Quem nasce no Sri Lanka é srilankês, não cingalês

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O Sri Lanka é um pequeno país ao sul da Índia, que ocupa a ilha que os portugueses originalmente batizaram de Ceilão.

Quem nasce no Sri Lanka é srilankês – e não “cingalês”, como dizem, erroneamente, muitos dicionários. Cingalês é o nome da língua e da etnia majoritárias no Sri Lanka; no entanto, nem todos os srilankeses são cingaleses: cerca de 10% dos habitantes do Sri Lanka pertencem à etnia tâmil.

Cingalês, palavra antiga na língua portuguesa, corresponde a Sinhalese em inglês; cingalés, em espanhol; Cinghalais em francês. O cingalês é uma das duas línguas oficiais do Sri Lanka (a outra é o tâmil).

Como define o dicionário Oxford, cingaleses (Singhalese ou Sinhalese) são “um povo originário da norte da Índia, que hoje constitui a maioria da população do Sri Lanka“.

Já o neologismo srilankês corresponde ao inglês  Sri Lankan; ao francês Sri Lankais; e ao espanhol esrilanqués: são srilankeses os “nativos ou habitantes do Sri Lanka” – de qualquer etnia, sejam eles cingaleses, tâmeis, portugueses, brasileiros ou de qualquer outra origem.

 

Singapura ou Cingapura? Na nova ortografia, é Singapura.

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Cingapura ou Singapura? Na nova ortografia, é Singapura. O novo Acordo Ortográfico (obrigatório a partir de 1º de janeiro de 2016) manda expressamente grafar “Singapura” “com “S” – “e não com C“.

É o que lembra a própria embaixada de Singapura no Brasil (ler aqui).

O Acordo Ortográfico de 1990 (que, apesar do nome, se  tornou obrigatório em Portugal apenas em 2015, e no Brasil apenas em janeiro de 2016) traz em seu texto uma seção inteira dedicada às letras que, na língua portuguesa, representam sons idênticos, a “Base III“.

O texto do Acordo – negociado entre brasileiros, portugueses e outras sete delegações lusófonas – achou por bem especificar a grafia correta de palavras que geravam dúvidas ou que historicamente tinham alternado entre diferentes escritas.

A Base III do Acordo começa, por exemplo, listando casos em que se deve fazer “distinção gráfica entre chx“: deve-se escrever flechabucho, com ch; mas xerife e xícara (o primeiro Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras, de 1943, e sua edição seguinte, de 1981, aceitavam, ambos, as grafias xícarachícara como válidas e sinônimas; na edição de 2004, a opção chícara finalmente desapareceu, conforme o disposto no Acordo Ortográfico).

Posteriormente, dedica-se o Acordo às palavras com o som que pode ser grafado sssç. Assim – esclarece o texto do Acordo -, deverão ser escritas exclusivamente com s: “ânsia, ascensão, aspersão, cansar, conversão, esconso, farsa, ganso, imenso, mansão, mansarda, manso, pretensão, remanso, seara, seda, Seia, Sertã, Sernancelhe, serralheiro, Singapura, Sintra, sisa, tarso, terso, valsaMais explícito, impossível.

A inclusão do nome do país no texto do Acordo pôs fim a uma alternância histórica. No próprio país, em malaio, língua oficial do país, escreve-se “Singapura“. Em inglês, escreve-se Singapore. Também se escreve com S o nome do país em todas as demais línguas que usam nosso alfabeto – espanhol, francês, italiano, alemão, todas – e, desde 1945, em todos os outros oito países que têm o português como língua oficial. A exceção foi o Brasil, que não ratificou o Acordo Ortográfico de 1945.

Historicamente, a língua portuguesa havia alternado entre as duas grafias, registrando-se também Cingapura em Portugal e Singapura no Brasil: em 1967, por exemplo, o governo brasileiro criou a embaixada do Brasil em Singapura – com “S” mesmo. Meio século antes, em 1911, o governo brasileiro criara um consulado em Singapura – também com “S“.

A indefinição entre as grafias com s ou com foi resolvida em Portugal e nos demais países lusófonos pelo Acordo Ortográfico de 1945. O Brasil, porém, foi o único país que não adotou a ortografia de 1945 (razão pela qual, até 2009, o Brasil tinha uma ortografia diferente da dos oito outros países lusófonos).

O novo Acordo, por fim, resolveu essa situação peculiar em que o Brasil era o único país do mundo a grafar o nome de Singapura com “C“.

O Dicionário Aurélio, em sua edição pós-Acordo Ortográfico, já eliminou as formas “cingapurense” e “cingapurano“, passando a registrar apenas singapurense e singapurano.

O dicionário Michaelis e o do Professor Pasquale (foto abaixo) também já apagaram qualquer vestígio de cingapurense ou Cingapura, registrando agora apenas formas com “S”.IMG_1917IMG_1918

Finalmente, os dicionários Larousse também já se adaptaram desde antes da entrada em vigor do Acordo: desde a edição de 2009, cingapurense já vinha com o “alerta”: A partir de 2013, escreve-se singapurense.

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E também o Dicionário Houaiss, em sua versão eletrônica, atualizada:

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