Falta nos dicionários: revistaria

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Ainda consigo me surpreender com a ausência nos dicionários de certas palavras que me parecem básicas. Hoje, espantou-me não encontrar o substantivo revistaria: nem o Aurélio nem o Houaiss trazem a palavra. O Aulete e os dicionários portugueses igualmente a ignoram. Cresci acostumado a ir todo sábado, com meu pai, à autointitulada revistaria do bairro, de modo que sei que a palavra é usada no Brasil há pelo menos algumas décadas.

De resto, a palavra está bem formada – o sufixo “-aria” é o tradicional da língua portuguesa para nomear estabelecimentos: churrascaria, livraria, papelaria, pastelaria, pizzaria, tabacaria.

Um pequeno lapso de nossos dicionários, portanto.

(Veja aqui uma compilação das postagens sobre palavras que faltam nos dicionários.)

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7 comentários sobre “Falta nos dicionários: revistaria

  1. Vi um estabelecimento que vende açaí se chamar açaíteria X, mas está claro que o “te” vem por cruzamento com sorveteria. Por outro lado, açaíeria me parece estranho. Como se poderia chamar a esse estabelecimento? Açaiaria?

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    • O sufixo “-aria” de fato é o tradicional em português para formar tipos de estabelecimentos – churrascaria, livraria, papelaria, pastelaria, pizzaria, tabacaria… Mas nem toda palavra se presta a essa sufixação – não usamos nomes assim para um local que venda picolé, por exemplo; ou nhoque, ou celulares, ou refrigerante… Assim que fico com “loja de açaí” ou “restaurante de açaí” mesmo. Já “açaiteria”, como você mesmo diz, só pode ser entendida como uma mistura engraçadinha de açaí com sorveteria… e espero que fique nisso.

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      • Já que falou em sorveteria, lembrei-me que outra palavra que ainda não vi em dicionários é “picolezeiro”, mas já vi fora dos dicionários. Uma apresentadora de TV usa este vocábulo ao falar de certo ator de TV famoso no passado que hoje sobrevive como picolezeiro (vendendo picolés) na porta do zoológico de São Paulo [Ator famoso sobrevive vendendo picolés – YouTube].

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  2. Olá. A gramática nacional está em crise; também qualquer um pode escrever em sites ou revistas; não segue as regras da língua portuguesa, não tem a menor noção o que está redigindo. Temos acompanhado as novidades que surgem a cada dia. Sabemos que o brasileiro não é chegado a pesquisar a fonte que lê; acaba adotando o termo que leu.
    Não demora muito palavras escritas incorretamente farão parte do léxico por conta do uso popular. É normal. Só que assim o nosso idioma vai se descaracterizando cada vez mais; já sofre frequentemente com as reformas esdrúxulas da sua ortografia que são aprovadas.
    Termos como revistaria, açaiteria, petiscaria até que são aceitáveis. Mas pluralizar os exes-maridos de fulana ou de fulano; a bebê nasceu, tenha dó.
    Até então, quando os palestrantes se dirigiam ao público dizendo “prezados senhores, boa noite.” Todo mundo se sentia incluído, homens, mulheres, crianças, idosos e idosas. Agora se exige descriminalização de gêneros. Falta-nos o artigo neutro como ocorre na língua inglesa…
    Faz pouco tempo chegaram a usar o gerúndio; felizmente esse modismo cedeu…
    Existe ainda a problemática da concordância com o gênero masculino. Compreende-se que a gramática teve teores machistas; o movimento feminista está atento às mudanças.

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