“Derrepente” não existe… nem em português, nem em espanhol

Sem título

“De repente” se escreve sempre separado; “derrepente” não existe.
“Com certeza” são duas palavras; “concerteza” não existe.

Um erro comum em português é escrever tudo junto, como uma só palavra, expressões que na verdade se escrevem separado: “de repente”, por exemplo, é muitas vezes escrita, de forma errada, “derrepente” (que não existe). Não é o único exemplo frequente: também abundam, na Internet, as aparições de “concerteza” (que, só para constar, também não existe: o certo é, sempre, “com certeza”, separado) ou mesmo de “agente vai”, “agente quer”, etc., quando o que se queria escrever era “a gente”, separado (novamente, só para constar: a expressão que substitui “nós” é sempre “a gente”, duas palavras; um agente, tudo junto, é, por exemplo, um agente secreto).

O curioso é notar que o fenômeno não se limita ao português: também em espanhol, professores e manuais precisam frequentemente recordar que a expressão “de repente” se escreve com duas palavras, separadas; e que “derrepente” não existe – nem em português, nem em espanhol.

Chuca ou xuca? Chuca (lavagem intestinal) já está no Dicionário Houaiss

Sans titre

Chuca significa introdução de água pelo ânus, para limpeza do intestino. A palavra chuca, um sinônimo informal de enema, acaba de ser  inserida) no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa.

A palavra vem de Chuca, marca de uma empresa que há mais de 60 anos produz mamadeirazinhas como esta da foto abaixo, que permitem dar água, “remedinhos” e “outros líquidos” a bebês. O fenômeno é o mesmo que fez surgir a palavra bandeide da marca Band-Aid, bem como gilete, etc).

ArquivoExibir

Saber a origem do termo era essencial para saber, por exemplo, se se deveria grafar “chuca” ou “xuca”. Em respeito a preceitos da ortografia portuguesa, a palavra deveria ser escrita com “x” se a expressão “xuca” viesse de alguma língua africana, do árabe, do tupi ou, a rigor, de qualquer língua que não usa o alfabeto latino, desde que, nessa língua, a consoante inicial de fato se pronunciasse com o som de “sh” em “show”, e não com o som inicial de “tchau”. Por outro lado, uma palavra em português deve ser escrita com “ch” quando: 1) na língua original, o fonema em questão era pronunciado como “tch” (como é o caso salsiccia, que nos chegou do italiano, onde é pronunciada “salsi-tcha”); ou quando 2) a palavra vem de outra palavra (de nossa língua ou de outra) que já era escrita com “ch”.

É este último o caso de chuca, que deve portanto ser escrita com “ch”, por derivar do nome próprio Chuca, nome da sexagenária marca de produtos infantis.

O Houaiss foi recentemente o primeiro dicionário a oficializar esse significado de chuca – “injeção de água no organismo através do reto para limpeza intestinal” -, tão usado na Internet nos últimos anos (vide Portal Terra: “Fazer chuca é essencial para o sexo anal“) que até a Folha de S.Paulo já nos ensinara, em 2011, que significava: “fazer a chuca: limpar-se no chuveirinho, antes do sexo anal“.