esnórquel, aportuguesamento de snorkel, nos dicionários Houaiss e Michaelis

Family snorkeling in tropical water

Vemos com muita frequência a grafia inglesa “snorkel” para se referir ao tubo, parte do equipamento de mergulho, que serve para respirar com o rosto sob a água. Não tem por quê: o dicionário Houaiss, o dicionário Michaelis e o dicionário Estraviz já trazem o aportuguesamento esnórquel, perfeito do ponto de vista ortográfico e já muito empregado em literatura.

A palavra esnórquel, em português, precisa de acento por se tratar uma palavra paroxítona terminada em “L” – como horrívelamávelmóvelpádel. As palavras terminadas em “L” sem nenhum acento gráfico são oxítonas: papelaluguelanilgeral, futebol

O plural, regular, é esnórqueis.

Diferença, em português, entre crocodilo, jacaré, aligátor e caimão

imageA família Crocodilidae é a família dos crocodilos; outra família diferente é a Alligatoridae, cujos membros são chamados indistintamente jacarés, aligátores ou caimões.

Uma criança de dois anos foi morta ontemc na Disney, em Orlando, atacada por um réptil da espécie Alligator mississippiensis. Nas caixas de comentários das notícias sobre o caso nas imprensas brasileira e portuguesa, uma constante: a estupidez de lusófonos que, mais que com a criança, se preocupavam em “corrigir” os repórteres que haviam se referido ao animal como um “jacaré“.

Houve, de um lado, ignorantes a dizer que não podia ser um jacaré, mas sim um crocodilo, pois nos EUA o que há são crocodilos. Errados. De fato, o que mais há nos EUA são crocodilos, que são de fato répteis bastante diferentes dos jacarés, inclusive de famílias diferentes. Mas, especificamente na Flórida, há, sim, jacarés. O estado da Flórida é, aliás, o único lugar do mundo em que se podem encontrar naturalmente jacarés e crocodilos juntos.

De outro lado apareceram os “especialistas” segundo os quais o animal não era crocodilo mas também não era um jacaré, “porque jacarés são os do Brasil”, e o bicho que atacara a criança era um aligátor.

“Aligátor” nada mais é que o aportuguesamento de alligator, que é a tradução, em inglês de jacaré – do mesmo modo que os jacarés ou alligators são chamados, em espanhol, caimanes, de onde se criou ainda outro aportuguesamento, caimão.

Mas, biologicamente, jacarés, aligátores caimões são sinônimos.

Biologicamente, os crocodilos pertencem à família Crocodylidae; outra família, diferente, é a família Alligatoridae.

Essa família, a Alligatoridae, inclui oito espécies – são oito espécies de répteis chamados, em inglês, alligators; em espanhol, caimanes; e, em português, jacarés. As oito espécies são:

As seis primeiras espécies são encontradas no Brasil e também em demais países da América Latina (nesses países de língua espanhola são, em geral, chamados de caimanes). A penúltima das espécies mencionada acima é encontrada na Flórida e em outros estados dos EUA, onde é, em geral, chamado de alligator; e o último é encontrado apenas na China, onde é chamado de 學名. Da mesma forma que, em português, não chamamos o jacaré-da-china de 學名, não há por que chamarmos os jacarés dos EUA de aligátores, assim como não necessariamente chamamos um jacaré colombiano de  caimão.

O Epiro, não *Épiro

trhhNa mesma reportagem mencionada na publicação anterior (em que O Estadão compara uma eventual vitória de Dilma Rousseff a uma vitória de Pirro), o colunista apresenta Pirro como rei do “Épiro”, região da Grécia. O nome correto da região é Epiro – paroxítono, não proparoxítono; miraculosamente, acertam todos os principais dicionários: o Priberam, o Michaelis, a Porto Editora, o Aulete, Aurélio e Houaiss, etc.

Apesar de os dicionários todos acertarem, é um erro muito comum, por razões que a própria razão desconhece, chamar o Epiro de Épiro. Deve ser o mesmo fenômeno curioso que faz ouvirem-se, ao menos no Brasil, *rúbrica no lugar de rubrica; *púdico no lugar de pudico; *ávaro no lugar de avaro; *íbero no lugar de ibero; e mesmo *Édito de Milão, em vez da correta Edito de Milão.