Pronúncia de “mise en place”

Contam-me que “em programa de culinária ontem de manhã, a atriz Claudia Ohana discutiu com Ana Maria Braga sobre um termo em francês muito falado na cozinha, mise en place, que quer dizer colocar em ordem os ingredientes antes de seu preparo.”

No vídeo, vemos que Claudia Ohana pronuncia “mise en plá” e “ensina” a apresentadora (que pronuncia “mise en place”, corretamente, “mizampláss”) com o argumento de que a atriz sabe falar francês, e que em francês se diz “plá“. Está errada.

É surpreendentemente comum isso de que quem corrige arrogantemente os outros costuma ser quem está errado; no caso, Ohana, que diz que “é que eu sei falar francês” estava errada: “place” se pronuncia mesmo “plass“, e não “plá”.

(Talvez ela tenha confundido place, lugar, com plat, prato, que de fato se pronuncia plá em francês.)

De resto, programas de culinária já renderam dúvidas interessantes aqui na página, como aquelas sobre os neologismos crocância empratar e empratamento.

 

2 comentários sobre “Pronúncia de “mise en place”

  1. A curiosidade mórbida levou-me a assistir ao vídeo (oh, Senhor, concedei-me ser mais sábio que isto!). Ambas conseguem a proeza de estar erradas, independentemente de quem estava certa quanto ao mérito. A apresentadora não fez mal em corrigir, elegantemente, pela primeira vez o erro da atriz. É certo que a boa educação exige que se corrija alguém em particular, mas quando uma atriz comete erro em programa ao vivo, a apresentadora tem até o dever de, polidamente, corrigir o erro para evitar que o espectador o assimile, muito embora, nesse caso, seja de presumir que o espectador não assimilasse nem o certo nem o errado (e aqui não vai condenação alguma à falta de cultura do brasileiro médio, porque, mesmo que fosse culto, não teria obrigação alguma de falar francês nem mesmo de conhecer termos da culinária, se esta não lhe interessa). Mas, a partir da insistência arrogante da atriz no erro, a apresentadora errou em insistir no assunto, por dois motivos: quem insiste em ensinar algo a quem se recusa a aprender ou já acha que se sabe perde o seu tempo; o apresentador de um programa de televisão tem a obrigação de não constranger os seus convidados. Uma solução elegante que não teria comprometido o aprendizado do público teria sido explicar, noutro momento, o que significa a expressão e qual é realmente a pronúncia, embora ache isso excessivo, haja vista que, como disse, não interessa a quase ninguém saber como se pronúncia corretamente essa expressão. E aqui não vai nenhuma crítica indireta ao Dicionário e Gramática, porque a nós que o visitamos interessa, sim, saber, pois todos nós que vimos ao site frequentemente temos interesse em tudo o que concerne à língua portuguesa e às línguas em geral, interesse esse que, no entanto, não será o que leva o espectador a assistir ao programa da Ana Maria, conquanto alguns ou mesmo muitos dos seus espectadores possam, apesar disso, interessar-se por assuntos linguísticos.

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