Palavra “estrupo” existe, mas não tem nada a ver com “estupro”

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As palavras estrupo estrupada  existem em português – mas não têm nada a ver com estupro ou estuprada.

Sim, há muita gente que, por confusão, pronuncia (e escreve) mal a palavra estupro – que, no sentido de violação, violência sexual, crime sexual, só se pode escrever mesmo estupro. Por essa razão, para “corrigir” o erro, muita gente costuma dizer, taxativamente, que “a palavra estrupo não existe”. Mas isso é falso: estrupo também existe; é uma palavra antiga da língua portuguesa – mas de fato nada tem a ver com estupro.

Estrupo, palavra que pode ser encontrada em dicionários atuais como o Aulete e o Priberam  e em todos os bons dicionários antigos, é um muito antigo sinônimo de tropel, que significa o ruído intenso causado pelo andar ou pelo correr de muitas pessoas ou animais ou uma multidão.

No Grande diccionario portuguez ou Thesouro da lingua portugueza, de Domingos Vieira, publicado em 1873, a palavra estrupo já era considerada antiga (e portanto, desusada), como sinônima de estrepido ou de tumulto.

No New Dictionary of the Portuguese and English Languages, de 1871, estrupo era definido como: ESTRUPO, s. the noise made by many horses ambling or running together; multitude, crowd.

Dicionário de Moraes de 1831 (4ª edição – foto abaixo) também já trazia estrupo, com o significado de “rumor de gente revolta“. O mesmo dicionário trazia, também, o substantivo estrupada (palavra presente até no Dicionário da Academia Brasileira de Letras, de 1988, com o significado de “rajada de vento”), que não deve ser confundida com  o adjetivo estuprada – da mesma forma que não se deve, jamais, confundir a antiga palavra estrupo com o crime de estupro.

Moraes