Uso do artigo definido com nomes de países – lista de países

Sans titre

Por que é que se diz “no Brasil”, “do Brasil”, mas “em Portugal”, “de Portugal”? Por que se diz “na Alemanha”, “na Áustria”, “na Hungria”, mas “em Angola” ou “em Singapura”? Nesses casos, infelizmente, não há explicação para cada caso. No que tange ao uso de artigo definido com o nome de países, a regra, em português, é seguir o uso e a tradição da língua.

Em regra geral, o normal é que os nomes de países levem artigo definido em português. Por isso, não se deve dizer que algo ocorreu “em Gâmbia“, ou “em Zâmbia“, ou “em Benim” (ou, pior ainda, “em Benin“), ou “em Brunei“, “em Malawi“, “em Papua Nova Guiné“, “em Serra Leoa“, “em Guiné-Bissau“, etc.

O certo, nesses casos citados, é usar o artigo: na Gâmbia, na Zâmbia, no Benim, no Brunei, no Malawi, na Papua Nova Guiné, na Serra Leoa, na Guiné-Bissau, etc.

Essa regra geral se aplica à maioria dos países do mundo. Assim, do mesmo modo que se diz “o Brasil”, “a Argentina” e “o México”, diz-se também: o Afeganistão, a África do Sul, a Albânia, a Alemanha, a Arábia Saudita, a Argélia, a Argentina, a Austrália, a Áustria, o Azerbaijão, as Bahamas, o Barém (ou Bahrein), a Belarus, a Bélgica, o Benim, a Bolívia, o Botsuana, o Butão, os Camarões, o Camboja, o Canadá, o Cazaquistão, o Chade, o Chile, a China, a Colômbia, as Comores, o Congo, a Coreia, a Costa do Marfim, a Costa Rica, a Croácia, a Dinamarca, a Dominica, o Egito, o Equador, a Eritreia, a Eslováquia, a Eslovênia, a Espanha, os Estados Unidos, a Etiópia, as Filipinas, a Finlândia, a França, o Gabão, a Gâmbia, a Geórgia, a Grécia, a Guiné, a Guiné-Bissau, a Guiné Equatorial, o Haiti, a Hungria, o Iêmen, as Ilhas Cook, as Ilhas Marshall, as Ilhas Salomão, a Índia, a Indonésia, o Irã, o Iraque, a Itália, a Jamaica, o Japão, a Jordânia, o Kiribati, o Kosovoo Kuwait, o Laos, o Lesoto, a Letônia, o Líbano, a Libéria, a Líbia, o Liechtenstein, a Lituânia, a Macedônia, o Malawi, as Maldivas, o Mali, a Moldova, a Papua Nova Guiné, o Quênia, o Quirguistão, as Seicheles, o Senegal, a Serra Leoa, a Sérvia, a Síria, a Somália, o Sri Lanka, a Suazilândia, a Suécia, a Suíça, o Sudão, o Suriname, a Tanzânia, o Tajiquistão, o Togo, a Tunísia, o Turcomenistão, a Turquia, a Ucrânia, o Uruguai, o Uzbequistão, o Vaticano, a Zâmbia, o Zimbábue, etc.

Há, porém, um número reduzido de países cujos nomes não admitem artigo definido em português. É o caso de Portugal, por exemplo. Não existe uma explicação satisfatoriamente lógica quanto a por que Portugal e outros países não levam artigo, enquanto a maioria leva. Nesses casos, a regra é seguir o uso e a tradição. Assim, é errado dizer, por exemplo, “na Angola”, “da Angola”, porque a tradição em português é não usar artigo com Angola: o correto é “em Angola”, “de Angola”.

(No caso de Angola, além da própria tradição da língua há o fato de que se trata de um país cuja língua oficial é o português – e o nome oficial do país, em português, é República de Angola, não “da Angola”. Do mesmo modo, Timor-Leste, também um país em que o português é língua oficial, rejeita o artigo: seu nome oficial é República Democrática de Timor-Leste, e seus habitantes, assim como os portugueses, dizem sempre “em Timor”, “de Timor”, “em Timor-Leste”).

Usam-se, assim, sem artigo: em Angola, em Antígua e Barbuda, em Belize, em Cabo Verde, em Chipre, em Cuba, em El Salvador, em Granada, em Honduras, em Israel, em Madagascar, em Malta, em Moçambique, em Myanmar, em Nauru, em Niue, em Omã, em Palau, em Santa Lúcia, em São Cristóvão e Névis, em São Vicente e Granadinas, em São Tomé e Príncipe, em Singapura, em Taiwan, em Timor-Leste, em Tonga, em Tuvalu, em Vanuatu.

Como se vê, são, em grande parte, ilhas (Cuba, Malta, Niue, Singapura, Tuvalu…), mas há exceções, de modo que a única regra que se pode estabelecer é a do uso tradicional na história da língua.

Há ainda alguns países cujo uso é discrepante entre o Brasil e Portugal – são países com que os portugueses usam o artigo, e os brasileiros não:

  • portugueses dizem “nas Honduras”, “nas Fiji”, “no Gana”, “no Ruanda”, “no Uganda”‘, “no Luxemburgo”, “no Mónaco”, “no Montenegro”;
  • enquanto os brasileiros dizem “em Honduras”, “em Fiji”, “em Gana”, “em Ruanda”, “em Uganda”, “em Luxemburgo”, “em Mônaco”, “em Montenegro”.

No caso de Marrocos, ocorre o contrário: os portugueses dizem “em Marrocos”, enquanto no Brasil se diz “no Marrocos”.

E há, por fim, alguns poucos nomes que, em Portugal, tal como em português antigo, podem ocorrer sem artigo quando regidos por preposição: em Espanha, em França, em Inglaterra, em Holanda, em África, e outros poucos mais. No Brasil, usam-se hoje sempre com artigo: na Espanha, na França, na Inglaterra, na Holanda, na África.