Nem ‘Guangzhou’ nem ‘Guangdong’: em português, Cantão

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O apresentador do telejornal acaba de afirmar que o primeiro caso de zica na China acaba de ser confirmado… em Guangdong. Da mesma forma que muita gente até hoje não sabe que Pequim e Beijing são a mesma cidade, graças à qualidade nossa televisão o brasileiro em casa vai dormir pensando que algo ocorreu em algum canto obscuro de que nunca ouvira falar na China, sem saber que, na verdade, o ocorrido se deu na tão conhecida província de Cantão.

Cantão é o nome da província chinesa chamada Guangdong em chinês; e é Cantão também o nome português da cidade que é a capital dessa província – cidade que é chamada Guangzhou em chinês. Em português, para diferenciar-se, sempre se referiu à cidade de Cantão ou à província de Cantão.

Chamar a tão famosa Cantão de Guangdong ou Guangzhou equivale a chamar, em português, Londres de London, ou Munique de München.

Além de Cantão, outras quatro cidades chinesas com nomes tradicionais em português, que devem ser usados, são Nanquim (Nanjing), Pequim (Beijing), Taipé (Taipei) e Xangai (Shanghai).

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Quem nasce no Sri Lanka é srilankês, não cingalês

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O Sri Lanka é um pequeno país ao sul da Índia, que ocupa a ilha que os portugueses originalmente batizaram de Ceilão.

Quem nasce no Sri Lanka é srilankês – e não “cingalês”, como dizem, erroneamente, muitos dicionários. Cingalês é o nome da língua e da etnia majoritárias no Sri Lanka; no entanto, nem todos os srilankeses são cingaleses: cerca de 10% dos habitantes do Sri Lanka pertencem à etnia tâmil.

Cingalês, palavra antiga na língua portuguesa, corresponde a Sinhalese em inglês; cingalés, em espanhol; Cinghalais em francês. O cingalês é uma das duas línguas oficiais do Sri Lanka (a outra é o tâmil).

Como define o dicionário Oxford, cingaleses (Singhalese ou Sinhalese) são “um povo originário da norte da Índia, que hoje constitui a maioria da população do Sri Lanka“.

Já o neologismo srilankês corresponde ao inglês  Sri Lankan; ao francês Sri Lankais; e ao espanhol esrilanqués: são srilankeses os “nativos ou habitantes do Sri Lanka” – de qualquer etnia, sejam eles cingaleses, tâmeis, portugueses, brasileiros ou de qualquer outra origem.

 

“Em Benin”? Não, o certo é “no Benim”

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Algumas notícias recentes (como esta) referentes às contas secretas do presidente da Câmara dos Deputados na Suíça têm repetido, ao longo do texto, um parágrafo padrão (“requentado”) afirmando que o dinheiro seria proveniente de desvio referente à negociação “de um campo de exploração de petróleo em Benin, na África”. “Em Benin“? Não. Nem “em“, nem “Benin“.

O Benim é um país africano, que assumiu o nome de República do Daomé após tornar-se independente da França, mas cujo nome atual, Benim, remete a um antigo império africano – o Império do Benim – e também ao golfo onde se situa o país – o golfo do Benim.

Tanto o antigo Império do Benim quanto o antigo Daomé tiveram intensa relação com o Brasil, tendo vindo da região do golfo do Benim grande parte da população africana trazida ao Brasil durante o período do tráfico de escravos e da escravidão.

O nome do Benim, portanto, é velhíssimo conhecido da língua portuguesa, e, como toda palavra portuguesa (ou aportuguesada), termina com “-im”, e não com “-in”. Todas as palavras portuguesas que terminam com o som do “i” nasalizado grafam-se assim: mim, fim, curumim, sim. A mesma regra vale para as palavras estrangeiras que foram “assimiladas” ao português – como o nome da capital alemã, Berlim (em alemão, Berlin); e, claro, o do país (e golfo) africano, o Benim (em francês, Bénin).

Da mesma forma, sempre se usou o artigo definido para se referir ao Benim: o Benim, no Benim, do Benim – como é, ademais, o caso de quase todos os nomes de países do mundo: o Brasil, a Argentina, a Áustria, o Azerbaijão, as Bahamas, o Bangladesh, a Belarus, o Botsuana, o Burkina Faso, o Brunei, os Camarões, as Comores, o Canadá, o Equador, a Espanha, a Gâmbia, a Guiné, o Lesoto, o Kuwait, a Papua Nova Guiné, as Seicheles, o Sri Lanka, o Suriname, o Vaticano, a Zâmbia…