Na nova ortografia, nomes de países se escrevem sem hífen

bd1f65e2bc57cc2a71bc271c5df08fdb.jpg

Em português, porto-riquenho escreve-se obrigatoriamente com hífen – mas Porto Rico, obrigatoriamente sem hífen.

Até poucos anos atrás, a questão do uso (ou não) dos hifens (sim, a palavra hífen tem acento, mas hifens, no plural, não tem) gerava muita confusão na hora de escrever nomes de países, regiões, estados, etc. O novo Acordo Ortográfico resolveu a questão: como regra geral, os topônimos (nomes de localidades: de países, estados, cidades, etc.) agora se escrevem sem hifens em português.

Assim, pela nova ortografia, escrevem-se sem hifens, por exemplo: Adis AbebaAntígua e BarbudaCabo VerdeBósnia e Herzegovina, Congo Brazzaville (denominação informal da República do Congo); Congo Kinshasa (denominação informal da República Democrática do Congo, o antigo Zaire); Dar es SalaamGuiné Equatorial; Hong Kong; Kuala Lumpur; Nova DelhiPapua Nova Guiné; Porto Príncipe; Santa Lúcia; São Vicente e Granadinas; São Cristóvão e NévisTel AvivTrinidad e Tobago; etc.

Os nomes de apenas dois países mantiveram os hifens, como exceções cujos nomes ficaram inscritos com hífen no próprio texto do Acordo, por serem precisamente dois dos países lusófonos signatários do Acordo: a Guiné-Bissau Timor-Leste.

Todos os demais, repita-se, escrevem-se agora sem hifens.

O mesmo se aplica a estados, cidades, etc.: Mato Grosso (e não *Mato-Grosso) – como São Paulo, Rio de Janeiro; ou, em Portugal: Beira Alta, Beira Baixa, Entre Douro e Minho, Vila Real; ou, em Angola: Lunda Sul, Lunda Norte, etc.

Por fim, o texto do Acordo fez ainda exceção explícita aos topônimos iniciados pelos adjetivos grã ou grão, ou por verbo, ou cujos elementos estejam ligados por artigo: Grã-Bretanha; Abre-Campo; Passa-Quatro, Trinca-Fortes; Montemor-o-Novo, Trás-os-Montes.

Senso comum não tem hífen; “senso-comum” está errado

“Senso comum” tem hífen? Não, não tem; escreve-se: o senso comum, sem hífen.

Em “senso comum”, não temos uma única palavra, mas duas, que não têm motivo para serem ligadas por hífen. Há, é certo, entre muitos brasileiros e portugueses, uma certa “mania hifenizadora”: uma tendência a colocar hifens em toda e qualquer expressão feita, com frequência equivocadamente. Há quem escreva, por exemplo, fim-de-semana, décimo-segundo, assembleia-geral, etc. O certo é “fim de semana”, “décimo segundo”, “senso comum”: todos sem hífen.

O propósito original do hífen é marcar o surgimento de um novo termo, formado pela junção de duas ou mais outras palavras, mas – é importante – desde que o novo termo tenha de fato um sentido novo, diferente da simples soma dos sentidos originais das palavras que o compõem. É por essa razão que a palavra ano-luz, nome de uma medida de distância, leva hífen, mas “ano passado” não; ou por que tio-avô, peixe-espada,porta-vozsegunda-feira têm hifens, mas “pai adotivo” ou “pai dedicado”, “peixe cru” ou “peixe frito”, “porta secreta” ou “porta traseira” e “segunda esposa” ou “segundas núpcias” não levam hífen.

É por essa mesma razão que “senso comum” se escreve sem hífen. Por não se tratar de uma palavra, não aparece nos dicionários e vocabulários – com exceção do Priberam, em cuja excelente busca o termo “senso comum” remeterá o consulente, corretamente, para a palavra “senso”, abaixo da qual figuram expressões que usam a palavra: bom senso e senso comum (ambas sem hífen).

Tampouco deve haver polêmica quanto ao plural da expressão – sendo duas palavras separadas, ambas flexionam normalmente: o bom senso, os bons sensos.