Em português, os sobrenomes têm plural

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Ao contrário do que diz o jornal Diário de Notícias, não foi a cadela dos Obama que mordeu uma visitante na Casa Branca – foi a cadela dos Obamas.

Em português, os nomes, inclusive os nomes de família (sobrenomes), sempre tiveram plural como qualquer substantivo da língua portuguesa: uma das obras-primas de Eça de Queiroz (por muitos considerado o maior escritos português) foi aquela chamada “Os Maias” (e não *Os Maia); os membros daquela família imperial eram os Braganças, e não *os Bragança; e uma das famílias mais conhecidas da televisão mundial é a dos Simpsons (e não *os Simpson).

Assim, não há por que falar em “os Obama“, “dos Obama” – o certo é “os Obamas“, “dos Obamas“.

Os nomes próprios (tanto prenomes quanto sobrenomes) portugueses seguem as mesmas regras de formação dos substantivos comuns: o Raul, os Rauiso Benjamim, os Benjamins; o Cabral, os Cabraisa Ester, as Esteres; o Mateus, os Mateusa Raquel, as Raquéiso Rafael, os Rafaéis.

Já os nomes estrangeiros normalmente recebem plural, em português, pela adição de um “s”: os Amins, os Bismarcks, os Clintons, os Husseins, os Isaacs, os Kennedys, os Kirchners, os Lafers, os Medvedevs, os Müllers, os Rousseffs, os Sarkozys – com a exceção daqueles já terminados em “s” ou “z”, que permanecem invariáveis: os Chávez (como os Chaves), etc.

6 comentários sobre “Em português, os sobrenomes têm plural

  1. Boa tarde.
    Aproveitando-me desta oportunidade, como ficaria o plural de nomes ou sobrenomes compostos? Chamo-me Paulo Henrique. Havendo mais de um, seriam os “Paulos Henriques”, “Paulos Henrique” ou “Paulo Henriques”?
    Obrigado.

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    • Olá, Betty! Obrigado pelo elogio – e desculpas pela demora em responder. Nos exemplos colhidos de bons autores, vê-se que, modernamente, quando há a palavra “irmãos”, o sobrenome fica no singular (como também ocorre com a palavra família: “os Maias”, mas “a família Maia”).

      Seguem alguns exemplos que colhi: “…a amizade de Camilo Castelo Branco com os irmãos Barbosa e Silva”; “…os irmãos Sutil, os irmãos Maciel…”; “Os irmãos Corte-Real”; “os irmãos Vitale”, “os irmãos Karamazov”, “os irmãos Wright”, “os irmãos Lumière”, “os irmãos Grimm”.

      Em textos não contemporâneos, mais antigos, encontro, porém, muitos exemplos em que se fazia a flexão: “os irmãos Albuquerques”, “os irmãos Andradas”. Em tese, diria que, embora antigamente se fizesse frequentemente a flexão (pelos menos no caso de sobrenomes portugueses), hoje o padrão é o uso no singular.

      Curtido por 2 pessoas

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