O feminino de soldado é soldada

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De acordo com a gramática e dicionários, uma mulher militar sem graduação é uma soldada. São erradas construções como “a soldado“, “soldado mulher“, “uma soldado“, “as soldados“.

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De acordo com o vocabulário ortográfico e dicionáriossoldado não é um substantivo comum de dois gêneros. Não há justificativa para que a palavra não se flexione no feminino como qualquer outro substantivo masculino terminado em “o”.

O que ocorre com soldada é simplesmente o que ocorre com outras profissões tradicionalmente exercidas apenas por homens – como piloto e até carteiro. Mas não há dúvida: em bom português, uma mulher que entrega cartas é uma carteira (jamais “uma carteiro“); uma mulher que pilota aviões ou carros de corrida é uma pilota (nunca “uma piloto“, nem “uma mulher piloto“, etc.); e uma mulher militar sem graduação só pode ser uma soldada.

Pela tendência da língua, inexoravelmente a palavra soldada será um dia tão comum quanto hoje são juízaprefeita ou governadora, que causavam estranheza e eram evitadas na fala até décadas atrás. E aqueles que hoje usam a forma gramaticalmente errada “uma soldado” serão recordados com a mesma estranheza que hoje causam combinações outrora comuns – como “a primeiro-ministro“,  que era a forma mais usual não tantos atrás, quando a maioria da população estranhava o correto feminino “primeira-ministra”, simplesmente pela raridade que era uma mulher chegar a esse cargo, e achava normal tratamentos como este:

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11 comentários sobre “O feminino de soldado é soldada

  1. Não que eu discorde de uma única palavra nesse artigo, mas, ainda assim, acho tão aborrecida a sua insistência nesses tópicos caros à correção política (de novo, correção política à parte, não ponho em causa o que escreveu). Parece até que não há temas linguísticos mais interessantes, merecedores de atenção.

    Para falar a verdade, é tão desagradável essa insistência boba em criar minorias (desde quando mulher é minoria?) que me dá vontade de seguir usando todas essas profissões só no masculino, dizendo ser errada a forma feminina de todas elas (eu, por exemplo, sempre disse a piloto e acha que nem sequer havia forma feminina).

    Quanta picuinha, quanta cata a pêlos em ovos.

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    • O foco da página são os erros gramaticas que vão na contramão da história e da evolução da língua, de que este é um exemplo perfeito. Fiz o texto hoje porque hoje vi choverem “correções” de sabichões no Twitter xingando o G1 por ter escrito sobre uma “soldada”. Mas esse seu comentário tão inteiramente infeliz (como pode incomodar tanto uma correção gramatical?) só me reforça a convicção de continuar nessa linha. Ou seja: vai haver muitos mais textos como este.

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      • Caro,

        Vou ler inclusive os textos como este, como, de resto, leio todos. Até para saber quais palavras vou, por repulsa à correção política, continuar a usar sempre no masculino.

        Gosto do seu blogue, apesar da chatice de alguns dos posts.

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      • Em tempo: a correção gramatical não me incomodou, tanto que deixei claro não discordar de uma única palavra no artigo. Incomoda-me é a correção política, que vi não neste artigo, isoladamente, mas no excesso de tópicos semelhantes a este.

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    • Pois eu só conheci a página pela postagem de presidenta e acho este tipo de textos interessantes e importantes, e peço que o autor continue com eles. Como que uma correção gramatical é “criar minorias”? Quem, além do Anônimo conservador de sempre falou que mulher é minoria? Quem fez, aliás, (ou faz) qualquer comentário político aqui na página, além dele? Querido conserva, já sei que, como sempre, vai responder me xingando de tudo, e já te poupo o trabalho dizendo que não vou ler sua resposta, como nunca leio, mas, de verdade: está no ambiente errado. Fique lá no blogue do Guégués, a discutir os hifens errados (mas que daqui a 15 anos já não serão errados pois terão mudado de novo as regras, de modo que metade das publicações lá imortalizadas causarão tanto riso quanto “a primeiro-ministro”), os anglicismos espúrios (mas que daqui a 15 anos serão tão comuns e universalmente aceitos como o “constatar” que as pessoas como você chamavam de galicismo há 50 anos), e deixe quem se interessa pela proposta da página discutir em paz a proposta da página.

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      • Cara Mari,

        Vou ficar aqui por muito, muito tempo.

        Gosto do página, respeito a qualidade do trabalho do autor, a despeito de achar enjoadíssima a insistência dele nessas picuinhas. Tão enjoada que ele já me convenceu: vou continuar a dizer a piloto (como sempre achei que fosse correto) e vou passar a usar a forma masculina de palavras que eu já usava no feminino.

        A minha razão para o fazer, que não lhe interessa, até porque, como você mesma disse, nunca lê a minha resposta, embora leia os meus comentários e a eles responda, como o fez ainda há pouco, não é, mas nem de longe, machista, que o progresso das mulheres não me incomoda minimamente; é, na verdade, exclusivamente estética: é-me insuportável o discursinho histriônico, estridente e canastrão da correção política.

        Agora, se a Mari quiser continuar a ser a soldado que a todo conservador dá combate ainda quando diz não dar, fique à vontade. Da minha parte, não vou a lugar algum.

        Bom domingo.

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      • Em tempo: foi você quem começou por me chamar troglodita anônimo, já se esqueceu? Não obstante, reconheci o destempero da minha resposta e lhe pedi desculpas pelos meus excessos, coisa que você não fez. Esquerdistas não hesitam em ofender o inimigo, que deve ser eliminado, ainda que simbolicamente: que eu vá lá para blogue do Guégués, que vá ao diabo que me parta, mas que não continue no mesmo espaço que você, não é?

        E pensar que as salas de aula estão apinhadas de professores com mentalidade semelhante à sua…

        Obs.: “Fique lá no blogue do Guégués, A DISCUTIR os hífens errados…”: eu seria capaz de jurar que nenhum brasileiro diria fique a discutir em vez de fique discutindo. Não que essa construção me incomode, porque eu escrevo como me apetece, uso velharias ou inovações sempre que me parecem expressar melhor alguma ideia ou que me soem agradavelmente aos ouvidos, mas, para uma jiadista (ou jihadista ou jirradista, como quiser) do bagnismo, é até um contrassenso.

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    • Incomodam-me, incomodar-me-ão sempre, mas nem por isso vou deixar de os ler. Incomoda-me mais ainda, no entanto, e isso talvez me faça mesmo parar de ler, é que você edite os debates e faça sumir comentários. E posso apontar exemplos de eliminação de comentários que não fugiam do tema em debate nem eram ofensivos e, no entanto, foram eliminados. Isso, sim, me incomoda muito: é como se você agisse como quem pensasse “o blogue é meu, eu faço com ele o que bem entender, inclusive editar debates”.

      Você cortou, por exemplo, minha réplica ao último comentário destemperado e extremamente ofensivo do Emilson Werner no espaço de comentários ao texto sobre o uso de presidenta. Editou a nossa troca de mensagens para que ficasse como se eu me tivesse calado depois do pito que o Emilson Werner me passou. Isso é desleal e isso talvez me faça mesmo deixar de acompanhar o blogue. E olhe que não me tenho limitado a esse tipo de comentário: você não sabe, mas já curtiu muitos comentários que escrevi.

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  2. Pingback: Carteira: o feminino de carteiro | DicionarioeGramatica.com

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