Jinguba (e não *ginguba) é o mesmo que amendoim

20111011-peanut-shell

Uma leitora pergunta o que seria uma ginguba, palavra que leu numa receita. A palavra encontrada é, na verdade, um erro frequentemente cometido em lugar de jinguba, com j: em português africano – especificamente em Angola e em Moçambique -, jinguba é o mesmo que amendoim.

A palavra jinguba provém do quimbundo (kimbundu), língua africana em que ngûba significa amendoim. Em quimbundo, como noutras línguas africanas do grupo bantu, o plural é feito não pela adição de uma terminação à palavra (como o “-s” do português), mas pela adição de um prefixo – neste caso, o prefixo “ji”, de modo que jinguba, em quimbundo, era originalmente o plural de amendoim: “amendoins”. Em português, o que era o plural em quimbundo foi tomado singular: nos países africanos, fala-se “uma jinguba” – palavra já acolhida por todos os dicionários de português, brasileiros e portugueses.

O fenômeno de tomar uma palavra estrangeira no plural e torná-la um singular nada tem de inusitado ou incomum: em português, temos ravióli, singular, tomado do italiano – sendo que, em italiano, ravioli é o plural de um raviolo. Da mesma forma, no Brasil usa-se “brócolis” como singular daquilo que em italiano é, no singular, um broccolo.

Finalmente, há que se apontar que a grafia ginguba, que por vezes se vê, é errada. A forma dicionarizada é jinguba, com j, que é como registram Houaiss, Aurélio, o Priberam e o dicionário da Porto Editora – este último , o melhor dicionário existente no que concerne à acolhida de termos do português africano. A grafia com jota, e não , está em consonância com as regras ortográficas da língua portuguesa, que, por convenção, mandam usar a letra jota (e não “ge” nem “gi”) na grafia portuguesa das palavras de origem bantu (é o contrário, como já vimos, do caso das palavras árabes, em que é o “g”, e não o “j”, que deve ser usado – como vimos na publicação sobre tagine).

Quantos falantes de português existem?

1acc-mapa-mc3bandi-dos-pac3adses-da-cplp

A língua portuguesa é a sexta língua mais falada no mundo. As cinco línguas mais faladas são, em ordem: 1. chinês; 2. espanhol; 3. inglês; 4. híndi; 5. árabe.
Quantas pessoas falam a língua portuguesa no mundo? Quantos lusófonos existem?
O português é hoje falado por mais de 255 milhões de pessoas em todo o mundo.

Somados apenas os quatro maiores países lusófonos, já somos mais de 250 milhões:

  • Brasil:   210 milhões (virtualmente todos os mais de 207 milhões de habitantes do Brasil, aos quais se somam os mais de 3 milhões de brasileiros no exterior)
  • Angola:   18 milhões de lusófonos (segundo o último censo angolano, falam português mais de 70% da população de 25,7 milhões – mas menos de 50% como primeira língua)
  • Portugal:   14,5 milhões (10 milhões em Portugal + 4,5 milhões de portugueses no estrangeiro)
  • Moçambique:   12,5 milhões de lusófonos (50% da população de 25 milhões é proficiente em português, embora menos de 10% o tenham como língua materna)

Os cabo-verdianos, por sua vez, somam cerca de 1 milhão de falantes: embora a língua materna de toda a população seja o crioulo, todos os cabo-verdianos falam o português – o que inclui, além dos 500 mil habitantes de Cabo Verde, outros 500 mil cabo-verdianos espalhados pelo mundo.

São, portanto, 255 milhões de lusófonos vindos dos cinco maiores países da lusofonia.

Além desses 255 milhões vindos de cinco países, há ainda: 250 mil lusófonos na Guiné-Bissau (15% da população do país); todos os 190 mil habitantes de São Tomé e Príncipe (metade deles como língua materna); e 100 mil lusófonos em Timor-Leste (menos de 15% da população timorense). A Guiné Equatorial, embora tenha decretado o português como uma de suas línguas oficiais em 2009, não tem população nativa lusófona – a língua mais falada no país é o espanhol.

Além da população dos países oficialmente lusófonos, há ainda as antigas comunidades portuguesas encravadas em outros países, onde se estima haver:

  • Macau (China): 12 mil falantes de português (2% da população de 600 mil)
  • Damão e Diu (Índia): entre 4 mil e 10 mil falantes de português
  • Goa (Índia): menos de 4 mil falantes de português
  • Malaca (Indonésia): 2,2 mil falantes de português

Uma jinguba = um amendoim (no português africano, jinguba é amendoim)

20111011-peanut-shell

Uma leitora pergunta-nos o que seria uma ginguba, palavra que leu em uma receita. A palavra encontrada deve, provavelmente, ter sido escrita errada, em lugar de jinguba, com j: em português africano – especificamente em Angola e em São Tomé e Príncipe – jinguba (substantivo feminino) é um sinônimo de amendoim.

A palavra jinguba (que admite também a variante jiguba) provém do quimbundo (kimbundu), língua africana em que ngûba significa amendoim. Na língua quimbunda, como em outras línguas africanas bantus, o plural é feito não pela adição de uma terminação à palavra (como o “-s” do português), mas pela adição de um prefixo – neste caso, o prefixo adicionado é “ji”, de modo que jinguba, em quimbundo, era originalmente o plural de amendoim – amendoins. Em português, o plural quimbundo virou singular: nos países africanos, fala-se “uma jinguba” – palavra já acolhida por todos os dicionários de português, brasileiros e portugueses.

O fenômeno de tomar uma palavra estrangeira no plural e torná-la um singular nada tem de inusitado ou incomum: em português, temos ravióli, singular, tomado do italiano – língua em que, na verdade, ravioli é o plural de um raviolo. Da mesma forma, no Brasil usa-se “brócolis” como singular daquilo que em italiano é, no singular, um broccolo.

Finalmente, há que se apontar que a grafia ginguba, que por vezes se vê, é errada. A forma dicionarizada é jinguba, com j, que é como registram registrada Houaiss, Aurélio, o Priberam e o dicionário da Porto Editora – este último , o melhor dicionário existente no que concerne à acolhida de termos do português africano. O dicionário da Porto admite também jiguba, sem o “n”. Ambas as grafias – com jota, e não com gê – estão em consonância com as regras ortográficas da língua portuguesa que, por convenção e com fins de padronização, mandam usar exclusivamente o jota, e nunca a letra g com som de jota, na grafia portuguesa das palavras de origem bantu (é o contrário, como já vimos, do caso das palavras árabes, em que é o “g”, e não o “j”, que deve ser usado – como vimos na publicação sobre tagine).