Entre dicionários e enciclopédias, um consenso: nazistas são de extrema direita

É um consenso entre historiadores, dicionários e enciclopédias da Alemanha, de Israel, da França, da Inglaterra, do Japão, dos Estados Unidos, do Brasil: o nazismo e o fascismo foram movimentos autoritários de extrema direita. Que nazistas são de extrema direita é o que diz o partido de Angela Merkel na Alemanha, que é de direita e conservador. É o que diz o atual governo do Reino Unido, que é de direita e conservador. É o que diz Israel, cujo governo também é de direita e conservador. E é o que dizem os próprios neonazistas, que se dizem, eles próprios, de direita.

Que o nazismo, o fascismo e os neonazismos e neofascismos são de extrema direita é o que dizem todas as grandes enciclopédias do mundo, desde a prestigiosa (e capitalista) Encyclopedia Britannica até a Wikipedia. É o que dizem também os dicionários – de inglês, alemão, francês e português -, vide, por exemplo, o Aurélio, cujo autor nunca foi em vida acusado de ser comunista:

Aurelio

Até a VEJA, principal revista de direita do Brasil, chama de “bizarrice” a tentativa de associar nazismo à esquerda – vide reportagem “Hitler era de direita (mas por que se importar com isso?)

No Brasil (e só no Brasil), porém, pessoas de direita recentemente começaram a defender que o nazismo não era de direita, mas de esquerda. Uma “prova” dessa descoberta, que só teria sido feita pelos iluminados brasileiros de 2017, apesar de contrariar todos os cientistas políticos do mundo, é que o partido nazista se chamava “nacional socialista”. Se tinha socialista no nome, era socialista, não? O argumento faz tanto sentido quanto dizer que a Coreia do Norte, hoje a ditadura mais fechada do mundo, é com certeza democrática, já que o nome oficial do país é República Democrática Popular da Coreia. Ou basta lembrar que, em 1980, no meio do regime militar brasileiro, o partido de sustentação da ditadura mudou de nome, de ARENA para “Partido Democrático Social”. Nomes obviamente não significam nada.

Dizer que nazismo era de esquerda porque, como o stalinismo, defendia um estado grande, restrição da liberdades, ditadura – é admitir que não entende o que significam direita e esquerda. O que lhes falta é aprender que o espectro político não inclui apenas um eixo direita-esquerda, mas também um eixo “autoritarismo x liberalismo” – e que, desde sempre, existem regimes autoritários de direita e de esquerda, assim como existem os liberalismos de direita e de esquerda.

Faz sentido que alguém de direita liberal repudie o nazismo – e isso porque o nazismo (como direita autoritária que é) era não apenas oposto à esquerda, mas também igualmente oposto à direita liberal:

Sans titre

Lendo as definições de “esquerda”, “direita”, “extrema esquerda” e “extrema direita” no dicionário Houaiss e nos melhores dicionários americanos e europeus, é possível identificar alguns elementos que distinguem cada um desses quadrantes políticos:

Direita liberal: foco na defesa da propriedade privada; o Estado deve ser mínimo, e não interferir na vida dos cidadãos; o capitalismo é o melhor sistema existente, e, sem interferência do Estado, funciona da melhor forma possível.

Esquerda liberal: foco na promoção da igualdade; o capitalismo é inerentemente falho e cria e mantém distorções, que devem ser corrigidas pelo Estado; a religião deve ser excluída dos processos políticos e de tomada de decisões; imigração não deve ser proibida.

Extrema direita: Estado deve ser grande; nacionalista; Estado deve proteger os valores da nação, inclusive a religião; imigração é ruim para a nação; capitalismo é o melhor sistema; socialistas e comunistas são inimigos.

Extrema esquerda: Estado deve ser grande; comunista; a promoção da justiça social é mais importante do que respeitar a propriedade privada; religião deve ser excluída dos processos políticos e de tomada de decisões.

Entendendo tudo isso, não há como não entender por que, no mundo todo, o nazismo era considerado um movimento antiliberal, antidemocrático – mas de extrema direita, e jamais de extrema esquerda. Embora compartilhe com a extrema esquerda a defesa de um Estado grande e totalitário, as ditaduras de extrema direita defendem sempre o nacionalismo e os valores da nação, inclusive sua história, religião e composição, ao meso tempo em que defendem o capitalismo; à diferença das ditaduras de esquerda, que repudiam o capitalismo, a propriedade privada e a religião.

Insistir que nazismo é de esquerda, quando os próprios partidos e governos de direita na Alemanha, em Israel, no Reino Unido, nos EUA – no mundo todo – e os próprios neonazistas dizem exatamente o oposto é admitir não entender que a categorização política é mais complexa do que simplesmente “esquerda” e “direita”, e que é possível nazistas serem de direita (autoritária) e mesmo assim defenderem o oposto do que defende a direita liberal.

35 comentários sobre “Entre dicionários e enciclopédias, um consenso: nazistas são de extrema direita

    • O que o autor indiano argumenta no seu vídeo é que, na opinião dele, a esquerda americana atual tem elementos fascistas; não tem nada a ver com dizer que o nazismo de Hitler foi de esquerda. Essa teoria da conspiração é só de ignorantes brasileiros – os mesmos que dizem que a ditadura militar brasileira foi de esquerda – e que, basicamente, que todo mundo que já governou o Brasil era de esquerda, por acharam que “esquerda” significa “estatista” e direita significa “não estatista” – ignorância evidente do real significado dos conceitos políticos.

      Curtir

      • Eu tenho um amigo, libertário, que me chama socialista light, porque admito a necessidade de regulação econômica nos casos em que há concorrência imperfeita e externalidades, porque, nesses casos, há falha ínsita ao próprio mercado. Para extremistas, todos os que não estão no extremo estão à sua esquerda ou à sua direita, donde, para o meu amigo, eu, um liberal convicto, seria um socialista light. Agora, quem quer mais liberdade de mercado e menos Estado tende a igualar liberais como eu à esquerda social-democrata só por defender alguma regulação econômica. Eu estaria satisfeito se o espectro político no Brasil fosse da esquerda liberal à direita liberal: amargaríamos alguns anos de recessão devido às políticas equivocadas da esquerda liberal, mas nada parecido com a catástrofe que a esquerda autoritária, em que se inclui o PT, produziu.

        Curtir

        • É exatamente isso – quem é de extrema direita tenderá a dizer que quem é de direita moderada é “de esquerda”; do mesmo modo, quem é de extrema esquerda dirá que quem é de esquerda liberal é “de direita”; e, pela mesma razão, quem é de direita não autoritária (e não entende que não existe só “direita x esquerda”) tenderá a achar que, se a direita dos nazistas não é a mesma que a sua, então não deve ser direita – isto é, se (em sua ignorância) só existem “direita” e “esquerda”, então os nazistas são de esquerda. Simples ignorância.

          Curtir

        • O PT, pelos critérios aqui apresentados, é um partido que se posiciona hoje como esquerda liberal: faz acordos com empresários, favorecendo-os e se alia a partidos de centro-direita como o PMDB Durante os governos do PT não houveram nenhuma estatização de empresas e o governo trabalhou para reduzir o abismo social criando políticas afirmativas sem mexer nos sistemas. Jamais será esquerda autoritária, exceto na cabeça dos direitistas que acham que toda esquerda é autoritária.

          Curtir

        • Eu sou um liberal moderado, não acho que toda a esquerda seja autoritária – o PSDB é um partido de esquerda liberal, por exemplo -, mas o PT é, sim, um partido da esquerda autoritária, que apoiou e apoia ditaduras latino-americanas, como a cubana e a venezuelana, e buscou construir maiorias parlamentares comprando-as como nunca antes se viu na mesma profundidade e extensão. Só na cabeça de esquerdistas muito alheios à realidade acham que o PT seja um partido da esquerda liberal.

          Curtir

    • Sim, por mais que chorem o nazismo é de esquerda: partido único suprimindo oposições, culto à personalidade, controle estatal das liberdades individuais, da imprensa e da economia onde apenas os amigos podem manter algum meio produtivo com alta regulamentação do mercado que inibe a concorrência. Outra coisa, deveriam abandonar um conceito ultrapassado que é o de esquerda e direita, usando no parlamento francês na época de sua revolução que no mundo e principalmente no Brasil foi ainda mais deturpado como “direita = malvadinho X esquerda = boazinha” feito pela esquerda transformando também o termo conservador em retrógrado o que está longe de ser verdade. E digo esquerda pois são assim que gostam e fazem questão de serem definidos. Prefiro considerar o conservadorismo que de nazismo não tem nada. E vide se isso não bate com o que ocorre na Venezuela e que vinha e ainda pode ocorrer no Brasil.

      Curtir

      • Os elementos todos que você atribui à “esquerda” – partido único, culto à liberdade, controle estatal e governo ajudando os amigos – são típicos de ditaduras, e não necessariamente de esquerda nem de direita. Ditaduras, como você bem sabe, não são exclusividade da esquerda; há também as de direita, como a nazista, a fascista, a brasileira, a argentina, a de Fujimori e tantas outras. Mas você sabe disso, e sabe que o nazismo é de direita – mas fica em negação por ter vergonha de se admitir do mesmo lado (na dualidade direita x esquerda) do que o nazismo. Não precisa: basta entender o que o mundo todo sabe e está tentando fazê-lo entender – que existem direitistas ditadores e direitistas liberais (assim como há esquerdistas radicais e moderados), e que o nazismo não representa a direita “do bem”.

        Curtir

  1. Eu também nunca entendi porque alguns defendem que o nazismo fosse um regime de esquerda, como se houvesse necessidade disso para manchar a reputação da esquerda: Stalin era uma figura abominável, responsável direto e indireto pela morte de milhões de pessoas, assim como Pol Pot. Só o que não entendo é que a legislação eleitoral de países democráticos admitam a existência de partidos comunistas, defensores de ideologias autoritárias incompatíveis com regimes democráticos. Não há nem houve regimes comunistas democráticos. Não é preciso cometer o erro histórico de jogar o nazismo no colo da esquerda para denunciar os crimes contra a humanidade perpetrados por esquerdistas autoritários.

    O que espanta é o sucesso de propaganda dos comunistas, que conseguem não ser repudiados, com a veemência com que o deveriam ser, pelo seu autoritarismo e prla sua desumanidade.

    Curtir

    • “Os regimes de esquerda historicamente fracassam e por isso só se impõe via revoluções sangrentas ou pelo aparelhamento do Estado” – mas, pergunta retórica, não foi no Brasil que regimes de esquerda ganharam todas as eleições deste século? E não foi a ditadura militar de direita que precisou dar um golpe para tirar um governo de esquerda eleito no século passado (assim como em quase todos os países da América do Sul)?

      Curtir

    • O comunismo nom tem porque ser equivalente à ditadura. Dizer que tôdolos partidos comunistas defendem valores antidemocráticos é tam absurdo coma dizer que tôdolos partidos da extrema-direita querem voltar òs tempos do fascismo e acabar coa democracia…
      O passado, outros tempos fôrom. Nem a Marine Le Pen (França) nem o Norbert Hofer (Áustria) querem estabelecer ũa ditadura fascista nem os comunistas estariam a prol dũa ditadura stalinista. No mundo d´oje nom á quem apoie isso. Por exemplo, a Uniom Soviética dos últimos anos (a do Gorbachov) permitiu que se celebrassem eleições e a realizaçom dum referendo d´independência/uniom. A URSS seguia sendo comunista, peró isso foi um indicativo de que os tempos estavam a mudar e a gente pedia ũa liberdade similar à do bloco capitalista. Isso ocorreu a finais da década do 1980 e princípios do 1990. Imagina agora, case 30 anos depois, em pleno século XXI…
      Os comunistas d´oje apanhariam o bom da URSS (como a igualdade, políticas sociais…) tentando nom cair nos seus erros (falta de liberdade, censura, reprensom…). Ò final, se os cidadãos do bloco comunista tivessem ũa liberdade similar à do bloco capitalista, a URSS inda poderia seguir existindo. E os alemães nom teriam necessidade de pular o muro. O fato de ser ũa ditadura foi o que acabou coa URSS e co bloco comunista. Após tantos anos, os comunistas aprendérom (ou deveriam tê-lo feito) a liçom. Digamos que seria como um socialismo máis “avançado”
      Olha bem, nas definições d´acima nom se fai nengũa referência a ũa possível ditadura. Isso é porque os movimentos atuais, máis ou menos, se encadrariam moi bem com issas definições; porque issa é a sua ideologia e porque nom querem estabelecer ũa ditadura coma na passado.

      Curtir

        • Essa lenga-lenga do globalismo financiado por George Soros é teoria da conspiração da extrema direita americana, do que há de mais imbecil por lá. É espantoso que brasileiros engulam sem mastigar o que os conspiracionistas americanos cospem.

          Curtir

        • Lenaga lenga para analfabetos políticos. Ele e sua turma financiam os Black Blocks, o Sakamoto, abostistas e anticristianismo e isso tudo são ligados a movimentos, ONGs,
          partidos esquerdistas

          Curtir

        • Igualar “abortistas” e “anticristãos” a esquerdistas é prova do seu extremismo. Eu sou a favor do livre mercado, do aborto e do Estado laico, e, embora seja ateu, não sou anticristão. E aí, sou globalista, por acaso, agente do George Soros?

          Curtir

      • Comunismo é autoritário porque não admite o direito à propriedade privada, que é alicerce da liberdade individual. O comunismo era, é e sempre será incompatível com a liberdade individual, que é, por sua vez, alicerce da democracia. Logo, o comunismo é incompatível com a democracia.

        Curtir

        • Só á um falho: A propriedade privada nom é alicerce da liberdade individual.
          Mesmo se nom tés rem e o perdeche tudo, sempre terás a liberdade de decidir cal vai seguir o teu seguinte passo.
          Eu diria que a liberdade individual é alicerce da propriedade privada. Como ser livre que és, eleger ter ũas cousas e propriedades só pro teu uso exclusivo e o da tua família (e, isto último, nom necessariamente).

          Curtir

        • Desculpe-me, mas a sua é uma visão romântica: em que sentido é livre, nesta quadra da História, quem não tem nada, absolutamente nada, de seu? Em sentido algum. E é isto o que, aliás, leva liberais moderados como eu a admitir que são necessárias políticas de redistribuição de renda e regulação econômica, para evitar que a miséria constranja as pessoas a submeterem-se a condições de trabalho degradantes, bem como evitar que a extrema riqueza permita a algumas pessoas tolher a liberdade dos demais por meio de monopólios, oligopólios, trustes, cartéis, corrupção de agentes públicos e outras formas de abuso do poder econômico. Se eu pensasse como você, que todo indivíduo é livre, independentemente de não ter nada, eu não seria um liberal moderado, que admite ter o Estado algum papel relevante, mas um liberal extremista, absolutamente contrário a qualquer intervenção do Estado na economia, ou mesmo a existência do próprio Estado. É por isso que disse que a propriedade privada é o alicerce da liberdade individual, argumento que não é refutado pela alegação de que a possibilidade de renunciar a tudo o que se tem é manifestação dessa liberdade, porque, para tanto, é preciso antes ter de seu alguma coisa, já que quem não tem coisa alguma não pode renunciar a nada. Enfim, não há liberdade na privação.

          Curtir

      • Exato – socialismo é um caminho para o comunismo, e comunismo é a própria definição de extrema esquerda; querer dizer que pode existir comunismo sem ser esquerda é querer refutar os próprios parâmetros mundialmente estabelecidos e consensualmente acordados quanto a que é esquerda e direita. Os mesmos que determinam, aliás, que os fascismos europeus do século passado são o exemplo clássico de extrema direita.

        Curtir

  2. Uma coisa não ficou muito clara pra mim.
    Primeiro você menciona “direita liberal”, “esquerda liberal”, “direita autoritária” e “esquerda autoritária”.
    Mas na hora de definir os termos, você diz “direita liberal”, “esquerda liberal”, “extrema direita” e “extrema esquerda”.
    “Extrema direita” é um sinônimo de “direita autoritária” e “extrema esquerda” de “esquerda autoritária”?
    Porque não faz muito sentido se for seguir o gráfico que você postou. Lá o eixo “x” define o quão afastado se está do centro (pra esquerda ou pra direita) e o eixo “y” define o quão afastado se está do centro (pra cima ou pra baixo – pra autoritarismo ou pra liberalismo).
    Mas os termos “extrema esquerda” e “extrema direita” dão a impressão de deslocamento pelo eixo “x” apenas, horizontalmente. De forma alguma passam a ideia de serem liberais ou autoritárias. Além disso, se o “extrema” realmente disser respeito ao eixo “y”, qual seria o sentido? Pois pode ser extremo para cima (extremamente autoritária) ou extremo pra baixo (extremamente liberal). São 2 os extremos no eixo “y”.
    Levando tudo isso em consideração, eu acho que o texto ficaria melhor se abolisse o uso dos termos “extrema” e “moderada” e passasse a usar as definições mais informativas e claras “autoritária” e “liberal”.
    Na minha opinião, talvez essa também seja uma confusão na comunicação política geral. Algumas pessoas podem dizer “extrema esquerda/direita” pensando em políticas que são simplesmente extremamente de esquerda/direita, mas não necessariamente autoritárias ou liberais (o que faz sentido pra mim). Porém, algumas outras pessoas podem dizer “extrema esquerda/direita” pensando em políticas que são de esquerda/direita e, além disso, autoritárias (o que parece ser o que você fez no texto e que, como expliquei, não faz muito sentido até onde consigo ver).
    O que você acha?

    Curtido por 1 pessoa

    • Caro M., tem total lógica o que você diz, se entendido que “extrema direita” seria o mais “à direita possível” – e talvez seja esse precisamente o motivo de alguns que se consideram de direita quererem que o mundo pare de classificar o nazismo como direita. Mas a definição não é minha, é internacional – o “extrema” ali não quer dizer “o máximo de (esquerda/direita)”, e sim “radical”. É extremo de “extremismo”, que o Houaiss dá como sinônimo de “quem defende soluções radicais”. É nesse sentido que o termo é empregado internacionalmente: extrema esquerda não é quem está no ponto mais à esquerda do espectro, mas sim quem é de esquerda e é “extremista” (radical); idem para extrema direita. Talvez de fato seja daí que venha a “revolta” dos direitistas que querem mudar o consenso internacional de ciência política, no qual o comunismo stalinista é o paradigma do extremismo de esquerda, tanto quanto o fascismo e o nazismo são os paradigmas do extremismo de direita.

      Curtido por 1 pessoa

  3. Nom sabia que propriedade era equivalente à liberdade. Nisse caso, os que nom têm rem, que nom têm casa e que mal podem ter comida e auga; nom som livres, né? Desculpa, mais acho que a liberdade seria o único que lhes fica.
    Pra mim, liberdade é garantir que todos possam expressar a sua opiniom, seja ila cal for, e em calquer meio (a nível individual, na imprensa, nos meios de comunicaçom…). Isso é liberdade. A propriedade pode levar a conflitos. Além de que, até onde eu sei, o mundo e a natureza som de todos. Se pra seres livre, necessitas dominar todo o mundo…
    Segundo, á que diferençar comunismo “puro” do comunismo “atual”. O comunismo “puro” nunca existiu e defende o seguinte: ũa sociedade sem propriedades, sem salários, sem a necessidade de dinheiro, sem violência, sem Estado, com tôdalas pessoas fazendo o que lhes peta… Isse é o comunismo no seu estado máis puro. É ũa sociedade utópica, idílica, que nunca existiu e dificilmente existirá. Um bom modelo pra raças superiores òs umãos. Com efeito, nom se deveria permitir a existência disse tipo de partido, mais é que tampouco existem. Ninguém com bom senso acredita que se possa lograr algo assim.
    O “comunismo” atual é um socialismo máis avançado, e que está ciente da realidade que lhe rodeia. Defende a liberdade de tôdalas pessoas e os direitos umãos. Isso tamém inclui as eleições e a variedade de partidos políticos. Lembremos que o comunismo defende a soberania popular, polo tanto, tentaria que o povo tivesse máis poder de decisom nos mambos estatais. Por exemplo; organizando consultas, inquéritos, plebiscitos… Inda que isto tamém implicaria um gasto econômico, polo que “tentaria” até certo ponto. Nom se vam gastar tôdolos impostos apenas em perguntar ò povo. Averá que fazer algo, digo eu.
    Permite a propriedade individual, isto é, a tua casa é tua (outra cousa som os pisos) e a tua tele tamém (sempre que fosse pagada por ti). Outra cousa som os meios de produçom. Enquanto a direita defende a privatizaçom dos meios de produçom e de tôdalas empresas, o comunismo defende que os meios de produçom e as empresas (sobretudo, as grandes) devem ser controlados polo Estado. A propriedade individual seguiria a existir, especialmente a nível de vivendas.
    Sobra dizer que os cartos seguriam existindo. No entanto, o comunismo tentaria que estivessem melhor repartidos. É dizer, que os milionários fossem rareza; peró que toda a gente tivesse acesso òs bens básicos: comida, auga, vivenda, luz… Nom averia igualdade absoluta; já que, obviamente, os máis inteligentes e trabalhadores merecem ũa recompensa; mais issa recompensa nom estaria tam desequilibrada como está no capitalismo. Pessoas coma o Bill Gates, Amancio Ortega ou Carlos Slim provavelmente seguiriam sendo milionárias, mais nom num grau tam elevado coma o d´agora.
    Polo tanto, de verdade achas que nom os Partidos Comunistas nom podem ser legalizados, cando; em maior ou menor grau, têm ũa ideologia similar à descrita acima?

    Curtir

    • Quem não tem nem sequer comida e água não é livre em sentido relevante algum, porque se vê constrangido pela natureza a gastar a maior parte do seu tempo para satisfazer as suas necessidades mais elementares. O comunismo puro é tão utópico quanto o capitalismo puro, de modo que os tipos puros não nos podem servir de referência para nada. Se servissem, não haveria ainda assim melhor sistema que o capitalista: a concorrência perfeita entre os agentes econômicos produziria cada vez mais bens e serviços cada vez melhores e cada vez mais baratos. O que deve servir de parâmetro é a experiência histórica concreta, que já provou que não há controle estatal dos meios de produção sem ditadura nem há desenvolvimento econômico e tecnológico sem livre iniciativa. Por isso, é-me incompreensível que se admita a existência de partidos comunistas em regimes democráticos, aos quais só não lhes veio mal por isso porque os ditos partidos nunca conseguiram maiorias parlamentares que lhes permitissem subverter a democracia.

      Curtir

  4. Sim, é uma tentativa ridícula de facilitar no Brasil a absurda disseminação de ideias de extrema direita pelo seu afastamento retórico do sistema político de extrema direita mais famoso e rejeitado, o nazismo.

    Em termos econômicos, os nazistas eram claramente capitalistas, e implementaram um programa de privatização tão emblemático que deu origem ao termo: www jacobinmag com/2014/04/capitalism-and-nazism/

    Hitler era um capitalista moderado, mas não deixava de ser direitista por isso: www politicalcompass org/analysis2

    Curtido por 1 pessoa

    • Você não fez associação direta alguma, eu reconheço, e nem sequer indireta, mas é sempre bom lembrar que, embora os nazistas fossem capitalistas, o nazismo não deriva do capitalismo, em nenhum sentido, nem o pressupõe, também em sentido algum.

      Curtir

      • Sem dúvida, concordo. O nazi/fascismo teve influência de várias frentes teóricas distintas tanto da direita como da esquerda, foi uma amálgama de diferentes aberrações populares na Alemanha e na Itália da primeira metade do século XX. É difícil falar em origem única em quimeras desse tipo e fazer pressuposições.

        Curtido por 1 pessoa

  5. E a nossa Venezuela a beira de uma guerra civil, graças ao COMUNISMO e ao MARXISMO, você não postara nada a respeito disso? Ou para você, esquerdoso, só existe extrema-direita e nazismo no mundo?

    Você é um desonesto, vai pra Cuba comunista de merda.

    Curtir

    • Não existe e nunca existiu comunismo na Venezuela. Esse mito, assim como os clichês e xingamentos desimaginosos que você repetiu, é simplesmente um meme criado pelo neo-mccarthyismo ignorante. Comunismo é um sistema econômico em que o governo deixou de existir e os meios de produção foram coletivizados. Desonestidade é afirmar que isso existe hoje.

      Já marxismo existe sim na Venezuela, e eu concordo que pode ser atribuído a ele a maior parte da culpa pela situação atual da nossa vizinha. Mas ninguém tá dizendo por aí que marxismo é de direita, então não tem motivo algum pro nosso colega parar o seu trabalho tão interessante e necessário nesta página pra abordar esse tema.

      Curtir

  6. Pingback: Terraplanista e terraplanismo: faltam nos dicionários | DicionarioeGramatica.com

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s