“Apelido”, em Portugal, é sobrenome (como “apellido” em espanhol)

Untitled

Um casal de brasileiros no exterior teria preenchido, no campo “Apelido” na página de compras de uma companhia aérea europeia, os apelidos carinhosos com que chamam um ao outro: “Amorzão” e “Princesona“. Que acabaram saindo impressos nas passagens, no lugar dos sobrenomes.

Aos que duvidaram: sim, a história é real, e Amorzão e Princesona  até conseguiram embarcar, no fim das contas (ver aqui).

Assim que a história passou a ser divulgada, muita gente supôs que Princesona e Amorzão tivessem feito a compra numa página em espanhol.

De fato, em espanhol “apellido” significa sobrenome, nome de família. Mas não foi o caso: em viagem pela Europa, o casal fez a compra na versão em português da página de uma companhia holandesa… que estava, naturalmente, em português europeu – isto é, português de Portugal.

Similarmente ao “apellido” espanhol, em Portugal o sentido mais usual de “apelido” é o de sobrenome, nome de família.

Já para o sentido mais usual no Brasil de apelido – o usado por “Amorzão” e “Princesona”, por exemplo -, os portugueses usam sobretudo o termo alcunha.

 

“Adoção gay” incomoda conservadores em Portugal

jesus_bloco_de_esquerda_peq

Na noite de ontem, 25 de fevereiro, o Bloco da Esquerda de Portugal lançou a imagem acima para comemorar a aprovação, pelo Parlamento português, da lei que permite a adoção por casais gays.

A revolta dos conservadores acabou sendo tripla: não apenas pela aprovação da lei em si, mas também pelo uso de inteligente paralelismo com Jesus (que “também tinha 2 pais”, como recordou o Bloco da Esquerda) – e, para calhar, conseguiram ainda incomodar os conservadores linguísticos, como o jornal português Público  – o único dos grandes jornais do país que deliberadamente se recusa a adotar a nova ortografia da língua, e, por isso, insiste em escrever adopção (com o “p” mudo que caiu, no Brasil, há mais de meio século, e, em Portugal, em maio de 2015) – mesmo nesse caso, ao escrever sobre uma lei que traz, em seu título legal, a palavra adoção, e ao ilustrar a própria reportagem com duas imagens que trazem a palavra adoção.

Um dia nada fácil para os conservadores portugueses, de todos os tipos.

1033697