Pronomes de tratamento (“Vossa Senhoria”, “Sua Excelência”) nunca levam crase

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Não se usa crase antes de pronomes de tratamento. São incorretas, portanto, construções como “à Sua Excelência”; o certo é sempre “a Sua Excelência”. O mesmo vale para Vossa Excelência, Vossa Senhoria, Sua Senhoria, Vossa Santidade, Sua Alteza, etc.

A razão é simples: a crase ocorre, em regra, quando se dá a junção de duas vogais idênticas – quando dizemos “dei o livro à menina”, há crase porque o “à” ali representado vale por dois: a preposição “a” (equivalente a “para”) e o artigo feminino “a”.

Como os pronomes de tratamento não levam artigo definido (não se diz “A Vossa Excelência chegou”, “O pai da Vossa Alteza”, e sim “Vossa Excelência chegou”, “O pai de Vossa Alteza”), nunca há, antes de pronomes de tratamento, os dois “aa” necessários para que surja uma crase.

Assim, escreva sempre sem crase: “dirigiu-se a Suas Senhorias”; “falou a Sua Excelência”; etc.

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Eta, notícia boa: Globo corrigiu nome da novela

Nem tudo está perdido: embora achássemos que já fosse quase causa perdida quando fizemos o apelo para que a Rede Globo corrigisse o nome da novela que estreou nesta semana (ver postagem original aqui), nada como uma boa notícia inesperada – a novela enfim apareceu com título e logotipo sutilmente corrigidos (ver comparação, abaixo)!  Na publicação anterior, recordamos por que “eta” não podia levar aquele acento. Gostamos de ver, Rede Globo!

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Pode e pôde: o passado “pôde” continua com acento obrigatório; o acento diferencial não caiu.

Mesmo na nova ortografia, continuam com acento diferencial o verbo “pôr”, o passado “pôde” e o substantivo “fôrma”.

É verdade que a nova ortografia (estabelecida pelo Acordo Ortográfico de 1990, em vigor desde 2009) eliminou vários acentos diferenciais: hoje, “pelo” (cabelo do corpo), “pera” (a fruta), e “polo” (de “Polo Norte” e “Polo Sul”) escrevem-se sem acento (até 2009, escreviam-se pêlo, pêra e pólo).

No entanto, nem todos os acentos chamados “diferenciais” deixaram de ser usados: o Acordo Ortográfico manteve o acento diferencial do verbo “pôr” (sinônimo de “colocar”) e do verbo “pôde” (passado do verbo poder).

O verbo “pôr” continua com acento para diferenciá-lo da preposição “por” (de “por isso”, “por aí”, “por mim”).

Já “pôde”, no passado, continua a ter acento, para diferenciá-lo do presente do mesmo verbo: “ele não pode” (pronunciado “póde”: presente); “ele não pôde” (passado).

Além desses dois verbos (em que o acento diferencial é obrigatório), o novo Acordo Ortográfico também estabeleceu que é permitido usar, opcionalmente, o acento diferencial no substantivo “fôrma” (uma “fôrma” de pão, de bolo), para diferenciá-lo do substantivo “forma” (“forma de dizer”, “forma de pensar”, “fora de forma”, “bela forma”, etc).

Pode-se dizer, assim, por exemplo: “Comprei uma fôrma de bolo lindinha, com forma de estrela.”