Faça uma pergunta

Tem alguma pergunta ou dúvida de português? Qualquer pergunta sobre o significado, a pronúncia ou o uso correto de uma palavra ou expressão? Escreva a sua pergunta abaixo e envie-a, que em breve terá a resposta.

82 comentários sobre “Faça uma pergunta

  1. Talvez seja uma pergunta delicada, mas acho que todos que visitam este sítio tem vontade de saber: quais dicionários vocês recomendam?
    Pelo que pouco entendo, o Houaiss é o mais adequado. Porém não há uma versão completa que leve em consideração o acordo ortográfico.
    Gostaria de presentear uma pessoa amada – e a mim mesmo – com um dicionário respeitável e de qualidade. Quais seriam suas indicações?
    Obrigado.

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  2. Todas as seguintes respostas a agradecimentos estão corretas? Qual é a mais e a menos formal?

    De nada
    Por nada
    Não há de quê
    Não tem de quê
    Disponha
    Obrigado eu
    Obrigado a você
    Não seja por isso
    Não por isso

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    • A pronúncia correta é “uáfol” / “uófol”. O “a” nesse caso, na palavra inglesa, soa intermediário entre o nosso “á” e o nosso “ó”. Nada a ver com “ei” (que no Brasil se ouve por confusão com “wafer”, bolacha, que, esta sim, se pronuncia “uêifer”).

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  3. Palavras com o “R” entre vogal e consoante (nesta ordem), qual é a pronúncia correta do “R”, frente ao AO90, forte ou fraco? Ou vale os regionalismos? Ex: parte, acervo, verde, arte.

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      • Caro Luiz,

        Sei que a pergunta foi ao Dicionário e Gramática, e não a mim, mas já lhe adianto o que há de ouvir em resposta: não existe “forma legalmente correta” de pronunciar nenhum fonema em português brasileiro.

        Mesmo no português europeu, em que se fala, comumente, de norma padrão também para a pronúncia, que seria a lisboeta, não há “forma legalmente correta” de pronunciar nenhum fonema.

        E se, no português europeu, a pronúncia lisboeta é claramente prestigiada, adotada pelos meios de comunicação e ensinada aos estrangeiros, razão por que é associada à norma padrão, no português brasileiro, não há nada parecido: a pronúncia que a alguns parece ser a padrão, a que alguns chamam “sotaque do Jornal Nacional”, não se verifica, tal como lá se ouve, em lugar algum, embora se pareça mais com alguns sotaques do que com outros.

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      • Se não há uma regra, uma norma, se “não existe forma legalmente correta de pronunciar nenhum fonema em português brasileiro”, como diz, então “raro”, que secularmente se pronuncia ra-ro (“ra” com r forte e “ro” com r fraco), poderia também pode ser pronunciado como uma aberração do tipo (as duas sílabas com r forte). É isto? Na falta de regra, vale tudo…

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        • Caro Luiz,

          A minha resposta ficou lá em cima, quando deveria estar cá embaixo, em resposta à sua última intervenção.

          Faltou esclarecer a contradição que você pensa ter encontrado no meu texto, quando sugere que eu disse que existem regras para depois dizer que não existem: eu escrevo o tempo todo que sempre houve, há e sempre haverá regras, mas comtingentes, válidas em determinado tempo e em determinado lugar, e não regras como o Luiz as entende, “autossustentáveis”, universal e atemporalmente válidas.

          É por isso que é preciso olhar para a fala do nosso tempo: se não se olhar, se se insistir em prescrever normas baseadas em escritores mortos, corre-se o risco de escrever a gramática de uma língua morta.

          Digamos que a do Evanildo é a gramática de uma língua velhinha, e a do Ataliba, a gramática de uma língua na casa dos seus quarenta anos, mas você só vai apreciar a sutileza da comparação quando souber o que é Linguística.

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        • Luiz, o que o Anônimo quer dizer, é que o idioma português como qualquer outro idioma foi desenvolvido de forma diferente em várias regiões. Tenta-se criar uma regra fixa entre todo os países de mesmo idioma, mas sempre esbarra-se em algumas dificuldades pelo fato de algumas palavras se consolidarem foneticamente de uma forma diferente para cada região. Isso acontece também com o inglês britânico e americano.

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        • Caro Marcos,

          Não é exatamente isto que quis dizer, porque não é como se um dia tivesse havido norma que se respeitasse, oralmente e por escrito, em todos os lugares onde se falava português e que passou a se diferenciar conforme se foi instalando em diferentes paragens, ao longo do tempo. É que isto faz supor que algum dia houve uma língua portuguesa uniforme que se foi transformando em variantes diferentes: nunca houve português uniforme nem língua alguma foi algum dia uniforme.

          A língua, qualquer língua, compreende registros diferentes, que variam conforme a idade do falante, a região em que vive, a região em que cresceu (migrantes baianos em São Paulo não falarão nem exatamente como os seus conterrâneos nem exatamente como os paulistanos), o seu nível social e educacional, a situação de fala (informal ou formal) etc. Os linguistas usam termos específicos, mas é uma terminologia que não domino, donde prefiro falar como leigo que sou a passae por sabe-tudo. Enfim, a língua portuguesa é tudo isso ao mesmo tempo, e olhe que só estou falando do seu presente, porque ela também tem passado, de que se afastou, mas sem mudar a ponto de que os linguistas entendessem ter-se transformado noutra língua ou noutras línguas (há quem defenda que o brasileiro já seja uma língua, mas mesmo no meio linguístico há quem veja exagero nesta afirmação, e o histrionismo com que a defende um dos seus mais conhecidos proponentes, Marcos Bagno, contribuiu para essa percepção).

          A norma padrão é apenas uma das muitas faces da língua, importante sobretudo à escrita, notadamente a formal, mas cuja função reguladora tem sido, equivocadamente, extrapolada também para o âmbito da escrita informal, e o que é pior, da fala formal e até da informal.

          O advento da norma padrão de qualquer língua é, e corrija-me o autor do blogue se estiver dizendo asneiras, algo muito tardio na história da evolução de qualquer língua. Pense na estabilização da norma padrão do português: só séculos depois que o latim clássico em conjunto com as línguas pré-romanas da Península Ibérica deu origem ao vulgar, que recebeu ainda o influxo de línguas germânicas e do árabe, evoluindo para o galego-português, e ainda alguns séculos depois que se chamou portuguesa à fase posterior do galego-português, é que a língua portuguesa viria a ter na Corte de Lisboa o prestígio que faria a sua estabilização ser merecedora de atenção. E isto lá pelos séculos XV-XVI. Desde então, o ritmo da mudança se desacelerou, até por ter o advento da imprensa permitido imprimir maior uniformidade à escrita.

          E ainda assim não houve ortografia (que é a parte mais superficial da língua escrita) oficial até 1911, quando Portugal instituiu a primeira ortografia oficial da língua portuguesa. Até então eram os usos que orientavam a escrita, de modo que havia variações, muito mais do que as existentes hoje entre as variantes europeias, africanas e americana, as quais, todavia, não eram empecilho à comunicação.

          Em síntese, em nenhum momento se falou português uniformemente, em nenhum lugar do mundo, porque a língua portuguesa foi nascendo do galego-português de modos ligeiramente diferentes de norte a sul da terra que só depois do nascimento da língua viria a chamar-se Portugal (donde penso que seja correto chamar à fase anterior da língua simplesmente galego arcaico, e não galego-português), e, quando se editaram as primeiras gramáticas normativas, já a língua se falava diferentemente conforme a idade (crianças nunca falaram nem falarão como idosos), o status (os nobres não falavam como os camponeses) e a situação de fala (não se falava na cama com a mulher como se falava com o padre no confessionário).

          A norma padrão não só surge muito tarde na história evolutiva das línguas, como também é o seu aspecto mais superficial, menos enraizado nos hábitos linguísticos dos falantes, mesmo nos lugares em que a distância entre a norma padrão e a língua falada é menor, e ela é sempre, quando muito, menor que em outros lugares, mas sempre existe. Nem ministro do STF fala na cozinha da própria casa como o faz no plenário, apesar de eu suspeitar de que alguns o façam ou o quisessem fazer.

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        • É certo que o brasileiro é ũa variante bem diferenciada do resto das falas da nossa língua, mais (ainda) nom é ũa língua diferente. Se assim fosse, eu nom poderia entender nem os vossos escritos nem a vossa fala (cousa que nom sucede). É certo que há algũus aos que me custa mais entendê-los, mais isso tamém me passa com gente da Galiza. E já nom falemos dos políticos que, ao rematarem de falar, ũu já nom sabe o que quigérom dizer.
          Atualmente; as falas da Galiza, Portugal e o Brasil som a mesma língua. O que ocorra no futuro, só Deus o sabe. Eu apenas posso falar do presente e, ainda que haja gente que diga que já som línguas diferentes arestora, a verdade é que ainda lhes falta.
          Isto partindo do princípio de que ũa fala é ũa língua diferente doutra fala cando os seus falantes nom se podem entender com fluidez. Porque, ao final, som os políticos os que decidem cando ũa língua é diferente doutra. Assim o figérom na Galiza, e podem fazê-lo em Portugal e no Brasil cando quigerem.
          Mais, bom, eu nom comparto esse ponto de vista e, segundo o meu critério, todos esses falares som a mesma língua; e ainda lhes falta bastante pra deixar de sê-lo. Com “bastante” refiro-me às diferenças, nom o tempo; já que a evoluçom destas falas (coma calquer outra) é impredizível.

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      • Se não há uma regra, uma norma, se “não existe forma legalmente correta de pronunciar nenhum fonema em português brasileiro”, como diz, então “raro”, que secularmente se pronuncia ra-ro (“ra” com r forte e “ro” com r fraco), poderia pode ser pronunciado como uma aberração do tipo “rra”+”rro” (ou seja, as duas sílabas com r forte). É isto? Na falta de regra, vale tudo…

        (este post anula e cancela o anterior acima com igual conteúdo porém com uma omissão)

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        • Caro Luiz,

          O seu raciocínio parte de uma premissa errada por inverter o processo por que surgem as normas: elas nascem do costume, e não o contrário. É porque se costumava pronunciar “raro” de certo modo, em certa época, pelas classes que se buscavam emular que esse modo passou, sobretudo à comunicação social, como normal. A minha avó, mineira, ainda pronunciava o ele seguido de consoante ou em final de palavra encostando a ponta da língua na parte de trás dos dentes superiores, como os portugueses ainda o fazem. E era a pronúncia “legal”, ao passo que hoje é estigmatizada, nos rincões do Brasil onde ainda se ouve da boça dos muito velhos.

          Esse entendimento de que, se não há regra, então é a barbárie, é simplesmente errado. Até porque sempre há regras, mas elas variam no tempo e no espaço, como se passou com a pronúncia do ele: a minha avó era professora e culta, pronunciava o ele como o fazia deliberadamente, por lhe parecer o correto, mas só por fazê-lo deliberadamente já sinalizava que esta regra, já na sua época, já não o era mais.

          Você pode lamentar a mudança, escolher, arbitrariamente, uma época e dizer que nela é que se falava bem o português (e por que parar aí, em vez de dizer que era no Império Romano que se falava bem a “nossa língua”?) ou estudar um pouco de linguística para arejar a cabeça.

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        • Bem, então depois deste seu arrazoado, voltamos à vaca fria: segundo este seu entendimento qual seria a forma de se pronunciar o “r”? No início dos vocábulos, intervocálicos, entre consoante e vogal, entre vogal e consoante, etc. Quando ele, de acordo com o que “a comunicação social passou como norma”, deverá ser forte ou fraco?

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        • Caro Luiz,

          Eu não escrevi que “a comunicação social passou como norma” determinada pronúncia, mas sim que tal pronúncia, “em certa época, pelas classes que se buscavam emular (…) passou, sobretudo à comunicação social, como normal”.

          Dizer que a comunicação social a passou como norma significaria argumentar que determinada pronúncia tivesse sido por ela divulgada como norma, defendida e ensinada como padrão de correção a ser seguido, o que não ocorreu.

          Dizer que tal pronúncia passou como normal à comunicação social, e desta, aos brasileiros, em geral, implica argumentar tão somente que ela transcendeu a paróquia em que era sentida como normal e passou a ser vista como tal num espaço mais alargado.

          Noutras palavras, um gaúcho, um goiano, um baiano e um amazonense talvez estranhassem a fala do Cid Moreira quando ele começou a apresentar o JN, porque não era sentida como normal no Rio Grande do Sul, em Goiás, na Bahia e no Amazonas, mas, depois de alguns anos, todos eles passaram a associar aquela fala à pronúncia padrão do português brasileiro, sem que nenhum prontuário fonético tivesse sido aprovado pelo Parlamento brasileiro, sem que nenhum gramático ou autoridade na língua tivesse defendido como norma padrão aquele jeito de pronunciar as palavras.

          É claro que não foi só o JN, só a Rede Globo, só a televisão que promoveram determinada forma de falar, nem se promoveu qualquer forma: o padrão JN é uma mistura dos sotaques das classes mais afluentes dos dois principais centros do Brasil, Rio de Janeiro e São Paulo, despojados dos seus traços mais cariocas e paulistanos, mas não porque nessas cidades se pronunciassem as palavras do “melhor modo”, mas sim porque são as suas elites as mais influentes do país, as que mais acesso têm aos meios de comunicação social, as que os detêm, inclusive.

          Voltando à vaca fria, se você quer saber como o brasileiro médio entende que se deva pronunciar, “corretamente”, determinado fonema, basta ouvir, atentamente, como o William Bonner lê as notícias no teleprompter. Eu não digo que lhe baste ouvir como ele fala, coloquialmente, porque não sei se ele fala daquele jeito quando não está trabalhando.

          Enfim, se quer pronunciar “bem” as palavras, pronunciá-las de um jeito que o não linguista entende que seja “o correto”, imite o William Bonner. Vai soar mal a todas as pessoas que o conhecem e que sabem que você não fala naturalmente daquele jeito, vai soar indiferente à maioria das pessoas que não o conhecem, mas vai soar bem aos poucos que têm a ideia fixa de que exista um jeito certo, um único jeito certo, de pronunciar as palavras em português.

          Bem entendido, em português brasileiro, porque os portugueses têm uma ideia bem diferente do que seja a pronúncia padrão do português. Alguns nem admitem que existam pronúncias padrão diferentes: padrão é a portuguesa, que, por sua vez, é a lisboeta, ao passo que todas as demais são variações regionais (alguns mal disfarçam que, por “variações regionais”, querem mesmo dizer “deturpações”) desse padrão, que é o original. E é inútil explicar que o padrão de Portugal e o do Brasil evoluíram, diferentemente, de uma base comum, e que os sotaques brasileiros são mais próximos do sotaque que tinha Cabral do que a norma atual de Lisboa: os obcecados continuarão com a ideia de que existe, no mundo das ideias de Platão, o modo correto, imutável e eterno, de falar português.

          Pergunto-me se você, Luiz, não quer saber a resposta para, em determinadas ocasiões, corrigir aqueles que você julga que falem inadequadamente, que pronunciem mal as palavras, e pergunto-me se não tem em mente que determinadas pronúncias regionais sejam mais erradas que outras…

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        • Caro Luiz,

          Complemento a resposta anterior, porque você me fez uma pergunta razoável, a que não dei resposta, e deveria tê-lo feito, porque admiti, expressamente, que há regras, embora variem no tempo e no espaço.

          Mas a resposta você mesmo a conhece, sem precisar de perguntar a ninguém: pronuncia-se, corretamente, o “r”, em todos os casos que referiu, do modo como as pessoas do lugar onde você vive sentem como normal, usual, como despojado de traços que identifiquem essa maneira de o pronunciar a determinado grupo social, a determinada faixa etária, a determinada região. Você sabe, assim como qualquer falante nativo, qual é o jeito considerado certo no lugar onde mora, e, se não fala desse jeito, é capaz até de imitá-lo, em contextos profissionais, por exemplo.

          E há, às vezes, discrepância entre o que as pessoas sentem como pronúncia normal e a pronúncia que, instadas a refletir a seu respeito, as pessoas diriam ser a normal. Exemplifico: a pronúncia sentida como normal para o “r” em posição final, em grande parte do Brasil, é, na verdade, pronúncia nenhuma, como em “amá”, “nadá”, “comê”, “fazê”, mas é muito provável que as pessoas que pronunciam essas palavras assim e as sentem como ditas de modo normal, neutro, sem erro dissessem que o modo correto de as pronunciar é “amarrr”, “nadarrr” e “comerrr”, enfatizando, por hipercorreção, o erre que não costumam pronunciar.

          Melhor seria que as pessoas que dizem gostar da língua portuguesa se ocupassem de se expressar melhor, falando e escrevendo, fazê-lo com mais clareza e maior profundidade de ideias, do que se ocupassem de questiúnculas de pronúncia ou de ortografia.

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        • Peço desculpas por ter lido “normal” como “norma”, e também quero dizer que não é minha intenção corrigir quem quer que seja. Meu objetivo é ampliar a compreensão sobre o tema. Quanto à sua pergunta respondo: não, não tenho pretensão nem vocação para corrigir quem quer que seja que fale ao seu modo. Por sinal gosto dos sotaques do nordeste e do sul, onde já passei temporadas em Caruarú/PE e Joinville/SC

          Contudo li e gostei dos esclarecimentos, bastante pertinentes, da professora Lí Santos, contidos em seu blog, http://lisantoss-portuguese.blogspot.com.br/2014/12/a-pronuncia-do-r-em-portugues-brasileiro.html, transcrito abaixo. Portanto, ao contrário do que diz, há sim regra para o uso do “R”, ainda que simples, mas traz muitos subsídios e elementos esclarecedores, na falta de outros dados. Aqui mesmo neste blog, DicionarioeGramatica, este assunto já foi discutido com semelhante conclusão. E olhe que é regra autossustentável, sem necessidade de suporte em JN, Rede Globo, Cid Moreira, Bonner ou Juca Chaves. Vamos ao artigo em questão:

          “Você nunca sabe quando o “R” tem o som de “H” (como em inglês) ou quando o “R” tem o som trinado (como em espanhol)? Espero que este artigo possa ser útil…

          Você já passou por situações como estas e acredita que no Brasil existe um buraco sem fundo de onde não param de sair pessoas com diferentes pronúncias da letra “R”? Bem, talvez você esteja certo, mas vou tentar te convencer de que as coisas não são tão complicadas assim.

          Antes de passar algumas dicas, gostaria de explicar três expressões que usamos no Brasil para identificar o som da letra “R”:

          – ‘R’ forte: é aquele som que parece com o “H” da palavra inglesa “house”. Também, pode-se dizer que é como o “J” da palavra espanhola “jamón”.

          – ‘R’ fraco: é aquele som que parece com o “TT” da palavra inglesa “letter” (pronúncia dos EUA). Também, pode-se dizer que é como o “R” da palavra espanhola “pero” (NÃO confundir com “perro”).

          – ‘R’ mudo: quando a letra não é pronunciada.

          Primeiro, vamos escrever…

          Esta é a parte mais fácil. Você só precisa lembrar que o “RR” só aparece entre duas vogais. Daí, você já consegue saber que o “RR” não pode ficar nem no começo nem no final de uma palavra, por exemplo.

          Muito bem… E quando você finalmente encontrar o som do “R” entre duas vogais, como saber se deverá escrever com “R” ou com “RR”? Simples! Se o som do “R” for forte, você deverá escrever com duas letras “R” (“RR”), se for um som fraco, você deverá escrever com apenas uma letra “R”.

          Agora, vamos pronunciar…

          Veja bem a tabela abaixo que mostra quais são as regras para expressar o som da letra “R” nas palavras. Depois vou tratar de cada uma delas com mais detalhes.

          SOM DE “R” FORTE:

          “R” no início da palavra (ex.: “rato”)
          “RR” (ex.: “carro”)
          “R” depois da letra “N” (ex.: “honra”)

          SOM DE “R” FRACO:

          “R” no final da palavra (ex.: “cantar”)
          “R” entre vogais (ex.: “caro”)
          “R” entre uma vogal e uma consoante (ex.: “carta”)
          Combinações “BR”, “CR”, “DR”, “FR”, “GR”, “PR”, “TR” e “VR” (ex.: “Brasil”)

          “R” NO INÍCIO DA PALAVRA:

          Se a letra R está no início da palavra, ela vai sempre ser “R forte”, ou seja, será como:

          o “H” da palavra inglesa “house”;
          o “J” da palavra espanhola “jamón”;

          Exemplos:
          rato – rio – rosa – risada – roubar – roupa – rua – revelação

          “R” ENTRE VOGAIS:

          Quando está entre duas vogais, a letra “R” vai ser “R fraco”, ou seja, a língua treme quando a gente fala a palavra:

          semelhante ao “TT” da palavra inglesa (USA) “butter”;
          semelhante ao “R” da palavra espanhola “caro”;

          Exemplos:
          guri – caro – cara – arara

          “RR”:

          “RR” somente é escrito entre vogais. Você nunca vai encontrar, por exemplo, o “RR” no começo nem no final de uma palavra. Neste caso. “RR” indica que entre as vogais o som vai ser “R forte”:

          igual ao “H” da palavra inglesa “house”;
          igual ao “J” da palavra espanhola “jamón”;

          Exemplos:
          arranhar – arroz – carro – ferro – correr – forro – horrível – morrer – terra

          QUANDO “R” APARECE ENTRE UMA CONSOANTE E UMA VOGAL:

          São possíveis combinações: “BR”, “CR”, “DR”, “FR”, “GR”, “PR”, “TR” e “VR”. Quando pronunciadas, seu som parece de uma letra só. São bem semelhantes aos respectivos sons em inglês ou espanhol:

          “BR” como na palavra inglesa “bra”
          “CR” como na palavra inglesa “cry”
          “DR” como na palavra inglesa “dragon”
          “FR” como na palavra italiana “fratello”
          “GR” como na palavra espanhola “grande”
          “PR” como na palavra espanhola “problema”
          “TR” como na palavra espanhola “tres”

          Exemplos:
          brasa – pedra – elétrico – preto – França – grande

          QUANDO “R” ESTÁ DEPOIS DA LETRA “N”:

          Nesta combinação, a letra “R” está entre uma consoante e uma vogal, mas se essa consoante for a letra “N”, o som deve ser de “R forte”:

          como o “H” da palavra inglesa “inherit”;
          como o “J” da palavra espanhola “esponja”;

          Exemplos:
          tenro – enriquecer – enredo – enroscar – sonrisal

          E quando a letra “R” está no final da palavra (ou no final da sílaba)? Aí as coisas passam a ser um pouco diferentes… não há como dizer qual é a pronúncia correta, cada região tem a sua particularidade. Vamos ver.

          “R” NO FINAL DA PALAVRA:

          No caso em que você encontra a letra “R” final de uma palavra (geralmente verbos no infinitivo), vai depender muito da região em que você se encontra. Vou dar os exemplos mais comuns:

          No estado do Rio de Janeiro:
          Semelhante ao “CH” na palavra escocesa “loch”
          No estado de São Paulo:
          Semelhante ao “R” no fim da na palavra inglesa “card”
          Nos estados da região Nordeste do Brasil:
          Nestas regiões, costuma-se omitir a letra “R” quando está no final (“R mudo”)
          Nos estados da região Sul do Brasil:
          Semelhante ao “R” no final da palavra espanhola “conocer”

          Exemplos:
          lavar – socar – moer – cantar

          QUANDO “R” ESTÁ ENTRE UMA VOGAL E UMA CONSOANTE:

          Quando esta entre uma vogal e uma consoante, a letra “R” se encontra no final da sílaba. Esta situação é semelhante à situação da letra “R” que está no fim da palavra, vai depender muito do sotaque da região. Mas neste caso, não se admite o “R mudo”.

          Exemplos:
          parte – acervo – verde – arte

          Espero que essas considerações tenham ajudado. Você já ouviu alguma outra forma de pronunciar a letra “R”? Compartilhe sua experiências nos comentários! :-)”

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        • Caro Luiz,

          Talvez o surpreenda saber que não há discordância alguma entre mim e a professora, que fez uma descrição (atente-se, desde já, para esta palavra: descrição!) bastante razoável, no geral, das pronúncias do erre no Brasil. O problema é que você não compreendeu nem o que escrevi, quando, por exemplo, me referi ao sotaque do JN, nem o que escreveu a professora. Explico-lho.

          Nem a professora nem eu dissemos que não exista norma, mas entendemos por norma algo bem diferente do que você parece entender. A mim, você dá a ideia de que entende haver pronúncias que são de acordo com A Norma (maiúsculas justificadas por razões que exporei), e, por conseguinte, corretas, e outras que não são de acordo com A Norma, e por conseguinte, erradas, ao passo que tanto eu quanto a professora estamos afirmando que são normais todas as que forem corriqueiras, habituais e familiares num determinado lugar, num determinado tempo.

          Veja que nem ela nem eu falamos de certo e errado, mas apenas de normal e não normal. A única vez no texto em que ela usa a palavra “correta” é justamente para dizer que “quando a letra ‘R’ está no final da palavra (ou no final da sílaba), as coisas passam a ser um pouco diferentes: não há como dizer qual é a pronúncia correta, cada região tem a sua particularidade”.

          Você poderia contra-argumentar que se infere disso que, em todos os casos em que não há variações regionais, as pronúncias descritas (atente-se de novo para isto: descritas, e não prescritas!) são as únicas corretas; afinal, é só nos casos em que existem tais variações que não se pode dizer que uma delas seja a única correta. Ora, mas isto é o mesmo que argumentar que, nos casos em que não há variação regional, ou seja, em que todos os brasileiros, de norte a sul, de leste a oeste, reproduzem os erres da mesma maneira, a regra manda que se reproduzam exatamente da maneira como, de fato, são pronunciados por todos os brasileiros, de norte a sul, de leste a oeste. Mas não faz muito sentido defender que se deva realizar tal fonema do modo como ele já é, realmente, pronunciado por todos: é o mesmo que derivar uma prescrição de uma descrição, uma regra (norma de pronúncia) da observação de um fato (pronúncia normal).

          É aqui que se diferenciam aqueles que defendem existir A Norma, um modo de pronunciar as palavras que é O correto, em contraposição a todos os demais, que são errados, e que assumem, por isso mesmo, uma postura prescritivista que se baseia numa pronúncia metafísica, isto é, numa pronúncia idealizada, destituída de história, que é correta atemporal e universalmente, e aqueles que defendem que sempre houve, há e haverá normas, mas contingentes, isto é, temporárias e locais, e que estas normas coincidem com o que é normal em determinado tempo e em determinado lugar. Os primeiros fazem prescrição de normas (que parece ser o que você tem em mente quando diz que “se não há normas, então vale tudo”); os segundos, descrição de pronúncias normais (que foi exatamente o que fez a professora).

          A norma de pronúncia do erre inicial no português brasileiro é uma só* porque, em todo o Brasil, se realiza o erre inicial da mesma forma, isto é, porque há só uma pronúncia normal. E é só por esta razão, por haver uma única pronúncia normal em todo o território brasileiro, que se pode dizer, por simplificação, que há uma maneira correta de reproduzir o erre inicial no português brasileiro, o que, na verdade, quer dizer, muito simplesmente, que quaisquer outras formas seriam sentidas por brasileiros de todas as regiões como anormais, como resultantes de dificuldades na fala ou do aprendizado do português como segunda língua. Já, nos casos em que há variações regionais, como a própria professora o disse, expressamente, é impossível falar de regra, porque são várias as pronúncias normais no território brasileiro.

          Quando lhe disse que se mirasse no sotaque do Jornal Nacional, quis dizer, simplesmente, que os apresentadores daquele telejornal realizam os fonemas do mesmo modo como são realizados em todo o território nacional, quando não há variação regional alguma de pronúncia (o que é óbvio: só não o fariam se tivessem dificuldade de fala ou fossem estrangeiros), ou, nos casos em que há variações, do modo que é tido como mais prestigioso, porque mais disseminado pela comunicação social, como, por exemplo, djia, em “Bom dia” (que, não por acaso, é o modo como se pronuncia essa palavra no Rio de Janeiro). Ou por pronunciarem as palavras da mesma forma, nos casos em que há só uma pronúncia em todo o território nacional, ou por sentirem determinadas pronúncias como melhores e até mesmo como as corretas, os brasileiros não linguistas tendem a entender o sotaque do JN como a norma padrão de pronúncia do português brasileiro, ainda que nenhum brasileiro fale, exatamente, daquela maneira. É a norma padrão idealizada que você, a meu ver, parece buscar, aquela que nos salvaria do vale-tudo, da barbárie…

          Entender que a professora expusesse, na página que você indicou, uma “regra autossustentável” é, na verdade, não entender o que ela fez: ela não fez prescrição alguma de regras, isto é, ela não disse qual é a norma em razão da qual determinadas pronúncias são corretas, e outras, erradas; ela fez, sim, uma descrição das pronúncias existentes no Brasil, alertando para a impossibilidade de dizer que alguma delas seja a única correta nos casos em que há variações, ao passo que, quando não há variação alguma, isto é, quando todos os brasileiros pronunciam determinado fonema do mesmo jeito, não faz sentido falar em correção ou incorreção, já que não existe mais de uma maneira de falar.

          Em resumo, nunca há vale-tudo, nunca há barbárie, porque todas as pessoas aprendem a pronunciar as palavras exatamente como elas são pronunciadas no lugar onde nascem e crescem, e até mesmo no lugar onde, mais tarde, escolhem viver. As normas de pronúncia entendidas como descrições das pronúncias normais, como as entendemos a professora e eu, são como regras consuetudinárias, não escritas, a que se chamam regras porque o povo de determinado lugar, de determinado tempo, as seguem habitualmente, sem que nenhuma autoridade lhe tenha de cobrar obediência, ao passo que as normas de pronúncia entendidas como prescrições de pronúncia, em comparação com as quais quaisquer outras formas são incorretas, são como regras escritas num código, que podem ou não refletir o modo como se fala no lugar a que pretendem ser aplicáveis, mais ou menos como o direito à defesa da honra do marido traído, que estava previsto, por escrito, no Código Civil de 1916, que vigorou até 2001, mas, muito antes de 2001, já não refletia realidade alguma nem era aceito como excludente de ilicitude pelos tribunais.

          Não é verdade que haja só uma maneira de fazer soar o erre inicial no português brasileiro, como bem lembrou o Dicionário e Gramática no post que tratou do assunto. Mesmo nos casos em que se diz haver uma única pronúncia em todo o território brasileiro, o que se faz é proceder a uma simplificação parcialmente justificável por não haver, realmente, grande variação, mas sempre há alguma. E dizer que a pronúncia do erre pelos curitibanos, que causou estranhamento à sueca a que se referiu a professora, é errada, faz tanto sentido quanto dizer que é errado dizer amá, comé e fazé em vez de ou amarrrrr, comerrrr e fazerrrr (o erre final de alguns paulistas, goianos e mineiros): é impor a pronúncia normal de determinado lugar a outros lugares, em que a pronúncia normal é outra. Que é o que se faz sempre que se diz que há uma pronúncia padrão, uma norma de pronúncia: impõe-se a todos os outros lugares a pronúncia que é, na verdade, apenas de uma região, como fazem, muito habitualmente, os portugueses, que chamam norma padrão de pronúncia ao sotaque lisboeta. O nosso amigo galego discordou, como discordam os alentejanos, os algarvios, os minhotos… É pena que alguns discordem apenas para dizer que certa é a sua própria forma de falar, em vez de se darem conta do óbvio: há tantas maneiras certas de falar quanto há municípios, províncias ou estados e países em que se fale português.

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        • No meu post anterior, deveria ter antecedido o último parágrafo do asterisco, para indicar que se trata de comentário ao trecho marcado pelo mesmo sinal: “A norma de pronúncia do erre inicial no português brasileiro é uma só*”.

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        • O amigo galego achou muito boa a brincadeira de que o lisboeta seja o padrão original? Eu também a acho isto: uma muito boa brincadeira. Estava apenas reproduzindo o que pensam alguns portugueses muito conservadores.

          Mas há galegos conservadores que acham que a sua é a forma original da língua, quando, na verdade, o galego atual não é o galego medieval, este sim, origem remota do galego atual, do português europeu e do português brasileiro.

          Faz sentido falar em norma padrão do português, seja o galego (para os que o veem como variante do português, embora a Galiza e o galego medieval sejam anteriores ao nascimento de Portugal), o europeu ou o brasileiro, quando todas as formas de falar português têm a mesma remota origem e a partir dela se desenvolveram por caminhos diferentes, por influências diferentes, em diferentes lugares? Seria esperável que não houvesse variantes? E que sentido faz escolher uma delas como a original, se, na Galiza de hoje não se fala o galego medieval, ou como a mais correta, se há tantas formas de falar e de escrever quanto são os lugares em que se fala português?

          Importa é que a distância entre as diferentes formas é pequena, que nos entendemos apesar dela, que “moi boa brincadeira” e “muito boa brincadeira” não são maneiras mutuamente ininteligíveis de dizer a mesma coisa.

          Apesar da insistência de se meter a língua numa camisa de força, ela não para de mudar, e isto não é bom nem ruim, é apenas o que é tal como é, goste-se disso ou não.

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        • Meu caro.

          Você disse sim, que não não há regra para a pronúncia do “R”, veja seu texto, e além disso tenta botar palavras em minha boca. Você aparentemente faz uma tentativa velada de medir conhecimentos, o que não é o meu caso, até pelo fato de aqui não ser o local apropriado. Faz também juízo alheio incorreto quando diz que não compreendi o que disse. Ora, se eu estivesse aqui dialogando com um Ivanildo Bechara eu até tiraria o chapéu, mas… lamentavelmente não é o caso. Conheço bem esta tática de escrever texto quilométricos, apenas com palavras, sem muito conteúdo, do tipo “Veja que nem ela nem eu falamos de certo e errado, mas apenas de normal e não normal”, expressão esta conhecida também como “em cima do muro”. Nunca disse aqui que no no Brasil há variações regionais incorretas na pronúncia. Ao contrário disse que gosto dos sotaques nordestino e sulista. Ao que me parece o amigo pretende é criar uma polêmica numa escalada inútil para eternizar a discussão.

          Como a prosa está ficando um tanto quanto desagradável e no momento tenho mais o que fazer, por ora tenho dito. Talvez dialoguemos em algum futuro assunto mais palatável

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      • Caro Luiz, Se a pergunta é quando se deve usar o “r” forte (de carro) e quando se deve usar o “r” fraco (de caro), há, é claro, regras fixas, que você mesmo já copiou abaixo, tiradas de outro site (embora tragam um erro: em final de palavra ou de sílaba, a maioria dos falantes, no Brasil (RJ, Norte, Nordeste, Brasília) e em Portugal usam o -r forte,
        e não o r- fraco. Mesmo na maior parte do Sul e Sudeste, o -r usado em final de sílaba (“mar”) não é o erre fraco, de caro.

        Na verdade, acho que a explicação da autora foi falha, pois há um modo mais fácil de sintetizá-las: o “r” fraco se usa usa entre duas vogais.

        Se, por outro lado, sua pergunta se refere a qual a forma correta de pronuncia o “r” em palavras como “forte” – se com erre vibrado, como paulistanos e gaúchos (e espanhóis e italianos), ou se com erre carioca, ou se com erre do interior de SP e Minas Gerais (à americana), aí, naturalmente, não existe resposta. Todos esses sons são válidos em português, e nenhum deles é considerado errado, pois são todos intercompreensíveis; a variação de sons possíveis para uma mesma letra é comum a todas as línguas vivas (basta pensar no -ll- (duplo ele) espanhol, que pode ser pronunciado -lh- na Bolívia, -i- no Chile, x em Buenos Aires, j no Uruguai, etc., e todas as formas são corretas; e mesmo com relação ao erre, mesmo em alemão, francês ou italiano, há hoje uma pluralidade de pronúncias da letra R nessas três línguas, como há em português). Não há diferença, ou maior ou menor correção, em pronunciar o erre à carioca ou à paulista porque não se afeta a compreensão, não há outra interpretação possível. Isso não quer dizer que “vale tudo”: não é correto, porém, pronunciar um r fraco como um r forte (pronunciando “carra” em vez “cara”), ou L em vez de R, pois nesses casos, a compreensão seria prejudicada.

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        • Faltou explicar, caro Dicionário, que “não é correto, porém, pronunciar um r fraco como um r forte (pronunciado “carra” em vez de “cara”), ou L em vez de R, pois, nesses casos, a compreensão seria prejudicada” porque nenhum falante nativo do português brasileiro, em nenhuma parte, pronuncia um r fraco como um r forte ou L em vez de R, e não porque essa impossibilidade se deva à incorreção e à incompreensibilidade intrínseca, de natureza metafísica, dessas pronúncias.

          Se, em alguma parte do país, numerosos falantes nativos do português brasileiro dissessem, natural e consistentemente, “carra”, “barrato”, “corrista”, “garrapa” ou “cala”, “balato”, “colista” e “galapa”, querendo dizer “cara”, “barato”, “corista” e “garapa”, você teria dito sobre essas pronúncias o mesmo que disse a respeito das diferentes pronúncias do r em palavras como “forte”: que “todos esses sons são válidos em português, e nenhum deles é considerado errado, pois são todos intercompreensíveis”, já que os demais falantes nativos do português brasileiro entenderiam, prontamente, pelo sotaque, que estariam falando com um brasileiro natural da região em que se diria “carra” ou “cala” em vez de “cara”, e, pelo contexto, que se quereria dizer “cara” e não “cala”, do verbo calar, por exemplo.

          O que tentei, empenhadamente, apesar de uma ou outra ironia e de algum sarcasmo, fazer o Luiz entender é que não há norma inscrita na pedra, que reflita a essência da língua, a língua-em-si, e que é o uso, mais especificamente o uso dito urbano e culto, sobretudo das metrópoles mais influentes, em que se sediam os principais meios de comunicação, em especial os de rádio e televisão, que faz a norma culta, que outrora refletia os usos das elites que haviam estudado em Coimbra, depois os da corte em Lisboa, depois, já no Brasil, os da corte no Rio de Janeiro (disto não tenho certeza, mas já me fiz entender).

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        • O que disse, e insisto, é que esse tipo de variação fonética só é socialmente aceitável quando se trata de som contrastante, que não seja já representativo de outro fonema em português; ou seja, é indiferente falar “porta” à paulistana, à carioca ou à caipira precisamente porque os três sons, embora totalmente diferentes, são associados à letra r, e não a outra; um falar em que se troque o R pelo L, ou o erre simples pelo erre duplo, etc., tende a ser rejeitado e marginalizado, porque sua aceitação como uma “variante” acarretaria a criação de centenas de homófonos e dificultaria a comunicação por parte dos falantes das variantes majoritárias. Penso no caso específico mesmo de cidades no interior de Santa Catarina onde o “rr” duplo é de fato pronunciado como “r” simples pela maioria da população (carroça soa como caroça); essa pronúncia, porém, por criar dificuldades de compreensão (caro e carro, etc.) é evitada e combatida pela própria população mais escolarizada dessas mesmas cidades, ao contrário do que ocorre com outras marcas próprias do sotaque.

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        • Você tem razão, caro Dicionário. Embora não haja norma inscrita na pedra, que reflita a essência da língua, há universais da linguagem, e imagino que um deles seja o de evitar confusão. [Li algures que há até uma certa ordem de aparição de palavras designativas de cores: se uma língua só tiver duas palavras para cor, estas designarão cores claras em geral e cores escuras em geral; se tiver três, a terceira será, sempre, vermelho, especula-se que por ser a cor do sangue; esqueci-me de quais são as que aparecem em seguida, mas, a partir de um certo momento, a ordem de aparição depende de fatores ambientais.]

          Não obstante, lembro que o erre caipira, conquanto não leve a confusão alguma por estar associado à letra “r”, é ainda assim estigmatizado socialmente – e, às vezes, por quem também o pronuncia à caipira, mas menos acentuadamente -, e penso que o motivo pelo qual a população escolarizada combate essa pronúncia peculiar dos seus conterrâneos terá que ver menos com a necessidade de evitar confusão do que de estabelecer distinções sociais, até porque desconfio, posso estar errado, mas desconfio de que os mais estudados não deixam de entender uma vez sequer o que os seus conterrâneos menos estudados querem dizer por “caroça”, pelo contexto, e é pelo contexto que todos entendemos o que quer que seja.

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  4. Caro Anónimo Galego,

    Que significa torcer a cara a algo? Pelo seu comentário, entendi que tende a concordar mais comigo do que com o Luiz, mas que é a opinião dele, e não a minha, a dominante na Galiza, mas, no Brasil, torcer a cara a algo significa reprovar algo, rejeitá-lo, repeli-lo, daí a minha pergunta.

    Aproveito o ensejo para falar da minha profunda admiração pelos galegos empenhados na preservação dessa variante da nossa comum língua, independentemente do lado da polêmica em que estejam, excetuados, é claro, os que defendem a norma mais assemelhada – ou mais assimilada – ao castelhano.

    Eu não me canso de descobrir, no galego, as origens de formas brasileiras de se expressar e de pronunciar as palavras que, embora sejam condenadas pelos puristas, são tão ou mais antigas que as formas ditas puras.

    Esse “cá” em lugar de “que à”, em “torço mais a cara à opiniom do Anônimo cá do Luiz” é forma disseminadíssima de pronunciar “que a” ou “que à” (não distinguimos, foneticamente, os dois ás), mas estigmatizada por estar associada aos habitantes de pequenas cidades e das zonas rurais.

    Pois eu sempre digo que, nas cidades do interior e nas fazendas de Minas Gerais (mas não só nelas), se encontram, entre as formas reprovadas pelos puristas, tesouros linguísticos cujas origens remontam talvez à fase de formação da nossa comum língua.

    Toda essa discussão sobre norma padrão nos tira a atenção da riqueza que há na diversidade de falares, e quanta força há em que, não obstante diversos, sejam todos mutuamente inteligíveis.

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    • Respondendo a pergunta, entendeu bem. Com efeito, queria dizer que concordava mais com você ca co Luiz.
      Nom conhecia que no Brasil “torcer” tivesse esse significado. Eu pensava que vós usávades “torcedor” ou “torcida”, pra indicar um grupo de pessoas que “torcem” cara ũa equipa. Eu, por exemplo, sou um torcedor do Deportivo da Corunha; já que torço (e moito) cara essa equipa.
      Entom, como se formou “torcedor” e “torcida” alô no Brasil?

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      • Caro Anónimo Galego,

        Torcer a cara (o rosto, a face) a alguém ou a algo é que tem esse significado.

        Torcer por (ou para) uma equipe de futebol significa ser adepto (acho que, em Portugal, é assim que se diz) dessa equipe.

        Mas acho que “cara” em “torcer muito cara essa equipe” tem aí o sentido de apreciá-la, de prezá-la, de considerá-la cara, como na expressão “Caro Anónimo Galego” com que me dirigi a você:

        A confusão deu-se porque temos a expressão “torcer a cara a alguém” em que cara está por rosto, face: torcemos a cara, viramos o rosto para outro lado quando nem sequer queremos olhar para aquilo ou para aquele que reprovamos, rejeitamos, repelimos etc.

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  5. Olá, gostaria de saber se você pode responder as minhas perguntas.

    Depois de “Caro”, se começa obrigatoriamente com letra maiúscula?
    Exemplo:
    “Caro,
    Eu…”

    É permitido usar vírgula ou alguma outra pontuação depois de “etc.”?
    Exemplo: “Eu não a quis porque ela era insensível, intransigente etc., mas, por outro lado, a irmã dela era melhor.”

    O “o/a/lhe” pode substituir “tu/você”?
    Exemplo: “Eu lhe amo.” é o mesmo que “Eu amo você.”?

    Qual é o certo: “do que” ou “que”?
    Exemplo: “É melhor jogar bola que ficar em casa.” é o mesmo que “É melhor jogar bola do que ficar em casa.”?

    Obrigado.

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  6. Algumas anotações dispersas sobre o uso ou não do ponto abreviativo nos ordinais. Para discussão.

    1) Ao escrever “8.°”, com o ponto abrevia-se o vocábulo “oitavo”, mas “8°”, sem o ponto, obrigatoriamente significa “oito graus”.

    2) O que significaria 5°? “Cinco graus”, “quinto”, “cinco elevado a zero” ou é o império da ambiguidade?

    3) A escrita “8ª” pode interpretar-se como “oito” elevado a “a”?

    4) O que dizer da multiplicação literal? “ca” significa “c” vezes “a” uma vez que literalmente no produto de dois fatores não há obrigatoriedade do uso de ponto (.) nem de sinal de vezes (x).

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    • Luiz,

      Não leu o que se escreveu no blogue sobre a desnecessidade do ponto para indicar abreviação dos ordinais? Acho que faria melhor se acompanhasse o que escreve o Sacconi e outros que, como ele, pensam que saber português é dominar regrinhas ad hoc ridículas, muitas vezes inventadas recentemente. Onde está a ambiguidade em “Felipe Massa terminou a corrida em 8º lugar”. Você leria oito graus lugar? E se não houvesse “lugar”, você entenderia realmente que o piloto tivesse terminado a corrida em oito graus?

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    • Caro Luiz, Se reparar bem, nenhuma editora ou veículo de imprensa no Brasil usa mais esse ponto, e ninguém confunde “1° lugar” com “1 grau lugar”. E mesmo em Portugal, apesar de haver quem tenha fixação nos penduricalhos inúteis da língua, já cai esse ponto em desuso: vide o próprio dicionário Priberam, português, e que nunca o usa: https://www.priberam.pt/dlpo/escreveste “escreveste: 2ª pess. singular”.

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      • Na minha área, engenharia, “” é sim “três graus”, seja em ângulo, em temperatura (Celsius, Kelvin, et), o que for. E mais, é também “três elevado a zero“. E ainda significa “terceiro“.

        E também “m.n” ou “mn” ou “m x n” é sim “m” vezes “n“. Nem o sinal de vezes (x) nem o ponto multiplicativo são obrigatórios. Qualquer livro de engenharia, matemática, física, economia, etc, trata isto desta forma. Independente de qualquer gramático antigo ou moderno. Queiram ou não os inconformados. Não vou aqui exibir provas porque estas obviedades estão em qualquer livro técnico das áreas que citei.

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    • Meu caro

      Qual é a sua? Qual é a sua intenção? Proferir insultos gratuitos? Fazer barraco? Baixar o nível do ambiente? Já disse que conheço essa sua tática patética: se esquiva das questões tentando desqualificar o interlocutor e assim evita o mérito. É uma maneira muito escrota, própria de maloqueiros. Poderia aqui te dar uma resposta à altura na sua mesma linguagem chula, mas prefiro respeitar o nível elevado do blogue. Eu não estranho o seu tom: acho-o insano, irresponsável, tresloucado.

      Penso até que o responsável pelo bloque deveria tomar alguma providência, pois esse sujeito não está com boas intenções.

      Sobre o ponto, veja o que diz Evanildo Bechara em sua Moderna Gramática Portuguesa, 37. ed. rev., ampl. e atual. conforme o novo Acordo Ortográfico, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2009:

      É empregado ainda, sem ter relação com a pausa oracional, para acompanhar muitas palavras abreviadas: p., 2.ª, etc.

      Boa leitura. Não responderei mais seus delírios.

      E deixo uma mensagem ao administrador do blogue: a continuar as insanidades desse sujeito prefiro me afastar do grupo.

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      • Eu não deveria prosseguir, Luiz, por um motivo muito simples: porque você já deu mostras de que pretende continuar a “corrigir” erros que não existem com base em argumentos tão sólidos quanto o de que ca indicaria multiplicação de letras (imagino que se referisse à preposição usada pelo anónimo galego), mas eu tenho um defeito incorrigível, que é o de crer, sinceramente, na capacidade de aprendizado mesmo daqueles que parecem não querer aprender, e é só por essa razão que tentarei, mas uma vez, fazê-lo entender que lhe falta estudar algo de linguística para poder apreciar, verdadeiramente, a qualidade deste blogue.

        Você escreveu: “Poderia aqui te dar uma resposta à altura na sua mesma linguagem chula (…)”.

        Um gramático tradicional, à semelhança do Bechara, diria haver aí erro na mistura de pronomes
        da segunda e da terceira pessoas do plural, “te” e “sua”, de modo que você deveria ter escrito “Poderia aqui LHE dar uma resposta na SUA mesma linguagem chula” ou “Poderia aqui TE dar uma resposta na TUA mesma linguagem chula” (no segundo caso, teria de rever todo o texto, trocando as formas verbais da terceira para a segunda pessoa do plural nos trechos em que se dirigiu a mim).

        Um linguista lembraria o que prescreve a gramática tradicional, mas alertaria para que a maioria dos brasileiros, inclusive os cultos, fazem essa mistura cotidianamente, não só na fala, mas também na escrita menos monitorada, do que você acabou de dar prova, e ainda ressaltaria que a maioria dos portugueses, inclusive os cultos, faz a mesma mistura, mas no plural. Qualquer português que por aqui passar há de confirmar que diria e até mesmo escreveria “VOCÊS LERAM os livros que VOS emprestei ou os VOSSOS livros, que já HAVIAM comprado”, em vez de “Vocês LERAM os livros que LHES emprestei ou os SEUS livros, que já HAVIAM comprado” ou “Vós LESTES os livros que VOS emprestei ou os VOSSOS livros, que já HAVÍEIS comprado”.

        É claro que sempre haverá os que, como você, se batem pela pureza da língua, embora não a conservem pura como imaginam, e continuarão a bater-se mesmo quando as gramáticas escolares já não apontarem como desvio à norma essa mistura de pronomes.

        Por fim, só o excesso de pudicícia faria alguém classificar a minha linguagem como chula. O meu pudor me faria (far-me-ia, em sua homenagem) corar de vergonha não por chamar imbecilmente provocativo a um “argumento” que claramente o é, mas sim por fazer perderem tempo com questiúnculas irrelevantes pessoas que têm temas muito mais interessantes sobre os quais escrever, como, por exemplo, o autor do blogue.

        E olhe que é só um sentimento de dever para com os que sabem ainda menos do que eu que me dei ao trabalho de lhe responder, em vez de me ter limitado a dizer-lhe que fosse plantar batatas.

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      • Por duas vezes, no texto acima, referi-me a “te” e a “sua” como pronomes da segunda e terceira pessoas do plural, quando está claro que quis dizer segunda e terceira pessoas do singular, como ficou evidente quando disse que os portugueses cometem o mesmo erro, mas no plural.

        Eu nunca faço erratas como esta, por entender que erros como esses são imediata e corretamente percebidos como tais por qualquer leitor de boa-fé que não queira ater-se a picuinhas para se mostrar mais sabedor que o interlocutor, mesmo quando obviamente não o é.

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      • Na verdade, acho que é perda de tempo discutir por isso – é óbvio que é correto usar o ponto, e é óbvio que essa era a prática, assim como também é óbvio que o uso fez cair a necessidade do ponto. Se pararem para pensar, é exatamente o que ocorreu com todas as siglas: antigamente, escrevia-se O.N.U., F.G.T.S., U.N.E.S.C.O. (e assim ainda aparecem em algumas gramáticas e dicionários); na prática, já não se usam esses pontos – e, de novo, prova disso é o próprio texto do Acordo Ortográfico, que ao citar siglas, o faz sem pontos: “ONU, FAO”: https://dicionarioegramatica.com.br/acordo/acordo-de-1990/

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      • Eu uso e escrevo “faria-me” em vez de “far-me-ia”. Algũus dirám que é erro, mais eu escrevo dessarte; porque nom acho que aí haja nengum erro. Se falo assim, porque nom ia poder escrever igual? Ademais, é o mesmo que se fai no resto de pessoas.

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    • Ao final, estás dizendo que os falantes nativos da nossa língua; que a falárom toda a sua vida, nom têm ideia de como se usa. Entom, que estivérom a falar durante todos esses anos?
      Tantos anos falando e escoitando falala nossa língua e dende o momento que nasceche, tem de servir d´algo. Isso é inevitável. É impossível sabelo tudo, mais tamém é impossível nom saber rem.

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  7. Por que nós falamos “dois mil reais”, mas “dois milhões de reais”?
    “Dez reais”, mas “dez bilhões de reais”?

    Quando deve se usar a preposição “de”?

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  8. Qual é a preposição do verbo entrar: “a” ou “em”? “Entrar ao parque” ou “entrar no parque”? “A entrada ao parque é gratuita” ou “a entrada no parque é gratuita”?

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      • No Dicionário de Regência Verbal do Celso Pedro Luft, há registro de entrar a, com a anotação de que se trata de uso antigo e literário, próprio do português europeu. Encontram-se registros dessa regência em Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco e em pelo menos uma obra do século XVII, que encontrei pelo Google Livros.

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        • Mas qual o contexto exato? Porque claro que entre nós também ocorre entrar “a”(e entrar por, entrar sob, entrar desde, etc.), quando o que permite a preposição é o que vem depois, e não necessariamente o verbo entrar.

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        • Não tenho o dicionário do Luft à mão agora, mas o tenho em casa e vou transcrever o verbete “entrar” assim que puder, mas já lhe adianto que não tenho dúvida de que se tratava da regência do verbo mesmo, até porque as regências são destacadas de modo visível nas entradas de cada verbete e, neste caso específico, me lembro de haver a anotação de que se trata de uso antigo e literário, próprio do português europeu. Disso não tenho dúvidas nem confio em memória falha, porque li isso ontem mesmo.

          Encontrei-a numa obra de 1627, “Declaraçaõ das 613. encomendanças de nossa Sancta Ley conforme à exposição de nossos sábios, muy necessária ao Iudesmo” (pode-se conjecturar que o autor não fosse falante nativo do português ou que, embora nascido em Portugal, refletisse a fala da comunidade judaica a que pertencia): “”O Saçerdote que entrou AO Templo, naõ sendo hora de serviço” e “O Saçerdote que entrou AO Templo, havendo bebydo vinho”, mas, entre essas duas frases, se lê “O Saçerdote que entrou NO Templo”; “E quem passou por isto, e entrou ao sanctuario, com cabelo cresçido na forma sobredita, e servio, hê mereçedor de morte por maõ d’el Dio”.

          De Camilo Castelo Branco, em “A Sereia”: “Entrou ao seu quarto: não tinha papel nem tinteiro”. Do mesmo autor, em “O Esqueleto”: “Às dez horas da noite deste dia, Ricardo de Almeida fez pavor a Rafael Garção, quando lhe entrou ao quarto, no hotel de Itália, tartamudeando ofegante umas frases sem tino, cortadas por soluções”.

          Há, ainda, pelo menos um exemplo de “entrar a” em obra literária brasileira: “Entrou ao quarto de Clarissa, sem pensar, sem pedir licença, sem bater” (em “Um lugar ao sol”, de Érico Veríssimo).

          Ao final deixo um link para a Revista de Portugal, Série A, Língua Portuguesa, Volume V, 1944, em que se enumeram diversas regências de entrar, entre elas “entrar a”, com outra abonação de Camilo.

          Mas não tenho dúvidas de que “entrar em” é muito, muito mais frequente que todas as outras, como, aliás, anotou o Luft no seu dicionário.

          https://books.google.com.br/books?id=Et0_AQAAIAAJ&q=%22entrou+ao%22&dq=%22entrou+ao%22&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwjzoMSnjprUAhXEkJAKHVitCyw4PBDoAQhBMAY

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  9. Sou jogador amador de tênis e tenha várias questões em relação ao esporte.

    Pronúncia de 2 dos torneios de Grand Slams (Wimbledon e Roland-Garros)
    Wimbledon deve ser pronunciado como em inglês (úim-bôu-don) ou de forma aportuguesada (úim-ble-dom)? E Roland-Garros como em francês (rô-lán ga-rrô) ou de forma aportuguesada (rô-lán-de ga-rrôs)?
    Existem formas portuguesas para os diversos termos do tênis? Slice, top spin, ace, set, lob, swing volley, split step, etc.? E em outras línguas? Os termos ingleses são utilizados internacionalmente?

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