A pronúncia de Alsácia: “Alzácia”?

alsa1

Alsácia é uma região da França, na fronteira com a Alemanha e com a Suíça, e cuja maior cidade é Estrasburgo. A pergunta recebida é como se pronuncia Alsácia em português – o “s” tem som de “z” (“Alzácia”) ou de “ss” (“Alssácia”/”Alçácia”).

Em francês (Alsace) e em alemão (Elsass), esse “sa” seguido de “l” tem som de “z” nesse nome. Por essa razão, há quem diga, também em português, “Alzácia“.

Mas, de acordo com os dicionários portugueses e brasileiros que indicam a pronúncia correta das palavras, a pronúncia em português é mesmo “Alssácia“:  o “s” de Alsácia tem o som de ss – como, aliás, é regra em se tratando de “s” após consoante; o “s” de Alsácia tem o mesmo som de outras letras s na mesma situação, como em “valsa”, “Celso” ou “malsucedido”.

18 comentários sobre “A pronúncia de Alsácia: “Alzácia”?

  1. A única exceção é obséquio, que se pronuncia, exclusivamente, como “ôbzéquiu”? Ou já se aceita que subsídio também se pronuncie como “subzídiu”?

    Curtir

    • Obséquio, obsequiar e derivados sempre se pronunciaram com som de -z-, pois vêm da mesma família que exéquias (e inclusive se escreviam obzéquio, etc. antigamente).

      Também subsistir, subsistência e derivados se pronunciam com som de z, pela relação com existir e afins.

      Já subsídio, subsidiar e afins só admitem, em pronúncia culta, a prolação subss-.

      Curtir

      • Eu sou contra reformas ortográficas em geral, ainda que bem feitas (tem hífen? Deus!), por ser contra a intervenção do Estado nesse domínio por princípio, mas casos como esses me fazem ver com bons olhos algumas propostas simplificadoras.

        Se já existisse em 1911, e fosse português, teria sido contra a reforma, mas, já que nasci depois de feitas algumas reformas, posso dizer que foram para o bem. E, embora fosse contra outra pelo motivo já exposto, se se fizesse outra que nos “puzessi a escrevê tau comu falamus, ainda ki isu doesi muitu a alguns, até a mim, iniciaumenti, a aceitaria com u tempu”.

        “É orríveu? Eu achu u suecu escritu a língua ocidentau mais feia ki existi, i, nu intantu, elis têm norma ortográfica também. E devem achar bunita a grafia das suas próprias palavras, comu um apaixonadu pela língua portuguesa acha bunita a grafia das palavras portuguesas. Si pasásemus a escrevê assim, em duas gerações já haveria amantis desa grafia também”.

        E olhe que eu sei escrever com extrema correção ortográfica e gramatical, de modo que poderia ser ultraconservador, e sou quando escrevo, mas não cago regras para os outros, por isso me oponho a reformas em geral, o que não me impede de ver o absurdo que é a profusão de sons que algumas letras têm, ou a profusão de letras que representam o mesmo som.

        Curtir

        • Não há mensagem alguma. Disse somente que me espanta a profusão de grafias a ponto de eu compreender que se defendam reformas ortográficas, inclusive as mais radicais, embora eu seja contra todas elas, por princípio.

          Curtir

        • E ainda que, embora seja contra todas elas, por princípio, não morreria nem mataria para conservar a grafia atual: se a mudassem, eu não o lamentaria nem por um minuto, ainda que me tivesse oposto à mudança até o minuto anterior à sua efetivação.

          Curtir

        • Primeiro, nom se fala igual em toda a galaicofonia nem em todo o Brasil. Isso dificulta que o Brasil possa tomar ũa açom disse tipo. E, segundo, se ponhermo-nos a escrever como falamos (algo bastante difícil de lograr ò 100%); nom seria “averia”? E tamém poderíamos eliminalos “c” antes de “e” e “i” e substitui-los por “z”. Os “c” antes de a,o,u e os “q” (ou “qu”) por “k”. Os “h” mudos, fora. Élio, orrível, keixo, zerto, fazilitar, kestom, ke…
          De todas issas opções, acho que a única “realista é a de tirar tôdolos “h” mudos.

          Curtir

        • Veja, eu não propus que se fizesse tal reforma. Deixei claro que sou, por princípio, contra reformas ortográficas. Não teria apoiado nem a de 1911. O inglês não tem ortografia oficial nem academia da língua e está muito bem, obrigado.

          Eu apenas manifestei o meu espanto com a profusão de fonemas representados por uma única letra.

          Apesar de achar o agá inútil, prefiro que o Estado não se meta mais uma vez com a ortografia.

          Quanto à variação ortográfica, ela já existe, pois a fala frequentemente interfere na escrita. A única diferença é que, hoje, em vez de se considerar correta a grafia que deixa entrever a interferência da fala, considera-se incorreta porque não se amolda à ortografia fixada pelo Estado.

          Eu entendo o propósito da unidade, mas penso como o Fernando Venâncio: a deriva das variantes do português é inevitável e tende a aprofundar-se. A unidade ortográfica é só uma tentativa desesperada e equivocada de frear esse processo, que é próprio da evolução das variantes.

          A propósito, ontem mesmo lia sobre a evolução do português brasileiro. Para a minha surpresa, li dois excelentes artigos dos crioulistas John McWhorter e Mikael Parkvall, para os quais, diferentemente do que têm defendido outros acadêmicos, as reestruturações havidas no português vernacular brasileiro comparativamente ao português europeu padrão, por muitas e relevantes que sejam, são ainda assim superficiais demais para serem atribuídas, necessariamente, a algum processo de descrioulização de algum preexistente crioulo de base portuguesa no Brasil, de cuja existência não há registro histórico algum, ou mesmo de transmissão interrompida, ademais de se verificarem em diversas línguas que, sabidamente, não são línguas de contato, como o sueco, por exemplo, que sofreu redução dos paradigmas verbais, de gênero e número etc. Ele argumenta que nenhum dos traços distintivos do português vernacular brasileiro exige, para ser explicado, que se pressuponha ter havido um crioulo ou semi-crioulo de base portuguesa no Brasil que passasse por um processo de descrioulização, pois todas essas reestruturações podem ser também explicadas por processos internos à própria língua. Ademais, como já disse, não há registro histórico de crioulos de base portuguesa no Brasil, e as línguas indígenas e africanas não deixaram no português brasileiro nenhum traço visível fora do léxico (como também já disse, as inovações do PB vernacular podem ser explicadas por tendências intrínsecas ao próprio sistema linguístico português).

          Por que disse tudo isso?

          Para ressaltar que é mesmo próprio da evolução das línguas o surgimento de variantes por tendências intrínsecas à própria língua, variantes essas que, com o tempo, tendem a transformar-se em línguas diferentes, também por tendências internas à própria língua, isto é, a transformação de uma das variantes noutra língua não exige que essa variante seja afetada pelos estratos linguísticos com que tomou contato: ainda que os portugueses tivessem chegado a um Brasil completamente desabitado e para cá não tivessem trazido um só africano, mas apenas portugueses, o português vernacular brasileiro seria hoje diferente do português europeu padrão, devido a mudanças que ocorreriam por tendências internas à própria língua. Não há esforço artificial de unidade que pare esse processo, que é natural.

          Curtir

        • Em tempo: o Mikael Parkvall não exclui a possibilidade de que houvesse um crioulo brasileiro de base portuguesa que passasse por um processo de descrioulização, o qual poderia, sim, explicar traços próprios do português vernacular brasileiro. Ele apenas diz que não é necessário pressupor essa possibilidade para explicar os traços distintivos do português vernacular brasileiro, que podem ser também explicados por mudanças decorrentes de tendências intrínsecas à própria língua. Ele é enfático, no entanto, sobre a inexistência de registros históricos de crioulos de base portuguesa no Brasil e explica que a maioria dos estudiosos que defendeu a hipótese da crioulização, ao não encontrar base empírica que a apoiasse, apelou para o bom senso, perguntando, retoricamente, como não poderia ter havido crioulos portugueses no Brasil, dado que dois terços dos habitantes eram escravos até a segunda metade fo século XIX. No entanto, ele lembra que estudos recentes demonstram que nem sempre o contato linguístico prolongado leva à formação de crioulos e que pode até mesmo se dar o caso de uma inteira geração deixar de falar, depois de adulta, a sua língua materna para falar outra, aprendida, sem que se forme um crioulo.

          Enfim, se o português brasileiro pode muito bem se ter formado por fatores de mudança de que já estava prenhe o português que aqui chegou no início da colonização, achar que uma ortografia única se pode pôr no caminho de tal força da natureza das línguas é mesmo irrazoável.

          Curtir

    • E cal a língua própria disses logares? Na Galiza, o galego começa a ser minoritário e o castelão, maioritário. De fato, apenas um 10% da mocidade fala galego. No entanto, é evidente que a língua própria da Galiza é o galego e que o castelão é ũa língua invasora.
      Na Alsácia e Lorena passa algo similar e levam toda a vida falando francês?

      Curtir

      • O francês só se consolidou na Alsácia por volta da II Guerra; a língua própria da região se chama alsaciano, que é um dialeto alto-alemânico. O engraçado é que, apesar de todos os esforços que a França teve para galicizar a Alsácia desde a Revolução Francesa, foi principalmente o período entre-guerras que contribuiu para a adoção do francês, como que por rejeição da cultura alemã, então país mais odiado da Europa. A anexação da Alsácia e da Lorena pelo III Reich acelerou ainda mais o processo. Claro que tudo isso contava também com a propaganda francesa (“il est chic de parler français !”) e da escolarização forçada em francês.
        Apesar de tudo isso, cerca de 30% dos alsacianos ainda falam alsaciano, e outros tantos conseguem entender.

        Curtido por 2 pessoas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s