esnórquel, aportuguesamento de snorkel, nos dicionários Houaiss e Michaelis

Family snorkeling in tropical water

Vemos com muita frequência a grafia inglesa “snorkel” para se referir ao tubo, parte do equipamento de mergulho, que serve para respirar com o rosto sob a água. Não tem por quê: o dicionário Houaiss, o dicionário Michaelis e o dicionário Estraviz já trazem o aportuguesamento esnórquel, perfeito do ponto de vista ortográfico e já muito empregado em literatura.

A palavra esnórquel, em português, precisa de acento por se tratar uma palavra paroxítona terminada em “L” – como horrívelamávelmóvelpádel. As palavras terminadas em “L” sem nenhum acento gráfico são oxítonas: papelaluguelanilgeral, futebol

O plural, regular, é esnórqueis.

55 comentários sobre “esnórquel, aportuguesamento de snorkel, nos dicionários Houaiss e Michaelis

    • Propõe inventar nomes, como “ludopédio” e “convescote”? A experiência nos tem mostrado que esse tipo de invenções já nasce fadado ao fracasso… De resto, não me choca isso de pegarmos termos de outras línguas. Praticamente toda palavra do português, afinal, foi um empréstimo do galego, ou do francês, ou do espanhol, ou do inglês, ou do grego, etc., etc., etc.

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      • O português não pediu nada emprestado ao galego, mas sim evoluiu deste como este evoluiu do latim. Nem tampouco a mim me choca que o português tome emprestados de outras línguas alguns termos, mas que o faça toda a vez em que algo é criado não me parece defensável. Em alguns casos, nós, brasileiros, cunhamos termos que os portugueses mantém no original; noutros, dá-se o contrário, como, por exemplo, se passou com “rato”, nome que se dá em Portugal ao “mouse”.

        Chamar “ludopédio” ao futebol e “convescote” ao piquenique é ridículo hoje, mas não sei se o foi ontem, e, se o foi, não o terá sido tanto quanto hoje nos soa ridículo fazê-lo, passadas tantas décadas da incorporação dessas palavras ao português. Se a postura tivesse sido outra no passado, ludopédio e convescote não causariam surpresa a ninguém, como a ninguém espanta ouvir, num restaurante, o freguês pedir o cardápio ao garçon (a quem eu sempre chamei, e chamo, “moço”, sem que ninguém se espante por isso, exceto alguns que acham polido o galicismo).

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      • Só para a informação dos leitores que, porventura, o desconheçam, cardápio é da lavra do mesmo homem que inventou ludopédio e convescote: o latinista brasileiro Antônio de Castro Lopes (1827-1901).

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      • É certo que “ludopédio” não é moi usada arestora no português, mais não ocorreu o mesmo no italiano com “calcio”.
        A maioria das vezes fracassa…, mais não sempre. Como dixo José só no início se podem criar novas palavras. Por exemplo, “calcio” criou-se na Itália na década dos 1930 (penso que o feito de que a Itália estivesse numa ditadura ajudou a que se propagasse “calcio”); mais se fose criada hoje teria moi pouco sucesso, dado que o anglicismo estaria moi estendido.

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  1. Caro José, agradeço os comentários. Mas, pessoalmente, como disse, acho um esforço inútil tentar evitar a entrada de estrangeirismos e substituí-los por formas “vernáculas”. Já pensei diferentemente, mas hoje estou convicto de que, além de ser uma batalha que jamais se poderia ganhar, a entrada de estrangeirismos é fenômeno inerente a toda língua viva e não faz nenhum mal, antes o contrário: o português é que saiu ganhando ao receber/criar a palavra garçom para designar especificamente uma profissão – especificidade que a própria língua francesa não tem. Melhor para nós.

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    • E (embora admita que até pouco tempo atrás eu mesmo pensasse diferentemente, mas penso ter evoluído a esse respeito) a verdade é que hoje não vejo por que uma palavra portuguesa (garçom) copiada do francês no séc. XIX seria “nociva” à língua, ou mesmo “pior” do que outra palavra, “moço”, que quase certamente apenas copiamos dos espanhóis (mozo) alguns séculos antes.

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      • Caro,

        A minha rejeição a estrangeirismos é moderada, e, por isso, estamos quase de acordo. Que eu chame moço ao garçom é menos uma defesa deliberada do nosso patrimônio linguístico que reflexo do costume, pois era assim que ouvia o meu pai chamar a quem lhe atendia à mesa. Outros tantos barbarismos que não mais o são saem da minha boca ou chegam aos meus ouvidos sem que me dê conta deles

        No entanto, acho que, logo no início, era evitável usar “mouse” em vez de “rato”, por exemplo. Lembro-me de me ter deparado com alguns exemplos de palavras que, diferentemente do que se passou no caso supracitado, os portugueses usam termos em inglês que nós aportuguesamos.

        Enfim, a resistência inicial pode ser efetiva nos casos em que se justifica, e os casos em que se justifica são aqueles em que há substituto ou em que se pode cunhar, sem dificuldade, um substituto curto e preciso, com vocação para generalizar-se.

        De qualquer modo, não sou dos que batem no peito com o punho fechado a dizer que, enquanto vida tiverem, lutarão contra a incorporação dos barbarismos, que desfiguram a Língua Portuguesa.

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        • Na Galiza, usamos “rato”. E acho que em Portugal tamém. E já vês que teve moito sucesso.
          Nom sempre é batalha perdida loitar contra os estrangeirismos. Eles meterám-che 10 golos; mais, ao final, rematarás marcando um golo.

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  2. Uma correção para a maior clareza do que escrevi: “Lembro-me de me ter deparado com alguns exemplos de palavras que, diferentemente do que se passou no caso supracitado, os portugueses usam em inglês, mas que nós aportuguesamos”.

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  3. No Brasil o verbo “deletar” já está dicionarizado há bastante tempo. Vide Aurélio, Houaiss e Michaelis. Veio do inglês “to delete”, que por sua vez (segundo Aurélio) veio do latim “delere”.

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  4. Retifico meu comentário sobre a expressão ‘Tenho entendido que no Brasil usades “deletar arquivos”’: o entendimento está correto, pois no Brasil o verbo “deletar” já está dicionarizado há bastante tempo.

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    • E bote bastante tempo nisso – desde antes de eu nascer. É claro que foi a influência do inglês “delete” escrito nos computadores o que fez “renascer” esse verbo, mas não há nada de antiportuguês nisso – há séculos temos o adjetivo deletério, por exemplo, o que pressuporia desde sempre um verbo “deletar”.

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        • A adoção ou não do estrangeirismo, a meu ver, às vezes não tem muita lógica. Os linguistas, os lexicógrafos e os etimologistas, que aqui postam, podem falar melhor. Mas creio que as razões são as mesmas pelas quais ocorre também o inverso, ou seja, em Portugal se diz “body-building” e no Brasil se diz “fisiculturismo”, para a mesma acepção. Outros exemplos são:

          PORTUGAL / BRASIL:

          bowling / boliche
          badge / crachá; distintivo
          boss / patrão; chefe
          browser / navegador
          cash / dinheiro
          cast / elenco

          Ver mais em http://www.portaldalinguaportuguesa.org/index.php?action=loanwords&act=list&show=all&language=ingl%C3%AAs

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        • Body-building, cash, back-up…? Sinto-o, mais o meu inglês nom é que seja ũa maravila. Polo que vejo, tanto ao Brasil coma a Portugal, chegam moitíssimos anglicismos (e moitos deles som desnecessários). Mais na Espanha nom se usam moitos anglicismos. Apenas os justos e realmente necessários (e se nom se atopa ũa adaptaçom).

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        • Na Galiza usamos patrom/xefe (o chefe é o cozinheiro), navegador, elenco, dinheiro/cartos, cópia de seguridade, antidopagem…
          Bye-bye? Isso nom se usa rem na Galiza. A forma mais usada acô é “chau” (do italiano ciao).
          Depois, na Galiza usaria-se “fisiculturismo” (se sou sincero, nom é um tema do que saiba moito). Logo, verbo de bólingue/boliche, na Galiza a forma que de fato é mais usada é a do castelão: os bolos. Mais nom por isso teria d´admitir-se. Acô a forma normativa seria “os pinos”. Exemplo:
          Vou jogar aos pinos.
          Fum jogar aos pinos e quedei segundo.

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        • Aurélio, Houaiss, Michaelis e Aulete, os quatro maiores e mais importantes dicionários da língua portuguesa, no Brasil, não registram “chefe” como chefe de cozinha.

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        • Sim, no Brasil há anglicismos. Tem uns desnecessários, mas não há como impedir a sua utilização. O que pode ser feito é você não usá-los, e esperar que outros também não usem. Talvez caiam no esquecimento.

          No Brasil a forma “site” é predominantemente utilizada, embora tenhamos o “sítio” correspondente pouquíssimo utilizado, ambas formas dicionarizadas. Eu particularmente sigo a maioria porque a forma “sítio” tem outras acepções (fora da informática) no meu entendimento muito mais importantes.

          O empréstimo às vezes é até bem vindo quando não há expressão equivalente. Ele enriquece a língua.

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        • Sobre os estrangeirismos, penso com o famoso ditado popular que diz que “a voz do povo é a voz de Deus”. O que a maioria do povo pensa e diz é que está certo e vale.

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        • É assim que funciona a língua, precisamente. É por isso que a grande língua mundial, o inglês, não tem (nem precisar ter) uma academia: lá, não há polêmica quanto às evoluções constantes da língua; basta que uma mudança passe a ser usada pela maior parte da população urbana e dita culta para que se torne inglês correto.

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        • “O empréstimo às vezes é até bem vindo quando não há expressão equivalente. Ele enriquece a língua.”

          Com efeito. Mais, se existir ũa expressom vernácula equivalente, já nom é tam bem-vindo…

          “O que pode ser feito é você não usá-los, e esperar que outros também não usem. Talvez caiam no esquecimento.”

          É ũa boa opçom. Mais, complementando a essa, estaria bem que nom dicionarizássedes todo canto anglicismo usa o povo. No castelão, por exemplo, a Real Academia Espanhola é moi restrita à hora de dicionarizar estrangeirismos ou neologismos. Só o fai se estiverem moi espalhados antre a populaçom e se forem realmente necessários. E se este último critério nom se cumpre, por exemplo, por houver ũa expressom vernácula no castelão; o que fai a RAE é recomendalo uso do termo genuíno no castelão (http://www.fundeu.es/). O termo no castelão será o usado nas televisões e nos livros da escola. Deste jeito, o anglicismo (ou outra clase d´estrangeirismo) deixa de propagar-se e, co tempo, cai ao esquecimento. Há exceções, mais é ũa fórmula que funciona na maioria dos casos.

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        • Mesmo em Portugal o que se usa é “chef”, quando se refere à cozinha – basta olhar os jornais e livros portugueses. Uma coisa é estar no dicionário, outra é ter uso de fato; e nem preciso dizer qual das duas coisas é a mais importante para se dizer o que é ou não é “a língua portuguesa”….

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        • Nom sei moi bem como funciona o inglês. Mais penso que, de fato, Oxford funciona como ũa academia do inglês. Ademais, que é ũa academia? Que funções tem de fazer ũa academia? Há instituições que, mesmo sem levalo nome de “academia”, fam mais cás que si o levam.
          O povo está ocupado nas mais diversas profissões. Nom têm tempo pra pensar na língua que usam ou deixar d´usar. Porém, é necessário estabelecer ũa ordem. Geralmente, a gente culta é a que adoita preocupar-se mais polo emprego correto da língua. Isso é que se fai no castelão, coa RAE e a Fundéu proponhendo verbas e expressões constantemente pra combatelos estrangeirismos. As formas vernáculas propostas serám as usadas pola gente culta, na televisões, nos livros da escola, na administraçom, nos jornais, nos mídia em geral… Nom se deve usar calquer estrangeirismo que se che venha à cabeça num Telejornal ou na elaboraçom dum livro pra escola.
          Ademais, este simples feito fai que o estrangeirismo cesse a sua propagaçom. E, co tempo, remata caindo ao esquecimento. Com já dixem antes, há exceções (coma em tudo na vida); mais é ũa fórmula que tem resultado a maioria das vegadas.
          Como curiosidade, na Espanha até traduzimos os nomes dos personagens de filmes, séries… Por exemplo, Wolverine em Lobezno, Fast and Furious em A todo Gas… Os hispano-americanos se rim moito disso, mais penso que é mais natural usar “Lobezno” ca “Wolverine”.
          É certo que na América hispanofalante usam mais anglicismos ca na Espanha. Mais, mesmo assim, nom coido que nom chega ao nível do Brasil (em Portugal, desconheço-o). Será que os utentes da língua castelã se preocupam mais pola sua língua?

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        • “O empréstimo às vezes é até bem vindo quando não há expressão equivalente. Ele enriquece a língua.”

          Melhor dizendo: o empréstimo às vezes é até bem vindo mesmo quando há expressão equivalente. De qualquer forma ele enriquece a língua.

          “(…) estaria bem que nom dicionarizássedes todo canto anglicismo usa o povo.”

          Não tem problema dicionarizar. Só usa, ou não, a expressão dicionarizada quem quiser. Eu tenho cinco dicionários, mas muita gente tem zero. Muita gente se educa na escola. Muitos são autodidatas. É a liberdade, a democracia. É óbvio que o nível de prosperidade é proporcional ao nível educacional. Então se os pais querem a prosperidade dos filhos eles os colocam na escola.

          “No castelão, por exemplo, a Real Academia Espanhola é moi restrita à hora de dicionarizar estrangeirismos ou neologismos. Só o fai se estiverem moi espalhados antre a populaçom e se forem realmente necessários.”

          Não seria uma espécie de ditadura? Tiranismo? Autoritarismo? Isto não é bem visto.

          “Ũa mágoa que no português (tanto em Portugal coma no Brasil) nom tenhades ũa instituiçom que regule a entrada d´estrangeirismos e neologismos, de forma eficiente.”

          Penso que a liberdade linguística é melhor que a imposição.

          “(…) Ademais, que é ũa academia? Que funções tem de fazer ũa academia? Há instituições que, mesmo sem levalo nome de “academia”, fam mais cás que si o levam.”

          As funções de uma academia são aquela previstas em seu estatuto, pois apenas o nome “academia” em si não quer dizer nada. No Brasil tem academia pra tudo. Em todos os estados e capitais e também em muitos municípios que não são capitais existe academias. De todos os tipos. No Rio de Janeiro, por exemplo, tem uma famosa academia, a ABC – Academia Brasileira de Cachaça (cachaça é uma bebida alcoólica destilada da cana de açucar), cujo presidente era (ou ainda é) o nosso ilustre chargista Jaguar.

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        • “Melhor dizendo: o empréstimo às vezes é até bem vindo mesmo quando há expressão equivalente. De qualquer forma ele enriquece a língua.”

          Nain (escrito nein). Por que nom? Enriquece a língua. Danke.

          “Não seria uma espécie de ditadura? Tiranismo? Autoritarismo? Isto não é bem visto.”

          É um pouco difícil ser tirano cando nom tens liberdade. Eu penso que os bebês teriam de poder escolher que língua vam querer falar. Se galego, chinês, inglês, maori, tailandês, aragonês, russo…
          Nom é necessário “obrigar” a ũa criança a utilizar um anglicismo, havendo um termo vernáculo (após tudo, às crianças obriga-se-lhes a falar nũa língua). Todo o mundo vai à escola. Por isso, acô se têm d´usalas formas vernáculas.

          “Penso que a liberdade linguística é melhor que a imposição.”

          Penso c´a liberté linguistique est milhor c´a imposité. Isso propões? Liberdade, mais há uns limites. Há que admitir que esse limites nom estám exatamente definidos. Pero sim um aproximado. Nũa obra vernácula, em calquer língua (português, castelão, inglês, francês, japonês…), podes usalas variedades dialetais da tua zoa; já que isso enriquece a língua por meios vernáculos. Mais nom há razom pra usar estrangeirismos se nom há necessidade (linguísticas ou argumentais). De feito, nom está moi bem visto o seu uso recorrente.
          No que si que se admitem estrangeirismos seria no campo das traduções (http://pgl.gal/os-lusiadas-mirandes/). Este é um campo que tem a sua complexidade.

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        • Caros,

          Nesta polêmica, contrapuseram-se uma visão dinâmica e outra estática da língua; uma, que vê a evolução linguística como algo natural e neutro em si (é da índole de qualquer língua mudar enquanto não morrer, e a mudança em si não é boa nem ruim, é apenas o resultado inexorável do tempo), e outra, para a qual a língua atingiu a perfeição em determinado momento, depois do qual toda a mudança é deturpação, exceto se seguir processos de derivação próprios da língua segundo étimos que são dela mesma; uma, que, sem desconhecer a ligação entre identidade e língua, não perde de vista que a identidade de um povo também é contingente e, por conseguinte, mutável, tal como a própria língua (o povo galego de hoje não é o mesmo de outrora, e o povo galego de amanhã será ainda outro), e outra, que tem uma visão metafísica de língua e de povo, que vê essa como expressão da identidade deste, identidade que é a sua essência, de modo que a assimilação de estrangeirismos é a deturpação não só da língua, mas da própria identidade do povo e, segundo essa visão, da sua própria essência.

          As duas visões existem em qualquer lugar, mas a estática me parece mais prevalente nos povos que, como o galego, temem ter a sua cultura absorvida por outra, vista como dominante, ou por povos cuja língua se confunde com a nacionalidade no próprio nome, como os portugueses e espanhóis e, em muito menor medida, até mesmo os ingleses (relativamente às peculiaridades de outras variantes do inglês).

          Acho o contato com falantes de outras variantes do português sempre enriquecedor; defendo mesmo que o intensifiquemos, pois, diferentemente do que a intensa troca neste blogue sugere, os brasileiros não costumam interessar-se pelos demais países em que se fala português; mas, nesse contato, devemos, nós, brasileiros, ter o cuidado de não nos deixarmos afetar por questões que não nos dizem respeito porque não são nossas: a ideia de lusofonia, que, ao menos com este nome e com as ideias que se lhe associam, comumente, só é mesmo cara a portugueses, que bem gostariam de exercer, em questões linguísticas, a mesma influência sobre os demais países “lusófonos” que a Espanha exerce nos países hispanófonos, e a questão identitária galega, em que a relação entre a Galiza e o galego, Portugal e o português, Espanha e o espanhol é vista sob luzes muito diferentes, a depender do partido a que pertença o galego com quem se fala.

          Quando digo que não devemos deixar-nos afetar, não quero dizer que não nos devam interessar nem que não sejam interessantes essas questões: só não são nossas.

          Se galegos ou portugueses, por questões identitárias diferentes das nossas (todos os povos as têm, em alguma medida), sentem a necessidade de se afirmar perante o inglês, talvez porque as línguas que falam têm o mesmo nome das suas nacionalidades, nós, que falamos uma língua cujo nome não é o mesmo da nossa nacionalidade, não temos nada que ver com isto, e podemos e devemos assimilar estrangeirismos se nos parecerem indispensáveis, úteis ou até mesmo, muito simplesmente, divertidos. Não seremos menos brasileiros por isso: na verdade, seremos mais, porque os brasileiros somos uma fusão de culturas dos quatro cantos do planeta, como, de resto, é comum a todos os povos do já nem tão novo Novo Mundo.

          Por fim, se dizer mouse é demonstrar subserviência ao inglês, dizer rato não é demonstrá-la menos, já que se trata de mera tradução de nome cunhado por outro povo, que bem poderia ter sido substituído por outro, que poderia até ter sido analítico, descritivo da função que o objeto desempenha, mas nem este nome alteraria a realidade, muito mais relevante, de que não são povos falantes do português a disseminar inovações que estão reconfigurando o mundo, denominadas na língua que falam e entranhadas em todas as demais línguas com os seus nomes de batismo. Dizer rato é lutar contra moinhos de vento, do que os espanhóis parecem gostar há já cinco séculos…

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        • Caro João,
          Moi interessante opiniom. Tamém algo longa… mais nom dis nengũa verba desnecessária. Ũa excelente da realidade linguística da Galiza, Portugal, Espanha e o Brasil.
          Com respeito ao do “rato”… sim é certo que é ũa mera traduçom de “mouse” e que puidemos ter inventado outro termo… tamém puidemos ter inventado esse aparelho ou ter ido à Lua… pero já vês. O certo é que nom é ũa invençom nossa e a traduçom do termo nom era ũa má opçom. Após tudo, o “mouse” designava um animalinho bem conhecido, que na nossa língua lhe chamamos “rato”. Se aos estado-unidenses lhes deu por denominar à sua nova invençom co mesmo nome có do animal, nom havia razom pra que nossoutros nom figéssemo-la traduçom do termo. Se lhe chamassem dog, nossoutros chamaríamos-lhe can; se lhe chamassem cat, chamaríamos-lhe gato… Tamém puidérom os estado-unidenses ter inventado um nome mais descritivo, nós limitámo-nos a traduzilo vocábulo.
          Que dizer “rato” é loitar contra moinhos de vento? Será, pero nom nos está indo mal a cousa.

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  5. Embora eu use a língua galega, seja galego e defenda que português e galego nom som mais ca duas denominações diferentes pra mesma língua; tamém sou espanhol. Quiçais, por isso, me custe tanto entendela vossa teima de aceitar usar estrangeirismos; assim sem mais. Na Espanha nom aceitamos isso de boas, temos d´oponher resistência. De feito, se apanhares um texto escrito no castelão atual; podes ver que nom é que haja ũa grande cantidade d´estrangeirismos. Sim que os há, mais som poucos.
    Ao final, as línguas estám todas em guerra. Ũa guerra na que calquer método é válido, sempre que se obtenha o resultado desejado.

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    • Caro,

      Nós é que não entendemos, ou, ao menos, não entendo eu, a visão de que as línguas estejam todas em guerra. Ainda que estivessem, a pior estratégia para combater o invasor seria opor feroz resistência às suas incursões menos relevantes: a influência que os Estados Unidos exercem sobre todo o mundo, muito menor do que apregoam os anti-americanos, mas ainda assim muito grande, vem menos da línhua do que dos produtos culturais que exportam ao mundo inteiro, independentemente de serem devidamente dublados (dobrados) para os diversos idiomais nacionais dos países importadores.

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    • “game” é uma espécie de abreviação de “videogame”. São alternativas disponíveis aos falantes. No fim, enriqueceu a língua. Enriquecer a língua é melhor que empobrecer.

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        • Caro,

          É preciso tomar cuidado com os termos. Uma língua não se torna crioulo por incorporar palavras estrangeiras. Os crioulos apresentam diferenças estruturais profundas relativamente às línguas que lhes serviram de base, o que não é o caso do português brasileiro em relação à variante europeia.

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      • Nom tal. Se tôdolos brasileiros se pugessem a usar “game” em vez de “jogo”, ula riqueza?
        Nesse caso, a forma vernácula rematou sendo substituída polo anglicismo. Isso é empobrecimento.
        Mais, ti dis que a voz do povo é quem manda. A forma da maioria é a quem tem de ser usada. D´acordo. Aplicámelo teu critério pra configuraçom do verdadeiro galego normativo (o da Galiza): conexo, lentexa, ghueves, sótano, suelo, rodilla, xaula, llanta, abuelo, dios, iglesia, capilla, bombilla, carreteira, primaveira, sinceiro, panteira, cuna, xudías, estuche, guisantes, acera, coche, intermitente, tornillo, destornillador, enchufe…
        Todos estes som os termos maioritários na Galiza e, segundo o teu critério, as formas que deveriam ser normativas na Galiza. Julga ti mesmo.

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        • Mais, ti dis que a voz do povo é quem manda.

          Eu não disse que a voz do povo é quem manda. O que eu disse foi: “Sobre os estrangeirismos, penso com o famoso ditado popular que diz que ‘a voz do povo é a voz de Deus’. O que a maioria do povo pensa e diz é que está certo e vale“.

          Traduzindo em miúdos, não há como impedir o estrangeirismo, é uma luta inglória e, afinal, use-o quem quiser, não é obrigatório, pois a língua dispõe de variadas alternativas, para todos os gostos. O tempo acaba dizendo se determinado estrangeirismo é bom ou não para a língua; se for bom ele acabará se incorporando à língua e se não for bom cairá no esquecimento.

          Eu sou um otimista e penso que os sinônimos foram feitos para serem usados. Se não gosto de um vocábulo, estrangeirismo ou não, uso o sinônimo. No passado eu também reagia contra algumas importações. Depois, “caí na real”. E também não tomo partido e nem polemizo.

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        • Eu acho que nom é ũa luta tam inglória como dis. Mais é certo que o seu uso nom é obrigatório.
          Respeito ao tempo… As formas que citei anteriormente têm séculos d´história… e nom por isso as incorporou a Real Academia Galega ao galego normativo. Agora há menos galegofalantes ca antes. Mais a proporçom deles que usa “coelho” em vez de “conexo” é maior ca há 50 anos.
          Nom sempre é ũa loita perdida. Se nom se prova, nom se sabe. O que nom se pode fazer é render-se. Mais isso nom é o pior… o pior é nem intentá-lo.

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  6. […] E iso semella que segue a pesar, que como un fala galego xa é de abondo, sen se preocupar por se ese galego está deturpado ou inzado de castelanismos. E iso non. Que entraron castelanismos no idioma? Pois hai que limpalos e para iso debemos coñecer o galego. E a nosa ferramenta, profesores, xornalistas, todos os que escriben en galego, é o galego. E debemos de preocuparnos por perfeccionalo. […]
    Fonte: http://www.sermosgaliza.gal/articulo/lingua/nesta-decada-sufrimos-grave-regresion-do-galego-medios-comunicacion-ensino-administracion/20170316185135055780.html

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  7. O castelão é o grande inimigo da nossa língua, na Galiza. É natural que nom aceitemos que agora nos venham com anglicismos, já que nom queremos que causem a mesma desfeita no galego que fez o castelão. Por mor d´usar castelanismos sem reparo nengum, o galego case remata convertendo-se num simples dialeto do castelão. Por sorte, conseguiu evitar-se isso; por agora. Em boa parte, isso se deve a que; mália que no galego popular se usavam moitos castelanismos, nom se admitírom no galego normativo. E, bom, vamos tirando. Polo tanto, que agora nos venha o inglês… Sinto-o, mais já tivemos que aturar abondo.

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