esnórquel, aportuguesamento de snorkel, nos dicionários Houaiss e Michaelis

Family snorkeling in tropical water

Vemos com muita frequência a grafia inglesa “snorkel” para se referir ao tubo, parte do equipamento de mergulho, que serve para respirar com o rosto sob a água. Não tem por quê: o dicionário Houaiss, o dicionário Michaelis e o dicionário Estraviz já trazem o aportuguesamento esnórquel, perfeito do ponto de vista ortográfico e já muito empregado em literatura.

A palavra esnórquel, em português, precisa de acento por se tratar uma palavra paroxítona terminada em “L” – como horrívelamávelmóvelpádel. As palavras terminadas em “L” sem nenhum acento gráfico são oxítonas: papelaluguelanilgeral, futebol

O plural, regular, é esnórqueis.

10 comentários sobre “esnórquel, aportuguesamento de snorkel, nos dicionários Houaiss e Michaelis

    • Propõe inventar nomes, como “ludopédio” e “convescote”? A experiência nos tem mostrado que esse tipo de invenções já nasce fadado ao fracasso… De resto, não me choca isso de pegarmos termos de outras línguas. Praticamente toda palavra do português, afinal, foi um empréstimo do galego, ou do francês, ou do espanhol, ou do inglês, ou do grego, etc., etc., etc.

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      • O português não pediu nada emprestado ao galego, mas sim evoluiu deste como este evoluiu do latim. Nem tampouco a mim me choca que o português tome emprestados de outras línguas alguns termos, mas que o faça toda a vez em que algo é criado não me parece defensável. Em alguns casos, nós, brasileiros, cunhamos termos que os portugueses mantém no original; noutros, dá-se o contrário, como, por exemplo, se passou com “rato”, nome que se dá em Portugal ao “mouse”.

        Chamar “ludopédio” ao futebol e “convescote” ao piquenique é ridículo hoje, mas não sei se o foi ontem, e, se o foi, não o terá sido tanto quanto hoje nos soa ridículo fazê-lo, passadas tantas décadas da incorporação dessas palavras ao português. Se a postura tivesse sido outra no passado, ludopédio e convescote não causariam surpresa a ninguém, como a ninguém espanta ouvir, num restaurante, o freguês pedir o cardápio ao garçon (a quem eu sempre chamei, e chamo, “moço”, sem que ninguém se espante por isso, exceto alguns que acham polido o galicismo).

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      • Só para a informação dos leitores que, porventura, o desconheçam, cardápio é da lavra do mesmo homem que inventou ludopédio e convescote: o latinista brasileiro Antônio de Castro Lopes (1827-1901).

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      • É certo que “ludopédio” não é moi usada arestora no português, mais não ocorreu o mesmo no italiano com “calcio”.
        A maioria das vezes fracassa…, mais não sempre. Como dixo José só no início se podem criar novas palavras. Por exemplo, “calcio” criou-se na Itália na década dos 1930 (penso que o feito de que a Itália estivesse numa ditadura ajudou a que se propagasse “calcio”); mais se fose criada hoje teria moi pouco sucesso, dado que o anglicismo estaria moi estendido.

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  1. Caro José, agradeço os comentários. Mas, pessoalmente, como disse, acho um esforço inútil tentar evitar a entrada de estrangeirismos e substituí-los por formas “vernáculas”. Já pensei diferentemente, mas hoje estou convicto de que, além de ser uma batalha que jamais se poderia ganhar, a entrada de estrangeirismos é fenômeno inerente a toda língua viva e não faz nenhum mal, antes o contrário: o português é que saiu ganhando ao receber/criar a palavra garçom para designar especificamente uma profissão – especificidade que a própria língua francesa não tem. Melhor para nós.

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    • E (embora admita que até pouco tempo atrás eu mesmo pensasse diferentemente, mas penso ter evoluído a esse respeito) a verdade é que hoje não vejo por que uma palavra portuguesa (garçom) copiada do francês no séc. XIX seria “nociva” à língua, ou mesmo “pior” do que outra palavra, “moço”, que quase certamente apenas copiamos dos espanhóis (mozo) alguns séculos antes.

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      • Caro,

        A minha rejeição a estrangeirismos é moderada, e, por isso, estamos quase de acordo. Que eu chame moço ao garçom é menos uma defesa deliberada do nosso patrimônio linguístico que reflexo do costume, pois era assim que ouvia o meu pai chamar a quem lhe atendia à mesa. Outros tantos barbarismos que não mais o são saem da minha boca ou chegam aos meus ouvidos sem que me dê conta deles

        No entanto, acho que, logo no início, era evitável usar “mouse” em vez de “rato”, por exemplo. Lembro-me de me ter deparado com alguns exemplos de palavras que, diferentemente do que se passou no caso supracitado, os portugueses usam termos em inglês que nós aportuguesamos.

        Enfim, a resistência inicial pode ser efetiva nos casos em que se justifica, e os casos em que se justifica são aqueles em que há substituto ou em que se pode cunhar, sem dificuldade, um substituto curto e preciso, com vocação para generalizar-se.

        De qualquer modo, não sou dos que batem no peito com o punho fechado a dizer que, enquanto vida tiverem, lutarão contra a incorporação dos barbarismos, que desfiguram a Língua Portuguesa.

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  2. Uma correção para a maior clareza do que escrevi: “Lembro-me de me ter deparado com alguns exemplos de palavras que, diferentemente do que se passou no caso supracitado, os portugueses usam em inglês, mas que nós aportuguesamos”.

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