Jinguba (e não *ginguba) é o mesmo que amendoim

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Uma leitora pergunta o que seria uma ginguba, palavra que leu numa receita. A palavra encontrada é, na verdade, um erro frequentemente cometido em lugar de jinguba, com j: em português africano – especificamente em Angola e em Moçambique -, jinguba é o mesmo que amendoim.

A palavra jinguba provém do quimbundo (kimbundu), língua africana em que ngûba significa amendoim. Em quimbundo, como noutras línguas africanas do grupo bantu, o plural é feito não pela adição de uma terminação à palavra (como o “-s” do português), mas pela adição de um prefixo – neste caso, o prefixo “ji”, de modo que jinguba, em quimbundo, era originalmente o plural de amendoim: “amendoins”. Em português, o que era o plural em quimbundo foi tomado singular: nos países africanos, fala-se “uma jinguba” – palavra já acolhida por todos os dicionários de português, brasileiros e portugueses.

O fenômeno de tomar uma palavra estrangeira no plural e torná-la um singular nada tem de inusitado ou incomum: em português, temos ravióli, singular, tomado do italiano – sendo que, em italiano, ravioli é o plural de um raviolo. Da mesma forma, no Brasil usa-se “brócolis” como singular daquilo que em italiano é, no singular, um broccolo.

Finalmente, há que se apontar que a grafia ginguba, que por vezes se vê, é errada. A forma dicionarizada é jinguba, com j, que é como registram Houaiss, Aurélio, o Priberam e o dicionário da Porto Editora – este último , o melhor dicionário existente no que concerne à acolhida de termos do português africano. A grafia com jota, e não , está em consonância com as regras ortográficas da língua portuguesa, que, por convenção, mandam usar a letra jota (e não “ge” nem “gi”) na grafia portuguesa das palavras de origem bantu (é o contrário, como já vimos, do caso das palavras árabes, em que é o “g”, e não o “j”, que deve ser usado – como vimos na publicação sobre tagine).

Quantos falantes de português existem?

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A língua portuguesa é a sexta língua mais falada no mundo (as cinco línguas mais faladas são, em ordem: 1. chinês; 2. espanhol; 3. inglês; 4. híndi; 5. árabe).

Mas quantas pessoas falam a língua portuguesa no mundo? Quantos lusófonos existem?

Segundo estimativas, a língua portuguesa é falada hoje por aproximadamente 250 milhões de pessoas em todo o mundo.

Destes, calculam-se ser 249 milhões provenientes apenas dos quatro maiores países lusófonos:

  • Brasil:    208 milhões (quase todos os 205 milhões de habitantes do Brasil, aos quais se somam os 3,2 milhões de brasileiros no exterior);
  • Portugal:     14,5 milhões (10 milhões em Portugal + 4,5 milhões de portugueses no estrangeiro);
  • Angola:     14,5 milhões de lusófonos (60% da população de 24,3 milhões);
  • Moçambique:     12 milhões de lusófonos (50% da população de 24 milhões);

O milhão faltante corresponde à soma dos outros quatro países em que o português é língua oficial: são os 500 mil habitantes de Cabo Verde (onde toda a população fala o português, embora a língua materna de quase todo o país seja o crioulo); 250 mil na Guiné-Bissau (15% da população do país); virtualmente todos os 200 mil habitantes de São Tomé e Príncipe (metade deles como língua materna); e 100 mil lusófonos em Timor-Leste (menos de 15% da população timorense).

Segundo estimativas, haverá, ainda:

Macau: 50 mil falantes de português (7% da população de 600 mil)
Goa, Índia: entre 1 e 4 mil falantes de português
Damão e Diu, Índia: entre 10 e 12 mil falantes de português
Malaca, Indonésia: 2,2 mil falantes de português

A esses mais de 250 milhões de habitantes somam-se ainda os 2,8 milhões de habitantes da Galiza, na Espanha, cuja língua, o galego, é considerado seja a língua-mãe do português, seja uma variante da mesma língua.

Uma jinguba = um amendoim (no português africano, jinguba é amendoim)

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Uma leitora pergunta-nos o que seria uma ginguba, palavra que leu em uma receita. A palavra encontrada deve, provavelmente, ter sido escrita errada, em lugar de jinguba, com j: em português africano – especificamente em Angola e em São Tomé e Príncipe – jinguba (substantivo feminino) é um sinônimo de amendoim.

A palavra jinguba (que admite também a variante jiguba) provém do quimbundo (kimbundu), língua africana em que ngûba significa amendoim. Na língua quimbunda, como em outras línguas africanas bantus, o plural é feito não pela adição de uma terminação à palavra (como o “-s” do português), mas pela adição de um prefixo – neste caso, o prefixo adicionado é “ji”, de modo que jinguba, em quimbundo, era originalmente o plural de amendoim – amendoins. Em português, o plural quimbundo virou singular: nos países africanos, fala-se “uma jinguba” – palavra já acolhida por todos os dicionários de português, brasileiros e portugueses.

O fenômeno de tomar uma palavra estrangeira no plural e torná-la um singular nada tem de inusitado ou incomum: em português, temos ravióli, singular, tomado do italiano – língua em que, na verdade, ravioli é o plural de um raviolo. Da mesma forma, no Brasil usa-se “brócolis” como singular daquilo que em italiano é, no singular, um broccolo.

Finalmente, há que se apontar que a grafia ginguba, que por vezes se vê, é errada. A forma dicionarizada é jinguba, com j, que é como registram registrada Houaiss, Aurélio, o Priberam e o dicionário da Porto Editora – este último , o melhor dicionário existente no que concerne à acolhida de termos do português africano. O dicionário da Porto admite também jiguba, sem o “n”. Ambas as grafias – com jota, e não com gê – estão em consonância com as regras ortográficas da língua portuguesa que, por convenção e com fins de padronização, mandam usar exclusivamente o jota, e nunca a letra g com som de jota, na grafia portuguesa das palavras de origem bantu (é o contrário, como já vimos, do caso das palavras árabes, em que é o “g”, e não o “j”, que deve ser usado – como vimos na publicação sobre tagine).