Depois do panelaço, o tuitaço

Depois de tuíte e tuitar, mais uma para a série “palavras que faltam nos dicionários” (mas sobram na vida real): tuitaço.

O Priberam registra, e bem, panelaço: diz ser palavra do português brasileiro, que significa “Manifestação em que se batem panelas ou outros utensílios metálicos para protestar, geralmente por motivos políticos ou sociais”.

Falta, agora, que qualquer Dicionário registre a análoga tuitaço, a manifestação feita pela publicação maciça de tuítes, igualmente “para protestar, geralmente por motivos políticos ou sociais”.

A palavra ganhou popularidade nacional no segundo semestre de 2010, durante as campanhas presidenciais brasileiras: o portal Terra afirmava que “Marina Silva foi pioneira ao promover tuitaços“, enquanto O Globo,  em 18/08/2010, destava que o então candidato à presidência Plínio de Arruda comemorava o êxito de seus tuitaços.

Em 2011, a Folha de S.Paulo já trazia a manchete “Acuado, Obama faz tuitaço antioposição“, enquanto O Globo trazia “Depois de tuitaço contra violência, alunos da UFF querem protestar na rua” e O Estado de S. Paulo, “Campanha pede tuitaço para forçar deputados a aprovarem 10% do PIB para a educação“.

Desde então, a palavra não saiu da imprensa – sempre com picos de popularidade em momentos eleitorais, quando o uso dos protestos virtuais crescia – como nas eleições presidenciais de 2014, quando, segundo a Revista Exame, o “PT convoc[ou] tuitaço durante programa eleitoral do PSDB” e, segundo O Estado de S. Paulo, a “Primeira guerra de tuitaços na história das eleições brasileiras anim[ou] a tarde de [uma] sexta-feira“.

Em 2015, a popularidade continua: “Em meio a protesto, tuitaço a favor de Dilma vira destaque na web“; “Cunha é alvo de tuitaço ao ser denunciado“;  “Tuitaço em protesto à classificação da Venezuela como ameaça aos EUA domina Twitter mundial“.

Já seria tempo, portanto, de termos “tuitaço” no Aurélio, no Houaiss, no Priberam, etc.

Atualização: Registramos com alegria que, logo após esta postagem, o Priberam acolheu a palavra tuitaço.

Tuitar, tuíte, retuitar, retuíte: bons aportuguesamentos para tweet e retweet

[Atualização:uma semana após esta nossa publicação, o Dicionário Priberam incluiu os verbos tuitar e retuitar, e os substantivos tuíte, retuíte e tuitaço.]

Já estão no Dicionário Aurélio e no Dicionário Priberam: tuitar (verbo regular: eu tuíto) e tuíte (substantivo masculino).

Tuitar, é claro, significa “publicar em um microblogue“, “postar em uma conta no Twitter“. Independentemente de eventuais ressalvas que se possa ter ao neologismo, construído com base em uma marca registrada, de uma empresa comercial, o fato é que o verbo tuitar, em suas várias conjugações, bem como o substantivo tuíte (plural: tuítes) – sem esquecer ainda os derivados retuitar e retuíte – estão, já há meia década, diariamente em toda a imprensa brasileira, aparecendo também, conforme a compilação abaixo, em Portugal, Moçambique e Angola.

Se – como demonstra a compilação abaixo – até os papas e os aiatolás já estão a tuitar, já passa da hora de nossos bons dicionários incluírem as formas tuitartuíteretuitarretuíte – e quem sabe até mesmo tuitaço (vide Revista Exame: PT convoca tuitaço durante programa do PSDB; Band: Denunciado, Cunha é alvo de tuitaço; etc).

[Atualização:uma semana após esta nossa publicação, o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa incluiu os verbos tuitar e retuitar, e os substantivos tuíte, retuíte e tuitaço.]

No Sol (de Portugal), hoje: Que Deus proteja minha irmã e os franceses, tuitou jogador francês;

Na Revista Exame: BBC pede desculpas por tuíte sobre saúde da Rainha; e Estudante que tuitou frases racistas é demitida;

Na Folha de S.Paulo: “Jesus Cristo foi o primeiro a tuitar”, diz Vaticano; A presidente Dilma retuitou “Dilma Bolada”, sua xará virtual;

Na Revista Veja: Band investiga tuíte pedófilo sobre criança do “Masterchef Júnior”; Homem que atirou torta em Murdoch tuitou antes do ataque;

N’O Globo: Cristina Kirchner comemora: “O povo grego disse ‘não’!”, tuitou; Adolescente que tuitou ameaça é criticada; Tuíte de aiatolá ali Khamenei parece mostrar Obama com arma;

N’O Estado de S. Paulo: Expulso de colégio por tuitar palavrõesDeputado reproduziu, em retuítes, mensagens de 15 pessoas com o mesmo mote; Kirchneristas comentam morte de procurador em tuítes;

tvi Portugal: Boston: suspeito tuitou “Mantenham-se em casa”; e “O inevitável tuíte de Obama é considerado um tuíte de ouro

No Público (Portugal): A crise no hotel Rixos acabou – “todos os jornalistas estão fora!”, tuitava o correspondente da CNN, Matthew Chance, que estava entre os 35 estrangeiros detidos no hotel

Jornal de Angola: “…teve o primeiro tuíte escrito pelo papa Bento XVI“; Conta atribuída ao Boko Haram tinha tuítes em árabe e em francês;

A Verdade, de Moçambique: Zayn Malik gera polêmica ao tuitar “#FreePalestine”; “Notícias terríveis”, relatou a embaixadora norte-americana em um tuíte

[Atualização:uma semana após esta nossa publicação, o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa incluiu os verbos tuitar e retuitar, e os substantivos tuíte, retuíte e tuitaço.]