“Caucus”: bons jornais não escrevem assim

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Caucus, em inglês, é uma “convenção” (partidária) ou uma “prévia” (eleitoral)

Há jornais que parecem determinados a, mais que simplesmente transmitir notícias, ensinar inglês a seus leitores – às custas da língua portuguesa. Fala-se de créditos subprime, de stalkers, de think-thanks e de lame-ducks, sempre como se fossem palavras portuguesas, ou “intraduzíveis”. Hoje, alguns jornais nos brindaram em notícias e manchetes em português com outra palavra inglesa aleatória e absolutamente desnecessária: “Hillary vence caucus democrata em Iowa com margem apertada”.

Por favor, jornalistas: se não sabem o que é um caucus (e ninguém tem obrigação de o saber), basta olhar no Dicionário Michaelis Inglês-Portuguêsgrátis): “caucus: convenção de partido político”. 

Não é difícil. Bons jornais escreveram sobre a “convenção dos Democratas” e sobre os resultados na “convenção do Partido Republicano”.

Outra opção para se referir especificamente a convenções como as de hoje, em que se votava nos pré-candidatos de cada partido, é “prévia“; foi a forma elegantemente empregada pelo sempre cuidadoso Valor Econômico:”Ted Cruz vence prévia republicana em Iowa“.

Aí está – “prévia”, ocupa até menos espaço na manchete que “caucus“, e é uma palavra em português. Se não existisse tradução viável, ademais, todo bom jornalista sabe que a palavra estrangeira deveria vir destacada – por exemplocaucus ou “caucus” – ou aportuguesada (“cáucus”). Mas, existindo as equivalentes “convenção” e “prévia”, não existe desculpa (mais que preguiça) para o uso da forma estrangeira.