A pronúncia de extinguir, extingue, extinguiu…

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De acordo com a norma culta tradicional, não se pronuncia o “u” do verbo extinguir e de suas formas conjugadas (extinguiu, extinguimos, extinguiram, extinguem, extinguidos, extinguiria, etc.). Em todas essas palavras, o “u” é mudo.

Há algumas palavras que admitem dupla pronúncia – como “liquidar” e “liquidificador”, em que o “u” pode ou não ser pronunciado. Já o verbo “extinguir” não é desse tipo: os vocabulários e dicionários brasileiros e portugueses são unânimes ao dizer que a única pronúncia admitida na normal culta é com “u” mudo.

Se esse “u” fosse pronunciado, o verbo e seus derivados se escreveriam, até a recente reforma ortográfica, com trema – mas, precisamente porque esse “u” é mudo, não se escrevia “extingüir”, “extingüem”, “extingüiu”, “extingüível”, etc., mas sim extinguir, extinguem, extinguiu, extinguível – todos com “u” mudo.

5 comentários sobre “A pronúncia de extinguir, extingue, extinguiu…

  1. Acho um pouco forte demais dizer que “não se pronuncia o u do verbo extinguir e de suas formas conjugadas”. Muita gente (até gente “boa”, conforme se diz por aí) pronuncia o “u” de extinguir, de questão etc. Pode-se não gostar, pode-se dizer que a norma culta não admite, mas os fatos são outros. Abrs.

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  2. O fato de muita “gente boa” falar dessa forma, não quer dizer que é certa. Muita gente fala o verbo roubar, no presente do indicativo, pronunciando “róba”, sendo o certo rouba. O fato de ser comum e usual não torna correto, principalmente a norma culta. Precisamos melhorar.

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    • Norma culta não é algo inscrito em pedra, que corresponda a alguma essência da língua, a alguma língua pura, sem defeitos. Ela muda com o tempo. Se não mudasse, nem haveria o português: falaríamos todos latim. Ou melhor: a língua indoeuropeia que daria origem ao sânscrito, ao latim e ao grego.
      E o mais curioso é que quem cobra respeito à norma culta do século XIX não a domine: em não quer dizer que É certa, o verbo deveria estar conjugado no subjuntivo (não quer dizer que SEJA certa); esse tipo de subordinação truncada com o verbo ser no gerúndio (SENDO o certo rouba) é também condenada pela norma culta do século XIX; o verbo precisar é transitivo indireto e, pela norma culta do século XIX, SEMPRE pede objeto indireto, ainda que o objeto seja um verbo no infinitivo, donde você deveria ter escrito “precisamos de melhorar” (como sempre dizem e escrevem os portugueses, e como falam alguns mineiros, que são por isso taxados de caipiras); a locução “o fato de”, em “o fato de isso ser assim”, “o fato de alguém dizer assado”, é um anglicismo dispensável: bastar-lhe-ia ter escrito: Muita gente boa falar dessa forma não a torna correta, ou Que muita gente boa fale dessa forma não a torna correta.
      Olhe que nunca encontrei por aqui um defensor da norma culta do século XIX em cujo comentário, por muito curto que fosse, eu não encontrasse erros segundo essa norma. E já eu, que a conheço bastante bem e consigo respeitá-la o mais das vezes, não lhe dou o mesmo valor.

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    • Em Portugal, na norma culta da capital Lisboa, a escrita “ou” no meio de palavras é sempre pronunciada apenas “o” – isto é, escreve-se “ou” mas a pronúncia culta em Lisboa é “o”, como no Brasil; a pronúncia culta, por exemplo, é coro, toca, toro, embora escrevam “couro”, “touca”, “touro”. Se você faz questão de pronunciar o “u” em rouba, está na verdade fazendo uma pronúncia artificial, que não corresponde à norma culta lisboeta.

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