Na imprensa: homens, pelo sobrenome; mulheres, pelo primeiro nome?

Sans titre

As menções na imprensa à nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, exemplificam uma diferença recorrente de certos veículos na maneira como se referem a homens e a mulheres públicos. Rodrigo Janot, assim como todos os seus antecessores no cargo de procurador-geral (todos homens), é tratado pelos jornais brasileiros por seu sobrenome. Já Raquel Dodge é a única a ser tratada pelo primeiro nome – “Raquel”.

Referir-se a tão alta autoridade – e que sequer é uma política, que tenha, queira ter ou precise de apelo popular – por seu primeiro nome causa justificada estranheza – tanta quanto teria causado chamar, em manchetes de jornal, “Geraldo“, “Roberto” e “Rodrigo” aos procuradores-gerais que a mídia sempre tratou por Brindeiro, Gurgel e Janot.

Por que não dar à primeira procuradora-geral o mesmo tratamento que o dispensado a todos os seus antecessores homens? Escrever “Dodge afirma” ou “Dodge e Janot”, em lugar de “Raquel afirma” e “Raquel e Janot”, não apenas manteria a isonomia de tratamento – e um distanciamento saudável em relação a alguém que, afinal, não é nem deve ser íntima dos jornalistas nem do público. Além disso, os jornais ainda economizariam o espaço de uma letra (Dodge sendo menor que Raquel) a cada manchete ou menção.

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