língua portuguesa, várias palavras que podem ser usadas tanto no singular quanto no plural, sem modificação de sentido: pode-se dizer “Tinha muito ciúme dele” ou “Tinha muitos ciúmes dele“; “Estou com muitas saudades de você” ou “Estou com muita saudade de você“, indiferentemente. E, do mesmo modo, é perfeitamente correto dizer tanto “a olimpíada de 2020” quanto “as olimpíadas de 2020“.

“Peleumonia” x “catéter”: erro de pobre, erro de rico

o-medico-facebook

Ganhou espaço na imprensa brasileira nos últimos dias o caso de um jovem médico que ridicularizou paciente que se queixara de uma suspeita de “peleumonia“. “Não existe peleumonia“, afirmou o médico, com base em que, de fato, “peleumonia” não está no dicionário. A ironia, porém, é que a classe médica brasileira sabidamente usa aos montes , diariamente, palavras que não estão nos dicionários – como “catéter“, palavra usada diariamente por médicos de todas as regiões do país; para o Aurélio (e para o Houaiss, o Michaelis, o Aulete, o Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras, etc.) só existe cateter, palavra oxítona.

Qualquer que seja, portanto, o critério para definir se uma palavra existe (se seu uso no dia a dia, ou sua presença em dicionários), “peleumonia” existe (ou não) tanto quanto “catéter“. Então por que os mesmos médicos que zombam de quem usa aquela não tem vergonha de usar “catéter“? Pura hipocrisia linguística.

Diariamente se vê muito desse tipo de hipocrisia, que dá tratamento diferente a erros de português baseando-se não no erro em si, mas no meio em que se ouvem – é a diferenciação entre “erros de pobre” e “erro de rico”. Mas, erro por erro, o paroxítono catéter, queridinho dos médicos brasileiros, é tão errado (ou tão correto, a depender do nível de permissividade linguística) quanto “peleumonia“.