Hégira ou Héjira? G ou J?

Folheando uma das gramáticas de português mais conceituadas hoje em dia, encontro, nos exemplos dos casos em que usam letras maiúsculas, indicação de que a inicial maiúscula se usa também nos nomes de “eras históricas e épocas notáveis: Idade Média, Quinhentos, Héjira” – este último, o nome da histórica fuga de Maomé de Meca para Medina, marco do calendário islâmico. Mas estará certa essa grafia? Ou será Hégira?

Se o leitor tiver prestado atenção à dica da resposta anterior sobre o tagine / tajine, saberá que a resposta só pode ser uma: em se tratando de palavras portuguesas vindas diretamente do árabe, a regra é o uso de “ge” e “gi” em vez de “je” e “ji”.

Não por acaso, é Hégira a grafia correta, única que se encontrará no Aurélio, no Houaiss, no Priberam, no VOLP, etc.

Para finalizar, vale recordar palavras de origem árabe em português com os sons “ji” ou “je”, grafados com “g“: alfageme, álgebra, algema, algeroz, algibebe, algibeira, álgido, almargem, Argel, Argélia, auge, gengibre, gergelim, geringonça, gesso, Gibraltar, Gidá, ginete, girafa, gíria, hégira, Tânger.

Por outro lado, nas palavras de origem tupi, usa-se, para o mesmo som, a letra “j“: ajeru (papagaio), canjerê, canjica, jecoral, jenipapo, jequitibá, jerimum, jiboia, jiquipanga, jiquiró, jiquitaia, jirau, jiriti, jitirana, mucujê, pajé.