“Collant”, em português, se escreve colã

 

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Como chamar a roupa de material aderente ao corpo que se usa em danças, como o balé? Collant ou colã? Collant – em francês. Em português, colã.

Em francês collant significa literalmente “colante”. O nome vem do fato de a roupa “colar-se” ao corpo. Do mesmo modo que não faz mais sentido escrever maillot em português – mas sim maiô -, em português a forma correta, já incluída inclusive no Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa, é colã:

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Proximidade e distância entre as línguas europeias

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No gráfico acima – clique aqui para ver o gráfico em tamanho maior -, indicam-se, pelos diferentes tipos de traços ou pontilhados, a distância (ou, a depender do ponto de vista, a proximidade) lexical – isto é, no vocabulário geral – entre as línguas europeias. As cores refletem grupos.

O português e o galego, por exemplo, compartilham mais de 75% do vocabulário com o espanhol; entre 55% e 75%, com o italiano; e entre 40 e 55%, com o francês. Já o catalão tem mais de 75% de léxico compartilhado com o espanhol e com o italiano; e o italiano; de 55% a 75% com o francês, que por sua vez tem entre 30% e 40% de léxico compartilhado com o inglês, etc.

A imagem em tamanho original está aqui.

O gentílico e a pronúncia de Vanuatu

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Um forte terremoto atingiu Vanuatu, pequeno país e arquipélago situado no Oceano Pacífico. O sismo teve magnitude tamanha que gerou temor em toda a região quanto à possibilidade de tsunâmis (para recordar por que em português “tsunâmi” deve escrever-se com acento, clique aqui).

Com as raras menções a esse pequeno país, ressurgiu a dúvida: como pronunciar o nome do país? Vanuátu ou Vanuatú? E quem nasce em Vanuatu se chama como?

Em inglês, a pronúncia é paroxítona (*Vanuátu), mas a pronúncia correta do nome do país em português é oxítona: “Vanua – do mesmo modo que na própria língua nacional de sua população, o bislamá (língua sobre a qual também já escrevemos, aqui).

Embora a pronúncia seja Vanuatú, o nome do país não leva acento em português, simplesmente porque as palavras oxítonas terminadas em “u” não são acentuadas em português: urubuIguaçu, baiacu, Tuvalu, pirarucu, jacu.

Como o último “u” é tônico, quem nasce em Vanuatu deve ser chamado, em português, vanuatuense – a exemplo de Amapá/amapaense; Itajaí/itajaiense; Jequié/jequieense. A forma correta é a única acolhida pelo Dicionário Aurélio, pelo Dicionário Michaelis, pelo Dicionário Priberam e pelo Dicionário da Porto Editora – nenhum dos quais traz *vanuatense, forma errada que traz o Dicionário Houaiss.

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Francês, nova ortografia: le “week-end” vira le “weekend”

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Não foi só a língua portuguesa que aprovou em 1990 uma nova ortografia: 26 anos atrás, França, Bélgica e o Quebeque aprovaram uma reforma ortográfica que, exatamente como a nossa, apenas agora passa a ser obrigatória – e que, lá como cá, está causando polêmica.

Os franceses e francófonos não têm muito com que se preocupar, porém – as mudanças são poucas e visam, lá como aqui, a simplificar a ortografia. A palavra cebola, por exemplo, escrevia-se há séculos “oignon” (sim, é do francês que vem a forma inglesa, onion), embora esse “i” já não fosse pronunciado: simplesmente se cortou o “i”.

Com exceção da cebola, a palavra mais usada em francês que vai ter sua grafia modificada é certamente le week-end – o fim de semana, que agora passa a escrever-se weekend, tudo junto – como em inglês, por coincidência. Eis uma lista das principais mudanças:

  • Oignon  vira « ognon »
  • Chauve-souris  vira  « chauvesouris »
  • Asseoir  vira  « assoir »
  • Nénuphar   vira  « nénufar »
  • S’entraîner   vira  « s’entrainer »
  • Maîtresse   vira  « maitresse »
  • Coût   vira  « cout »
  • Paraître   vira  « paraitre »
  • Mille-pattes   vira  « millepattes »
  • Porte-monnaie   vira  « portemonnaie »
  • Des après-midi   vira  « des après-midis »

Como se depreende dos exemplos acima, grande parte das mudanças advém da supressão de hifens: a centopeia, que em francês chamava-se “mille-pattes“, “mil-patas”, passa a ser “milpatas”, e uma carteira – lá chamada porta-moedas – vira, de forma mais simples, um portamoedas.

O plural dos nomes compostos com verbo (que, como em português até hoje, lá causava muitas dúvidas e erros) também foi completamente resolvido: no singular, sem “s”; no plural, com “s”. Por essa lógica, teríamos um “conta-gota” e um “abre-lata”, com “conta-gotas” e “abre-latas” sendo apenas as formas no plural.

A mudança mais significativa (segundo estimativas, até 5% das palavras da língua serão afetadas) deve ser a supressão do acento circunflexo das letras u: há várias palavras francesas que, por razões etimológicas, levam o acento circunflexo, mas, enquanto â, ê e ô representavam fonemas diferentes de a, eo, o acento já não representava nenhuma mudança de pronúncia no î e no û – por isso, foram cortados os î û de palavras como maîtresse (professora) e coût (o verbo “custar”, em Combien ça coûte ? Quanto custa?). Interessante notar que, nisso, aproximam-se da língua portuguesa.

Apesar de ser pequena a reforma, já há, como sempre, os indignados: a hashtag número 1 nas redes sociais na França já é #JeSuisCirconflexe.

A lista (em francês) com o que muda e o que não muda pode ser acessada aqui.

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