“Parricídio” e “patricídio”

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Na publicação anterior sobre deicidas, fordicidas, gaticidas e afins, um leitor comentou ter sentido falta, na lista, de “parricida” – aquele que comete um parricídio: o ato de matar o próprio pai, ou a própria mãe, ou um avô ou avó, ou bisavô ou bisavó, ou qualquer outro ascendente.

Parricídio não é, assim, o mesmo que patricídio – ao contrário, portanto, do que afirma, erradamente, o Dicionário Houaiss. Patricida é aquele que mata o próprio pai, e ponto final – é, portanto, forma análoga de “matricida” (aquele que mata a própria mãe).

Dar um significado errado, como faz o Houaiss, é pior do que o que fazem o Dicionário Aurélio, o Aulete, o Michaelis, o da Porto Editora e o da Texto Editores, que sequer trazem as palavras patricídio patricida.

Na “prova” de hoje, o dicionário que se sai melhor é, sem dúvida, o Priberam (que além de tudo é grátis), que define, muito bem, patricida como quem mata o próprio pai, matricida como quem mata a própria mãe, e parricida como “Pessoa que mata seu pai ou sua mãe ou outro qualquer dos seus ascendentes.” ou ainda, por extensão, “Pessoa que atenta contra o rei ou contra a pátria“.

 

Qual o dicionário de português com mais palavras?

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Após termos feito, anteriormente, uma lista com os maiores dicionários da língua portuguesa para responder qual é o maior até hoje, diversos leitores enviaram-nos os números atualizados de alguns dos dicionários mencionados. A própria Priberam nos deu a honra de comentar na publicação, informando que o Dicionário Priberam já passa das 115 mil palavras. Obtivemos, ainda, os números exatos de verbetes dos dicionários de Laudelino Freire, da Academia Brasileira de Letras e daquele que já tínhamos identificado, corretamente, como o maior dicionário até hoje já publicado. Para que esteja sempre atualizada, a publicação em questão se tornou uma página fixa, acessível pelo menu aqui acima (ou simplesmente clique aqui).

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Barém, aportuguesamento de Bahrein

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Com o Grande Prêmio do Bahrein de Fórmula 1 em evidência, proliferam na imprensa as menções a esse país árabe. A pronúncia padrão em português do nome Bahrein rima com tambémarmazém, Belém. Com base nisso, alguém poderia se perguntar: não se poderia, então, escrever, em português, Barém?

Certamente se pode – e, embora cause estranheza a muitos brasileiros, Barém é de fato a forma tradicional.

Como já comentamos em publicação anterior, na qual mostramos que o novo Acordo Ortográfico explicitamente traz “hem“, e não *hein nem *ein, como grafia oficial para a interjeição de espanto ou dúvida (“hem?”), é uma regra da língua portuguesa que o som final pronunciado, no Brasil, “êin” deve ser escrito “ém” (como em Belémtambém…).

Além disso, o nome Barém é tão tradicional em português que aparece mencionado, mais de uma vez, nessa grafia, n’Os Lusíadas de Camões, primeiro grande clássico da língua portuguesa:  “(…) Das perlas de Barém, tributo rico.”

Embora haja atualmente uma forte tendência mundial, e também na língua portuguesa, de se deixarem de lado “traduções” de nomes próprios, em favor do uso de formas internacionais (o que encontra respaldo, ainda, no texto do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que deu carta branca para o uso das letras kw e  e de quaisquer combinações de letras não usuais em português, nos nomes próprios estrangeiros e em seus derivados), o aportuguesamento tradicional Barém tem legitimidade, como mostram as fontes a seguir:

Contracapa da primeira edição do Dicionário Melhoramentos – atual Dicionário Michaelis:

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Dicionário Silveira Bueno (“O mais brasileiro dos dicionários de português”):IMG_0766.JPG

Vocabulário Onomástico da Academia Brasileira de Letras (1999):

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Por fim, recordemos Cândido de Figueiredo, que, na parte final de seu dicionário, faz um compilado de nomes próprios frequentemente escritos errados já no século passado:

“Barém, região da Arábia. Em livros e mapas nossos, [vê-se] Bahrem e até Bahrein !”IMG_0760

Em outras palavras, é inegável que a forma “internacional” Bahrein é a mais usada em português, hoje – mas a língua portuguesa, com tantos séculos de história, já há muito criara sua versão própria para o nome do país, Barém.

O que não faz sentido, por outro lado, é a divulgação de invencionices recentes, criadas na cabeça de alguns puristas equivocados que, querendo rejeitar a forma internacional Bahrein, mas sem conhecer a história da língua portuguesa e a tradição do uso de Barém, inventam aportuguesamentos próprios, como Bareine ou Barein. É por isso que se diz que de boas intenções o inferno está cheio: se cada falante que quiser “salvar” a língua da invasão de termos estrangeiros começar a inventar seus próprios aportuguesamentos sem levar em conta aqueles já existentes, em pouco tempo ninguém mais se entenderia.

Penal é estojo escolar… mas onde?

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Em partes do Brasil, os objetos acima – estojos escolares, em que se guardam canetas, lápis e outros itens do material escolar – são chamados penais. Um claro arcaísmo, derivado das antigas penas, que se usavam no lugar de canetas. Mas onde de fato se usa o termo?

O Houaiss registra: penal: substantivo masculino (MG, PR) Estojo escolar para guardar lápis, borracha, caneta etc“. Mas uma rápida pesquisa no Twitter (por exemplo por “meu penal”) mostra que todas as mais de cem últimas ocorrências da palavra penal com sentido de estojo escolar vieram do estado de Santa Catarina ou da cidade paranaense de Curitiba – única cidade não catarinense em que a palavra ocorreu.

Além de as populações do Paraná e de Minas Gerais serem bastante maiores que a de Santa Catarina, foi praticamente só em SC que se registra o uso contemporâneo da palavra, sem restrição a qualquer cidade – apenas nos últimos dias, por exemplo, há tuítes com a expressão “meu penal” vindos de FlorianópolisSiderópolis, CriciúmaRio do SulPorto União, Joinville, Içara, Blumenau e Jaraguá do Sul.

Em outras palavras: penal deve sim estar nos dicionários, com o sentido que aparece no Houaiss, mas o estado da federação em que mais se usa (SC) não aparece indicado no Houaiss.

Editado: após a publicação do texto acima, o Houaiss corrigiu a definição de “penal” na versão digital do dicionário, incluindo a indicação de “SC” (Santa Catarina) como local em que se usa o termo.

Tríplex? Até as Academias recomendam triplex

Embora só se ouça falar recentemente de um certo triplex, alguns jornais insistem em só escrever tríplex. Por quê? Porque confiaram cegamente (como sói ocorrer) no Houaiss e no Aurélio, que, como já mostramos tantas outras vezes, erram, e muito.

Já mostramos aqui que o Dicionário Aulete, de Caldas Aulete, registra como formas idênticas triplex e tríplex (pelo que faria mais sentido dar preferência à forma que de fato se ouve, oxítona). Dicionários de renome como o Dicionário de Usos do Português do Brasil (cujas palavras foram selecionadas das palavras que de fato mais ocorrem na língua, com um sistema profissional de busca), o Dicionário de Celso Luft e até o Dicionário feito pelo ex-presidente Jânio Quadros somente registram triplex, sem acento. E agora fomos checar os Dicionários oficiais da Academia Brasileira de Letras (a ABL) e da Academia das Ciências de Lisboa (a homóloga portuguesa da ABL), e o fato é que ambas as academias registram como forma preferencial triplex, oxítona, e não tríplex:

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Acima, o Dicionário da Academia de Lisboa. A seguir, o mais recente Dicionário da Academia Brasileira de Letras (2009):

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Mas – se todas as pessoas pronunciam triplex como oxítona (como atesta o próprio Aurélio), e a maioria dos dicionários prefere a forma triplex ou mesmo só aceita essa forma, e as duas Academias da Língua Portuguesa dão preferência à forma oxítona, triplex… por que é que há jornais que até hoje escrevem tríplex? Em resposta: simplesmente porque os jornais tendem a confiar cegamente seja no Houaiss, seja no Aurélio – mesmo em casos absurdos como esse. E, como o Houaiss (que quase semanalmente mostramos aqui que, por melhor que seja, tem uma abundância de erros) registra triplex como “forma não preferível de tríplex”, alguns consultores linguísticos aparentemente sem senso crítico pessoal (caso da consultora da Folha de S.Paulo) acabam pagando esse mico que é obrigar toda a redação a escrever, em pleno 2016, “tríplex”.

Não nos esqueçamos de gelinho, flau, laranjinha e chope

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Previamente, comentamos o fato de os dicionários brasileiros estranhamente não registrarem a palavra dindim – que é, muito bem, registrada pelo português Priberam -, nem no sentido de dinheiro (bufunfa, pratas, pilas, cascalho, etc.), nem no sentido desse refresco congelado aí da foto acima – que recordamos ser também chamado, em diferentes partes do Brasil, geladinho sacolé.

Leitores e leitoras escreveram-nos desde então para “reclamar” do fato de termo-nos “esquecido” de mencionar os nomes usados em suas respectivas regiões.

Como mostra a série de respostas à consulta, abaixo – e corrigidas as grafias -, há, além das já dicionarizadas geladinho (usado na Região Sul e em parte de SP), sacolé (no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul), dindim (típico de Brasília e do Norte e Nordeste) e refresco (em Mato Grosso), as seguintes formas, também usadas de forma significativa em diferentes partes deste país-continente que é o Brasil:

  • gelinho (usado na cidade de São Paulo),
  • flau (nas regiões Nordeste e Norte),
  • laranjinha (em Goiás e interior de Minas Gerais),
  • chupe-chupe (Santa Catarina, Minas Gerais e litoral de São Paulo) e
  • chope (usado no Pará).

Confira o resultado da enquete:

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Qual o maior dicionário de português?

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Quantas palavras tem no dicionário? Quantas palavras há nos dicionários
Qual o maior dicionário da língua portuguesa? Para saber quantas palavras tem cada um dos principais dicionários brasileiros e portugueses, clique aqui.

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Clique aqui para descobrir quantas palavras tem cada um dos principais dicionários da língua portuguesa.

Dindim é dinheiro, mas também é geladinho, sacolé ou gelinho

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Todo brasileiro conhece a palavra “dindim”, forma reduzida de dizer, num contexto informal, “dinheiro”. É surpreendente, assim, que, até poucos meses atrás, nenhum dicionário de português registrasse o substantivo masculino dindim. E é irônico o fato de o primeiro dicionário a registrar a palavra dindim ser não um dos excelentes dicionários brasileiros – como o Aurélio, o Houaiss ou o novo Aulete -, mas o portuguesíssimo Dicionário Priberam (dindimsubstantivo masculino; origem onomatopeica; brasileirismo: Dinheiro). Ponto para o Priberam.

Fica faltando, porém, um sentido de dindim – provavelmente o mais usual, se confiarmos na busca do Google Imagens (ver aqui): em partes do Brasil, dindim é o nome mais usual disto que se vê na foto abaixo: um “suco em geral com sabor artificial de fruta, congelado dentro de um saquinho plástico circular, semelhante a um picolé cilíndrico e esticado, porém sem pauzinho; também chamado geladinho, sacolé ou gelinho“.

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Um moirão: cada uma das vigas que formam uma cerca

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Liguei para meu pai e ele estava reclamando do vizinho, que teria derrubado um ‘moirão’ ou sei lá quantos ‘moirões’ dele. Entendi que tinha algo a ver com a cerca da propriedade, mas confesso que nunca tinha ouvido a palavra, que nem sei se existe, e os dois dicionários que consultei dão sinônimos e explicações tanto mais complicados que até agora não sei: ele estava certo?

Sim, caro consulente: seu pai está absolutamente correto no emprego da palavra moirão (que também se pode escrever mourão).

Moirões (ou mourões) são cada um dos postes, vigas ou estacas de concreto, madeira ou pedra que, fixados perpendicularmente ao solo, dão sustentação ao material sobre eles fixado (telas, arames, placas de madeiras, etc.), para formar uma cerca:

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A língua portuguesa vai bem de dicionários

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A língua portuguesa não tem uma entidade reguladora (não, a Academia Brasileira de Letras e a Academia das Ciências de Lisboa não têm prerrogativas reguladoras oficiais – prova disso é o fato de os Vocabulários Ortográficos de ambas estarem sendo ignorados – e em muitos casos contrariados – pelo Vocabulário Ortográfico Comum que se está a elaborar, e que será, este sim, oficial, mencionado que está no texto legal do Acordo Ortográfico de 1990).

Já a língua espanhola – que é a segunda língua mais falada no mundo – tem sua instituição reguladora oficial: a Real Academia Espanhola coordena as Academias da Língua Espanhola de todos os países hispanófonos, que, juntas, publicam periodicamente o dicionário “oficial” da língua espanhola – cuja versão mais recente, informa com orgulho a Academia, acaba de chegar a um número “recorde” de 93 mil palavras definidas (“verbetes”).

Parece pouco? E é: o Dicionário Larousse da Língua Francesa define hoje 135 mil verbetes, e o Dicionário Oxford do Inglês, o maior dicionário da língua inglesa, traz 290 mil verbetes.

Mesmo os maiores dicionários atuais dessas grandes línguas não superam, porém, o Grande Dicionário da Língua Portuguesa do brasileiro Antonio de Moraes Silva, cuja décima edição, publicada entre os anos de 1948 e 1958, de responsabilidade do português José Pedro Machado, trazia 306 949 verbetes.

A tradição lexicógrafa da língua portuguesa oferece-nos ainda – a brasileiros, portugueses e a todos os lusófonos – muitos motivos para sentirmo-nos orgulhosos:

  • Pouco depois de 1700, a língua portuguesa já tinha seu primeiro dicionário monolíngue: o de Bluteau (posteriormente, de Bluteau e Moraes), com 43 644 verbetes;
  • Enquanto a segunda língua mais falada do mundo, o espanhol, até hoje não produziu um dicionário que chegasse a 100 mil verbetes, a língua portuguesa já tinha, um século atrás, três dicionários com mais de 100 mil verbetes: o já mencionado Dicionário de Moraes; o de Caldas Aulete; e o de Candido de Figueiredo – este último com exatos 128 521 verbetes na edição de 1913 (hoje disponível gratuitamente aqui);
  • A esses três se somaria, em 1939, o “Grande e Novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa”, de Laudelino Freire, com 208 104 palavras;
  • Entre as obras atualizadas, há hoje oito dicionários de português atualizados com mais de 100 mil palavras: o Priberam, o da Porto Editora e o da Texto Editores, em Portugal; o Estraviz, na Galiza; e, no Brasil: o Aurélio, o Michaelis, o Houaiss e o Aulete atualizado.
  • Apesar do nome, deve-se mencionar, ainda, a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, que, publicada originalmente entre 1936 e 1960, definia-se como em parte “um dicionário da língua comum de portugueses e brasileiros”, com mais de 250 mil entradas lexicais.

O primeiro Dicionário da Academia Brasileira de Letras, publicado em 1967, trazia, em cinco volumes, 72 mil  verbetes. Elaborado com grande esmero pelo grande filólogo Antenor Nascentes, a obra fora por ele entregue à Academia em 1943, mas ficou mais de 20 anos na gaveta até ser publicada; diferentemente de todos os dicionários brasileiros atuais, trazia as pronúncias figuradas de todas as palavras.

A segunda edição desse Dicionário da Academia Brasileira de Letras, revisada e aumentada, foi impressa, em seis volumes ilustrados, em 1976 – que traziam um total de 88 818 verbetes.

Em Portugal, depois de duas tentativas frustradas (em que não se passara da letra “A”) nos séculos anteriores, foi lançado em 2001 o primeiro Dicionário (completo) da Academia das Ciências de Lisboa, com 70 mil entradas. Embora aparentemente “pequeno”, é volumoso (são dois grandes tomos) e seguiu uma metodologia científica para a escolha de suas entradas, servindo-se de um corpus – um levantamento profissional de todas as palavras efetivamente mais usadas em Portugal. No Brasil, o primeiro dicionário feito com base em um corpus seria lançado no ano seguinte, em 2002: em seu “Dicionário de usos do português do Brasil”, Francisco da Silva Borba, da UNESP, trazia 62 800 entradas.

Ainda em Portugal, há o Dicionário Universal da Língua Portuguesa da Texto Editores, com 95 320 palavras na edição de 2006; o Grande Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que afirma ter 120 mil entradas; e o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, que, disponível gratuitamente na Internet, já conta com mais de 115 mil palavras e dá o mesmo tratamento que ao português europeu ao português brasileiro.

Também gratuitamente na Internet estão disponíveis os 211 732 verbetes do Dicionário Aulete, incluindo verbetes antigos e atualizados (até 2009).

A primeira edição (de 2001, no Brasil; de 2003, em Portugal) do Dicionário Houaiss definia 193 274 palavras (embora dissesse, na introdução, ter mais de 228 mil).

A 2ª edição do brasileiro dicionário Aurélio (a última em vida do renomado autor), publicada em 1987, continha exatas 115 243 palavras. Em sua atual (quinta) edição, o Aurélio define 143 387 palavras, incluindo, como o Priberam, tanto as variantes brasileiras quanto as lusitanas das palavras com dupla grafia.

A supracitada 10ª edição do Dicionário de Moraes (1948), com suas não superadas 306 949 palavras, ainda é, portanto, o maior dicionário de português já feito.