A pronúncia da sigla IPHAN é “ifan” (“ifã”)

iphan

Um leitor pediu um comentário sobre a pronúncia de IPHAN, sigla pela qual é nacionalmente conhecido o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Resposta: a pronúncia de IPHAN é “ifan” (isto é, “ifã“). Por quê? Simplesmente porque essa é pronúncia usada, atualmente e desde a criação do Instituto, por seus servidores, dirigentes, funcionários, pelo Ministério da Cultura, pela imprensa e por todos aqueles que têm relação com o Instituto.

O leitor fez o desfavor de encaminhar-me esta resposta, de uma comentarista portuguesa, que “ensina” a um brasileiro que a sigla em questão não poderia ser lida “ifan” porque “não existe” mais “ph” com som de “f” em português.

A palpiteira revela ignorância, por ao menos duas razões. Em primeiro lugar: ao contrário do que afirma, existem, sim, palavras com “ph” pronunciado como “f” em português – os dicionários registram, por exemplo, os substantivos portugueses westphalense ou phillipsita, com “ph” pronunciado como “f”.

Em segundo lugar: como todo falante de qualquer língua deveria saber, nomes próprios se pronunciam como se pronunciam, ainda que muitas vezes contrariando as regras ortográficas tradicionais – algo que o próprio Acordo Ortográfico de 1990 admite, ao enfatizar que muitos nomes próprios (e seus derivados) têm sequências de letras estranhas à ortografia portuguesa padrão – que devem, no entanto, ser respeitadas.

Assim, todo brasileiro de bom senso pronuncia “Petrobrás”, porque sabe que essa é a pronúncia usada pela própria estatal, ainda que o nome da empresa se escreva sem acento; assim como sabem que Mercosul se pronuncia “Mercossul”, ainda que só tenha um “s”; e que a SUDAM (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) é pronunciada “SuDÔ (em vez de rimar, como quereriam os puristas, com “ajudam”), e que o nome da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) se pronuncia “Urgs”, sem “f”. E por quê? Porque é assim que o fazem as pessoas que lidam com essas instituições diariamente, simples assim.

Ou, em outras palavras: pelo mesmo motivo que há no Brasil vários Philipes cujos nomes se pronunciam com “fi”, não “pi”, e vários Sergios ou Antonios sem acentos, mas que toda pessoa de bom senso sabe que deve pronunciar como se acentos tivessem, porque é assim que pronunciam os próprios donos do nome, e a regra (que, mais que de cortesia, é a do bom senso), nos casos de nomes próprios, é seguir a pronúncia dos próprios interessados.

9 comentários sobre “A pronúncia da sigla IPHAN é “ifan” (“ifã”)

  1. Não tem nada que ver com o novo acordo, porque o texto em questão é anterior. Tem que ver antes com a mania de nos metermos em assuntos alheios. O Ciberdúvidas não deve pronunciar-se sobre assuntos do português do Brasil, a não ser que arranje um colaborador brasileiro. A língua é a mesma, mas o português brasileiro já tem uma história, e uma tradição, muito própria.

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  2. Eu já nunca sei se esse tipo de comentário, a de tudo tudo culpar o Acordo Ortográfico, são a sério ou se são ironia. Mas é verdade que não é de hoje que o Ciberdúvidas passa vergonha a falar sobre português brasileiro sem aparentemente nada saber sobre variantes não lisboetas da língua…

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