Madri ou Madrid? Na nova ortografia, o certo é sempre Madrid

madrid

Pelo menos uma coisa a coordenadora Patrícia Lima Ferraz, que tirou licença médica e foi passear na Espanha, fez certo: escreveu corretamente o nome da capital espanhola, Madrid – com “d”,  como manda explicitamente o Acordo Ortográfico vigente (e não como, erroneamente, ainda escreve a imprensa brasileira, que se meteu a aplicar o Acordo, mas dele só leu o resuminho).

Qualquer pessoa que diga que o Acordo Ortográfico admite as duas formas – Madrid e Madri – ou não leu o texto do Acordo, ou, se o leu, entendeu exatamente o contrário do que está claramente escrito. Porque o texto do Acordo (vejam aqui a versão oficial, publicada na página do Palácio do Planalto) é explícito:


“5º) As consoantes finais grafadas b, c, d, g e t mantêm-se, quer sejam mudas, quer proferidas, nas formas onomásticas em que o uso as consagrou, nomeadamente antropônimos [nomes de pessoas] e topônimos [nomes de lugares] da tradição bíblica: Jacob, Job, Moab, Isaac; David, Gad; Gog, Magog; Bensabat, Josafat. 

Integram-se também nesta forma: Cid, em que o d é sempre pronunciado; Madrid e Valhadolid, em que o d ora é pronunciado, ora não; e Calecut ou Calicut, em que o t se encontra nas mesmas condições. 

Nada impede, entretanto, que dos antropônimos em apreço sejam usados sem a consoante final Jó, Davi e Jacó.”


Não há outra interpretação possível: o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, aprovado pelo Congresso Nacional e com força de lei no Brasil, determina que, independentemente de o “d” de Madrid ser pronunciado ou não, deve-se escrever Madrid.

5 comentários sobre “Madri ou Madrid? Na nova ortografia, o certo é sempre Madrid

  1. Aparentemente o dono aqui me apagou, mas como sei que o Guégués dá sempre espiadelas aqui, e como ele lá na página dele nunca aceita meus comentários quando o corrijo (e como este é a unica das paginas de português com espaço para comentários públicos), aqui reposto: está errado o Guégués quando diz que Corunha se usa sem artigo em português. Se não tem familiaridade com a cidade da Corunha, abra o José Pedro Machado, ou o dicionário Porto Editora (verbete corunhês), o Priberam… Já hoje o Guégués faz como os jornalistas brasileiros: não sabe que o Acordo Ortográfico expressamente manda escrever Kwanza e não Cuanza. Ou seja, nunca leu o acordo que tanto critica…

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  2. “”Nada impede, entretanto, que dos antropônimos em apreço sejam usados sem a consoante final Jó, Davi e Jacó.””
    A confusão sobre Madri ou Madrid vem do texto acima, que foi mal compreendido ou mal lido pelos que acham ser facultativo usar ou não o “d” final. O texto é claro quando diz “dos antropônimos em apreço”, ou daqueles citados acima, apenas Jó, David e Jacob podem ser escritos sem as consoantes finais.

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    • É bem possível, sim, que tenha havido quem não saiba o que é antropônimo (nome de gente) e achado que o texto, embora bastante claro, se referisse também aos topônimos (nomes de lugar) mencionados, como Madrid. Mas, mais que isso, o que parece mesmo é que quase ninguém no Brasil sequer leu o texto do Acordo, apenas os resumões com as mudanças mais óbvias, eles próprios feitos por gente que não leu o texto todo – como se vê também no fato de tantos meios de imprensa que dizem seguir o Acordo Ortográfico continuarem a escrever Singapura com C, ainda que o Acordo não pudesse ser mais explícito quanto à grafia correta (com S).

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